Perturbações mentais comuns: o perigo da banalização

Ansiedade

Quando falamos de Perturbações Mentais Comuns referimo-nos a duas categorias principais de diagnóstico: as perturbações de Ansiedade e as perturbações Depressivas. Designá-las como comuns prende-se com o facto de serem as perturbações do foro mental com maior expressividade na população em geral. A sua elevada prevalência apresenta um grande impacto no funcionamento dos indivíduos por elas afetados, sendo que a gravidade e duração dos sintomas é variável, indo de ligeiros a graves e de se manterem por meses ou anos, podendo em muitos casos atingir a cronicidade.

Quer as perturbações depressivas, quer as perturbações de ansiedade representam condições de saúde diagnosticáveis e diferenciam-se dos sentimentos de tristeza, tensão ou medo que qualquer pessoa pode experimentar de forma normativa, algumas vezes ao longo da vida. Destes dois tipos de perturbação, a depressão parece ser por muitos a mais temida e incapacitante ao nível da funcionalidade do indivíduo, estimando-se uma prevalência de mais de 4% ao nível da população mundial e de cerca de 8% na população portuguesa em 2014. No entanto, as perturbações de ansiedade apresentam uma maior prevalência a nível nacional (cerca de 17% em 2014). Voltando às perturbações depressivas, embora estas possam afetar indivíduos de todas as faixas etárias e de vários níveis socioeconómicos, a pobreza, o isolamento, o desemprego, uma situação de doença física, uma separação ou a morte de um ente querido, são exemplos de fatores de risco para a depressão.
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Crianças com comportamentos difíceis: compreenda e controle a sua raiva

raivaMuitas vezes os comportamentos das crianças conseguem deixar os pais muito zangados, à beira do desespero e com muita raiva. Perceber o que se está a sentir e porquê, é extremamente importante para o que se vai seguir: conseguir manter a calma e evitar o conflito ou entrar numa escalada de argumentos, gritos ou até de violência física. O que podem então os pais fazer para se controlarem perante os comportamentos desesperantes dos seus filhos?

A raiva é uma emoção normal que o indivíduo pode experimentar em várias situações e com diversos determinantes. Enquanto pais, a raiva pode ser sentida perante uma birra, uma teimosia, a desobediência, etc. Por vezes não é preciso que a situação seja muito grave para que a zanga se comece a apoderar de nós, que a raiva comece a crescer. Por vezes sentimo-nos como um balão que enche, enche, enche… até que rebenta e lá sai um grito ou uma reação mais violenta, que depois nos vai fazer sentir realmente mal. Confrontados com alguns comportamentos das nossas crianças, começamos a sentir rubor na face, calor, os batimentos cardíacos mais acelerados e lá estamos nós prontos a explodir. É a expressão física da raiva. Este sentimento pode também expressar-se pela forma como pensamos na situação ou no comportamento da nossa criança, que nos está a fazer “sair do sério” mas também tem uma expressão comportamental que se refere à forma como agimos quando estamos com raiva.

Controlar a raivaNão é raro que os pais tenham dificuldade em lidarem com certos comportamentos dos filhos por estarem cansados da rotina do dia-a-dia ou por se sentirem frustrados por um dia de trabalho menos produtivo. O seu humor fica alterado e a forma como vão interpretar o comportamento da criança pode ser afetada pelo mal-estar que estão a sentir devido a causas que ultrapassam a sua relação coma criança. É muito importante que consiga distinguir o sentimento de raiva, de outros sentimentos como por exemplo o cansaço ou a frustração. Identificar o que realmente está a sentir, aos primeiros sinais, irá permitir-lhe que se acalme e que consiga pensar de uma forma mais racional acerca de determinada situação. Ao acalmar-se estará a ganhar tempo para pensar como responder à situação de uma forma mais adaptativa.

Raiva e zangaUma das estratégias para ajudar os pais a acalmarem-se perante os comportamentos difíceis dos seus filhos, como no caso de uma birra, é sair da situação. Se esta não compromete a integridade da criança ou de terceiros e se a sua segurança está salvaguardada, então saia de perto e ignore. Isso pode ser o suficiente para que a criança sinta que o seu comportamento não está a resultar e simplesmente pare. Por outro lado, ao afastar-se da situação o seu sentimento de raiva tende a diminuir e conseguirá lidar melhor com a situação sem se descontrolar. Ao começar a sentir a expressão física da raiva pode também contar até 10 antes de agir, lavar o rosto com água fria ou então optar por fazer uma respiração controlada e pausada. Deste modo irá relaxar e evitar uma escalada de emoções que não o irão ajudar a resolver a questão. Se puder, em situações que não requeiram uma intervenção e um acompanhamento mais imediato, tente falar com alguém acerca do problema que lhe põe os “nervos em franja”. Expresse o que sente e partilhe as suas angustias, irá perceber que não está sozinho mas também que há várias maneiras de se lidar com uma mesma dificuldade.

Raiva e zangaA importância de se conseguir acalmar antes de agir é enorme e pode ter um efeito realmente adaptativo. A diferença entre agir em estado de raiva e agir em estado de calma é gigante. Ao parar para se acalmar estará a ganhar tempo para pensar na melhor maneira de responder ao problema, ao passo que se agir “a quente” poderá não o fazer de uma forma razoável. Esta é a grande diferença entre reação e resposta. Reage-se num impulso e essa nossa reação pode ter consequências muito negativas, por outro lado, responder implica reflexão, distanciamento e tendencialmente conduz a resultados mais adequados.

Zanga e raivaPerante uma situação em que sente a raiva a crescer dentro de si reconheça o que a está a causar. Descreva para si mesmo o que aconteceu, explique a si próprio o problema e pense sobre o que exatamente lhe provocou esse sentimento. Por outro lado tente empatizar com os sentimentos da criança, isto é, tente colocar-se no lugar dela e entender que ela também está a ter sentimentos fortes causados pela situação em questão. Tente falar sobre o que está a acontecer, entender os motivos do comportamento da criança e explicar-lhe como esse comportamento o faz sentir. Expresse o que sente usando a primeira pessoa (ex. “Eu estou a sentir-me muito zangado porque…”) e centre-se na situação e não na criança pois o que lhe desagrada é o que ela fez e não o que ela é. Deixe isso bem claro. Por vezes interpretamos as coisas de forma errada. Dê oportunidade a que a criança se explique e saiba ouvir com respeito, sem julgamento e se possível tente não impor a sua maneira de pensar. Concentre-se apenas no momento presente e evite comentários como “És sempre a mesma coisa, só fazes asneiras…”.

Controle a sua raivaControlar a raiva ajuda na tomada de decisões mas também é bom para a saúde física. A exposição sistemática a elevados níveis de stresse causado por zangas e sentimentos de raiva, pode levar a consequências ao nível dos problemas cardíacos ou gastrointestinais, além de poder também conduzir a comportamentos de grande violência, quer para o próprio, quer para com os outros. E afinal será que as crianças têm comportamentos difíceis só para nos irritarem e desafiarem ou será porque realmente muitas das vezes, não aprenderam ainda qual a maneira correta de se comportarem?

Perturbações alimentares na infância

Alimentação das criançasNa primeira infância, as perturbações alimentares são situações clínicas relativamente comuns. No entanto, este tipo de problemas provoca aos pais e cuidadores uma grande preocupação, ao mesmo tempo que dificultam a sua relação com a criança.

As perturbações alimentares da primeira infância podem ser identificadas num contínuo, que vai desde as ligeiras flutuações do apetite devidas a causas menos relevantes, como por exemplo a reação à entrada para a cresce ou o nascimento de um irmão, até situações graves de recusa alimentar que podem colocar em risco a própria vida da criança. A estas perturbações alimentares pode estar associado o aparecimento de outros comportamentos fora do comum. Segundo do Manual de Diagnóstico das Perturbações Mentais (DSM-5), as perturbações alimentares definem-se como situações em que se observa uma alteração na ingestão de alimentos, quer em termos quantitativos, quer em termos qualitativos. São exemplos a ruminação ou mericismo (regurgitação repetida de alimentos), a pica (ingestão persistente de substâncias não alimentares), e a perturbação alimentar da primeira infância, que corresponde a uma falha persistente de ingestão adequada de alimentos, com acentuada falta de aumento ou mesmo perda de peso, sem causa orgânica conhecida e com a duração de mais de um mês. Continuar a ler

Psicólogos clínicos no SNS: Precisam-se!

Psicologia no SNSNos cuidados de saúde primários, a intervenção em psicologia clínica consiste na prestação de serviços psicológicos aos indivíduos, ás famílias e à comunidade, fazendo a integração da promoção da saúde e da prevenção da doença, assim como o apoio assistencial.

A intervenção do psicólogo clínico em contexto de cuidados de saúde primários implica a adoção de um paradigma holista no entendimento da pessoa bem como dos processos de saúde e/ou doença. Pressupõe também a integração numa equipa multidisciplinar, no sentido de poder fazer um trabalho responsável, integrativo e colaborativo, entre o utente, a família e a comunidade, e os restantes profissionais dos cuidados de saúde primários, em articulação com os cuidados de saúde especializados, se necessário. Compreender o indivíduo e o seu contexto, requer a aplicação de um modelo multidimensional, centrado no indivíduo e nas suas particularidades que vise essencialmente a promoção da sua autonomia e do seu bem-estar, não só psicológico mas consequentemente físico e relacional.

Psicologia da SaúdeHumanizar os serviços de saúde é urgente. Os avanços da tecnologia e da ciência podem por vezes levar a um “esquecimento” da pessoa humana. Há que mudar atitudes, típica e tradicionalmente adotadas por alguns profissionais e que se relacionam com um modelo de natureza biomédica – o médico ou outro profissional de saúde como figura de autoridade absoluta. A  American Psychological Association (APA) defende a substituição da hierarquia pelo equilíbrio, onde o profissional de saúde assume maior evidencia na sua relação com o utente quando apresenta maior contingência nas situações que ocorrem, face às reais necessidades do indivíduo. Só deste modo se torna possível um trabalho colaborativo e cooperante, em que o profissional em posse de conhecimento, de técnicas e de estratégias de intervenção, poderá conseguir uma verdadeira parceria na sua relação com o utente mas também com a restante equipa.

Psicologia  e saúdeSendo os cuidados de saúde primários, por definição, aqueles que estão mais próximos e mais acessíveis aos indivíduos, o psicólogo clínico e da saúde, ao desempenhar as suas funções neste contexto, constitui-se como a primeira linha de intervenção. Assim, deverá adotar um modelo bioecológico que lhe permita compreender os comportamentos relacionados com a saúde, em função de um determinado contexto familiar, social e cultural. As áreas de intervenção psicológica prioritárias em contexto de cuidados de saúde primários, são essencialmente promover a saúde, prevenir a doença/incapacidade, detetar precocemente a doença e trata-la. Deste modo, tanto o psicólogo como os restantes elementos da equipa de saúde deverão levar em consideração não só o doente mas a sua família e os contextos em que este se movimenta. As competências do psicólogo da saúde nestes contextos clínicos incluem o conhecer e compreender as variáveis envolvidas na vida do doente mas também a tomada de consciência face às suas próprias limitações, aquando do planeamento das intervenções. Tudo isto se prende com a avaliação, não só do doente/caso mas também dos seus próprios recursos e habilidades.

Psicologia da saúdeO psicólogo clínico e da saúde nos cuidados de saúde primários, tem como principais funções a avaliação psicológica, o planeamento, desenvolvimento, implementação e monitorização de programas de promoção da saúde, de prevenção e de tratamento da doença, assim como o desenvolvimento de investigação e a participação em atividades formativas e psicoeducativas. As suas funções envolvem  ainda o apoio ao doente na aceitação do diagnóstico, na adesão a realização de exames auxiliares de diagnóstico ou práticas e tratamentos mais invasivos e na adesão à medicação, bem como ao fornecimento de recomendações referentes a práticas de autocuidado e de reabilitação. A facilitação de estratégias para lidar com o stresse decorrente de toda a envolvência da situação de doença, quer ao próprio, quer aos familiares e cuidadores, é outra das funções do psicólogo clínico e da saúde, assim como o auxílio na comunicação com outros elementos da equipa de saúde. O psicólogo poderá ter também um papel importante na racionalização dos comportamentos de procura e de utilização dos cuidados de saúde, e como já foi referido, na promoção da qualidade e da humanização dos serviços. É ainda de salientar a importância do psicólogo no apoio aos profissionais de saúde de outras áreas (enfermeiros, médicos, administrativos) para os ajudar a lidarem com as possíveis situações de stresse decorrentes do exercício da profissão.

Serviços de saúdeA investigação mais recente aponta para os enormes benefícios para o bem-estar da comunidade, da integração de psicólogos clínicos nas equipas de cuidados de saúde primários. Considerando o impacto do aumento da prevalência dos problemas de saúde mental, principalmente as perturbações de ansiedade e as perturbações depressivas, e o crescente aumento da prescrição de ansiolíticos e antidepressivos, torna-se fundamental determinar e concretizar o nível de penetração da psicologia da saúde, nos centros  de cuidados de saúde primários, de clarificar o papel específico do psicólogo da saúde nestes mesmos locais e de considerar seriamente o impacto do visível aumento dos problemas de saúde mental, quer em termos de qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade quer pela sua repercussão em termos orçamentais, ou seja, no peso que estes representam para o também já “doente” Serviço Nacional de Saúde.

 

Sugestão:

https://pdfs.semanticscholar.org/1470/034dcdd3c39319174ae5b6ca86c86625a8f4.pdf

 

 

 

Inteligência emocional à luz de Goleman

EmoçõesO conceito de inteligência emocional tornou-se popular através da obra do jornalista científico norte americano Daniel Goleman. O autor define o conceito como um conjunto de competências afetivas e cognitivas que se divide em cinco dimensões: auto conhecimento, auto-controlo, empatia, motivação e competências sociais.

A inteligência emocional já tinha sido anteriormente descrita, por outros autores, como uma forma de inteligência social, que incluía a capacidade do indivíduo para reconhecer as emoções e os sentimentos em si próprio e nos outros e para utilizar essa informação, no sentido de orientar o seu pensamento e consequentemente o seu comportamento. Goleman define-a como a capacidade do indivíduo em reconhecer os seus próprios sentimentos e os dos outros, de se motivar e de conseguir gerir bem as emoções em si mesmo e nas suas relações. Continuar a ler

Burnout e férias de verão

EsgotamentoVerão! Sinónimo de férias escolares para uns e de férias profissionais para muitos outros.  O tão desejado período de descanso e lazer, de convívio, de festa, praia, campo ou tudo aquilo que no dia-a-dia, a azáfama não permite fazer.

As férias são uma necessidade do ser humano. Perante o desgaste físico e psicológico decorrente de um quotidiano rotineiro e por vezes com excesso de solicitações, torna-se fundamental o repouso, para o restabelecimento do corpo e da mente. A falta de descanso pode conduzir os indivíduos a situações de esgotamento físico e psicológico – o Burnout. O Burnout resulta do stresse crónico mal gerido associado principalmente ao trabalho. É caracterizado por uma enorme falta de energia ou exaustão, distanciamento mental face à atividade profissional, sentimentos negativos e perda de eficiência relativamente ao próprio trabalho. Um inquérito da DECO PROTESTE (2018) apontou para a existência de cerca de 30% de pessoas em situação de Burnout em Portugal, ou seja, uma percentagem bastante expressiva. Continuar a ler

Pais superprotetores, crianças inseguras…

SuperprotegidosAcredito que a tarefa mais difícil de todas é a de criar um filho. As crianças representam para os seus pais e cuidadores, um desafio dos maiores do mundo e este mundo tem muitos perigos. Os pais, por norma têm uma tendência para proteger as suas crianças mas por vezes essa proteção é super!

Proteger demasiado pode ser mais prejudicial que benéfico. A preocupação excessiva dos pais e a consequente proteção aos seus filhos pode afetar de forma negativa a infância da criança mas também a sua vida adulta, na medida em que as crianças demasiado protegidas têm maior probabilidade de ser tornarem adultos inseguros. Pais superprotetores privam os filhos da possibilidade de enfrentarem riscos, tanto físicos como emocionais. Privam-nos do que pode ser mau mas também do que pode ser bom. A preocupação e o cuidado excessivo de proteção podem ser tão prejudiciais quanto a falta deles. Até em situações correntes do quotidiano, as atitudes de alguns pais podem revelar exagero no cuidado e proteção dos seus filhos. Quando por exemplo, uma criança pequena aponta para uma garrafa de água e os pais de imediato lhe dão água para beber, esta criança não precisa de se esforçar para falar para obter o que deseja. Desta forma, estes pais poderão estar a fazer com que a criança atrase o desenvolvimento da fala. Esta situação é ilustrativa do modo como os pais podem ter influência no desenvolvimento das competências da criança e também da sua conquista de autonomia. Continuar a ler

Bebés e crianças pequenas: exercício físico, sono e tecnologias

Crianças activasParece consensual a ideia de que o exercício físico é fundamental para a manutenção do bem-estar físico e emocional dos indivíduos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) defende que prática de atividade física, desde os primeiros anos de vida, a par com o fornecimento de atividades sedentárias estimulantes e variadas, que promovam a interação social, bem como bons hábitos de higiene do sono, podem promover nas crianças um adequado e saudável desenvolvimento psicomotor.

O bem-estar físico, psicológico, o bom desempenho escolar e o adequado desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças, relacionam-se de forma positiva com a implementação de práticas educativas que promovam o exercício físico, o sono suficiente e tranquilo, bem como o desenvolvimento de atividades com as crianças, que as estimulem, nomeadamente no que diz respeito às competências sociais. A atividade física na infância ou o movimento do corpo, tem um papel fundamental para o desenvolvimento das crianças. Ao movimentar-se a criança expressa emoções, amplia a sua postura corporal, desenvolve a linguagem corporal, e desenvolve a capacidade afetiva e intelectual. Continuar a ler

Psicossomática: afinal estou doente de quê?

SomatizaçãoA somatização caracteriza-se pela apresentação de sintomas físicos em indivíduos, sem causa orgânica óbvia. É uma problemática que está associada a uma incapacidade funcional e a um grande recurso aos cuidados de saúde.

A presença persistente de sintomatologia física sem explicação médica constitui-se como um enorme desafio quer para médicos, quer para psicólogos. Estes sintomas apresentam-se num continuum e podem ir de ligeiros e transitórios a intensos, constantes e severos. Os sintomas físicos mais comuns na somatização são a fadiga, as dores de cabeça, as dores nas costas, a insónia, as dores de barriga, as tonturas, o aumento dos batimentos cardíacos ou a falta de ar. O doente psicossomático tende a procurar sistematicamente uma causa orgânica para as suas queixas e por isso recorre frequentemente aos cuidados de saúde, no sentido de pedir ao médico a prescrição de exames auxiliares de diagnóstico ou medicamentos para o alívio dos sintomas, de uma doença que não tem. Nesta procura excessiva pelos cuidados de saúde, a relação com o médico pode ficar afetada se este não entender o problema do paciente, ou seja, se não levar em consideração os fatores psicossociais que o envolvem. Além do mais, a banalização da toma de medicação para alívio da referida sintomatologia pode conduzir a uma dependência que não é de todo recomendada.

PsicossomáticaOs resultados apresentados pela investigação sobre esta matéria sugerem uma prevalência de doentes psicossomáticos na ordem dos 20% a 50%, no entanto, nem todos os indivíduos que apresentam sintomatologia física sem explicação médica, preenchem todos os critérios de referenciação para os cuidados de saúde mental. É de salientar que muito frequentemente, a apresentação deste tipo de sintomatologia está associado a casos de ansiedade e/ou depressão, sendo que a intervenção psicológica poderá trazer um enorme benefício para estes indivíduos. Porém, muitas vezes, estes pacientes recusam a necessidade de apoio psicológico mesmo quando é sugerida pelo médico, dando preferência a uma intervenção médica sobre os sintomas. O estigma ainda presente em muitos grupos sociais, pode ajudar a explicar essa dificuldade em aderir ao acompanhamento psicológico, mesmo que indiretamente, possam demonstrar o desejo de apoio emocional.

PsicossomáticaPodem-se referir como determinantes da sintomatologia psicossomática o stresse e a ansiedade, sendo que estes provocam um aumento da atividade cerebral e a produção de cortisol e adrenalina. Estas hormonas podem afetar outros órgãos do corpo como o estômago, os intestinos, o coração ou a pele.  O stresse profissional, os traumas por acontecimentos de vida significativos, a dificuldade em expressar as emoções ou um elevado grau de perfeccionismo, constituem-se como algumas das causas possíveis para o desenvolvimento desta patologia. As perturbações psicossomáticas, ou seja, com causa emocional, não tratadas, podem conduzir elas próprias ao aparecimento de doenças como por exemplo a gastrite ou a hipertensão arterial. Em casos mais graves, a sintomatologia mais intensa poderá mesmo confundir-se com situações graves como o enfarte do miocárdio ou o acidente vascular cerebral, como é o caso dos ataques de pânico, em que o indivíduo experimenta sensações tão desagradáveis que o podem fazer pensar que vai morrer.

SomatizaçãoEm termos de tratamento, o doente psicossomático poderá como já foi referido, beneficiar de acompanhamento psicológico, uma vez que este pode ajudar o indivíduo a identificar o motivo do seu stresse e da sua ansiedade e, deste modo, aprender a lidar com a situação e conseguir treinar estratégias promotoras da redução da ansiedade e do aumento do bem-estar. Alguns casos poderão beneficiar de um tratamento misto, ou seja, intervenção psicológica combinada com medicação. Esta é habitualmente feita através de analgésicos ou anti-inflamatórios, para alívio dos sintomas, mas também ansiolíticos e antidepressivos. A psicossomática coloca a doença numa dimensão psicológica abrangente e integral, proporcionando uma abordagem onde a relação entre médico, paciente e psicólogo se constituem como um recurso muito relevante para que o indivíduo seja olhado como um todo, e não penas com vista ao tratamento dos sintomas. Assim, qualquer doença pode ser alvo de uma abordagem como se de psicossomática se tratasse, pois o que precisa de tratamento não é apenas a doença mas sim o doente.

 

PsicossomáticaPense que pode ter na Sua Psicóloga uma aliada importante para o ajudar a lidar com os seus problemas. Procure apoio!

Sugestão:

https://rfs.emnuvens.com.br/rfs/article/view/14/12

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-37722016000300245&script=sci_arttext&tlng=pt

 

Vou ter teste, e agora!?

Ansiedade de desempenho

A ansiedade desempenha um papel importante no comportamento humano. Em contexto escolar, a ansiedade dos alunos perante a perspetiva de um teste é um fenómeno particularmente difícil. A ansiedade gerada pela avaliação, quer seja formal ou informal é sempre mais ou menos perturbadora.

Ser avaliado corresponde a uma situação complexa que reúne várias dimensões (cognitiva, emocional, fisiológica e comportamental). Em termos teóricos, a ansiedade de desempenho face a um teste pode assumir duas formas distintas: como traço ou como estado. Enquanto traço, a ansiedade corresponde a uma predisposição psicológica para reagir com o mesmo nível de ansiedade (alto ou baixo) a um conjunto indiscriminado de situações. Enquanto estado (ou sobrecarga) a ansiedade acontece em situações esporádicas, como um exame particularmente difícil ou para o qual o aluno não se sente devidamente preparado. Continuar a ler