Final do Ano Letivo no Secundário: Escolher o Futuro Sem Ter Todas as Certezas

Young student at crossroads hopeful atmosphere

O final do ano letivo no ensino secundário é, para muitos jovens, uma fase de grande pressão. Para além dos testes, exames, médias e candidaturas, surge frequentemente uma pergunta difícil: “E agora?”

No 11.º e, sobretudo, no 12.º ano, muitos alunos sentem-se confrontados com decisões importantes: que curso escolher, que área seguir, se devem candidatar-se ao ensino superior, se faz sentido fazer um ano sabático ou se estão realmente no caminho certo. Para alguns, esta etapa é vivida com entusiasmo. Para outros, traz ansiedade, dúvidas, insegurança e medo de errar.

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Sexualidade Após o Cancro: Entre a Vulnerabilidade e a Reconstrução

Man and woman affectionate in comfortable living room

A experiência de um diagnóstico de cancro representa, frequentemente, uma das vivências mais desafiantes do ponto de vista emocional, físico e relacional. Para além das implicações médicas e do impacto associado aos tratamentos, existem dimensões da vida que tendem a ser menos faladas, mas que assumem um papel importante na qualidade de vida e no bem-estar psicológico da pessoa. A sexualidade é uma dessas dimensões.

Apesar de muitas vezes permanecer envolta em silêncio, a sexualidade continua a fazer parte da identidade, da intimidade e da forma como cada pessoa se relaciona consigo própria e com o outro, mesmo após a doença oncológica. Contudo, é frequente que o cancro e os respetivos tratamentos provoquem alterações físicas, emocionais e relacionais que influenciam significativamente a vivência da intimidade e do desejo sexual (World Health Organization [WHO], 2006; National Cancer Institute [NCI], 2023).

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Agora estou a decidir mesmo por mim

Man hiking on mountain trail at sunset beside a wooden signpost with forest and river in background

O Ruben, de 20 anos, é estudante universitário, a frequentar o segundo ano de um curso inicialmente escolhido com base em critérios pragmáticos e expectativas externas. No início do acompanhamento, evidenciava ambivalência marcada, dificuldade na identificação de interesses e valores pessoais e tendência para evitamento da decisão, mantendo-se num percurso que percecionava como pouco significativo. Referia ansiedade associada ao futuro e receio de errar, com presença de autocrítica elevada.

Encontra-se em acompanhamento psicológico há cerca de 5 meses, período durante o qual foi desenvolvido trabalho focado na clarificação de valores, exploração vocacional, flexibilização cognitiva e aumento da tolerância à incerteza.

Num momento recente de sessão, verbaliza:

“Sinto que agora estou a decidir mesmo por mim… não é tipo uma decisão perfeita, mas faz sentido para mim, e isso já me deixa muito mais tranquilo. Acho que este processo terapêutico me ajudou a perceber o que quero e a confiar mais em mim, por isso, obrigado, a sério, fez mesmo diferença.”

Tens dúvidas em relação ao teu percurso académico? Queres tomar uma decisão e não sabes como fazer? Já pensaste em procurar apoio psicológico?

Neurodivergência: uma Leitura Psicológica da Diversidade do Funcionamento Humano

Only a single centered brain

O conceito de neurodivergência tem vindo a ganhar crescente relevância no campo da psicologia, propondo uma mudança significativa na forma como compreendemos as diferenças no funcionamento cognitivo, emocional e comportamental. Introduzido por Judy Singer no âmbito do movimento da neurodiversidade, este termo refere-se à ideia de que variações neurológicas, como as observadas no autismo, na perturbação de hiperatividade/défice de atenção (PHDA) ou nas dificuldades específicas de aprendizagem, constituem expressões naturais da diversidade humana, e não necessariamente desvios patológicos a corrigir.

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Alimentação saudável e psicologia: para além das escolhas à mesa

Plate with avocado toast topped with poached egg and mixed berries, coffee mug, glass of orange juice, and bowl of yogurt with granola on wooden table near garden window

Falar de alimentação saudável é, muitas vezes, falar de nutrientes, calorias ou planos alimentares. No entanto, esta perspetiva, embora relevante, é incompleta. A forma como comemos está profundamente ligada a processos psicológicos — emoções, crenças, experiências passadas e contexto social — que influenciam não só o que escolhemos ingerir, mas também a forma como nos relacionamos com o nosso corpo e connosco próprios.

Do ponto de vista psicológico, a alimentação não é apenas uma necessidade biológica, mas também um comportamento aprendido e regulado por múltiplos fatores. Desde cedo, a comida pode assumir significados que vão para além da nutrição: conforto, recompensa, controlo ou até alívio emocional. É frequente observar que, em momentos de maior stresse, ansiedade ou tristeza, o comportamento alimentar pode-se alterar, surgindo padrões como comer em excesso, perder o apetite ou recorrer a determinados alimentos específicos em busca de regulação emocional. Este fenómeno, frequentemente designado como “comer emocional”, não deve ser entendido como uma falha individual, mas sim como uma estratégia, muitas vezes automática, de lidar com estados internos mais difíceis (Macht, 2008).

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Porque é que somos tão duros connosco? O papel da autocrítica na experiência emocional

Person facing mirror with critical words reflection

A forma como falamos connosco próprios é, muitas vezes, mais exigente, crítica e implacável do que aquela que utilizamos com os outros. Perante um erro, uma falha ou uma dificuldade, é frequente surgirem pensamentos como “Não fui capaz”, “Devia ter feito melhor” ou “Isto diz muito sobre mim”. Esta tendência para a autocrítica, embora comum, pode ter um impacto significativo na forma como experienciamos as nossas emoções e nos posicionamos perante os desafios do quotidiano.

Do ponto de vista psicológico, a autocrítica pode ser compreendida como uma estratégia interna de regulação, ainda que, muitas vezes, disfuncional. Em alguns casos, desenvolve-se como uma tentativa de prevenir erros futuros, manter padrões elevados ou evitar a rejeição por parte dos outros. A ideia subjacente é, frequentemente, a de que “se for suficientemente exigente comigo, consigo melhorar ou evitar falhar”. No entanto, a evidência sugere que este padrão tende a associar-se a níveis mais elevados de ansiedade, depressão e desvalorização pessoal (Blatt, 2004).

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Quando pensar demais se torna um problema: o ciclo dos pensamentos intrusivos na ansiedade

Glowing brain with cosmic patterns and words like creativity, memory, identity, and knowledge

Pensar faz parte da nossa natureza. É através do pensamento que organizamos a experiência, antecipamos cenários e procuramos soluções para os desafios do quotidiano. No entanto, há momentos em que este processo, em vez de servir como um recurso adaptativo, se transforma numa fonte significativa de desconforto. É neste ponto que surgem os chamados pensamentos intrusivos — conteúdos mentais que emergem de forma repetitiva, indesejada e muitas vezes, perturbadora.

Importa começar por esclarecer que a experiência de pensamentos intrusivos é, em si mesma, universal. A maioria das pessoas já teve, em algum momento, ideias súbitas e desconcertantes, como receios de causar dano, dúvidas persistentes ou imagens mentalmente vívidas e desconfortáveis. O que tende a diferenciar estas experiências num registo mais benigno, de um padrão mais ansioso, não é a sua presença mas sim a forma como são interpretadas e geridas (Clark, 2005).

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Decisões Académicas: Enfrentar a Pressão e Incerteza

A escolha de uma área de estudos universitários é frequentemente vivida como uma das primeiras grandes decisões da vida adulta. Para muitos jovens, este processo pode ser acompanhado por dúvida intensa, ansiedade e uma sensação de pressão significativa, tanto interna como externa. Embora seja esperado algum grau de incerteza, em alguns casos esta dificuldade pode tornar-se persistente e paralisante.

Do ponto de vista psicológico, a dificuldade na tomada de decisão vocacional pode ser compreendida como o resultado da interação entre fatores cognitivos, emocionais e contextuais. Muitos jovens apresentam crenças exigentes associadas à escolha, como a ideia de que existe uma “decisão certa” que determinará todo o futuro, ou que errar terá consequências irreversíveis. Estas crenças tendem a aumentar a ansiedade e a dificultar o processo de exploração e decisão (Germeijs & Verschueren, 2007).

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Impacto da Primavera na Saúde Mental

A chegada da primavera é, culturalmente, associada a renovação, leveza e esperança. Os dias tornam-se mais longos, a luz natural intensifica-se e o ambiente ganha novas cores e estímulos sensoriais. Este conjunto de alterações ambientais pode ter um impacto significativo no funcionamento psicológico, embora nem sempre de forma linear ou exclusivamente positiva.

Do ponto de vista biológico, o aumento da exposição à luz solar influencia diretamente os ritmos circadianos e a regulação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, frequentemente associados ao humor e à motivação. Durante os meses de inverno, a menor luminosidade está relacionada com níveis mais baixos de energia, maior fadiga e, em alguns casos, sintomatologia depressiva, fenómeno que, em situações mais marcadas, pode configurar a Perturbação Afetiva Sazonal. Com a transição para a primavera, é comum observar-se uma melhoria gradual do humor e um aumento da vitalidade, associados à reorganização destes sistemas biológicos (Rosenthal et al., 1984; Lam & Levitan, 2000).

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Comportamentos Obsessivo-Compulsivos em Jovens Adultos: Compreender e Intervir

Sentir-se preso em pensamentos repetitivos ou em comportamentos que parecem impossíveis de parar pode ser profundamente desgastante — especialmente numa fase da vida em que se esperaria maior liberdade, autonomia e clareza nas decisões.

Os comportamentos obsessivo-compulsivos em jovens adultos surgem frequentemente como tentativas de lidar com níveis elevados de ansiedade. Podem manifestar-se através de pensamentos intrusivos persistentes, como dúvidas constantes, receios de cometer erros, medo de causar dano ou preocupações com contaminação, acompanhados por uma necessidade intensa de reduzir o desconforto que esses pensamentos provocam. Embora este tipo de pensamentos seja uma experiência comum a todas as pessoas, o que tende a diferenciá-los nestes casos é a forma como são interpretados: como perigosos, inaceitáveis ou reveladores de algo negativo sobre si próprio (Clark & Beck, 2010).

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