Divórcio e filhos pequenos

O projeto de família que leva duas pessoas a unirem-se e a partilharem as suas vidas, quer pelo casamento quer pela união de facto, por vezes não perdura no tempo, sendo a separação ou o divórcio uma realidade com que os casais e os respetivos filhos têm que lidar. Alguns pais têm para com os seus filhos pequenos, alguns comportamentos pouco saudáveis e adequados, uns de forma intencional e para magoar o/a ex-companheiro/a, outros, apenas porque não sabem fazer melhor.

Se de repente se separou e se viu sozinha/o com o seu filho pequeno, não estranhe se a sua criança começar a apresentar comportamentos diferentes do habitual. Alguns comportamentos podem ter a ver com o facto da sua estrutura familiar ter mudado, bem como devido à alteração das rotinas do dia-a-dia. Porém, sendo as crianças seres em rápido desenvolvimento, têm por vezes comportamentos desadequados apenas porque ainda estão a aprender a lidar com as suas emoções. Num caso de separação, recomenda-se aos pais que façam um esforço maior por terem muita paciência, tolerância e dedicação para com os seus filhos, mas também para não descurarem o cumprimento das regras e o estabelecimento dos limites.

Não permita que a sua separação seja um motivo para que o seu filho a/o manipule. As regras e o seu cumprimento são de grande importância para o seu filho, tanto no presente como na sua adaptação à vida em sociedade, no futuro. Procure não ficar demasiado preocupada/o se o seu filho revelar reações de hostilidade, com frequência mais dirigidas ao progenitor com quem ficou a viver mais tempo. Ele poderá culpa-la/o de ser responsável pela separação e isso pode ser “normal” numa primeira fase. Dê á sua criança tempo para aceitar a mudança. Se for possível, dedique-lhe alguns minutos por dia para conversarem sobre o que se está a passar. Fale com ela sobre o que a preocupa ou assusta. Prepare-se para o aparecimento de alguns comportamentos regressivos (ex. falar “à bebé”, voltar a fazer xixi na cama, mau comportamento na escola, isolamento, etc.). Se estes comportamentos persistirem, peça apoio psicológico.

Guarda partilhada? É fundamental que os pais pensem muito bem se este é o regime que beneficia a criança. Será benéfico para a sua criança mudar de casa todas as semanas? Como fazer em relação aos brinquedos, roupas, livros e à escola? Conseguem criar dois ambientes (casa da mãe e casa do pai) idênticos no que diz respeito a regras e rotinas? A guarda partilhada é uma solução cada vez mais com expressão em novos casos de divórcio, no entanto, a permanência numa casa fixa, com visitas semanais, quinzenais ou outras a combinar com o outro progenitor, poderá promover uma maior estabilidade emocional à criança. Pensem bem antes de decidir. Ponham sempre à frente o superior interesse da criança e nunca caia no erro de a utilizar para atingir o outro. Nunca se esqueça que os momentos que passa junto dos seus filhos devem ser de qualidade, muito mais do que em quantidade e assim sendo, o facto de poder passar menos tempo com as suas crianças não tem que ser sinónimo de ter uma pior relação com elas.

Na escola, é essencial que a professora/educadora seja informada acerca das alterações que sofreu a vida familiar da criança. A sua colaboração nesta fase será de grande importância, principalmente no que se refere à capacidade de empatia e de a saber ouvir. Os professores devem ter em conta que o divórcio pode prejudicar o rendimento escolar da criança, além de poder estar associado ao aparecimento de comportamentos agressivos ou regressivos e a problemas relacionados com a concentração e a atenção. Peça à professora/educadora que lhe comunique se a sua criança alterar significativamente os seus comportamentos após a sua separação. Se os comportamentos se tornarem desadequados e preocupantes, a ajuda da professora pode ser muito útil na avaliação da criança e na definição de estratégias de apoio.

Está muito zangada/o ou magoada/o com o seu ex-companheiro/a? De facto por vezes e principalmente numa fase inicial, pode ser muito difícil o relacionamento entre os elementos de ex-casais. Evite ao máximo discutir com o pai/mãe da sua criança na sua presença. Seja antes, durante ou após o processo de separação, trocar argumentos e acusações na presença das crianças aumenta a sensação de conflito, gera confusão, sentimentos de culpa e de revolta nos mais pequenos. Procure que o processo de divórcio não seja demasiado prolongado. A separação pode causar muito sofrimento a uma criança mas ela certamente saberá ultrapassá-la, depois de um processo normal de luto, de duração variável.

Nunca culpe os seus filhos, é fundamental que eles compreendam que os pais se separam porque já não se amam e porque já não querem viver juntos e não porque eles fizeram algo de errado. É fundamental que continue a transmitir às suas crianças o quanto as ama. Embora um filho seja uma excelente companhia e ofereça um grande conforto, ele não é o seu melhor amigo. Não confunda os papéis. Pai e mãe são isso mesmo, pai e mãe. Tornar-se uma espécie de melhor amigo da criança pode levar a graves problemas de autoridade no futuro. Por outro lado, evite transformar o pai/mãe numa figura ausente. Na infância, sentir que o pai/mãe é uma figura presente, mesmo não vivendo diariamente com a criança, sentir a sua proteção, vê-lo como modelo e referencia, e como alguém que estabelece regras e exerce a autoridade quando é necessário, é fundamental para que a criança cresça com estabilidade emocional e equilíbrio psicológico.

Se se sentir emocionalmente afetado, com dificuldade em lidar com os seus sentimentos e em ultrapassar esse momento tão particular que é o fim de uma relação, procure ajuda profissional. Por vezes, a mudança de perspetiva pode transformar um problema numa solução!

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