Motivar para aprender

A motivação é o ponto de partida parta uma aprendizagem eficaz. Alunos com capacidades cognitivas normativas, se motivados, estão predispostos a aprender e a dar significado às suas aprendizagens. A par da motivação está a autoestima. Um aluno com boa autoestima, reconhece as suas capacidades e permite-se utilizar estratégias adequadas a uma aprendizagem orientada para o sucesso!

Muitos jovens e até crianças, revelam nos dias de hoje, uma grande desmotivação face à escola e à aprendizagem, com efeitos muito significativos ao nível do decréscimo do rendimento escolar e do seu bem-estar emocional e familiar, O desinteresse e a desmotivação com a escola, habitualmente, não é determinado por uma única causa mas sim, por um conjunto de determinantes que podem englobar fatores temperamentais, ambientais ou contextuais e ainda fatores genéticos. Uma das causas mais frequentemente apontadas para a desmotivação para o estudo é a forma como os conteúdos programáticos são lecionados ou a dificuldade na relação com os professores. Outra razão para o desinteresse, prende-se com o facto de que as crianças e os jovens podem não reconhecer utilidade a alguns dos referidos conteúdos, ou de não entenderem de que forma essas aprendizagens lhe podem ser úteis, quer no presente, quer no futuro.

Os pais, professores e educadores, para além dos papéis típicos que lhes são naturalmente atribuídos, têm ainda a árdua tarefa de ajudar as crianças e os jovens, na promoção da motivação para o estudo, o que pode não ser tarefa fácil, por várias ordens de razão. Em primeiro lugar, pelo facto de que cada criança é um indivíduo e assim sendo tem as suas causas e justificações muito próprias para não querer estudar e aprender. É necessário que cada criança desmotivada, seja avaliada no sentido de se identificarem as barreiras que esta coloca ao desenvolvimento das suas capacidades intelectuais, através da aprendizagem escolar.

A desmotivação para o estudo pode estar fortemente relacionada com problemas ao nível da autoestima. Uma criança ou um jovem que não acredita nas suas capacidades tenderá a desvalorizar-se e empenhar-se menos nas tarefas e nos desafios que lhe são propostos. Assumindo à partida uma incapacidade para levar a “bom porto” os seus esforços, a criança/jovem irá reforçar um sistema de crenças que não lhe é favorável, pelo facto de acreditar que não é capaz de ultrapassar barreiras, muitas vezes impostas pelo próprio. Há que estar atento e apoiar a criança/jovem na promoção da sua autoestima e autoeficácia, de modo a transmitir-lhe segurança em si mesmo e nas suas capacidades para fazer as suas conquistas. A melhor forma de incentivar o aluno para o sucesso na tarefa é reforçar cada esforço demonstrado por ele. Não elogiar apenas o aluno que tirou a melhor nota no teste ou que fez o desenho “mais bonito” mas sim, elogiar o esforço dos que não conseguem atingir resultados tão notáveis mas que se empenham para os conseguir.

Outro fator importante para a aquisição de aprendizagens é a autorregulação. Dificuldades ao nível da ansiedade podem ser muito perturbadoras e podem gerar sentimentos e emoções muito negativas. Estas emoções negativas, como o medo do fracasso ou o medo do julgamento, podem impedir que a criança/jovem mostre efetivamente o que sabe. O medo e a ansiedade podem entrar numa escalada difícil ou impossível de conter, levando a que a criança bloqueie e não consiga expressar-se ou desempenhar uma determinada tarefa.  Ajudar a criança a identificar as suas emoções e dota-la de estratégias adequadas a lidar com elas, pode fazer toda a diferença no desempenho, e consequentemente na motivação para o estudo e na satisfação consigo mesmo e com a escola.

O modo com pensamos acerca das coisas tem numa influência determinante no modo como nos sentimos e comportamos perante elas. Ou seja, se uma criança/jovem que pensa que não é capaz, que não é inteligente, ou que o assunto em causa não tem utilidade ou interesse, o seu sentimento em relação a isso, vai ser negativo e o seu comportamento vai espelhar esse sentimento negativo. Uma criança que pensa que estudar uma determinada matéria é inútil, não conseguirá motivar-se para o fazer. É necessário explicar às crianças/jovens, porque é que os vários conteúdos programáticos têm interesse e que essas aprendizagens podem vir a ser necessárias ao longo da vida e em diversas situações, dando-lhe exemplos. Explicar à criança/jovem, que 12 anos de escolaridade são obrigatórios por lei, para que a sociedade seja mais informada, tenha mais conhecimento e que isso se irá refletir no desenvolvimento do país, pode ser um ponto de partida.

Importa ainda referir que muitas crianças/jovens não têm bons hábitos de estudo. As estratégias que cada um utiliza para aprender, podem não ser as mais adequadas ao seu temperamento e ao seu funcionamento cognitivo. Dentro das diferenças individuais, encontram-se a capacidade de concentração, a memória, a oralidade, entre muitas outras características, que podem variar muito de indivíduo para indivíduo. Para algumas crianças/jovens, a estratégia mais adaptativa pode ser ler, para outros escrever ou resumir. Uns aprendem melhor estudando sozinhos, outros aprendem melhor estudando em grupo. Existem inúmeras técnicas de estudo mas nem todas se adequam a todas as crianças. Pode ser necessário ensinar e treinar uma a uma, as várias técnicas e deixar que a criança/jovem descubra qual a mais eficaz para si, ou seja, com que estratégias (s) obtém melhores resultados e com menor esforço e maior satisfação.

As regras e os limites são fundamentais para o bom desempenho escolar, no sentido em que otimizam o funcionamento da criança/jovem. Encontrar o equilíbrio entre o tempo que passam em atividades lúdicas e atividades escolares pode não ser tarefa fácil. Pode exigir uma boa negociação, deixando que a criança/jovem integre a definição dessas mesmas regras. Deixar, por exemplo, que a criança escolha um conjunto de benefícios, que poderá obter de acordo com o cumprimento da regra imposta pelo adulto, pode ser importante, para que esta se sinta parte da “equação” e aceite mais facilmente cumprir com o “contrato” estabelecido com o adulto. Não estou a falar de prémios monetários ou de grande valor em troca de boas notas, pois isso iria fomentar uma motivação extrínseca, o que não é de todo o ideal. Contudo, reforçar um bom desempenho com um elogio, uma cedência pontual ou uma atividade do agrado da criança, vai certamente aumentar a probabilidade de que o bom desempenho se repita.

Ajude os seus filhos, os seus alunos, as suas crianças/jovens. Identifique quais as suas dificuldades, necessidades e também preferências. Se precisar de ajuda, a Sua Psicóloga, poderá ser uma boa “aliada”!

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