Stresse: o mau e…o bom!

DistressSegundo Selye (1976) o stresse é um conjunto de respostas fisiológicas que mobilizam o organismo para a acção e que são ao mesmo tempo adaptativas. O autor defende ainda que estas respostas ou reacções se alteram ao longo do tempo e que com a exposição repetida a situações de stresse, a reacção de defesa do organismo passa por três fases distintas: alarme, resistência e exaustão, às quais chamou Síndrome de Adaptação Geral.

Podemos considerar que o stresse é um processo de adaptação e não propriamente uma doença, embora a exposição repetida a factores causadores de stresse possa levar a um estado patológico, pelo desgaste que provoca no indivíduo. Existem vários tipos de stressores, que podem ser internos (representações mentais ou memórias) ou externos (vivenciar uma determinada situação). O modo como o indivíduo reage perante os factores causadores de stresse pode ser através de uma resposta emocional (ex. ansiedade ou medo), uma resposta fisiológica (ex. roer as unhas), uma resposta comportamental (ex. agitação motora) ou resposta cognitiva (ex. pessimismo ou dificuldade em tomar uma decisão).O stresse tem no indivíduo consequências negativas mas também pode ter consequências positivas. É algo inevitável, uma vez que está presente nas situações do dia-a-dia. É também de certo modo e em alguns casos desejável, na medida em que funciona como o motor que nos conduz à resolução dos problemas. Nestes casos, é a oportunidade de adquirirmos competências práticas e de nos tornarmos capazes.

EustressPerante um mesmo factor de stresse, cada indivíduo reage e age de forma diferente, sendo que, uns têm tendência a minimizar os custos da situação e torná-la irrelevante e outros, agudizam-nos, tornando a situação ainda mais ameaçadora. É o significado que cada indivíduo atribui a uma determinada situação, com base na avaliação que faz e nos recursos que possui, que vai determinar as suas reacções ao elemento stressor. Segundo o modelo de avaliação cognitiva de Lazarus e Falkman, uma situação é geradora de stresse quando é potencialmente prejudicial e caso o indivíduo considere que os seus recursos são insuficientes para gerir o resultado aversivo. Uma situação indutora de stresse é toda aquela em que a relação estabelecida entre o indivíduo e o meio ambiente é avaliada como excedendo os seus recursos prejudicando por isso, o seu bem-estar. Às estratégias utilizadas para repor o equilíbrio homeostático após uma situação de stresse dá-se o nome de coping. Estas estratégias têm a ver com regulação de emoções, negação e evitamento ou resolução de problemas, sendo as últimas as que tendencialmente têm maior eficácia, sempre que o factor causador de stresse pode ser controlado pelo indivíduo. A regulação de sintomas pode ser funcional quando o stressor não é controlável, sendo neste caso a autorregulação a melhor forma de lidar com o problema. Em relação à negação e evitamento, considera-se a forma menos eficaz de coping, se bem que em alguns casos pode servir para se ganhar tempo e posteriormente adoptar uma estratégia mais adequada para o problema em questão.

EustressO stresse pode ter um impacto directo na saúde, na medida em que a percepção de falta de controlo, que se atribui a causas internas, estáveis e globais pode levar a estados de ansiedade e/ou depressão, bem como a um estado de saúde física precário. Deste modo, o custo do stresse é sentido na saúde e no bem-estar do indivíduo. Dentro das perturbações patológicas causadas por acção do stresse podemos destacar as perturbações do foro digestivo, infecções, doença coronária ou até mesmo o cancro. É ainda de referir as queixas psicossomáticas, em que o indivíduo por má gestão emocional, manifesta queixas a nível físico para as quais não se encontra uma causa orgânica. Para lidar com o inevitável stresse, cada indivíduo dispõe de recursos internos – características da personalidade e externos – apoio social. São exemplos de factores promotores de distress a dificuldade na gestão do tempo, a dificuldade em estabelecer prioridades e de tomada de decisões, as perdas por morte, os conflitos interpessoais ou uma crise financeira. Até agora falámos essencialmente de distress, isto é, a dimensão negativa e prejudicial do stresse mas ao contrário do que vulgarmente se pensa o stresse nem sempre é negativo.

DistressÉ consensual entre psicólogos e outros profissionais que se dedicam a este tema, a divisão do stresse em mau e bom, respectivamente distress e eustress. Denominamos de eustress, o bom stresse, a capacidade que o ser humano tem de realizar uma acção necessária. Este é natural do organismo e é graças a ele que o indivíduo mantém uma relação entre o stresse e a motivação, sendo encarado como afecto positivo e esperança. Chamamos savoring às estratégias que utilizamos para sentir, prolongar regular, manipular e manter as emoções positivas, o eustress. Estas conduzem ao bem-estar, à saúde física e mental, ao bom desempenho profissional e à satisfação nas relações interpessoais. É um modelo que leva ao impulso para a acção, para a auto-eficácia, para as emoções pró-sociais e trás serenidade. Dentro dos factores promotores de eustress, podemos encontrar a aquisição de competências técnicas ou académicas, estar na eminência de ganhar um prémio ou o estabelecimento e manutenção de algumas relações sociais, como por exemplo, estar apaixonado. Uma das principais estratégias de savoring é a partilha de acontecimentos positivos com os outros, o que vai levar ao aumento do bem-estar e satisfação com a vida.

Aprenda a identificar os sinais de alarme e a gerir o seu distress. Acha a tarefa difícil? Peça a ajuda ao seu psicólogo!

 

 

 

 

Fontes:

Selye, H. (1976). The Stress of Life (Revised ed.). New York: McGraw-Hill.

Stroebe, W. & Stroebe, M. (1995). Social Psychology and Health. Buckingham: Open University Press.

Psicologia e negociação

Segundo Aristóteles, qualquer um pode zangar-se e isso é fácil. O que não é fácil é zangar-se com a pessoa certa, na justa medida no momento certo, pela razão certa e da maneira correta. Para ultrapassar a “zanga” nada como negociar…

Cada vez mais, nas sociedades modernas, é necessário desenvolver formas de diálogo com vista á redução de conflitos e ao evitamento de situações de escalada emocional, que podem levar a discordâncias e trocas de palavras e atos hostis. Os processos de negociação baseados na cognição social e na tomada de decisão, áreas de estudo da psicologia, visam a regulação socio-emocional e assumem uma grande importância na gestão da comunicação interpessoal em diversos contextos. A negociação pode potenciar a descoberta de soluções eficazes e adaptativas na resolução de litígios de diferentes domínios como por exemplo familiar, profissional ou político. Podemos definir negociação como um processo de resolução de um conflito entre duas ou mais partes em oposição de ideias ou convicções, mediante o qual ambas alteram as suas exigências, com o objetivo de alcançarem um compromisso aceitável por todas as partes envolvidas.

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Métodos de investigação científica: entrevista semiestruturada e focus group

Diariamente o ser humano experimenta, observa e questiona factos do mundo real para encontrar soluções para problemas que surgem da sua constante interação com o meio e com os outros. O mesmo acontece no domínio da investigação científica, onde o experimentar, o observar e o questionar são contidos em paradigmas que orientam uma busca sistemática para um novo conhecimento ou problemática.

Em contexto de investigação científica, um paradigma pode ser definido por um conjunto de conceitos, valores, perceções e práticas, reconhecidas e partilhadas por uma comunidade científica, onde a representação da realidade é organizada a partir de um determinado pensamento (Kuhn, 1972; cit. in Pinto, B., 2004). Dentro de um paradigma, a teoria, os métodos e as técnicas assumem uma grande importância. Neste enquadramento a teoria pode fornecer regras capazes de explicar acontecimentos, os métodos serem vistos como conjuntos de operações que podem conduzir ao alcance dos objetivos e por fim as técnicas serem definidas como procedimentos operatórios rigorosos e bem explicados com um carácter transmissível e suscetível de aplicações, nas mesmas condições, adaptando-se ao tipo de problema e aos fenómenos em causa.

Numa perspetiva tradicional, tanto a Psicologia como todas as outras Ciências Sociais dirigiram o seu foco ao desenvolvimento de métodos quantitativos e padronizados. Assim, foi construído um plano de medição rigoroso, onde as causas e os efeitos podem ser nitidamente isolados, a operacionalização de relações teóricas ganha importância e o simples ato de medir e quantificar os fenómenos torna-se indispensável na investigação quantitativa (Flick, 2005). A interpretação de dados quantitativos é feita com a análise estatística, onde se estabelecem as relações de causa-efeito e a previsão dos seus fenómenos. O método quantitativo defende a generalização dos resultados a partir da amostra de uma população alvo, tendo como finalidade a formulação de leis gerais.Por outro lado, o paradigma qualitativo fundamenta-se na realidade e é importante para o estudo das relações sociais. Não se deve esquecer que a complexidade do contexto social onde o ser humano está inserido, é cada vez maior no que diz respeito às constantes mudanças do ambiente, dos estilos de vida e da evolução cultural. É neste contexto que a investigação qualitativa afirma a sua importância no estudo destes fenómenos através do seu caráter exploratório, expansionista, indutivo, descritivo e orientado para o processo e interesse de compreender a subjetividade do comportamento humano.

Neste contexto o investigador pode ser ele próprio um instrumento de recolha de dados (Carmo et.al.1998). O estudo e a compreensão de determinados fenómenos poderão ser feitos recorrendo a métodos quantitativos ou métodos qualitativos, de acordo com o que se pretende estudar. Vários autores defendem a utilidade do conceito de triangulação metodológica ou seja a combinação de ambos os métodos para o estudo dos mesmos fenómenos com o objetivo de tornar o plano de investigação mais firme e produzir resultados mais fiáveis e sem enviesamentos. Assim sendo, uma investigação científica com caráter quantitativo poderá ser complementada com diversas técnicas de natureza qualitativa como por exemplo a entrevista.

A entrevista faz parte dos métodos qualitativos e continua a ser uma boa técnica de recolha de informação. Segundo uma definição tradicional a entrevista é uma conversa com um objetivo, que ocorre entre duas ou mais pessoas. Ela pode funcionar como um instrumento complementar de pesquisa ou pode ser um instrumento principal na análise e compreensão do comportamento humano e dos processos cognitivos subjacentes. De entre as principais vantagens da entrevista aponta-se para a flexibilidade que permite ao entrevistador acomodar as particularidades do seu entrevistado, possibilita a extração de diversos dados e a clarificação de ideias. Como principais limitações destaca-se a forma lenta de recolher dados e a dificuldade de quantificação dos mesmos.

Segundo a tipologia da condução da entrevista distinguem-se três tipos: a estruturada, a semiestruturada e a não estruturada, todas elas com características diferenciadas. Optando por um dos 3 tipos de entrevista, a semiestruturada apresenta como vantagem o facto de não exigir uma ordem rígida na colocação das questões, ao mesmo tempo que permite um maior grau de flexibilidade na exploração da informação pertinente. A utilização de um guião de entrevista auxiliará a orientação do entrevistador durante a recolha de dados

As entrevistas coletivas são uma outra modalidade de recolha de dados de natureza qualitativa recorrendo à técnica focus group, onde a discussão de um determinado tema é dirigido a um grupo de pessoas. Esta abordagem tem como objetivo a criação de um contexto favorável onde cada participante possa expor a sua opinião ou discutir a opinião dos outros acerca de um tema que é definido pelo entrevistador/moderador. A interação em focus group permite abordar o tema de várias formas, tenta explorar a compreensão subjetiva de cada participante num curto espaço de tempo e visa obter informação com carater individual, social ou familiar acerca de sistemas de representação, de valores ou normas veiculadas por um individuo. Entre as maiores vantagens deste tipo de entrevista estão a poupança de recursos como tempo, dinheiro e a possibilidade de aumentar a amostra, caso seja necessário até se atingir a saturação de dados. Como limitações podem-se apontar a dificuldade em reunir os participantes num só local e à mesma hora, ter em conta que a recolha de dados não é feita num ambiente natural e o entrevistador ter que possuir uma sólida formação na condução da entrevista. Não sendo possível conhecer se a interação em grupo mostra ou não a atitude individual de cada sujeito, poderá levar a um maior grau de dificuldade na análise dos dados que deverá ser realizada em função do contexto.

Fontes:

Carmo, H., & Ferreira, M. (1998). Metodologia da investigação. Guia para autoaprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta.

Flick, U. (2005). Métodos qualitativos na Investigação Científica. Lisboa Ed. Monitor.

Pinto, B. E. (2004). A pesquisa qualitativa em psicologia clínica. Psicologia. USP, São Paulo, p.71-80.

Primeiros socorros… psicológicos!

Situações de catástrofe natural, acidentes ou outras situações de emergência podem acontecer a qualquer um de nós. A qualquer momento das nossas vidas, um evento traumático pode abalar a nossa paz, segurança, saúde física ou mental, e, dessa forma causar uma instabilidade emocional ou mesmo um descontrolo.

O termo “Primeiros Socorros Psicológicos” é utilizado sempre que é necessário dar apoio a alguém que subitamente sofre um trauma emocional para o qual não está preparado, podendo não conseguir no imediato utilizar as estratégias adequadas para lidar com o problema. Por outro lado, nem todas as pessoas são capazes de responder a uma situação traumática de forma adaptativa, por uma questão de personalidade ou por falta de recursos internos ou externos. A reação de cada indivíduo a uma situação de crise pode ser positiva ou negativa. De entre as reações positivas destacam-se a determinação para a resolução de problemas, o otimismo, a coragem, a força psicológica ou até mesmo uma capacidade de perceção mais apurada para compreender e lidar com a adversidade. O sentimento de envolvimento e mobilização a par de um comportamento altruísta e de conexão social contribuem de forma positiva para enfrentar eventos traumáticos. Das reações negativas salientam-se a confusão, desorientação, choque, medo, culpa, zanga, irritabilidade, culpabilização, fuga interpessoal ou até mesmo reações físicas como tensão muscular, cefaleias, dor abdominal ou dificuldades de sono, entre outras.

Perante uma situação de crise, por vezes os indivíduos podem reagir de forma não adaptativa, adotando comportamentos que não os ajudam a lidar com o problema e que podem até desencadear outras perturbações. Esses comportamentos podem incluir o uso do álcool ou outras substâncias psicoativas como estratégia para lidar com a situação, o evitamento extremo em falar sobre o evento traumático, o isolamento social, o excesso de trabalho ou de ocupação como forma de evitar o problema ou até mesmo a exagerada ingestão de alimentos ou a opção por atividades de risco (ex. condução perigosa). Porém, outros há que tendem a lidar com a situação de forma adequada e procuram falar ou passar tempo com outras pessoas, utilizam técnicas de relaxamento para se autorregularem (ex. respiração controlada, relaxamento muscular, meditação), envolvem-se em atividades distrativas positivas, focam-se em questões práticas que as ajudem a gerir melhor o problema, procuram manter as suas rotinas, fazendo pausas e alimentando-se de forma saudável ou há ainda os que escrevem um diário e registam os seus pensamentos e emoções como forma de expressão emocional. Em casos em que as estratégias individuais não são suficientes, aceitar que não se está a conseguir equilibrar sozinho pode ser o primeiro passo para pedir ajuda especializada, ou para aceitar a que nos é oferecida.

Perante a necessidade de intervir em situação de emergência, crise ou catástrofe, a/o psicóloga/o pode intervir como elemento de suporte não só técnico como pessoal. Em primeiro lugar deverá estabelecer o contacto com a pessoa de modo a poder ajudá-la a reduzir o seu sofrimento. Deve apresentar-se e oferecer a sua ajuda, pedindo permissão para falar, no entanto tendo sempre em atenção a vontade do indivíduo, a sua disponibilidade para aceitar ajuda naquele momento, respeitar as questões culturais e geracionais, e claro, não se esquecer de assegurar ao máximo a confidencialidade. De seguida a/o psicóloga/o deve procurar garantir a segurança física da pessoa, fornecendo informação acerca dos recursos disponíveis face ao incidente. Logo de seguida, deverá ter-se em atenção a promoção da segurança física e do conforto do indivíduo. Oferecer conforto físico, comida, água, dar informação acerca dos serviços de apoio disponíveis, promover o contacto social com outros sobrevivente ou ajudar a limitar a exposição aos meios de comunicação social, podem ser ações de extrema importância.

Em momentos de crise, a/o psicóloga/o deve permitir a expressão emocional do indivíduo, empatizar e compreender o que lhe causa maior sofrimento naquele momento, procurando contê-lo na sua dor, evitando a sua desorganização emocional e potenciais comportamentos de risco que possam agravar a situação já de si difícil. Este tipo de intervenção psicológica tem como objetivos reduzir os aspetos biológicos das reações extremas de stresse traumático, afetar positivamente os pensamentos que inibem a recuperação, reduzir a ansiedade, a ativação elevada, ou o entorpecimento, visando uma melhoria do sono, alimentação, funcionalidade, capacidade de tomar decisões, etc., no sentido não só de beneficiar a vítima no imediato, mas também de reduzir a probabilidade de vir a desenvolver psicopatologia a longo prazo. É importante ajudar o indivíduo a regular-se mas também a reconectar-se com a sua rede de suporte social ou com cuidados de saúde especializados, nos casos mais graves. O apoio psicológico em situação de crise deve procurar potenciar a funcionalidade da pessoa e conduzi-la de volta á sua autoconfiança, missão e valores centrais.

Fonte: Curso de Primeiros Socorros Psicológicos – Ordem dos Psicólogos Portugueses, 2021.

Divórcio e filhos pequenos

O projeto de família que leva duas pessoas a unirem-se e a partilharem as suas vidas, quer pelo casamento quer pela união de facto, por vezes não perdura no tempo, sendo a separação ou o divórcio uma realidade com que os casais e os respetivos filhos têm que lidar. Alguns pais têm para com os seus filhos pequenos, alguns comportamentos pouco saudáveis e adequados, uns de forma intencional e para magoar o/a ex-companheiro/a, outros, apenas porque não sabem fazer melhor.

Se de repente se separou e se viu sozinha/o com o seu filho pequeno, não estranhe se a sua criança começar a apresentar comportamentos diferentes do habitual. Alguns comportamentos podem ter a ver com o facto da sua estrutura familiar ter mudado, bem como devido à alteração das rotinas do dia-a-dia. Porém, sendo as crianças seres em rápido desenvolvimento, têm por vezes comportamentos desadequados apenas porque ainda estão a aprender a lidar com as suas emoções. Num caso de separação, recomenda-se aos pais que façam um esforço maior por terem muita paciência, tolerância e dedicação para com os seus filhos, mas também para não descurarem o cumprimento das regras e o estabelecimento dos limites.

Não permita que a sua separação seja um motivo para que o seu filho a/o manipule. As regras e o seu cumprimento são de grande importância para o seu filho, tanto no presente como na sua adaptação à vida em sociedade, no futuro. Procure não ficar demasiado preocupada/o se o seu filho revelar reações de hostilidade, com frequência mais dirigidas ao progenitor com quem ficou a viver mais tempo. Ele poderá culpa-la/o de ser responsável pela separação e isso pode ser “normal” numa primeira fase. Dê á sua criança tempo para aceitar a mudança. Se for possível, dedique-lhe alguns minutos por dia para conversarem sobre o que se está a passar. Fale com ela sobre o que a preocupa ou assusta. Prepare-se para o aparecimento de alguns comportamentos regressivos (ex. falar “à bebé”, voltar a fazer xixi na cama, mau comportamento na escola, isolamento, etc.). Se estes comportamentos persistirem, peça apoio psicológico.

Guarda partilhada? É fundamental que os pais pensem muito bem se este é o regime que beneficia a criança. Será benéfico para a sua criança mudar de casa todas as semanas? Como fazer em relação aos brinquedos, roupas, livros e à escola? Conseguem criar dois ambientes (casa da mãe e casa do pai) idênticos no que diz respeito a regras e rotinas? A guarda partilhada é uma solução cada vez mais com expressão em novos casos de divórcio, no entanto, a permanência numa casa fixa, com visitas semanais, quinzenais ou outras a combinar com o outro progenitor, poderá promover uma maior estabilidade emocional à criança. Pensem bem antes de decidir. Ponham sempre à frente o superior interesse da criança e nunca caia no erro de a utilizar para atingir o outro. Nunca se esqueça que os momentos que passa junto dos seus filhos devem ser de qualidade, muito mais do que em quantidade e assim sendo, o facto de poder passar menos tempo com as suas crianças não tem que ser sinónimo de ter uma pior relação com elas.

Na escola, é essencial que a professora/educadora seja informada acerca das alterações que sofreu a vida familiar da criança. A sua colaboração nesta fase será de grande importância, principalmente no que se refere à capacidade de empatia e de a saber ouvir. Os professores devem ter em conta que o divórcio pode prejudicar o rendimento escolar da criança, além de poder estar associado ao aparecimento de comportamentos agressivos ou regressivos e a problemas relacionados com a concentração e a atenção. Peça à professora/educadora que lhe comunique se a sua criança alterar significativamente os seus comportamentos após a sua separação. Se os comportamentos se tornarem desadequados e preocupantes, a ajuda da professora pode ser muito útil na avaliação da criança e na definição de estratégias de apoio.

Está muito zangada/o ou magoada/o com o seu ex-companheiro/a? De facto por vezes e principalmente numa fase inicial, pode ser muito difícil o relacionamento entre os elementos de ex-casais. Evite ao máximo discutir com o pai/mãe da sua criança na sua presença. Seja antes, durante ou após o processo de separação, trocar argumentos e acusações na presença das crianças aumenta a sensação de conflito, gera confusão, sentimentos de culpa e de revolta nos mais pequenos. Procure que o processo de divórcio não seja demasiado prolongado. A separação pode causar muito sofrimento a uma criança mas ela certamente saberá ultrapassá-la, depois de um processo normal de luto, de duração variável.

Nunca culpe os seus filhos, é fundamental que eles compreendam que os pais se separam porque já não se amam e porque já não querem viver juntos e não porque eles fizeram algo de errado. É fundamental que continue a transmitir às suas crianças o quanto as ama. Embora um filho seja uma excelente companhia e ofereça um grande conforto, ele não é o seu melhor amigo. Não confunda os papéis. Pai e mãe são isso mesmo, pai e mãe. Tornar-se uma espécie de melhor amigo da criança pode levar a graves problemas de autoridade no futuro. Por outro lado, evite transformar o pai/mãe numa figura ausente. Na infância, sentir que o pai/mãe é uma figura presente, mesmo não vivendo diariamente com a criança, sentir a sua proteção, vê-lo como modelo e referencia, e como alguém que estabelece regras e exerce a autoridade quando é necessário, é fundamental para que a criança cresça com estabilidade emocional e equilíbrio psicológico.

Se se sentir emocionalmente afetado, com dificuldade em lidar com os seus sentimentos e em ultrapassar esse momento tão particular que é o fim de uma relação, procure ajuda profissional. Por vezes, a mudança de perspetiva pode transformar um problema numa solução!

Síndrome das pernas inquietas

O quadro das perturbações do sono-vigília é consideravelmente variado, englobando entre outras, a perturbação de insónia, a narcolepsia, as perturbações do sono relacionadas com a respiração, a perturbação de pesadelos e a síndrome das pernas inquietas. Embora muitas pessoas refiram ter dificuldades de sono, muitas vezes identificar o tipo de perturbação, as causas e as suas consequências, nem sempre é fácil.

Uma das perturbações do sono que desperta maior curiosidade, até porque não será a mais comum, é a síndrome das pernas inquietas. É uma perturbação neurológica sensoriomotora do sono e que se caracteriza por um intenso desejo de mover as pernas (ou os braços) associado a sensações desconfortáveis tipicamente descritas como formigueiro, latejar, rastejar ou sensação de queimadura. O diagnóstico desta perturbação tem por base inicial o relato do doente e a sua história clínica. Os sintomas tornam-se mais intensos quando o indivíduo está em repouso, sendo que os movimentos frequentes das pernas derivam de um esforço do mesmo para aliviar o desconforto que sente. Estes sintomas são frequentemente mais intensos ao final do dia e à noite. Este desconforto nas pernas deve ser diferenciado de cãibras ou de outro desconforto decorrente de mal posicionamento.

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A criança e o papel da escola na socialização

A socialização consiste num processo interativo essencial para o desenvolvimento humano. Através da socialização, a criança satisfaz as suas necessidades básicas e assimila os aspetos culturais do seu contexto, contribuindo assim para o desenvolvimento reciproco de si e da sociedade. O processo de socialização tem o seu início no nascimento e mantém-se ao longo de todo o ciclo de vida de um indivíduo.

As mudanças que têm vindo a ocorrer nas últimas décadas, como o desenvolvimento tecnológico, as alterações das constelações familiares, a quantidade de informação disponível e a facilidade de comunicação, entre outros aspetos, têm vindo a modificar o modo como o processo de socialização ocorre. Apesar de todas as modificações observadas na vida moderna, a escola continua a desempenhar um importante papel na socialização infantil, na medida em que contribui fortemente para o desenvolvimento sociocognitivo das crianças, com grande impacto no seu futuro. É em contexto escolar que se adquirem os modelos de aprendizagem e é também neste contexto que se inicia a construção da identidade e do sentido de pertença ao grupo. É assim, entre a escola e a família que a criança se vai construindo enquanto indivíduo, à medida que adquire competências de linguagem, expressão afetiva e valores sociais, a par dos conteúdos programáticos adequados a cada fase do seu desenvolvimento.

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Prevenção do abuso sexual infantil

Na Europa, uma em cada cinco crianças é vítima de violência ou de abuso sexual. Considera-se abuso sexual, todo e qualquer contacto ou interação com uma criança para estímulo sexual ou gratificação por parte de adulto ou de outra criança. Este tipo de abuso inclui contacto físico inapropriado, violação ou assédio.

Todas as crianças têm o direito de estar seguras e de serem protegidas de toda e qualquer forma de violência. Todos nós, pais, professores, profissionais de saúde, entre outros, temos a obrigação de estar atentos não só aos sinais de alarme, como trabalhar na prevenção da violência sexual contra as crianças. O Conselho da Europa editou um livro com esse propósito, ao qual chamou “Kiko e a Mão” e que foi disponibilizado pelo Serviço Nacional de Saúde, para explicar aos mais novos a regra de que nem todas as partes do seu corpo podem ser tocadas pelos outros. E um guia simples para ajudar os pais a explicarem aos seus filhos que partes do corpo não devem ser tocadas por outras pessoas, mas também ensina como reagir se isso acontecer e onde procurar ajuda. O livro explica de forma simples que uma criança não se deve deixar tocar nas partes do corpo que habitualmente estão cobertas pela roupa interior, assim como também não o deve fazer aos outros.

A Regra “aqui ninguém toca” inclui 5 princípios importantes. Em primeiro lugar o princípio de que as crianças são donas do seu próprio corpo e que ninguém lhe deve tocar sem a sua autorização. É importante que se fale de forma aberta e direta com as crianças ainda pequenas sobre a sexualidade e as zonas íntimas do corpo, utilizando os nomes corretos para os órgãos genitais, bem como para outras estruturas anatómicas do corpo humano. Desta forma ajudamos as crianças a compreenderem o que é e o que não é permitido. As crianças têm o direito de recusar que os outros as beijem ou toquem, mesmo que sejam pessoas próximas e de quem gostam. É fundamental ensinar a dizer “não”, de forma assertiva, a contactos físicos inapropriados, assim como ensina-las a fugir de situações perigosas e a contar o que se passou a um adulto da sua confiança (pais, professores, etc…). É muito importante deixar bem claro às crianças que elas devem insistir em falar com alguém de confiança até que acreditem nelas e o assunto seja levado a sério.

O segundo princípio refere-se aos contactos físicos, que são denominados de bons e maus. As crianças por vezes não conseguem diferenciar o que é um contacto físico aceitável e um contacto físico inaceitável. Devemos ensinar aos mais pequenos que não devem aceitar que os outros lhes vejam ou toquem nas partes íntimas do seu corpo ou que lhes peçam para ver ou tocar nas suas partes íntimas. A Regra “aqui ninguém toca” ajuda as crianças a aprenderem de forma simples e clara que as partes do corpo cobertas pela roupa interior são aquelas que mais devem proteger, tornando-se fácil a memorização. O terceiro princípio é o dos segredos: bons e maus. O segredo é a estratégia utilizada pela maioria dos agressores para evitarem que as crianças contem o que se passou, por isso é muito importante que estas aprendam a diferenças entre bons segredos e maus segredos. Os maus segredos são todos aqueles que causam medo, tristeza e ansiedade e como não são bons, não devem ser guardados. As crianças devem ser incentivadas a partilhar com outro adulto, sempre que um segredo lhe cause desconforto. O quarto princípio da regra “aqui ninguém toca” tem a ver com a prevenção e proteção por parte dos adultos. As crianças sujeitas a abusos sexuais, ou outros, sentem frequentemente culpa, medo e vergonha. Cabe aos adultos evitarem criar tabus sobre a sexualidade e garantirem que as crianças sabem a quem pedir ajuda sempre que estejam preocupadas, ansiosas ou tristes. É comum algumas crianças sentirem que alguma coisa está mal, mas terem dificuldade em expressar as suas emoções. Assim, recomenda-se que os adultos se mantenham atentos principalmente a mudanças no comportamento ou no humor das suas crianças, pois as suas angústias podem refletir-se no modo como se expressam e comportam, podendo nem sempre ser muito óbvias as dificuldades pelas quais estão a passar.

Por fim mas não menos importante, o princípio de informar e divulgar. As crianças devem saber identificar quais os adultos em quem podem confiar e devem ser encorajadas a selecionar uma ou mais pessoas próximas que estejam dispostos a ouvir e ajudar. Recomenda-se que destas pessoas, apenas um elemento deve viver com a criança e o outro (ou outros) não deve fazer parte do núcleo familiar. As crianças devem saber como procurar ajuda junto aos “eleitos”. Infelizmente, na maioria dos casos de abuso o agressor é conhecido da criança, o que torna a situação particularmente difícil e confusa. Entender que aquela pessoa que conhece e de quem espera proteção possa ser o seu agressor, pode gerar na criança sentimentos ambíguos. A criança deve ser incentivada a contar sempre às suas figuras de confiança, quando alguém lhes oferece presentes, lhes pede para passarem tempo juntos a sós ou lhes pede para guardar segredos. As crianças devem ainda ser ensinadas a nunca entrar no carro de um desconhecido, assim como nunca aceitar presentes nem convites. Os pais devem ainda ensinar ás suas crianças que existem profissionais, como os professores, auxiliares de ação educativa, polícias, psicólogos escolares, entre outros, aos quais podem sempre recorrer em situações de perigo.

O livro: https://biblioteca.sns.gov.pt/wp-content/uploads/2017/05/crescer_Kiko-e-a-ma%CC%83o.pdf

Para mais informação sobre este tema poderá consultar: www.coe.int/oneinfive

Narcisismo, uma personalidade muito particular

Segundo a lenda, Narciso, personagem da mitologia grega, apaixonou-se pela sua própria imagem ao vê-la refletida num lago. Consta que era um jovem de extrema beleza e que despertava grande interesse nas donzelas, no entanto, escolheu viver só, por achar que não havia quem fosse digno de si e do seu amor.

Uma Perturbação da Personalidade pode definir-se como um padrão estável de experiência interna e comportamental, que se afasta marcadamente do esperado para um sujeito de uma determinada cultura. É invasiva, inflexível e tem o seu início na adolescência ou no início da idade adulta, mantendo-se estável ao longo do tempo e causando mal-estar, dificuldades de adaptação ou até mesmo incapacidade. O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V) define 10 perturbações de personalidade específicas: paranoide, esquizoide, antissocial, estado-limite ou borderline, histriónica, narcísica, evitante, dependente, obsessivo-compulsiva, alteração da personalidade devida a outra condição médica, perturbação da personalidade com outra especificação e não especificada.

A Perturbação Narcísica da Personalidade caracteriza-se por um padrão global de grandiosidade e necessidade de admiração, bem como na ausência de empatia com o outro. É um tipo de perturbação do foro mental que tem o seu início no começo da idade adulta e que está presente numa variedade de contextos. Os sujeitos com esta perturbação tendem a sobrevalorizar as suas capacidades e a exagerar os seus feitos, sendo com frequência apelidados de vaidosos e gabarolas. Consideram que os outros lhes atribuem o mesmo valor que eles próprios julgam ter e surpreendem-se quando não têm o reconhecimento que esperam e julgam merecer.

É frequente o indivíduo narcísico desvalorizar as capacidades dos outros, sempre que as compara com as suas próprias capacidades e fantasiar com o seu sucesso ilimitado, poder, brilho e beleza. Apresenta pensamentos ruminantes acerca de uma merecida admiração e tem tendência para comparar-se favoravelmente com pessoas influentes, privilegiadas e famosas. As pessoas com este tipo de personalidade consideram-se superiores, raras e especiais, esperando que os outros as reconheçam como tal. Sentem que só se devem associar a pessoas que consideram igualmente especiais ou de elevado estatuto, acreditando que as suas necessidades são também elas especiais e que não estão ao alcance das pessoas comuns.

O narcísico tem uma autoestima elevada, espelhada pelo valor idealizado que atribui às pessoas a quem se associa, e procura juntar-se com indivíduos de profissões diferenciadas e nível socioeconómico alto, desvalorizando o “comum dos mortais”. Esta autoestima elevada é no entanto frágil, uma vez que o indivíduo narcisista mantém uma preocupação excessiva com o quão bem se está a sair e quão favoravelmente é considerado pelos outros, uma vez que possui uma necessidade excessiva de admiração que nem sempre é expressa, defraudando as suas expectativas.. Adora e espera ser sempre recebido com “pompa e circunstância”, ficando muito espantado com a possível indiferença dos outros, procurando sucessivamente o elogio e agindo de forma sedutora.

Uma pessoa com personalidade narcísica espera dos outros alguma inveja e subserviência, ficando surpresa quando isso não acontece. Tem um elevado sentido de reverência a par com uma inabilidade para compreender as necessidades do outro, o que pode levar a situações de desrespeito e exploração, intencional ou não. A falta de empatia é uma característica muito vincada no narcisista. Estes indivíduos têm enorme dificuldade em identificar e compreender os sentimentos das outras pessoas, tendendo a desvaloriza-las, colocando sempre os seus sentimentos em primeiro lugar. Discutem os seus problemas com exagerado pormenor e por vezes de forma desadequada, desprezando e impacientando-se quando são os outros a falar dos seus assuntos e das suas preocupações.

A Perturbação Narcísica da Personalidade tem uma prevalência estimada de 0 a 6,2% na população e 50% a 75% dos casos diagnosticados são homens. A característica mais relevante na discriminação desta perturbação em relação à perturbação histriónica (sedutor), antissocial (insensível) ou borderline (dependente) é a grandiosidade. A relativa estabilidade da autoimagem, bem como a ausência de auto destrutividade, impulsividade e preocupação de abandono, distinguem a perturbação narcísica da perturbação borderline de personalidade. O excessivo orgulho nos seus feitos, o desdém pela sensibilidade alheia e a relativa ausência de manifestação dos sentimentos, ajudam a distinguir esta perturbação da perturbação histriónica. Os sujeitos com perturbação narcísica e perturbação antissocial tendem a ser rígidos, superficiais, exploradores e sem empatia, no entanto, os narcísicos não incluem habitualmente características de agressividade, impulsividade ou dolo.

O narcisismo é uma das construções de personalidade mais antigas conhecidas. Porém, continua a ser fonte de discussão científica, nomeadamente nas áreas da teoria clínica, do diagnóstico psiquiátrico e da psicologia. É uma síndrome desafiante, complexa de entender, heterogénea na sua apresentação e difícil de tratar, prejudicando também o tratamento de outras patologias do foro mental que possam estar presentes, como por exemplo a perturbação depressiva, a ansiedade ou o abuso de substâncias. É uma perturbação que pode incluir manifestações de grandiosidade alternadas com vulnerabilidade, conforme o contexto ou o momento/situação do sujeito, o que por si só dificulta o tratamento. Das várias abordagens psicoterapêuticas disponíveis, as de maior sucesso parecem ser as do grupo das terapias cognitivo-comportamental.

Fonte: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Quinta Edição (DSM-V). American Psychiatric Association.

Ciúme e amor romântico

O ciúme é uma emoção universal, que em maior ou menor grau, todo o ser humano experiencia, em algum momento da sua vida. Transversal às relações pessoais e sociais, o ciúme pode ser vivenciado em diversos tipos de relacionamentos: romântico, familiar ou de amizade.

Definir o ciúme não é fácil, mais fácil é sem dúvida identifica-lo. No entanto, podemos referir as suas principais características que incluem o facto de ser um sentimento perante uma ameaça percebida, que pressupõe a existência de um rival, quer este seja real ou imaginário, e é uma reação que tem como objetivo eliminar o risco da perda do “objeto amado”. Foquemo-nos então no amor romântico e no respetivo ciúme. Este é um ciúme que acontece entre casais, tipificado por um conjunto complexo de pensamentos, emoções e ações perante a ameaça da perda do amor do outro e do respetivo relacionamento. O ciúme decorre da existência de um triângulo social, ainda que imaginário o que desperta sentimentos como o medo, a raiva ou a tristeza e que podem levar o indivíduo a comportamentos por vezes irracionais e desadequados.

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