Parece que só passaram 5 minutos…

Psicologia infantilO Frederico tem 11 anos e foi à consulta de psicologia acompanhado pelo pai. O menino apresenta problemas ao nível do comportamento alimentar e uma marcada ansiedade generalizada. Na primeira sessão estava muito tímido, de olhar baixo e com um nervosismo que se notava pelo torcer constante da manga da camisola, e pouco falou. Na segunda sessão, começou a responder melhor às perguntas e a manter contacto visual, embora intermitente. Aderiu às tarefas de desenho propostas e ao longo da sessão foi revelando maior à-vontade e descontração. Na terceira sessão, o Fred (como gosta de ser chamado) revelou-se. Falou dos amigos, do que gostava e do que não gostava de fazer e também das suas preocupações. No final, quando se despede, diz “passou tão depressa esta hora. Parece-me que só passaram cinco minutos…”

Nunca mais serei a mãe dela…

Perturbação de Oposição e DesafioA Fernanda tem 49 anos, é tradutora, casada e tem uma filha de 11 anos com uma Perturbação de Oposição e Desafio, diagnosticada há cerca de 5 anos. A Fernanda revelou desde sempre grande dificuldade em lidar com os comportamentos da filha. Actualmente procurou ajuda psicológica, entre outros motivos, por sentir que já não consegue suportar mais a sua vivência com a filha e por temer os desafios da adolescência, que se vai aproximando. A pedido da criança, a Fernanda está prestes a tomar a decisão de a deixar ir viver com os avós maternos, a 200 km da residência da família. Estes estão dispostos a tomar conta da neta no sentido de ajudarem a filha e por temerem o seu desequilíbrio emocional.

O marido da Fernanda é engenheiro civil e trabalha há cerca de 5 anos em Angola. Visita a família duas vezes por ano e tem para com a filha um estilo parental totalmente permissivo, o que vai contra todas as tentativas da Fernanda para disciplinar a filha, causando grandes conflitos entre o casal.

Na última sessão com a psicóloga, a Fernanda verbaliza: “Estou desesperada, a minha filha odeia-me e eu sinto que não vou conseguir aguentar a nossa relação por muito mais tempo. Amo a minha filha mas não consigo estar com ela mais de 5 minutos sem que deseje que ela desapareça. Estou aflita e não sei o que fazer, se a deixo ir para casa dos meus pais, nunca mais serei a mãe dela. Se fica comigo, acho que a qualquer momento ela vai deixar de ter mãe…

Não permitiremos

Consulta psicologiaO Paulo tem 15 anos e vive com os pais e um irmão de 17 anos. Vivem num contexto desfavorecido, marcado pelo desemprego da mãe e pelo alcoolismo do pai. É uma tia que o conduz à Psicóloga por estar preocupada com os sintomas de ansiedade e depressão que o sobrinho apresenta.

Na primeira sessão de avaliação, o Paulo fala das dificuldades que sente em lidar com o ambiente familiar e verbaliza: “O meu pai passa a vida a discutir com a minha mãe. Nunca o vi bater-lhe. Já tem estado perto de acontecer mas eu e o meu irmão nunca permitiremos que o pai bata na mãe”.

Preciso de mais atenção…

Pedaços da sessãoA Madalena tem 11 anos e está em acompanhamento por apresentar sintomatologia depressiva e decréscimo do rendimento escolar. Vive com os pais e um irmão de 16 anos. É uma menina muito afectuosa e rapidamente estabeleceu uma boa relação com a Psicóloga. A Madalena refere com frequência que gostaria que a família lhe desse mais atenção e que fizessem mais actividades em conjunto.

Certo dia, em sessão, a menina verbaliza: “O meu irmão nunca faz nada comigo nem sai com a família. Fica sempre em casa, no quarto dele, fechado a jogar, lá no mundo dele e eu não percebo porquê. O meu pai passa o tempo a ver televisão e nem sai comigo e com a mãe ao domingo. Não tem paciência e se lhe digo para irmos fazer um jogo, manda-me estar quieta e que o deixe ouvir a televisão. A mãe, depois de fazer as coisas todas lá de casa , joga no tablet”.

Durante todo o tempo em que fez estas verbalizações, a Madalena não conseguiu conter as lágrimas.

Já não aguento o meu filho!

PHDAO Ricardo tem 8 anos, um diagnóstico de Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) e dislexia. O Pedopsiquiatra aconselhou o acompanhamento psicológico que o menino iniciou há pouco tempo. Em sessão, para além dos treinos de atenção e concentração, o Ricardo e a mãe aprendem e treinam estratégias para lidarem com os comportamentos desadaptativos e com os sintomas de PHDA do menino. Numa das sessões conjuntas com a mãe, esta verbaliza: “Já não aguento o meu filho, ele não pára quieto um minuto. Eu já não me aguento a mim que sou igual a ele, os dois assim é demais, parece uma casa de loucos!”

Este peso que eu carrego

Obesidade adolescenteO Marcelo tem 15 anos e tem um problema grave de obesidade. Foi encaminhado para a Consulta de Psicologia para fazer a avaliação necessária para a decisão de vir a ser  ou não sujeito a uma intervenção cirúrgica bariátrica.

O jovem entra no gabinete com ar de enfado e começa por dizer: “Estou farto disto, o médico disse que me ia operar e agora manda-me para aqui como se eu estivesse maluco. Não sei o que estou aqui a fazer… diga-me lá se vou ser operado ou não, senão é para fazer a operação eu nunca mais cá venho”, diz com agressividade.

É-lhe então explicado o motivo da sua presença na consulta. O Marcelo fica em silêncio, prolonga-se o silêncio, não responde a 2 ou 3 perguntas que a Psicóloga lhe faz. De repente, levanta-se e diz: “Vou-me embora que não estou para isto. Falar consigo não me vai tirar este peso que eu carrego!”

Rói-se de ciúmes…

Adolescente em sessão

A Mafalda é uma menina de 18 anos que está em acompanhamento psicológico há poucas semanas. Procurou ajuda por iniciativa própria e iniciou acompanhamento por estar a viver um processo de luto complicado, pela perda do pai há cerca de oito meses. Além disso tem também uma relação difícil com a mãe.

Vai sempre sozinha às sessões, a mãe leva-a mas fica sempre no carro à sua espera. Um dia, quando a Psicóloga se dirige à sala de espera para a ir buscar, a mãe está com ela. A Psicóloga cumprimenta a mãe e convida-a a entrar. A mãe recusa, diz que não é necessário. A Psicóloga não insiste. Lá dentro, a Mafalda diz: “Ela tinha que vir, ela tinha que ver a cara da pessoa com quem eu falo e a quem conto tudo o que não lhe conto a ela. Rói-se de ciúmes…”

Preciso mesmo…

adição a jogos electrónicosO Rui tem 15 anos e um problema de obesidade e de adição a jogos electrónicos. Anda em Acompanhamento Psicológico para melhorar a sua adesão à dieta, ao plano de exercício físico e para controlo da sua utilização disfuncional dos meios electrónicos de comunicação em geral e em particular da sua consola de jogos.

Questionado sobre os seus comportamentos nessas áreas na semana anterior, o Rui responde: ” Foi mais ou menos… os 2 ou 3 dias depois da consulta faço tudo direitinho como combinamos mas depois vou-me relaxando… preciso mesmo de cá vir todas as semanas para me relembrar das minhas tarefas…”

Alguém que me compreenda

preciso de falarA Filomena tem 16 anos e iniciou  Avaliação Psicológica por apresentar sintomatologia depressiva. Depois de uma primeira sessão com muitos “silêncios” e alguma dificuldade em estabelecer relação, no início da segunda sessão a Filomena verbaliza: “Quando vinha para cá estava nervosa mas agora nem por isso. Como estamos aqui sozinhas é mais fácil para mim falar. Acho que posso falar à vontade, preciso mesmo de falar com alguém que me consiga compreender…”

Ansiedade social

ansiedade social

A Marta tem 13 anos e anda em acompanhamento psicológico por problemas de ansiedade social e baixa autoestima, com grande prejuízo no seu desempenho escolar. Utiliza frequentemente estratégias de evitamento, faltando às aulas por queixas somáticas. Em sessão, a Marta verbaliza:

“Eu acho que fui sempre um bocado tímida mas quando era mais pequena era diferente, éramos todos pequenos e parece que os outros me aceitavam melhor. Agora olham para mim de forma diferente por ser baixa e ter estas borbulhas horríveis (cora). Chego a ter dores de cabeça e vomitar quando chega a hora de ir para a escola…”