Outra birra!

Comportamentos de birraPodemos definir uma birra como sendo a expressão de sentimentos diversificados e intensos através de um comportamento ou reação exagerada, por vezes sem motivação racional.

Para o entendimento do que é uma birra deverão ser levados em consideração fatores como a relação entre a birra e os sentimentos, as características individuais e temperamentais da criança, o contexto, a idade e a etapa do desenvolvimento em que esta se encontra. As birras ocorrem quase inevitavelmente na infância, variando de frequência e intensidade de criança para criança, não havendo á partida distinção por género. Salvo algumas exceções, a idade mais comum para a expressão das birras é entre o ano e meio e os três anos. Esta corresponde a uma fase em que as crianças adquirem autonomia, principalmente na forma como se movimentam, o que lhes permite explorar e tentar dominar o ambiente que as rodeia. Para algumas pessoas pode parecer pouco compreensível o facto de, se a criança já iniciou a marcha e já consegue de alguma forma comunicar pela fala, ainda que de forma restrita, expressar-se “em forma de birra” parece não fazer sentido e habitualmente atribuem a um temperamento difícil o facto de as birras ocorrerem.

BirraMas a comunicação com a criança pode ser difícil uma vez que esta não possui ainda um vocabulário que lhe permita exprimir corretamente os seus sentimentos, ao mesmo tempo que os recursos para lidar com a frustração podem ser ainda limitados. A dificuldade que a criança nesta etapa do desenvolvimento tem para perceber o conceito de futuro e adiar o seu desejo, em conjunto com as fracas competências de resolução de problemas, competem entre si, desaguando por vezes em valentes birras, que tanto desesperam pais e educadores. Por vezes, a única forma que a criança conhece para agir e chamar a atenção do adulto é fazendo birra.

Psicólogo infantilAs birras manifestam-se sobretudo por gritos, choro, agitação motora e por vezes agressão a si mesmo ou aos outros, na forma de pontapés, mordidas ou outras manifestações, numa forma descontrolada onde falha a autorregulação e o controlo das emoções. Perante este quadro, quem é o adulto que nunca perdeu a cabeça e reagiu também ele de forma impulsiva, no sentido de controlar a criança naquele momento? Mesmo parecendo um dos piores dos comportamentos que a sua criança pode apresentar, certo é que as birras, apesar de desagradáveis e frustrantes, não são motivo para alarme, uma vez que não são mais do que a expressão de emoções vindas de um cérebro ainda imaturo e que tendem a desaparecer com o tempo, ou seja, com o decorrer do desenvolvimento da criança. Esta vai adquirindo novas capacidades e passa aos poucos a expressar-se de forma mais adequada.

Birra

No decorrer de uma birra, parece não ser muito eficaz tentar repreender, chamar a atenção ou castigar a criança, muito menos recompensa-la. No momento em que está descontrolada, a criança não vai ter capacidade de ouvir, entender e responder àquilo que lhe é pedido. O ideal será conseguir agir logo no início da birra, momento em que a criança ainda não perdeu o controlo sobre ela mesma, contendo-a para que não se magoe, desviando-lhe a atenção para outra coisa ou levando-a para outro lugar. É muito importante que em presença de uma birra, o adulto se consiga manter calmo, evitar reagir de forma emotiva com gritos, palavras ou gestos bruscos. “Sair de cena” pode ser uma boa opção, desde que a segurança da criança esteja assegurada. Por outro lado, distrair a criança mudando de assunto, de lugar ou utilizando o efeito surpresa, pode ser bastante eficaz. Deverá ser dado tempo à criança para que se aclame e só depois falar com ela de forma calma e clara, no sentido de a entender e de lhe explicar como se poderia ter comportado em vez de fazer uma birra. Não basta parar a situação e repreender a criança, é necessário ensinar-lhe uma alternativa ao comportamento desadequado.

Birra

E nunca deverá ceder! Por muito que possa parecer a melhor opção, não é com certeza. A criança tem que compreender que a birra, os gritos, a desorganização emocional, a falta de controlo e de lucidez do momento não é a forma correta de resolver problemas nem de obter o que pretende. E como em muitas outras coisas da vida, não há nada melhor que a prevenção. Avise antecipadamente a criança quando algo que sai da rotina vai acontecer. Fale de forma assertiva e meiga, explicando o que é esperado dela em termos de comportamento. Por outro lado, por vezes não levar a criança pequena para certos eventos ou situações pode mesmo ser a melhor opção.

Birras

Sempre que aconteçam situações de birra, deixe bem claro à sua criança que o seu amor por ela é incondicional e que do que não gosta é do seu comportamento. Deixe claro que o rigor, a disciplina e as regras que utiliza na educação do seu filho são uma forma de expressar o seu amor por ele. É inevitável que, por vezes, as crianças tentem “esticar a corda” e exceder os limites que lhes foram anteriormente definidos. Porém, com calma, persistência e amor, tudo se consegue… há que nunca desistir.

 

A pirâmide das necessidades

NecessidadesSe comer, dormir e respirar são três das necessidades básicas do Homem, estas referem-se apenas a necessidades fisiológicas. No entanto, há outras necessidades nas quais nem sempre pensamos como sendo básicas e essenciais ao funcionamento do ser humano, mas que são importantes e sem as quais não poderá haver equilíbrio, harmonia e plena satisfação com a vida.

Na década de 50 do século passado, o psicólogo norte-americano Abraham H. Maslow teorizou acerca desta temática e criou a Pirâmide de Maslow ou a Hierarquia das Necessidades, tendo como objetivo determinar o conjunto de condições necessárias ao Homem, para que este possa alcançar a satisfação com a vida, quer a nível pessoal como profissional ou social. O autor considera a organização das necessidades de forma hierárquica, ao defender que estas se agrupam conforme o grau de importância e urgência na sua satisfação.

Hierarquia das necessidadesAssim, para Maslow é a perspetiva de satisfação dessas necessidades que se constitui como a motivação no sujeito. A apresentação em pirâmide serve o propósito de hierarquizar as necessidades, ou seja, coloca as mais básicas e indispensáveis à sobrevivência na sua base e à medida que se vai aproximando do topo, são colocadas as necessidades de maior complexidade e elaboração.

Necessidades de MaslowLogo depois das necessidades fisiológicas, que visam a sobrevivência, entrte elas respirar, comer, beber, dormir, sexo e abrigo, o segundo nível refere-se às necessidades de segurança. A segurança física e de saúde, familiar, no trabalho, de propriedade/recursos são fundamentais para que o indivíduo sinta proteção e garantia de ter soluções para lidar com situações que possam ocorrer. O nível seguinte refere-se às necessidades sociais, isto é, as relações de amizade, amor, familiares ou de convívio com colegas que se manifestem por sentimentos de aceitação perante os outros e sentido de pertença a um ou vários grupos.

Pirâmide das necessidades Antes de chegar ao topo da pirâmide encontram-se as necessidades relacionadas com a estima. Estas englobam a autoestima, autoconceito, autoconfiança, respeitabilidade, reconhecimento e conquista. Por fim, o topo da hierarquia integra as necessidades de autorrealização. Estas são primordiais para que a pessoa alcance a verdadeira realização pessoal e profissional. Entre elas estão a moralidade, os valores, a liberdade, a independência, a autonomia, a criatividade, a autenticidade, o controlo das emoções e o autoconhecimento. Para a satisfação destas necessidades o indivíduo terá que ter a capacidade de refletir e ter um bom conhecimento de si próprio, no sentido de obter a plenitude.

Necessidades básicasSegundo o autor, a regra de que um nível deve ter sido atendido antes de o indivíduo avançar para o próximo deveria ser respeitada, porém, hoje em dia a pirâmide é vista como uma estrutura mais flexível, sendo possível que um determinado fator de um dos níveis não seja tão relevante para a motivação de um determinado indivíduo. Por outro lado, é também provável que uma pessoa possa procurar ativamente realizar as suas necessidades, privilegiando um determinado nível em detrimento de outro.

MaslowPosteriormente Maslow identifica outras três necessidades: a necessidade de aprendizagem, a necessidade de satisfação estética e a necessidade de espiritualidade. Para melhor compreender o mundo que o rodeia e a ele se adaptar, o sujeito tem a necessidade de adquirir conhecimento e de aprender ao longo da vida. A beleza, a simetria e a arte buscam a perfeição e orientam para a necessidade relacionada com a estética. A conexão com os elementos da natureza, da espiritualidade e da fé compõem as necessidades de transcendência, fundamentais para que alguns indivíduos vivam a sua integridade enquanto seres humanos.

Necessidades básicasA Pirâmide de Maslow é uma ferramenta com grande potencial pois pode ajudar no processo de autoconhecimento, principalmente na identificação e compreensão dos fatores que despertam a motivação em cada um, de nós. Para nos mantermos motivados e focados nos nossos objetivos temos que saber o que nos impulsiona na sua direção. Assim, recorrendo à Hierarquia de Necessidades podemos identificar em que nível se encontram as nossas metas, entendendo melhor o que procuramos e encontrando mais caminhos para as atingir. Em contexto de trabalho, por exemplo, a Pirâmide de Maslow pode ajudar as empresas a garantir que as suas equipas se mantêm motivadas. Pessoas com as suas necessidades básicas atendidas geram um ambiente mais saudável, criativo e produtivo. A manutenção da motivação é capaz de reduzir custos, potenciar resultados, diminuir a rotatividade e melhorar a otimização dos recursos humanos.

 

Fonte:

http://highgatecounselling.org.uk/members/certificate/CT2%20Paper%201.pdf

 

 

Tricotar, relaxar e não só!

Tricot e psicologia

Tricotar ou a arte de entrelaçar os fios é uma atividade antiga mas que mantém muitos adeptos ainda nos dias de hoje. Útil para fazer roupas e acessórios, por vezes utilizado como passatempo, o tricot pode ter um importante efeito terapêutico, relaxante e não só.

O tricot é uma arte inicialmente desenvolvida por mulheres mas nos dias de hoje, parece ocupar já um espaço considerável na vida de muitos homens. A par da utilidade dos trabalhos tricotados que vão desde cachecóis, gorros, meias, camisolas, casacos ou mantas, entre outros, o tricot tem um efeito muito positivo naqueles que o escolhem como passatempo. Os seus efeitos terapêuticos, bem como de outras técnicas de fazer malha, são diversos e muito eficazes. Por um lado tricotar relaxa, potencia a meditação e descontrai, podendo ajudar a aliviar a tensão acumulada ao longo do dia. Por outro lado, tricotar ajuda a desenvolver as habilidades motoras e promove a capacidade de concentração e de atenção. A criatividade é outra competência que pode ser desenvolvida através do tricot. Planear, desenhar a peça, executar e alterar, são formas importantes de colocar a criatividade em movimento e a cabeça a pensar. O tempo do tricot pode ser um tempo de introspeção, de análise pessoal e de reflexão, potenciando a tomada de decisões ou a resolução de problemas.

Psicologia e tricotTricotar pode ser um acto isolado mas também pode promover a aprendizagem e a socialização, se a prática for executada em grupo. A troca de ideias, de opiniões, de ajuda de peritos nas técnicas mais elaboradas, promovem o convívio e a partilha. Fazer, desmanchar e voltar a fazer, corrigir erros, experimentar novos pontos ou técnicas, são estimulantes do ponto de vista cognitivo e psicomotor. Tecer malhas em grupo permite que se teçam histórias, lembranças, memórias, viagens ao passado, exploração do presente e projeções futuras.

Psicologia e tricotSendo esta uma atividade prazerosa, o cérebro produz substâncias como as endorfinas que são responsáveis pela sensação de bem-estar e redução do stresse. Assim, o tricot pode ser visto como calmante e como forma de controlar a ansiedade. Pessoas com problemas de onicofagia, frequentemente associada a quadros ansiosos, podem beneficiar desta prática uma vez que estando as mãos ocupadas a tecer malhas, inibem os comportamentos de roer as unhas.  À semelhança de outras atividades manuais, o tricot pode contribuir de forma positiva para o bem-estar psicológico. De salientar o sentimento de autoeficácia de quem termina um trabalho, o orgulho de se ter feito “aquela camisola para o filho” ou por terem saído das próprias mãos alguns dos presentes de Natal, é certamente muito gratificante.

Psicologia e tricotTricotar não é apenas um passatempo mas sim o estabelecimento de metas e objetivos. O que se escolhe fazer, o prazo definido, o valor atribuído, os esforços necessários para a conclusão do projeto, podem ser formas de estruturação comportamental, tão importantes por exemplo, nos casos de depressão. Também a estimulação cognitiva que tricotar permite poderá ser benéfica no atraso das demências. Parece também que o facto de nos concentrarmos numa atividade que se baseia na repetição, acalma e pode ajudar a induzir o sono. Perante tantas vantagens e benefícios para as nossas vidas, porque não experimentar? Deixe-se levar pelo conforto da lã macia, escolha uma cor do seu agrado e mãos à obra! A Internet está cheia de tutoriais que ensinam desde os pontos mais básicos aos mais elaborados. Dizer que não sabe fazer não é desculpa. Em alternativa, há sempre uma avó ou uma tia que podem ensinar ou inscreva-se num workshop que muitas vezes decorrem nas lojas de lãs e divirta-se!

Psicologia e tricot

 

 

Gerir o tempo

Gerir o tempoUma das estratégias mais eficazes para o aumento da organização e da produtividade é a correta gestão do tempo. Assim parece ser consensual que na vida do dia-a-dia, as pessoas possam retirar benefícios de uma boa gestão do seu tempo. E em relação ás crianças e adolescentes? Será igualmente importante que aprendam a fazer essa gestão no sentido de verem incrementada a sua produtividade, por exemplo, em termos de desempenho escolar?

A gestão do tempo é sem dúvida um fator relevante e muitas vezes apontado pelos mais novos como uma preocupação. Hoje em dia, as crianças e adolescentes vêm-se “a braços” com múltiplas tarefas e exigências que incluem a escola, a família, as atividades extracurriculares desportivas ou de lazer e as exigências sociais, fundamentais para um ótimo desenvolvimento enquanto seres humanos. Assim, torna-se cada vez mais importante a gestão do tempo, não apenas no sentido de o “fazer chegar” para tudo, mas também para que este possa ser aproveitado com qualidade e para que haja um bom ajustamento psicossocial. Continuar a ler

Delírios, alucinações e outras perturbações

PsicoseAs perturbações do espectro da esquizofrenia e outras perturbações psicóticas referem-se a anomalias em um ou mais domínios, como delírios, alucinações, pensamento desorganizado, comportamento motor anormal ou grosseiramente desorganizado e sintomas negativos.

Os delírios referem-se a crenças fixas que não mudam perante a evidência oposta, ou seja, a pessoa não consegue deixar de acreditar em algo mesmo que lhe seja apresentada evidência concreta do contrário. Por exemplo, o delírio persecutório que corresponde à crença do sujeito em que vai ser prejudicado, perseguido ou incomodado por uma determinada pessoa ou grupo, é um dos mais comuns. O delírio de grandiosidade refere-se a casos em que o sujeito acredita ter habilidades excecionais, fortuna ou fama. O delírio de referência prende-se com o facto de o indivíduo acreditar que determinados comentários, gestos ou estímulos do ambiente são dirigidos a si. Estes parecem ser os delírios mais comuns nas perturbações do espectro da esquizofrenia, no entanto há que referir ainda o delírio erotomaníaco que significa que a pessoa acredita falsamente que alguém está apaixonado por si, o delírio niilístico que corresponde à convicção de que vai ocorrer uma catástrofe e o delírio somático, que é focado em preocupação com a saúde e com as funções orgânicas. Continuar a ler

Parece que só passaram 5 minutos…

Psicologia infantilO Frederico tem 11 anos e foi à consulta de psicologia acompanhado pelo pai. O menino apresenta problemas ao nível do comportamento alimentar e uma marcada ansiedade generalizada. Na primeira sessão estava muito tímido, de olhar baixo e com um nervosismo que se notava pelo torcer constante da manga da camisola, e pouco falou. Na segunda sessão, começou a responder melhor às perguntas e a manter contacto visual, embora intermitente. Aderiu às tarefas de desenho propostas e ao longo da sessão foi revelando maior à-vontade e descontração. Na terceira sessão, o Fred (como gosta de ser chamado) revelou-se. Falou dos amigos, do que gostava e do que não gostava de fazer e também das suas preocupações. No final, quando se despede, diz “passou tão depressa esta hora. Parece-me que só passaram cinco minutos…”

Educar, ensinar e respeitar

Disciplinar e educarFalar da educação dos nossos filhos é falar de um tema sensível e por vezes difícil, uma vez que todos queremos fazer o melhor mas nem sempre sabemos como. Se por um lado não existem pais perfeitos, por outro lado também não existem crianças perfeitas. No entanto, pais e filhos podem relacionar-se de forma harmoniosa, amorosa e feliz, respeitando-se mutuamente.

Para que mantenha com os seus filhos uma relação tranquila, agradável e prazerosa, há que nunca esquecer a palavra equilíbrio, e para que haja equilíbrio, é necessário haver disciplina, regras e limites. Disciplinar significa ensinar: ensinar o que fazer, como fazer e quando fazer. Corrigir comportamentos desadequados, dar alternativas e ao mesmo tempo respeitar a perspetiva da criança ou do adolescente, pode ser a chave para o sucesso. Porém, estabelecer limites e fazer cumprir as regras pode não ser tarefa fácil. Uma das formas que pode tornar a tarefa mais acessível é dar o exemplo. As crianças também aprendem por imitação e os pais são os seus modelos mais próximos. Será muito difícil exigir que um filho mantenha o telemóvel fora da mesa do jantar, se os próprios pais passarem a hora da refeição ligados aos seus aparelhos. Este é apenas um exemplo, mas modelar um comportamento pode ser muito mais do que isto. Modelar é dar o exemplo, é fazer bem e ensinar como fazer bem, para que a criança possa aprender com o que vê fazer. Continuar a ler

O psicólogo e o desenho

Avaliação psicológica e o desenhoHá pouco tempo atrás ouvi alguém que dizia “o meu filho vai ao psicólogo só para fazer desenhos”. O tom de crítica era evidente, e, de facto, se a criança é acompanhada por um psicólogo apenas com o intuito de desenvolver as suas competências artísticas, pode realmente ser algo redutor… mas o desenho não é só arte.

O desenho, em contexto de avaliação ou de intervenção psicológica, assume um valor e uma importância que transcendem a mera revelação dos dotes artísticos da criança. O desenho é para o psicólogo um instrumento muito útil na sua prática clínica, quer se trate de avaliação, seleção ou intervenção psicológica. Através do desenho, o psicólogo consegue obter informação acerca do funcionamento da criança, do seu modo de estar perante os outros, do modo como projeta através dos elementos que desenha, o seu temperamento, as suas áreas de conflito, etc. Ao mesmo tempo, com recurso ao desenho, consegue-se facilitar o estabelecimento e a manutenção da relação entre a criança e o psicólogo. A criança por vezes consegue mais facilmente desenhar do que verbalizar. O pormenor ou a falta dele, o modo como adere à tarefa e se empenha nela, o tipo de traço que apresenta, a descrição dos detalhes, entre outros, representados através do desenho, podem fornecer informação relevante acerca da problemática em foco. Continuar a ler

Pais de adolescentes: Atenção à autoestima!

Auto estimaA adolescência é uma fase da vida extremamente importante no sentido em que é durante este período que o jovem constrói a sua identidade e que adquire autonomia. Para que estas duas tarefas sejam bem-sucedidas, é muito importante que a autoestima se mantenha positiva e estável.

A autoestima pode ser definida como a avaliação subjetiva e a valorização que o sujeito faz de si mesmo e que é fortemente influenciada pelas contingências de reforço positivo socialmente oferecidas ao longo do desenvolvimento. As modificações do corpo são visíveis mas as outras nem tanto… A maneira de pensar, de sentir e de se comportar muda consoante a criança vai entrando na adolescência, sendo este um período de grandes ambiguidades e por vezes inseguranças. Estes fatores poderão fazer com que a perceção que o jovem tem acerca de si mesmo mude e a autoestima baixe.

A autoestima parece baixar sensivelmente a meio do período da adolescência, em ambos os sexos, estando em parte relacionada com aspetos de ordem física e relacional com destaque para fatores como a imagem, o desempenho e a popularidade em contexto de pares. Um adolescente com baixa autoestima é um adolescente com maior risco de depressão, de isolamento, de desenvolvimento de problemas de ansiedade e de ter dificuldades no desempenho escolar, entre outros. Por outro lado, o jovem com a autoestima comprometida tem uma maior vulnerabilidade para os comportamentos de risco, como é o caso, por exemplo, do consumos de substâncias como o álcool ou o tabaco.

Auto estimaPara ajudar a sua criança ou adolescente a manter uma boa autoestima comece por evitar a utilização de uma linguagem negativa. Criticar, ridicularizar ou insultar perante um comportamento negativo vão potenciar a diminuição da autoestima.  Procure explicar do que é que não gostou e acima de tudo, ensine à criança como deverá fazer de futuro. Evite também fazer comparações com as outras crianças ou jovens. Cada um tem a sua identidade e o seu modo de ser e de pensar. Evite chamar à atenção ou criticar um comportamento em público, isso fará com que a criança se sinta envergonhada e humilhada, podendo comprometer a sua autoestima.

Auto eficáciaPor outro lado, faça por passar tempo de qualidade com o seu filho/a não se preocupando tanto com a quantidade. Esteja presente na sua vida, dê atenção às suas atividades e às suas preferências. Seja participativo e envolva-se com os seus filhos no estabelecimento de metas e objetivos. Ajude-os a tomar decisões e a fazer escolhas, respeitando a sua perspetiva. Perceber que algo correu bem em virtude de uma escolha própria, vai com certeza fazer o adolescente sentir-se mais confiante. Peça a opinião do seu filho/a para assuntos relacionados com a vida familiar. Poder opinar nos assuntos mais tipicamente dos adultos fá-lo sentir-se “crescido” e aumenta-lhe a autoestima.

Auto confiançaNunca se esqueça do elogio. Elogiar é reforçar, e os comportamentos reforçados provavelmente ocorrerão mais vezes. Mesmo naquelas situações em que o seu filho/a parece não estar a dar-lhe atenção, ou se ele/a é dos que se sente envergonhado com elogios, não deixe de dizer uma palavra de incentivo ou de apreço. No fundo, ele/a está a “captar” tudo. Ao sentir orgulho por algo que fez, a sua autoestima estará no bom caminho. Tenha muito cuidado com as críticas destrutivas pois elas não conduzem a “bom porto” e farão com que o adolescente se iniba, se sinta incapaz e se desvalorize. Tente criticar de forma positiva, dando de preferência sempre uma alternativa para que o seu filho/a possa aprender e corrigir algo que não fez bem.

AutoestimaIncentive o seu filho/a falar sobre si próprio de forma positiva. Frases como “eu vou conseguir chegar ao fim” ou “eu sou capaz de fazer isto” ajudam a que o jovem se sinta mais confiante e que por conseguinte, aja no sentido de alcançar o que pretende. Por fim mas não menos importante é a contribuição do amor para a manutenção de uma boa autoestima. Quando expressamos amor, compreensão e carinho pelos nossos filhos estamos também a contribuir para a construção de uma identidade mais segura e de uma autoestima mais positiva.

 

Sugestão:

http://www.scielo.mec.pt/pdf/aps/v16n2/v16n2a06.pdf

 

 

Resolução de problemas

Tomada de decisãoÉ comum ouvir-se dizer que todos temos problemas. Uns de nós mais dados a “problematizar” e outros menos, o facto é que os problemas existem e andam por aí para serem resolvidos, caso contrário, permanecem como uma nuvem negra que paira sobre as nossas cabeças, incomodando, incomodando…

Há problemas e problemas, ou seja, há problemas de fácil resolução, na medida em que sabemos exatamente o que fazer para nos livrarmos deles, mas há outros, que por várias ordens de razão, são mais difíceis de solucionar pois implicam a tomada de decisões importantes que têm que ser bem ponderadas. Vários são os fatores que contribuem para a dificuldade que possamos ter em resolver um determinado problema. Ou porque o assunto implica gastos inesperados, ou porque nos obriga a alterar as nossas rotinas e vem revolucionar o nosso quotidiano, ou porque pode causar algum tipo de conflito ou mal-entendido com alguém ou porque nos encontramos num período particularmente difícil, em termos emocionais, o que nos condiciona e dificulta a tomada de decisão. Certo é que resolver um problema nem sempre está ao nosso alcance mas também é certo, que muitas vezes está, só não sabemos como. Continuar a ler