Xixi na cama! Outra vez…

Enurese noturna

A enurese é uma disfunção que se manifesta pela perda involuntária de urina, diurna ou noturna, não normativa em relação à idade da criança e que não surge como consequência de falta de controlo da bexiga por doença neurológica, anomalia do trato urinário ou convulsão epilética, por exemplo.

A enurese noturna corresponde a perdas de urina durante o sono. Apesar de ser um problema comum, tem um forte impacto no dia-a-dia da criança e da sua família, constituindo-se como uma enorme fonte de stresse. O controlo dos esfíncteres corresponde a uma tarefa do desenvolvimento da criança, que decorre naturalmente mas que pode ser facilitada por atitudes educacionais. O contexto relacional e cultural onde decorre este processo, nomeadamente no que se refere ao ensino da higiene e às diferentes fases de aprendizagem e treino dos hábitos de higiene, é de extrema importância. A enurese pode ser primária, se a criança nunca chegou a adquirir o controlo da urina durante a noite ou secundária quando se observou um período de pelo menos seis meses de continência. A prevalência da enurese primária varia com a idade, sendo mais comum nos meninos (cerca de 9%) aos sete anos de idade, do que nas meninas (cerca de 6%) na mesma idade. Sendo o controlo dos esfíncteres um processo complexo, que envolve a ação coordenada de músculos, nervos, espinal medula e cérebro, pode resultar de vários fatores. Parece ser mais frequente em crianças que urinam mais vezes durante o dia, apresentam disfunção da bexiga ou têm dificuldades de sono (sono muito profundo e dificuldade em despertar). Ainda em termos de causas, parece existir também alguma predisposição genética.

EnuresePerante um caso de enurese, o primeiro passo é contactar o pediatra para o despiste de algum problema fisiológico (ex. renal) ou causa orgânica (ex. infeção urinária). Em termos de tratamento, habitualmente este só se aplica em casos de crianças com mais de seis anos de idade. A abordagem ao tratamento da enurese pode ser medicamentosa ou comportamental. A abordagem comportamental envolve estratégias de reforço, treino de retenção urinária ou pela utilização de sistemas de condicionamento com reforço positivo.

Enurese noturna

Os pais e cuidadores têm a grande responsabilidade de ajudar a criança a ultrapassar a  situação de enurese ao invés de a transformarem numa experiência traumatizante, o que pode ser fácil, não por má intenção mas por desconhecimento das características do problema. Para ajudar a criança a lidar com a enurese, os pais deverão normalizar a situação, explicando à criança que não está sozinha e que há muitas crianças da sua idade, que também passam pelo mesmo problema e que conseguem ultrapassá-lo. Outra estratégia passa por limitar a ingestão de líquidos a partir do final da tarde. Deverá também ser estabelecida uma rotina de sono, com horários regulares e que contemple uma ida à casa de banho, mesmo antes de ir para a cama. Se os pais sentirem dificuldade em lidar com o problema e com o impacto deste na sua vida e na sua família, devem recorrer à ajuda profissional de um psicólogo.

Enurese

Na consulta de psicologia, deverá ser feita a avaliação do impacto emocional da enurese na criança e na família, bem como devem ser identificadas algumas situações que possam ser responsáveis pela perturbação do equilíbrio emocional e psicológico da criança, como por exemplo a perda de um familiar, o nascimento de um irmão, algum tipo de abuso ou uma dificuldade de adaptação à escola. De acordo com a criança em questão e com a familia, será selecionada a estratégia a implementar. E como cada caso é uma caso e cada criança tem as suas particularidades, quando um método não for eficaz, haverão outros métodos a serem implementados até ao sucesso da intervenção.

EnureseÉ de extrema importância que os pais ou cuidadores não punam nem culpem a criança por urinar a cama. Esse comportamento por parte dos adultos, não só irá contribuir para a baixa da autoestima da criança, desenvolvimento do sentimento de vergonha, aumento da ansiedade e possíveis dificuldades de socialização e decréscimo do rendimento escolar, assim como dificulta o processo de tratamento. Pelo contrário, a criança deverá ser reforçada a cada sucesso que alcança. Este problema também constitui um grande desafio para os pais, não sendo fácil lidar com a enurese. Dependendo dos casos, alguns adultos podem, em consequência desta perturbação dos filhos, desenvolver problemas de sono, ansiedade, aumento da tensão emocional, agressividade e stresse familiar.

Ultrapasse as suas dificuldades com ajuda especializada. Procure a Sua Psicóloga!

 

 

Sugestão:

Barros, L. (2004). Perturbações da eliminação na criança e no adolescente: da prevenção ao controlo. Lisboa: Climepsi.

 

 

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