O final do ano letivo no ensino secundário é, para muitos jovens, uma fase de grande pressão. Para além dos testes, exames, médias e candidaturas, surge frequentemente uma pergunta difícil: “E agora?”
No 11.º e, sobretudo, no 12.º ano, muitos alunos sentem-se confrontados com decisões importantes: que curso escolher, que área seguir, se devem candidatar-se ao ensino superior, se faz sentido fazer um ano sabático ou se estão realmente no caminho certo. Para alguns, esta etapa é vivida com entusiasmo. Para outros, traz ansiedade, dúvidas, insegurança e medo de errar.

Escolher um curso nesta idade pode parecer uma decisão definitiva. Muitos jovens sentem que precisam de saber exatamente quem são e o que querem fazer no futuro. No entanto, a adolescência tardia é ainda uma fase de construção da identidade. Como descreve Erikson (1968), é neste período que se tornam especialmente importantes as perguntas sobre quem se é e quem se quer vir a ser. Por isso, a escolha académica pode ser vivida não apenas como uma decisão escolar, mas como uma escolha sobre o próprio valor, competência e projeto de vida.

A pressão das médias, dos exames e das expectativas familiares pode tornar este processo ainda mais exigente. Pensamentos como “não posso escolher mal”, “todos sabem o que querem menos eu” ou “se não entrar na faculdade, falhei” são frequentes e podem aumentar a ansiedade. De acordo com Beck (2021), a forma como interpretamos uma situação influencia diretamente aquilo que sentimos e fazemos. Assim, quando a escolha do curso é vista como irreversível ou como uma prova absoluta de valor pessoal, é natural que surjam medo, bloqueio e indecisão.

Importa lembrar que nem todos os jovens sabem, aos 17 ou 18 anos, o que querem fazer da vida, e isso não significa falta de maturidade. A indecisão pode fazer parte do processo de autoconhecimento. Super (1990) descreve o desenvolvimento vocacional como algo progressivo, construído ao longo do tempo, através da exploração, da experiência e da clarificação de interesses e valores.

Em vez de procurar a “escolha perfeita”, pode ser mais útil ajudar o jovem a pensar sobre aquilo que desperta a sua curiosidade, as áreas em que se sente mais envolvido, os contextos profissionais que imagina para si e o tipo de vida que gostaria de construir. A melhor escolha possível nem sempre é aquela que elimina todas as dúvidas, mas aquela que permite avançar com algum sentido e abertura para reajustar o caminho.

O ano sabático pode também ser uma possibilidade válida, desde que não seja apenas uma forma de evitar a ansiedade da decisão. Quando tem algum planeamento, trabalho, voluntariado, aprendizagem de línguas, preparação de exames ou exploração vocacional, pode ser uma oportunidade de amadurecimento. Sem estrutura ou propósito, porém, pode prolongar a indefinição e aumentar a insegurança.

Nesta fase, os pais têm um papel importante. Mais do que decidir pelo jovem, podem ajudá-lo a pensar, a recolher informação e a tolerar a incerteza. Frases como “já devias saber” ou “não podes perder tempo” tendem a aumentar a pressão. Pelo contrário, mensagens como “é normal ter dúvidas” ou “esta escolha é importante, mas não define toda a tua vida” podem ajudar a reduzir a ansiedade e a promover maior segurança.

Quando a preocupação com o futuro interfere com o sono, o estudo, o humor, a autoestima ou a vida familiar, pode ser útil procurar apoio psicológico. A intervenção pode ajudar o jovem a compreender os seus medos, reduzir a ansiedade, trabalhar crenças rígidas, clarificar valores e desenvolver estratégias de tomada de decisão.

O final do secundário é uma etapa importante, mas não precisa de ser vivido como uma decisão sem retorno. Escolher o futuro não implica ter certezas absolutas. Implica aprender a conhecer-se melhor, tomar decisões possíveis no presente e aceitar que crescer também envolve experimentar, ajustar e redefinir caminhos.
A escolha de um curso pode abrir uma porta, mas não precisa de fechar todas as outras.
Referências bibliográficas
Beck, J. S. (2021). Cognitive behavior therapy: Basics and beyond (3.ª ed.). The Guilford Press.
Erikson, E. H. (1968). Identity: Youth and crisis. W. W. Norton.
Super, D. E. (1990). A life-span, life-space approach to career development. Jossey-Bass.