A Consciência da Mudança e a Gratidão de uma Mãe

Therapist speaking with a patient during counseling session

A Francisca tem 45 anos, trabalha como administrativa e apresenta um funcionamento global organizado e responsável. Encontra-se divorciada há vários anos e assume, de forma exclusiva, a parentalidade do seu único filho de 17 anos, dada a ausência total do pai na vida do jovem. Procurou apoio psicológico há cerca de 8 meses e está desde então com acompanhamento quinzenal. Inicialmente, no plano clínico, evidenciava sinais de sobrecarga emocional associados à acumulação de papéis e responsabilidades, bem como dificuldades na gestão da relação com o filho, marcada por aumento de conflito, reatividade e desafios próprios da adolescência.

No decurso de uma sessão recente, após um período de trabalho centrado na comunicação assertiva, regulação emocional e compreensão das dinâmicas relacionais com o filho, a paciente mostrou-se particularmente reflexiva e emocionalmente mobilizada. Num momento de maior pausa e elaboração, referiu, com um tom simultaneamente sereno e comovido:

” Sinto que, pela primeira vez em muito tempo, não estou completamente perdida. Ainda é difícil, continuo a ter dias exigentes com o meu filho… mas já não reajo da mesma forma. Consigo parar um pouco antes de falar, perceber o que estou a sentir… e isso tem feito a diferença. Acho que nunca ninguém me tinha ajudado a olhar para isto desta maneira.

Após uma breve pausa, acrescentou:

Queria mesmo dizer-lhe que este caminho que tenho vindo a percorrer consigo tem sido muito importante para mim. Sinto-me mais capaz e mais tranquila comigo própria. Obrigada!”

Este momento foi acompanhado por uma expressão emocional contida, mas congruente, denotando não apenas gratidão dirigida à relação terapêutica, mas também um reconhecimento do seu próprio processo de mudança e de desenvolvimento de competências internas.

Identificou-se com esta Mãe? Vá em frente e peça ajuda!

Compreender a Depressão: A Importância do Acompanhamento Psicológico

A depressão é uma condição psicológica que afeta o humor, o pensamento e o funcionamento diário, indo muito além da tristeza pontual. A intervenção psicológica, em particular a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), tem demonstrado eficácia na compreensão e modificação dos padrões que mantêm o sofrimento.

A experiência de viver com depressão é frequentemente descrita como um processo silencioso de perda de energia, de interesse e de esperança. Para muitas pessoas, as tarefas quotidianas tornam-se progressivamente mais difíceis de executar, o prazer diminui e surgem os pensamentos persistentes de desvalorização, de culpa ou de incapacidade. A depressão não se resume apenas a tristeza, trata-se de uma condição psicológica complexa, que afeta o humor, o pensamento, o comportamento e o funcionamento global da pessoa.

Continue a ler “Compreender a Depressão: A Importância do Acompanhamento Psicológico”

Eu não sou os meus pensamentos negativos

Manuela, 33 anos, entrou no consultório com um sorriso, em contraste com a expressão carregada que geralmente trazia quando começou o acompanhamento há dois anos. Sentou-se confortavelmente e, com um tom sereno, começou a falar.

“Tenho pensado muito no percurso que fiz até aqui. Quando comecei, sentia-me completamente perdida. A ansiedade não me deixava dormir, e a depressão tirava-me a vontade de sair da cama. O trabalho, de que sempre gostei, parecia um fardo. Hoje, vejo como tudo mudou.”

A psicóloga sorriu, incentivando-a a continuar.

Aprendi a reconhecer os sinais da ansiedade antes de eles me dominarem. As técnicas de respiração e relaxamento que me ensinou fazem toda a diferença! No outro dia, no trabalho, um cliente difícil começou a levantar a voz comigo. Em vez de entrar em pânico, respirei fundo e consegui manter a calma. Antes, teria ficado aflita o resto do dia, mas consegui seguir em frente.”

Houve um momento de silêncio antes da Manuela acrescentar, com emoção:

A terapia ajudou-me a ver que eu não sou os meus pensamentos negativos. Agora, quando surgem, já não me afundo neles. Questiono-os, como me ensinou. E as pequenas coisas voltaram a ter valor para mim. Voltei a sair com amigos, a ler, a caminhar à beira-mar…”

A psicóloga reconheceu o progresso de Manuela, reforçando as suas conquistas. Ela sorriu, com gratidão.

“Obrigada por tudo. Sei que ainda há caminho a percorrer, mas agora sinto que sou eu quem controla as situações.”

Aceitação emocional: um passo para a cura

E se, em vez de tentar corrigir tudo, aprendesse a simplesmente estar com isso?”

Esta pergunta paralisou a minha paciente Rita (nome fictício) durante uma das nossas consultas, há umas semanas. A Rita estava exausta, constantemente a lutar contra as suas emoções, a debater-se com o passado e a travar uma batalha com a sua autocrítica. Durante anos, acreditou que curar significava apagar a dor, não a sentir, mas agora eu pedia-lhe que a aceitasse em vez disso. No início a Rita resistiu. Aceitar parecia desistir, como se estivesse a erguer a bandeira branca perante toda a dor que carregava. Mas quanto mais refletia sobre isso, mais percebia que lutar não estava a resultar, apenas a deixava esgotada, presa num ciclo interminável e doloroso de resistência e frustração.

Aceitação não significa gostar do que aconteceu ou fingir que não doeu. Significa reconhecer a verdade da sua experiência, sem julgamento. Significa dizer: “Isto é o que eu sinto. É aqui que eu estou.” E, nesse momento, algo muda. Quando a Rita começou a praticar a aceitação, notou algo de extraordinário. A sua dor não desapareceu milagrosamente, mas o controlo da dor sobre ela, diminuiu. As memórias, anteriormente duras e insuportáveis, suavizaram-se. As emoções que tentara reprimir —a raiva, a tristeza, o medo — começaram a fluir através dela, em vez de a aprisionarem.

A aceitação é poderosa porque não exige mudança. Cria espaço para que ela aconteça. Permite respirar quando tudo parece sufocante. E porque é que a aceitação funciona? Porque liberta energia emocional. Resistir à dor consome muita energia, aceitá-la permite redirecionar essa energia para a cura e para o crescimento. A aceitação desenvolve a resiliência, quando deixa de ter medo das suas emoções, aprende que consegue lidar com elas e isso fortalece-o/a interiormente. A aceitação promove a clareza, dissipando o nevoeiro da resistência, ajudando a ver as situações com mais nitidez e a dar passos mais ponderados para a frente.

E como praticar a aceitação? Eis alguns passos:

  1. Parar e observar: Quando se sentir sobrecarregado/a, faça uma pausa. O que sente no seu corpo? Que pensamentos estão na sua mente?
  2. Nomear sem julgamento: Diga em voz alta ou escreva: “Sinto-me ansioso/a” ou “Estou triste por causa de…
  3. Recordar que está tudo bem: As emoções são como ondas — sobem, atingem o pico e eventualmente recuam. Deixe-as fluir sem se agarrar a elas nem as evitar. As emoções negativas fazem parte da vida, tal como as positivas. Permita-se senti-las.
  4. Praticar a auto compaixão: Aceitação não significa fraqueza, significa que é um ser humano. Por isso, trate-se com bondade, como provavelmente trataria o seu melhor amigo.

A jornada da Rita não terminou com a aceitação — começou aí. Ainda teve dias difíceis, mas já não a destruíam como antes. A aceitação deu-lhe a base para curar, crescer e viver com esperança e coragem. Por isso, deixo-lhe a mesma pergunta que fiz à Rita:

 “E se, em vez de tentar corrigir tudo, aprendesse a simplesmente estar com isso?” Às vezes, a mudança mais profunda começa quando simplesmente deixamos ir…

Aceitar ajuda e manter o compromisso

O Fernando e a Luísa são casados há 5 anos e procuraram apoio psicológico há cerca de 1 ano. A relação enfrentava desafios, ao momento, que ameaçava a sua manutenção e a felicidade de ambos. No início, a Luísa vinha sozinha ás consultas, mas ao fim de poucas semanas, pediu-me se podia incluir o Fernando no processo terapêutico. Sim, claro que sim. Como mediadora nesta relação, que continua “de vento em poupa”, fui-lhes mostrando diferentes perspectivas, diferentes formas de pensar, diferentes formas de agir. Aos poucos foram aprendendo a conhecerem-se melhor, a verbalizar os seus sentimentos, a compreender os desejos e as escolhas um do outro, a aceitarem o que não se consegue modificar e também a perdoar…

Continue a ler “Aceitar ajuda e manter o compromisso”

É a Minha Psicóloga!

O Ricardo tem 13 anos e está em acompanhamento psicológico há cerca de 6 meses devido ás suas dificuldades relacionadas com um quadro de Ansiedade Generalizada, mas também por dificuldades na adaptação ao divórcio dos pais e ás consequentes alterações da sua rotina. Em consulta, o Ricardo refere não conseguir falar das suas preocupações, nem com o pai, nem com a mãe, por sentir que ambos estão instáveis e que não o iriam compreender. Por outro lado, deixa entender que não quer ser mais um problema para os pais e manifesta alguns sentimentos de culpa em relação á separação. Encontra no “espaço e no tempo” da consulta, o momento em que expressa as suas emoções, manifesta os seus medos mas também partilha as suas conquistas escolares e do vólei, que começou a praticar recentemente. Na última consulta em que esteve com a psicóloga verbalizou “com a Dra. eu estou á vontade…posso contar tudo e até dizer alguns disparates, porque a senhora é a Minha Psicóloga”. É tão bom ouvir destas coisas…

A cama dos pais

O Jorge e a Clara são um casal jovem com dois filhos. Uma filha de 7 anos e um menino de dois. Marcaram uma consulta de psicologia no “desespero” de não conseguirem tirar a filha mais velha da cama dos pais. “Há 7 anos que não sei o que é dormir sozinho com a minha mulher”, diz o Jorge, e a Clara esboça um sorriso tímido.

Após uma avaliação psicológica feita à criança, percebe-se que não há nenhuma perturbação com significado clínico, mas sim apenas uma questão comportamental, aparentemente fácil de resolver. Com uma estratégia relativamente simples, no espaço de uma semana a menina passou a dormir tranquilamente na sua cama, no quarto que partilha com o irmão.

Três semanas depois, em consulta, os pais referem: “Nós não acreditávamos mesmo que fosse possível, estamos muito surpreendidos mas muito felizes”! O comportamento da menina mantém-se até hoje. Já passaram 6 meses.

A ansiedade e o medo da mudança

A Fernanda tem 43 anos e é acompanhada na consulta de psicologia clínica há cerca de 2 anos. É contabilista, casada, tem 3 filhos, bons amigos, um gato e uma perturbação de ansiedade. Procurou apoio psicológico devido a esta perturbação, que interferia com a sua funcionalidade, impedindo-a muitas vezes de agir…

Recentemente conseguiu tomar a decisão de mudar de casa, para uma casa maior e numa zona mais tranquila. O apartamento onde vivia nos arredores de Lisboa “sufocava-a” e desejava muito poder dar aos filhos a possibilidade de crescerem no campo e de brincarem na rua. Poucas semanas após a mudança, sente-se tão feliz, que por vezes ainda nem acredita que conseguiu fazer algo que há tanto tempo desejava, mas que o medo não a deixava avançar.

Em consulta diz à ‘psicóloga: ”Se não tivesse procurado ajuda e não tivesse feito todo este caminho, que faço consigo há quase 2 anos, tenho a certeza que nunca teria conseguido fazer esta mudança tão importante para a minha família e para a minha vida. Obrigada!”.

É por isto que adoro ser psicóloga 😊

A senhora salvou-me a vida…

A Paula é uma mulher de 35 anos que está em acompanhamento psicológico há cerca de um ano. O diagnóstico inicial foi uma depressão major, com encaminhamento para psiquiatria, tendo sido imediatamente medicada, ao mesmo tempo que iniciou intervenção psicológica cognitivo-comportamental. A Paula tinha uma ideação suicida muito forte, tendo já havido uma tentativa prévia. Não conseguia trabalhar, não conseguia cuidar da sua filha de 3 anos…

A Paula tem sido muito cooperante e estabeleceu uma forte relação terapêutica. Não falha uma consulta e faz todos os “trabalhos de casa”. A melhoria é significativa, embora haja ainda um caminho a percorrer. Há dias, em sessão, verbalizou: “Não sei o que seria de mim sem a Dra., a senhora salvou-me a vida“…

O mérito é todo dela!

Não deixe que o preconceito ou os estereótipos a/o impeçam de pedir ajuda. Não deixe que um impulso a/o ponha em risco. Cuide de si!

Um comportamento, duas adições

Vera é uma mulher de 41 anos com um problema de adição. Tem um consumo abusivo de álcool e tabaco, que por várias vezes diz ter tentado curar. A vida não lhe tem sido fácil e numa consulta verbaliza “por vezes tenho tanto medo de ouvir o meu corpo, de sentir as minhas emoções que prefiro anestesiar-me bebendo só mais um copo, só que depois vem outro e outro…” Num momento de sobriedade, deu um passo em frente e pediu ajuda. Acredita pouco em si para conseguir mudar sozinha, mas tem boas expectativas em relação ao acompanhamento que há semanas decidiu iniciar. Assinamos um compromisso por escrito. “Mesmo à séria” disse ela.

Eu, acredito que ela vai conseguir!

Dê o passo que lhe falta. Procure ajuda!