As recentes tempestades que têm atingido Portugal, com episódios de cheias, destruição material e evacuações preventivas, constituem não apenas um fenómeno meteorológico extremo, mas também um acontecimento com impacto psicológico relevante. Para além dos prejuízos físicos e económicos, importa compreender as consequências emocionais e relacionais que situações desta natureza podem desencadear.
A experiência de uma catástrofe natural confronta-nos com a vulnerabilidade humana. A maioria das pessoas vive com uma percepção implícita de previsibilidade: as casas são seguras, as infraestruturas funcionam, o quotidiano mantém uma certa estabilidade. Quando essa organização é abruptamente interrompida, ocorre uma rutura na sensação de controlo, um dos pilares da segurança psicológica. Esta quebra pode manifestar-se através de hipervigilância, necessidade constante de acompanhar previsões meteorológicas, ansiedade antecipatória, dificuldades no sono ou sensação persistente de ameaça. Em termos cognitivo-comportamentais, o sistema de alarme mantém-se ativado mesmo após o perigo imediato ter passado.
Falar de namoro tóxico na adolescência não é falar apenas de relações “difíceis” ou de dramas próprios da idade. É falar de experiências emocionais que, muitas vezes, deixam marcas profundas na forma como os jovens aprendem a amar, a relacionar-se e a ver a si próprios.
A adolescência é um período de intensa construção identitária. É nesta fase que se experimenta, muitas vezes pela primeira vez, a intimidade emocional, o desejo de pertença e o medo da rejeição. O namoro surge, assim, como um espaço privilegiado de validação emocional — mas também como um terreno fértil para inseguranças, dependências emocionais e padrões relacionais pouco saudáveis.
Os jogos eletrónicos fazem parte do quotidiano de muitas crianças e adolescentes, levantando dúvidas naturais nos pais sobre limites, riscos e impacto emocional. Compreender a diferença entre um uso saudável e um uso problemático é essencial para promover um desenvolvimento equilibrado.
Os jogos eletrónicos fazem hoje parte do universo das crianças e dos adolescentes, sendo uma forma comum de entretenimento, socialização e até aprendizagem. Para muitos pais, esta realidade levanta dúvidas legítimas: quanto tempo é demasiado? Quando é que o jogo deixa de ser apenas diversão e passa a ser motivo de preocupação? A psicologia ajuda-nos a compreender que o problema não está, na maioria das vezes, no jogo em si, mas na forma como este é utilizado e no papel que passa a ocupar na vida da criança ou do adolescente.
A depressão é uma condição psicológica que afeta o humor, o pensamento e o funcionamento diário, indo muito além da tristeza pontual. A intervenção psicológica, em particular a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), tem demonstrado eficácia na compreensão e modificação dos padrões que mantêm o sofrimento.
A experiência de viver com depressão é frequentemente descrita como um processo silencioso de perda de energia, de interesse e de esperança. Para muitas pessoas, as tarefas quotidianas tornam-se progressivamente mais difíceis de executar, o prazer diminui e surgem os pensamentos persistentes de desvalorização, de culpa ou de incapacidade. A depressão não se resume apenas a tristeza, trata-se de uma condição psicológica complexa, que afeta o humor, o pensamento, o comportamento e o funcionamento global da pessoa.
A autoestima e as inseguranças influenciam de forma significativa a forma como cada pessoa se percebe e se relaciona com os outros. A psicologia integrativa permite compreendê-las como processos dinâmicos, moldados pelas experiências emocionais e relacionais ao longo da vida.
A autoestima e as inseguranças pessoais desempenham um papel central na forma como cada pessoa se percebe, se relaciona e responde aos desafios da vida quotidiana. Embora muitas vezes sejam entendidas como traços individuais relativamente estáveis, a psicologia contemporânea tem vindo a demonstrar que a autoestima é um processo dinâmico, profundamente influenciado pelas experiências emocionais, relacionais e contextuais ao longo do ciclo de vida. A partir de uma perspetiva da psicologia integrativa, compreende-se que a construção do valor pessoal resulta da interação entre fatores cognitivos, emocionais, relacionais, corporais e socioculturais, não podendo ser explicada de forma linear ou simplificada.
De forma geral, a autoestima pode ser definida como a avaliação subjetiva que a pessoa faz do seu próprio valor, integrando crenças sobre si mesma, emoções associadas a essas crenças e padrões comportamentais que delas decorrem. Uma autoestima saudável não corresponde a uma perceção idealizada ou inflacionada do self, mas sim a uma relação interna mais realista, flexível e compassiva, que reconhece tanto as competências como as limitações pessoais (Rosenberg, 1965). Na prática clínica, observa-se que a autoestima pode variar significativamente consoante os contextos, os papéis desempenhados e a qualidade das relações interpessoais, o que reforça a importância de uma abordagem compreensiva e integradora.
As inseguranças surgem frequentemente associadas a experiências precoces de vinculação, a contextos de validação emocional inconsistente, a críticas repetidas ou a vivências de rejeição. Estas experiências podem contribuir para o desenvolvimento de esquemas cognitivos centrais relacionados com sentimentos de inadequação, desvalor ou medo de abandono, influenciando a forma como a pessoa interpreta a realidade e se posiciona nas relações (Young, Klosko & Weishaar, 2003). Contudo, numa perspetiva integrativa, as inseguranças não são encaradas apenas como fragilidades ou défices individuais, mas também como estratégias adaptativas que, em determinado momento do desenvolvimento, tiveram uma função protetora. O sofrimento psicológico tende a emergir quando estas estratégias se tornam rígidas e continuam a operar em contextos onde já não são necessárias, limitando a espontaneidade, a autonomia e o bem-estar emocional.
A psicologia integrativa, ao articular contributos da Terapia Cognitivo-Comportamental, das abordagens humanistas, da teoria do apego, das terapias focadas nas emoções e de perspetivas psicodinâmicas contemporâneas, permite uma compreensão mais ampla da autoestima e das inseguranças. Esta abordagem possibilita intervir ao nível das crenças centrais sobre o self, da relação com as emoções, dos padrões de vinculação e das experiências corporais associadas à vivência emocional, sem descurar o impacto do contexto familiar, social e cultural na construção do valor pessoal (Norcross & Goldfried, 2019). Desta forma, o trabalho terapêutico não se centra apenas na modificação de pensamentos negativos, mas na integração das diferentes dimensões da experiência psicológica.
O conceito de autocompaixão tem assumido particular relevância nas abordagens integrativas à autoestima. A autocompaixão refere-se à capacidade de se relacionar consigo próprio com compreensão, gentileza e responsabilidade emocional, especialmente em momentos de falha, limitação ou sofrimento. A investigação científica indica que níveis mais elevados de autocompaixão estão associados a maior bem-estar psicológico e a uma autoestima mais estável, menos dependente da validação externa, do desempenho ou da comparação social (Neff, 2003). Neste sentido, fortalecer a autoestima não implica eliminar inseguranças, mas aprender a reconhecê-las e a integrá-las numa relação interna mais segura e menos punitiva.
A partir de uma perspetiva da psicologia integrativa, a autoestima é compreendida como um processo em constante construção, influenciado por múltiplas dimensões da experiência humana. As inseguranças, longe de definirem a identidade da pessoa, podem tornar-se oportunidades de autoconhecimento e crescimento psicológico quando abordadas num espaço terapêutico seguro, validante e integrador. Promover uma autoestima saudável implica criar condições internas e relacionais que permitam à pessoa reconhecer-se como válida, digna e suficientemente boa, no seu percurso singular.
O acompanhamento psicológico pode constituir um espaço privilegiado para explorar estas questões, promovendo uma relação mais consciente, equilibrada e compassiva consigo próprio, bem como uma maior liberdade emocional nas relações com os outros.
Referências:
Rosenberg, M. (1965). Society and the adolescent self-image. Princeton University Press. Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2003). Schema therapy: A practitioner’s guide. Guilford Press. Neff, K. D. (2003). Self-compassion: An alternative conceptualization of a healthy attitude toward oneself. Self and Identity, 2(2), 85-101. Norcross, J. C., & Goldfried, M. R. (2019). Handbook of Psychotherapy Integration (3rd ed.). Oxford University Press.
A enurese noturna é uma perturbação de eliminação comum na infância, de etiologia multifatorial e com impacto significativo no funcionamento emocional da criança e no contexto familiar. A perspetiva cognitivo-comportamental permite integrar fatores biológicos, comportamentais e cognitivos, oferecendo um enquadramento clínico consistente e intervenções baseadas na evidência.
A enurese noturna, definida como a eliminação involuntária de urina durante o sono, em crianças numa idade em que já seria esperado controlo esfincteriano noturno, constitui uma das perturbações de eliminação mais frequentes na infância. Apesar da sua elevada prevalência, continua a ser rodeada de mitos, sentimentos de vergonha e interpretações moralizantes, o que pode agravar o impacto psicológico na criança e na família. A Psicologia Cognitivo-Comportamental (PCC) oferece um enquadramento particularmente útil para a compreensão e intervenção na enurese, ao integrar fatores fisiológicos, comportamentais, cognitivos e relacionais.
A experiência de estar só é transversal à condição humana, mas nem sempre é vivida da mesma forma. Na psicologia, é fundamental distinguir solidão de solitude, dois conceitos frequentemente confundidos no discurso quotidiano, mas que representam vivências emocionais e cognitivas profundamente diferentes. Enquanto a solidão está associada ao sofrimento psicológico, a solitude pode constituir uma experiência saudável, reparadora e até necessária ao desenvolvimento pessoal.
A solidão é uma experiência subjetiva de desconexão emocional. Não depende, necessariamente, do número de relações existentes, mas da percepção de que as necessidades de vínculo, compreensão e pertença não estão a ser satisfeitas. Uma pessoa pode estar rodeada de outros e, ainda assim, sentir-se profundamente só. Do ponto de vista psicológico, a solidão associa-se a emoções como tristeza, vazio, rejeição ou desamparo. Vários estudos têm demonstrado a sua relação com sintomas depressivos, ansiedade, baixa autoestima e maior vulnerabilidade ao stresse. Em contextos prolongados, a solidão pode ainda ter impacto na saúde física, podendo contribuir para alterações do sono, do sistema imunitário e do funcionamento cardiovascular.
As resoluções de Ano Novo refletem o desejo humano de mudança e renovação, mas frequentemente falham na sua concretização. A Psicologia Cognitivo-Comportamental oferece um enquadramento teórico sólido para compreender os fatores cognitivos e comportamentais envolvidos neste processo, bem como estratégias baseadas na evidência que promovem a definição de objetivos realistas, a autorregulação e a manutenção da mudança ao longo do tempo.
As resoluções de Ano Novo constituem um fenómeno amplamente difundido nas sociedades ocidentais, representando a intenção de promover mudanças pessoais significativas no início de um novo ciclo temporal. Estas resoluções incidem frequentemente sobre comportamentos relacionados com a saúde, produtividade, relações interpessoais ou bem-estar psicológico. No entanto, apesar da motivação inicial elevada, a maioria das pessoas abandona as suas resoluções nas primeiras semanas ou meses do ano. A Psicologia Cognitivo-Comportamental (PCC) oferece um enquadramento teórico e prático, útil para compreender este fenómeno e identificar fatores que aumentam a probabilidade de manutenção da mudança comportamental.
O Natal reúne símbolos que marcam a infância e influenciam a forma como crescemos. Entre eles, o Menino Jesus e o Pai Natal ocupam lugares especiais no imaginário das famílias. A psicologia ajuda-nos a compreender como estas figuras moldam emoções, crenças e memórias.
A época natalícia é um período especialmente rico do ponto de vista psicológico, combinando tradições, emoções e símbolos que acompanham as famílias ao longo de gerações. Entre esses símbolos surgem duas figuras muito presentes no imaginário infantil e adulto: o Menino Jesus e o Pai Natal. Embora pertençam a universos diferentes, um ligado à espiritualidade e à narrativa religiosa do nascimento, outro à fantasia lúdica e social, ambos desempenham papéis complementares no desenvolvimento emocional das crianças.
A ansiedade é uma resposta emocional e fisiológica orientada para a antecipação de ameaça, frequentemente acompanhada por respostas fisiológicas de ativação , hipervigilância e padrões de pensamento caracterizados por preocupação persistente.
No contexto clínico, a Teoria Cognitivo-Comportamental (TCC) conceptualiza a ansiedade como resultado da interação entre processos cognitivos, comportamentais e fisiológicos que mantêm o ciclo de ameaça e evitamento. Entre os fenómenos cognitivos mais comuns associados à ansiedade encontram-se os pensamentos intrusivos: conteúdos mentais involuntários, repetitivos e frequentemente angustiantes, que surgem sem intenção consciente e que tendem a ser interpretados como indicadores de risco, falha pessoal ou perda de controlo.