Psicologia do Ambiente: nascimento, propósito e interação social

Comportamento humano e ambienteA Psicologia do Ambiente prende-se com o facto de as questões ambientais serem na verdade questões humano-ambientais e deste modo refletirem não as crises do ambiente mas sim as crises das pessoas inseridas nos ambientes (Corraliza, 1997).

O nascimento da Psicologia do Ambiente teve lugar num período pós-guerra, quando terminada a II Grande Guerra Mundial foi necessário dar-se início ao processo de reconstrução das cidades. Arquitetos e cientistas da área do comportamento humano, uniram-se num processo de consciencialização de que a reconstrução deveria contemplar não apenas princípios de construção estética e funcional mas também deveriam levar em consideração as necessidades psicológicas e comportamentais das populações. Deste modo, a Psicologia do Ambiente foi inicialmente denominada de Psicologia da Arquitetura e só no início da década de 60 do século passado, terá sido considerada como um ramo da Psicologia.

Psicologia ambientalDar atenção às necessidades dos futuros ocupantes das construções e reconstruções das cidades, de modo a fornecer o maior número possível de fogos para albergarem os desalojados e refugiados da guerra, passou a ser uma preocupação. Mas não só, passou também a assumir uma maior importância, o facto de se poderem levar em consideração as particularidades dos indivíduos a par com fatores do ambiente, como por exemplo a exposição solar dos prédios, a disposição das portas e janelas, o isolamento térmico, etc., ou seja, levar em consideração os aspetos físicos do ambiente para o bem-estar das pessoas e para a adequação das casas, aos seus comportamentos.

Comportamento humano e ambienteAssim, os arquitetos se passam a interessar-se pelo estudo do Homem-meio ambiente, com vista a uma análise sistemática do comportamento do Homem em resposta ao ambiente por eles construído, ou seja, de que forma o ambiente influencia o comportamento humano. Por outro lado, a procura de compreender a influencia do contexto ambiental, onde os comportamentos humanos acontecem, passa a estar na mira dos psicólogos. Estes procuram entender o que leva as pessoas a comportarem-se de determinada forma em determinado lugar. Deste modo, a psicologia foca-se na análise sócio ambiental, das interações e dos papéis desempenhados pelos indivíduos consoante o contexto ambiental em que se movimentam. Estes interesses promoveram o desenvolvimento de estudos sobre o tema, que  serviram de base teórica à Psicologia do Ambiente. Este termo específico da psicologia terá surgido quando se estudou a relação entre o design das salas de um hospital psiquiátrico e as evidências apresentadas da eficácia do processo terapêutico dos doentes (Altman, 1979).

Psicologia do ambienteA Psicologia do Ambiente enquanto disciplina foi sendo introduzida em diversos cursos tendo-se iniciado na Universidade de Nova Iorque e seguido para outros países, a par com diversas publicações em revistas e com a criação de várias organizações e associações. Esta disciplina conta com a contribuição de várias outras disciplinas como a psicologia, a arquitetura, a antropologia, entre outras. A Psicologia do Ambiente parte do pressuposto de que o Homem para além de uma existência comportamental tem também uma existência física, isto é, onde quer que esteja, o indivíduo ocupa um determinado espaço e esse espaço exige algumas particularidades para que possa ser o local ideal para o desenvolvimento das suas atividades e interações sociais. Entre estas particularidades destacam-se a iluminação, a temperatura a área, etc.

Psicologia ambientalPara que o indivíduo compreenda o ambiente que o rodeia, serve-se de um conjunto de conceitos adquiridos pela sua própria experiência de vida, que lhe permite identificar e reconhecer as construções que o envolvem. Por exemplo, identificar e reconhecer que determinada construção é uma igreja é possível porque o indivíduo construiu um determinado conjunto de memórias como formas e características do prédio que lhe permitem avaliá-lo conforme a função a ele atribuída, pelo sistema social do qual o sujeito faz parte. Essa conceptualização constrói-se não apenas pelas vivência do sujeito mas também pelo papel que este exerce em determinado local, assim como as regras sociais inerentes a esse local, aprendidas e transmitidas pelas gerações. Indivíduos com papéis distintos dentro de uma mesma instituição apresentam diferenças na conceptualização da mesma.

Ambiente e psicologiaAo estudar-se a interação do sujeito com o meio ambiente é necessário ter em consideração a atividade na qual este está envolvido e qual o seu papel no desempenho dessa atividade. A pessoa encontra-se num determinado lugar, por norma com um objetivo e isso vai condicionar a sua interação com os outros. A influência do ambiente no processo social deverá ser sempre levado em linha de conta. As regras e padrões que regem determinados lugares não são menos importantes se tivermos como objetivo compreender o efeito do ambiente físico no comportamento humano.

 

Fontes:

Altman, I. (1975). The environment and social behavior. Monterey, California: Brooks/Cole.

Corraliza, J. A. (1997). La Psicología Ambiental y los problemas medioambientales. Papeles del psicólogo (Revista del Colegio Oficial de Psicólogos, España), (67), 26-30

Pinheiro, J. Q. (1997). Psicologia Ambiental: a busca de um ambiente melhor. Estudos de Psicologia Dossiê Psicologia Ambiental, 2 (2), 377-398 377.

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