Parece que só passaram 5 minutos…

Psicologia infantilO Frederico tem 11 anos e foi à consulta de psicologia acompanhado pelo pai. O menino apresenta problemas ao nível do comportamento alimentar e uma marcada ansiedade generalizada. Na primeira sessão estava muito tímido, de olhar baixo e com um nervosismo que se notava pelo torcer constante da manga da camisola, e pouco falou. Na segunda sessão, começou a responder melhor às perguntas e a manter contacto visual, embora intermitente. Aderiu às tarefas de desenho propostas e ao longo da sessão foi revelando maior à-vontade e descontração. Na terceira sessão, o Fred (como gosta de ser chamado) revelou-se. Falou dos amigos, do que gostava e do que não gostava de fazer e também das suas preocupações. No final, quando se despede, diz “passou tão depressa esta hora. Parece-me que só passaram cinco minutos…”

Educar, ensinar e respeitar

Disciplinar e educarFalar da educação dos nossos filhos é falar de um tema sensível e por vezes difícil, uma vez que todos queremos fazer o melhor mas nem sempre sabemos como. Se por um lado não existem pais perfeitos, por outro lado também não existem crianças perfeitas. No entanto, pais e filhos podem relacionar-se de forma harmoniosa, amorosa e feliz, respeitando-se mutuamente.

Para que mantenha com os seus filhos uma relação tranquila, agradável e prazerosa, há que nunca esquecer a palavra equilíbrio, e para que haja equilíbrio, é necessário haver disciplina, regras e limites. Disciplinar significa ensinar: ensinar o que fazer, como fazer e quando fazer. Corrigir comportamentos desadequados, dar alternativas e ao mesmo tempo respeitar a perspetiva da criança ou do adolescente, pode ser a chave para o sucesso. Porém, estabelecer limites e fazer cumprir as regras pode não ser tarefa fácil. Uma das formas que pode tornar a tarefa mais acessível é dar o exemplo. As crianças também aprendem por imitação e os pais são os seus modelos mais próximos. Será muito difícil exigir que um filho mantenha o telemóvel fora da mesa do jantar, se os próprios pais passarem a hora da refeição ligados aos seus aparelhos. Este é apenas um exemplo, mas modelar um comportamento pode ser muito mais do que isto. Modelar é dar o exemplo, é fazer bem e ensinar como fazer bem, para que a criança possa aprender com o que vê fazer. Continuar a ler

O psicólogo e o desenho

Avaliação psicológica e o desenhoHá pouco tempo atrás ouvi alguém que dizia “o meu filho vai ao psicólogo só para fazer desenhos”. O tom de crítica era evidente, e, de facto, se a criança é acompanhada por um psicólogo apenas com o intuito de desenvolver as suas competências artísticas, pode realmente ser algo redutor… mas o desenho não é só arte.

O desenho, em contexto de avaliação ou de intervenção psicológica, assume um valor e uma importância que transcendem a mera revelação dos dotes artísticos da criança. O desenho é para o psicólogo um instrumento muito útil na sua prática clínica, quer se trate de avaliação, seleção ou intervenção psicológica. Através do desenho, o psicólogo consegue obter informação acerca do funcionamento da criança, do seu modo de estar perante os outros, do modo como projeta através dos elementos que desenha, o seu temperamento, as suas áreas de conflito, etc. Ao mesmo tempo, com recurso ao desenho, consegue-se facilitar o estabelecimento e a manutenção da relação entre a criança e o psicólogo. A criança por vezes consegue mais facilmente desenhar do que verbalizar. O pormenor ou a falta dele, o modo como adere à tarefa e se empenha nela, o tipo de traço que apresenta, a descrição dos detalhes, entre outros, representados através do desenho, podem fornecer informação relevante acerca da problemática em foco. Continuar a ler

Pais de adolescentes: Atenção à autoestima!

Auto estimaA adolescência é uma fase da vida extremamente importante no sentido em que é durante este período que o jovem constrói a sua identidade e que adquire autonomia. Para que estas duas tarefas sejam bem-sucedidas, é muito importante que a autoestima se mantenha positiva e estável.

A autoestima pode ser definida como a avaliação subjetiva e a valorização que o sujeito faz de si mesmo e que é fortemente influenciada pelas contingências de reforço positivo socialmente oferecidas ao longo do desenvolvimento. As modificações do corpo são visíveis mas as outras nem tanto… A maneira de pensar, de sentir e de se comportar muda consoante a criança vai entrando na adolescência, sendo este um período de grandes ambiguidades e por vezes inseguranças. Estes fatores poderão fazer com que a perceção que o jovem tem acerca de si mesmo mude e a autoestima baixe.

A autoestima parece baixar sensivelmente a meio do período da adolescência, em ambos os sexos, estando em parte relacionada com aspetos de ordem física e relacional com destaque para fatores como a imagem, o desempenho e a popularidade em contexto de pares. Um adolescente com baixa autoestima é um adolescente com maior risco de depressão, de isolamento, de desenvolvimento de problemas de ansiedade e de ter dificuldades no desempenho escolar, entre outros. Por outro lado, o jovem com a autoestima comprometida tem uma maior vulnerabilidade para os comportamentos de risco, como é o caso, por exemplo, do consumos de substâncias como o álcool ou o tabaco.

Auto estimaPara ajudar a sua criança ou adolescente a manter uma boa autoestima comece por evitar a utilização de uma linguagem negativa. Criticar, ridicularizar ou insultar perante um comportamento negativo vão potenciar a diminuição da autoestima.  Procure explicar do que é que não gostou e acima de tudo, ensine à criança como deverá fazer de futuro. Evite também fazer comparações com as outras crianças ou jovens. Cada um tem a sua identidade e o seu modo de ser e de pensar. Evite chamar à atenção ou criticar um comportamento em público, isso fará com que a criança se sinta envergonhada e humilhada, podendo comprometer a sua autoestima.

Auto eficáciaPor outro lado, faça por passar tempo de qualidade com o seu filho/a não se preocupando tanto com a quantidade. Esteja presente na sua vida, dê atenção às suas atividades e às suas preferências. Seja participativo e envolva-se com os seus filhos no estabelecimento de metas e objetivos. Ajude-os a tomar decisões e a fazer escolhas, respeitando a sua perspetiva. Perceber que algo correu bem em virtude de uma escolha própria, vai com certeza fazer o adolescente sentir-se mais confiante. Peça a opinião do seu filho/a para assuntos relacionados com a vida familiar. Poder opinar nos assuntos mais tipicamente dos adultos fá-lo sentir-se “crescido” e aumenta-lhe a autoestima.

Auto confiançaNunca se esqueça do elogio. Elogiar é reforçar, e os comportamentos reforçados provavelmente ocorrerão mais vezes. Mesmo naquelas situações em que o seu filho/a parece não estar a dar-lhe atenção, ou se ele/a é dos que se sente envergonhado com elogios, não deixe de dizer uma palavra de incentivo ou de apreço. No fundo, ele/a está a “captar” tudo. Ao sentir orgulho por algo que fez, a sua autoestima estará no bom caminho. Tenha muito cuidado com as críticas destrutivas pois elas não conduzem a “bom porto” e farão com que o adolescente se iniba, se sinta incapaz e se desvalorize. Tente criticar de forma positiva, dando de preferência sempre uma alternativa para que o seu filho/a possa aprender e corrigir algo que não fez bem.

AutoestimaIncentive o seu filho/a falar sobre si próprio de forma positiva. Frases como “eu vou conseguir chegar ao fim” ou “eu sou capaz de fazer isto” ajudam a que o jovem se sinta mais confiante e que por conseguinte, aja no sentido de alcançar o que pretende. Por fim mas não menos importante é a contribuição do amor para a manutenção de uma boa autoestima. Quando expressamos amor, compreensão e carinho pelos nossos filhos estamos também a contribuir para a construção de uma identidade mais segura e de uma autoestima mais positiva.

 

Sugestão:

http://www.scielo.mec.pt/pdf/aps/v16n2/v16n2a06.pdf

 

 

Resolução de problemas

Tomada de decisãoÉ comum ouvir-se dizer que todos temos problemas. Uns de nós mais dados a “problematizar” e outros menos, o facto é que os problemas existem e andam por aí para serem resolvidos, caso contrário, permanecem como uma nuvem negra que paira sobre as nossas cabeças, incomodando, incomodando…

Há problemas e problemas, ou seja, há problemas de fácil resolução, na medida em que sabemos exatamente o que fazer para nos livrarmos deles, mas há outros, que por várias ordens de razão, são mais difíceis de solucionar pois implicam a tomada de decisões importantes que têm que ser bem ponderadas. Vários são os fatores que contribuem para a dificuldade que possamos ter em resolver um determinado problema. Ou porque o assunto implica gastos inesperados, ou porque nos obriga a alterar as nossas rotinas e vem revolucionar o nosso quotidiano, ou porque pode causar algum tipo de conflito ou mal-entendido com alguém ou porque nos encontramos num período particularmente difícil, em termos emocionais, o que nos condiciona e dificulta a tomada de decisão. Certo é que resolver um problema nem sempre está ao nosso alcance mas também é certo, que muitas vezes está, só não sabemos como. Continuar a ler

OncoSexologia

OncoSexologiaDecorreu nos passados dias 3 e 4 do corrente, no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil em Lisboa )IPO), o Congresso Nacional de OncoSexologia, cujo foco incidiu sobre o impacto do cancro na sexualidade.

O referido evento contou com a participação de palestrantes e formadores com “cartas dadas” na área da oncologia em Portugal, nomeadamente em urologia, ginecologia, endocrinologia, cirurgia plástica e reconstrutiva, enfermagem, psiquiatria e psicologia, entre outros. Participaram também outros oradores representantes de áreas distintas como a representação ou o jornalismo, com intervenções igualmente relevantes. Este congresso com caráter formativo abordou numa área tão específica como importante para o bem-estar e qualidade de vida dos indivíduos. Aberto à comunidade médica mas também a outros técnicos de saúde, nomeadamente enfermeiros e psicólogos, este foi um momento de formação, informação, sensibilização, reflexão e partilha. O curso abarcou temas como a sexualidade humana no Século XXI – do normal ao disfuncional; o sexo, a sexologia e a comunicação; a sexualidade na perspetiva do envelhecimento e da sobrevivência; inovação e reabilitação em OncoSexologia e ainda os workshops sobre treino de comunicação em OncoSexologia e os problemas sexuais no homem e na mulher com cancro.

CancroOs formadores/oradores têm formação e vasta experiência nesta matéria, tendo alguns deles sido os fundadores da Clínica de OncoSexologia do IPO de Lisboa, em funcionamento desde 2009. Esta consulta destina-se à comunidade de doentes do IPO Lisboa e colabora de modo formativo e informativo com outras entidades de saúde nacionais. A necessidade de desenvolvimento de trabalhos nesta área específica prende-se com o facto de os doentes oncológicos poderem manifestar perturbações do desejo ou do interesse sexual e dificuldades nas relações sexuais, durante ou após os tratamentos. No entanto, constrangimentos ou inibições de ordem social e as dificuldades na comunicação com os vários profissionais de saúde, em parte pela falta de formação dos mesmos nesta área específica, podem levar a que esse tipo de perturbações não sejam abordadas, com prejuízo na qualidade de vida dos doentes e dos seus companheiros/as.

OncosexologiaA prevenção dos problemas sexuais dos doentes de cancro e o seu tratamento carecem de sensibilização e de formação por parte dos profissionais de saúde que o acompanham, tanto nas unidades de oncologia como nos diversos serviços de saúde. Para isso, ações deste nível são de extrema importância para que a comunidade médica e outros técnicos de saúde se sintam aptos a acompanhar e ajudar os doentes oncológicos e as suas famílias, com foco na abordagem dos problemas e disfunções sexuais secundários à doença e aos tratamentos.

Sexualidade e cancroA sexualidade é um ponto central do ser humano durante toda sua vida, abarcando o sexo, a identidade e os papéis de género, a orientação sexual, o erotismo, o prazer, a intimidade e a reprodução. A sexualidade é vivenciada nos pensamentos, nas fantasias, nos desejos, nas atitudes, nos valores, nos comportamentos, no papel que cada um representa e nos relacionamentos. Embora a sexualidade possa englobar todas estas dimensões, nem todas são sempre experimentadas ou vividas. A sexualidade é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, económicos, políticos, culturais, éticos, legais, históricos, religiosos e espirituais. (WHO, 2007).

OncologiaTendo por base tão grande diversidade de dimensões e abordagens, a sexualidade tende a ser demasiado focada na genitalidade e na sua funcionalidade. No caso dos doentes de cancro, estes podem ver comprometida essa mesma funcionalidade genital, quer provisória, quer definitivamente, o que pode causar a perceção de perda de identidade e de papéis. o que implica um luto e potencialmente um grande sofrimento. É nestes casos que o papel do profissional de saúde, nomeadamente o psicólogo, pode ser extremamente importante e fazer toda a diferença na forma como o indivíduo vai viver quer a fase de tratamento, quer a fase de reabilitação e eventual adaptação a algumas perdas ou limitações que possam ocorrer. A possibilidade de falar com alguém que entende o problema, que conhece os seus determinantes e consequentes, e, que, acima de tudo tem formação adequada na área da OncoSexologia, será uma mais-valia para o doente.

OncosexologiaA intervenção em OncoSexologia pressupõe vários níveis de atuação. O primeiro nível foca-se na aceitação e compreensão das limitações do doente, bem como na desculpabilização em relação àquilo que é normativo. O doente deverá encontrar um contexto de segurança para expor as suas preocupações, nomeadamente ao nível dos seus pensamentos, fantasias, sentimentos e comportamentos. O segundo nível, consiste no fornecimento de informação básica em relação à função sexual e ao ciclo de resposta sexual, bem como em relação ás limitações do doente e às suas potencialidades. O terceiro nível refere-se à apresentação de sugestões específicas relacionadas com a prática sexual, que passam por orientações de mudança comportamental, que possam levar o doente a atingir os seus objetivos, sempre com base numa sólida história clínica. Por fim, o quarto nível pressupõe uma intervenção com um profissional especializado em sexologia e consiste num plano personalizado, podendo envolver não só o doente mas também o seu parceiro (a).

Fontes:

Annon, J. (1981). PLISSIT Therapy. In: Corsini, R. Handbook of Innovative Pshychotherapies. New York. John Wiley & Sons Inc., pp 626-639.

O.M.S. (2001). Relatório Mundial da Saúde – Saúde Mental: Nova concepção, nova esperança. Lisboa: Direcção-Geral da Saúde.

Perturbação de Personalidade Paranoide (2)

Perturbação de Personalidade ParanoideA Personalidade Paranoide caracteriza-se por uma forte tendência do indivíduo para interpretar as intenções e ações dos outros como ameaçadoras, sendo difícil adotar outras explicações alternativas para os seus comportamentos. Assim, a suspeição e a insegurança generalizada em relação aos outros, são as características centrais que interferem no modo de pensar, sentir, e consequentemente de agir, dos sujeitos com Perturbação de Personalidade Paranoide.

Perceber a etiologia acerca do desenvolvimento de traços paranoides na personalidade é particularmente desafiador, tendo em conta a dificuldade em determinar a exatidão da informação relativa à sua história de vida. Ainda assim, são interessantes as hipóteses colocadas por alguns investigadores. Sugere-se que a postura associada aos traços de personalidade paranoide deverá ter sido adaptativa em algum momento no passado, numa situação verdadeiramente perigosa, em que as pessoas que rodeavam o individuo se mostravam claramente hostis, exploradoras e enganadoras. Talvez este tenha crescido numa família na qual aprendeu que a vigilância era absolutamente fulcral para sobreviver, que o mundo era um lugar perigoso e que as pessoas eram egoístas. Talvez ainda nas interações precoces com as figuras cuidadoras tenha aprendido que deveria ter cuidado para não cometer erros, era diferente dos outros ou precisaria de ser duro e defensivo para se proteger. Tais ideias poderão ter conduzido a uma elevada preocupação com a avaliação externa, bem como ao desenvolvimento de um sentimento de obrigação em relação às expectativas parentais. Consequentemente, poderá sentir-se não só humilhado, como passar muito tempo a pensar sobre o seu isolamento e maus tratos percebidos. Acaba por concluir que está a ser perseguido porque é alguém especial. Dados adicionais apontam também para a contribuição mútua e interativa do papel da genética. Continuar a ler

Perturbação de Personalidade Paranoide (1)

PersonalidadeA Personalidade Paranoide caracteriza-se por uma forte tendência do indivíduo para interpretar as intenções e ações dos outros como ameaçadoras, sendo difícil adotar outras explicações alternativas para os seus comportamentos. Assim, a suspeição e a insegurança generalizada em relação aos outros, são as características centrais que interferem no modo de pensar, sentir, e consequentemente de agir, dos sujeitos com Perturbação de Personalidade Paranoide.

O indivíduo com este tipo de perturbação apresenta 4 ou mais dos seguintes sinais: suspeitas infundadas de que outros o exploram, prejudicam ou enganam; atormenta-se com dúvidas injustificadas sobre a lealdade ou a confiança dos amigos ou colegas; dificilmente faz confidências por recear injustificadamente que as informações possam ser usadas contra si próprio; interpreta os comentários ou acontecimentos inofensivos dos outros como atitudes dissimuladas ou com significados ameaçadores á sua pessoa; mantém uma má vontade persistente, não perdoando insultos ou desfeitas; percebe ataques ao seu carácter ou reputação que não são aparentes aos outros, sendo rápido a reagir com raiva ou a vingar-se e desconfia injustificadamente e recorrentemente sobre a fidelidade do conjugue/companheiro.

Perturbação de personalidadeO indivíduo com Personalidade Paranoide sente-se constantemente vigilante. Dificilmente confia nos outros e questiona os motivos que levam os outros a aproximarem-se de si, podendo acreditar que as pessoas são maldosas e traiçoeiras, prontas para atacar se tiverem oportunidade, tendo a necessidade de estar sempre “alerta”. Espantam-se com demonstrações de lealdade por parte dos familiares, amigos e conhecidos. Estes indivíduos tendem a preocupar-se com dúvidas injustificadas quanto à lealdade e confiança nas outras pessoas, cujas ações são cuidadosamente averiguadas para desvendar intenções de hostilidade mesmo tratando-se de pessoas mais chegadas. À primeira vista esta desconfiança sentida pode confundir-se com a tendência ao isolamento. Ao sentir-se desconfortável com a proximidade, por recear que o envolvimento e abertura emocional das relações íntimas aumentem a sua vulnerabilidade, geralmente tende a ser reservado e defensivo ao interagir com os outros.

PsicopatologiaO indivíduo com este tipo de personalidade tenderá a estar constantemente disposto de forma defensiva ao contra-ataque, sendo dificilmente capaz de reconhecer alguma hostilidade ou agressividade no seu próprio comportamento. Perante pequenos deslizes e provavelmente reage muito intensamente ao sentir-se maltratado, atacado ou enganado. Se está constantemente vigilante para potenciais sinais de perigo, nomeadamente aqueles que se relacionam com as outras pessoas, age cautelosa e intencionalmente, evitando descuidos e riscos desnecessários. Para ele, mostrar qualquer fraqueza é como pedir para ser atacado. Sente a necessidade de esconder cuidadosamente as suas inseguranças, dificuldades e problemas por meio de enganos, negação, desculpas ou atribuindo a responsabilidade aos outros. Assim, tem dificuldade em falar da sua vida, raramente revela os seus problemas e nunca exprime os seus desejos mais íntimos. Privilegia o mundo cognitivo e intelectual em prejuízo do mundo das emoções. É um verdadeiro desafio reconhecer a presença de emoções e permitir a exploração das mesmas. Manifesta assim uma certa resistência em confidenciar ou se aproximar dos outros, porque teme que a informação partilhada possa ser usada em seu prejuízo. Deste modo, o estabelecimento de relações próximas ou de maior intimidade é algo particularmente difícil.

ParanoideMuito atento, terá a sensação de que a observação do exterior e a experiência subjetiva com as outras pessoas confirma solidamente as ideias em que acredita. Parece que mesmo quando as interações sociais são boas e acessíveis, quando as pessoas agem de forma bondosa e gentil, isso não é mais do que uma tentativa para o levar a confiar nelas, para depois ser atacado e explorado. Rejeitará as interpretações das ações dos outros que habitualmente seriam óbvias à maioria das pessoas, ao mesmo tempo que procurará o que é para si o verdadeiro significado subjacente a essas ações. Para si a verdade tem de ser reposta e a justiça tem de ser feita. Por um lado, é possível que se confundam as manifestações de traços evitantes e traços paranoides na personalidade. Certamente, em qualquer um dos casos, a pessoa tem medo de ser magoada e desconfia como consequência disso. Ainda assim, o medo é uma emoção reconhecida e consciente no primeiro caso e inconsciente no segundo. Face a uma ameaça, alguém tendencialmente mais evitante foge, enquanto alguém mais próximo de um quadro paranoide defende-se atacando.

ParanoideEm última análise, a pessoa com traços paranoides tendencialmente desconfia, suspeita, é sensível à crítica, argumenta e pode ser teimosa. Necessita de ser autossuficiente e independente, assim como exercer controlo sobre o ambiente. Retrata-se como alguém sensível, ciumento, que se ofende e se irrita com facilidade. Talvez se sinta ainda como “vítima da injustiça”, crente de que a sua perceção pessoal tem significado especial, levando sempre a sério tudo o que acontece e que é dito ou feito. A personalidade com traços paranoides encontra-se em cerca de 0,5 a 2,5 % da população em geral, sendo mais frequente nos homens do que nas mulheres. Há alguma evidência para um aumento da sua prevalência em familiares de pessoas com esquizofrenia crónica ou perturbação delirante.

 

 

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.

Psicologia do Ambiente: nascimento, propósito e interação social

Comportamento humano e ambienteA Psicologia do Ambiente prende-se com o facto de as questões ambientais serem na verdade questões humano-ambientais e deste modo refletirem não as crises do ambiente mas sim as crises das pessoas inseridas nos ambientes (Corraliza, 1997).

O nascimento da Psicologia do Ambiente teve lugar num período pós-guerra, quando terminada a II Grande Guerra Mundial foi necessário dar-se início ao processo de reconstrução das cidades. Arquitetos e cientistas da área do comportamento humano, uniram-se num processo de consciencialização de que a reconstrução deveria contemplar não apenas princípios de construção estética e funcional mas também deveriam levar em consideração as necessidades psicológicas e comportamentais das populações. Deste modo, a Psicologia do Ambiente foi inicialmente denominada de Psicologia da Arquitetura e só no início da década de 60 do século passado, terá sido considerada como um ramo da Psicologia. Continuar a ler

Bullying ou intimidação: o que fazer?

Bullying e intimidação

“Ultimamente a Mariana diz que não quer ir à escola e anda muito calada e triste. Tem oito anos, tem um peso bastante acima da média e é muito tímida. Questionada acerca da razão pela qual não quer ir a escola a Mariana diz que as crianças na escola a estão a atormentar, a ridicularizar e a gozar – A Mariana está a ser vítima de bullying!”

Há certas crianças que se sentem mais importantes, melhores e mais fortes do que as outras. Isso confere-lhes uma segurança que utilizam para intimidar ou maltratar outras crianças que veem como piores, mais fracas, logo mais indefesas. A intimidação permite a algumas crianças dominar e maltratar outras, e assim conseguirem o que querem e quando querem. E o que podemos nós, os adultos, fazer perante uma situação como esta? Pois bem, em primeiro lugar devemos conseguir entender o que é a intimidação, ou seja, que o bullying consiste no uso frequente e regular de agressão física ou verbal, neste caso de uma criança, para dominar ou para se vingar de outra. Esta intimidação ocorre quando não há supervisão por parte de adultos, quer seja em casa, quer seja na escola e sempre que há diferenças de poder, isto é, uma criança mais velha, fisicamente mais forte ou mais popular, quer dominar, maltratar ou humilhar outra criança mais nova, mais fraca ou socialmente mais isolada. Continuar a ler