Pensar o Natal

NatalEntrámos uma vez mais na quadra natalícia! De uma forma ou de outra, cada um de nós vive o Natal à sua maneira. Mas que maneiras são essas de vivermos o Natal? As crenças cristãs, a festa da família ou o momento das compras e dos presentes, são modos de se vivenciar esta quadra, de forma mais ou menos adaptativa, mais ou menos feliz e que merece alguma reflexão.

Entre o final de Outubro e o início do mês de Novembro, começam a ver-se as lojas enfeitadas, as ruas iluminadas, as grandes superfícies movimentadas e as pessoas, mais ou menos entusiasmadas com a aproximação do Natal! Mas que significado atribuem ao Natal todas essas pessoas? Pois bem, parecem haver três formas distintas ou complementares de se vivenciar a quadra natalícia: o Natal cristão, o Natal do convívio e da confraternização e o Natal do consumismo. Á semelhanças de outras situações, a vivência do Natal deveria ser pautada pelo equilíbrio entre cada uma destas formas de se lhe atribuir importância. A palavra Natal deriva do latim natalis, que vem de nascor, que significa nascimento e que tem como referência o nascimento de Jesus que se celebra todos os anos no dia 25 de Dezembro. Esta data tem o valor simbólico da esperança e da possibilidade de mudança para melhor, que poderá advir do novo ano que se avizinha.

NatalSe retirarmos ao Natal a simbologia cristã, este poderá ser vivido como a festa da família, não tão virada para a celebração do nascimento mas para o convívio e para a confraternização, daqueles que durante o resto do ano poderão ter poucas possibilidades de se reunirem. É certo que Natal é nascimento mas porque não celebrar o renascimento das emoções que o reencontro evoca? Esta é sempre uma época aguardada pela maioria das pessoas para se juntar á volta da mesa, da árvore de Natal, do presépio… e de partilhar. Partilhar memórias, relembrar a infância, recordar os que já partiram, partilhar experiências que foram sendo vividas ao longo do ano e também partilhar presentes. As celebrações natalícias podem em alguns casos perder o caráter religioso e adquirir um caráter social e de afetos. Não será menos importante. Por vezes, é nesta celebração e reencontro que se tem a possibilidade de apaziguar ou resolver qualquer questão ou dificuldade que tenha surgido durante o ano. Podem-se reestabelecer laços quebrados, resolver conflitos familiares, introduzir novos elementos no seio familiar e fazer desta época festiva um momento de conciliação e amor.

Época natalíciaDepois temos as compras, os presentes, o consumismo e lá vem o Pai-Natal. Este tema poderá ser sensível se cairmos no extremo do comprar porque sim, por obrigação, por dever ou para ostentar. Mas também pode ser visto como um momento de oferecer como forma de expressar afeto, de agradar a quem se ama, de partilhar com quem tem menos ou de dar algo de nós, como quando fazemos nós mesmos o presente. A própria sociedade, nomeadamente a organização laboral prevê o subsídio de Natal e a tolerância de ponto, para que este possa ser um momento de maior abundância e de disponibilidade para o outro. Para além disso há as promoções, tão características desta quadra, que apelam ao consumo e que muitas famílias aproveitam, não apenas para comprar presentes para oferecer mas também para melhorarem a sua qualidade de vida.

NatalQualquer que seja a sua forma de viver o Natal, cristã, de confraternização ou de consumo, ou se se revê numa forma mista, talvez a mais comum, em que o simbolismo cristão se alia à união, convívio e troca de presentes, desejo-lhe um feliz Natal e um Novo Ano cheio de esperança, prosperidade e amor.

Educar, ensinar e respeitar

Disciplinar e educarFalar da educação dos nossos filhos é falar de um tema sensível e por vezes difícil, uma vez que todos queremos fazer o melhor mas nem sempre sabemos como. Se por um lado não existem pais perfeitos, por outro lado também não existem crianças perfeitas. No entanto, pais e filhos podem relacionar-se de forma harmoniosa, amorosa e feliz, respeitando-se mutuamente.

Para que mantenha com os seus filhos uma relação tranquila, agradável e prazerosa, há que nunca esquecer a palavra equilíbrio, e para que haja equilíbrio, é necessário haver disciplina, regras e limites. Disciplinar significa ensinar: ensinar o que fazer, como fazer e quando fazer. Corrigir comportamentos desadequados, dar alternativas e ao mesmo tempo respeitar a perspetiva da criança ou do adolescente, pode ser a chave para o sucesso. Porém, estabelecer limites e fazer cumprir as regras pode não ser tarefa fácil. Uma das formas que pode tornar a tarefa mais acessível é dar o exemplo. As crianças também aprendem por imitação e os pais são os seus modelos mais próximos. Será muito difícil exigir que um filho mantenha o telemóvel fora da mesa do jantar, se os próprios pais passarem a hora da refeição ligados aos seus aparelhos. Este é apenas um exemplo, mas modelar um comportamento pode ser muito mais do que isto. Modelar é dar o exemplo, é fazer bem e ensinar como fazer bem, para que a criança possa aprender com o que vê fazer. Continuar a ler

Pais de adolescentes: Atenção à autoestima!

Auto estimaA adolescência é uma fase da vida extremamente importante no sentido em que é durante este período que o jovem constrói a sua identidade e que adquire autonomia. Para que estas duas tarefas sejam bem-sucedidas, é muito importante que a autoestima se mantenha positiva e estável.

A autoestima pode ser definida como a avaliação subjetiva e a valorização que o sujeito faz de si mesmo e que é fortemente influenciada pelas contingências de reforço positivo socialmente oferecidas ao longo do desenvolvimento. As modificações do corpo são visíveis mas as outras nem tanto… A maneira de pensar, de sentir e de se comportar muda consoante a criança vai entrando na adolescência, sendo este um período de grandes ambiguidades e por vezes inseguranças. Estes fatores poderão fazer com que a perceção que o jovem tem acerca de si mesmo mude e a autoestima baixe.

A autoestima parece baixar sensivelmente a meio do período da adolescência, em ambos os sexos, estando em parte relacionada com aspetos de ordem física e relacional com destaque para fatores como a imagem, o desempenho e a popularidade em contexto de pares. Um adolescente com baixa autoestima é um adolescente com maior risco de depressão, de isolamento, de desenvolvimento de problemas de ansiedade e de ter dificuldades no desempenho escolar, entre outros. Por outro lado, o jovem com a autoestima comprometida tem uma maior vulnerabilidade para os comportamentos de risco, como é o caso, por exemplo, do consumos de substâncias como o álcool ou o tabaco.

Auto estimaPara ajudar a sua criança ou adolescente a manter uma boa autoestima comece por evitar a utilização de uma linguagem negativa. Criticar, ridicularizar ou insultar perante um comportamento negativo vão potenciar a diminuição da autoestima.  Procure explicar do que é que não gostou e acima de tudo, ensine à criança como deverá fazer de futuro. Evite também fazer comparações com as outras crianças ou jovens. Cada um tem a sua identidade e o seu modo de ser e de pensar. Evite chamar à atenção ou criticar um comportamento em público, isso fará com que a criança se sinta envergonhada e humilhada, podendo comprometer a sua autoestima.

Auto eficáciaPor outro lado, faça por passar tempo de qualidade com o seu filho/a não se preocupando tanto com a quantidade. Esteja presente na sua vida, dê atenção às suas atividades e às suas preferências. Seja participativo e envolva-se com os seus filhos no estabelecimento de metas e objetivos. Ajude-os a tomar decisões e a fazer escolhas, respeitando a sua perspetiva. Perceber que algo correu bem em virtude de uma escolha própria, vai com certeza fazer o adolescente sentir-se mais confiante. Peça a opinião do seu filho/a para assuntos relacionados com a vida familiar. Poder opinar nos assuntos mais tipicamente dos adultos fá-lo sentir-se “crescido” e aumenta-lhe a autoestima.

Auto confiançaNunca se esqueça do elogio. Elogiar é reforçar, e os comportamentos reforçados provavelmente ocorrerão mais vezes. Mesmo naquelas situações em que o seu filho/a parece não estar a dar-lhe atenção, ou se ele/a é dos que se sente envergonhado com elogios, não deixe de dizer uma palavra de incentivo ou de apreço. No fundo, ele/a está a “captar” tudo. Ao sentir orgulho por algo que fez, a sua autoestima estará no bom caminho. Tenha muito cuidado com as críticas destrutivas pois elas não conduzem a “bom porto” e farão com que o adolescente se iniba, se sinta incapaz e se desvalorize. Tente criticar de forma positiva, dando de preferência sempre uma alternativa para que o seu filho/a possa aprender e corrigir algo que não fez bem.

AutoestimaIncentive o seu filho/a falar sobre si próprio de forma positiva. Frases como “eu vou conseguir chegar ao fim” ou “eu sou capaz de fazer isto” ajudam a que o jovem se sinta mais confiante e que por conseguinte, aja no sentido de alcançar o que pretende. Por fim mas não menos importante é a contribuição do amor para a manutenção de uma boa autoestima. Quando expressamos amor, compreensão e carinho pelos nossos filhos estamos também a contribuir para a construção de uma identidade mais segura e de uma autoestima mais positiva.

 

Sugestão:

http://www.scielo.mec.pt/pdf/aps/v16n2/v16n2a06.pdf

 

 

OncoSexologia

OncoSexologiaDecorreu nos passados dias 3 e 4 do corrente, no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil em Lisboa )IPO), o Congresso Nacional de OncoSexologia, cujo foco incidiu sobre o impacto do cancro na sexualidade.

O referido evento contou com a participação de palestrantes e formadores com “cartas dadas” na área da oncologia em Portugal, nomeadamente em urologia, ginecologia, endocrinologia, cirurgia plástica e reconstrutiva, enfermagem, psiquiatria e psicologia, entre outros. Participaram também outros oradores representantes de áreas distintas como a representação ou o jornalismo, com intervenções igualmente relevantes. Este congresso com caráter formativo abordou numa área tão específica como importante para o bem-estar e qualidade de vida dos indivíduos. Aberto à comunidade médica mas também a outros técnicos de saúde, nomeadamente enfermeiros e psicólogos, este foi um momento de formação, informação, sensibilização, reflexão e partilha. O curso abarcou temas como a sexualidade humana no Século XXI – do normal ao disfuncional; o sexo, a sexologia e a comunicação; a sexualidade na perspetiva do envelhecimento e da sobrevivência; inovação e reabilitação em OncoSexologia e ainda os workshops sobre treino de comunicação em OncoSexologia e os problemas sexuais no homem e na mulher com cancro.

CancroOs formadores/oradores têm formação e vasta experiência nesta matéria, tendo alguns deles sido os fundadores da Clínica de OncoSexologia do IPO de Lisboa, em funcionamento desde 2009. Esta consulta destina-se à comunidade de doentes do IPO Lisboa e colabora de modo formativo e informativo com outras entidades de saúde nacionais. A necessidade de desenvolvimento de trabalhos nesta área específica prende-se com o facto de os doentes oncológicos poderem manifestar perturbações do desejo ou do interesse sexual e dificuldades nas relações sexuais, durante ou após os tratamentos. No entanto, constrangimentos ou inibições de ordem social e as dificuldades na comunicação com os vários profissionais de saúde, em parte pela falta de formação dos mesmos nesta área específica, podem levar a que esse tipo de perturbações não sejam abordadas, com prejuízo na qualidade de vida dos doentes e dos seus companheiros/as.

OncosexologiaA prevenção dos problemas sexuais dos doentes de cancro e o seu tratamento carecem de sensibilização e de formação por parte dos profissionais de saúde que o acompanham, tanto nas unidades de oncologia como nos diversos serviços de saúde. Para isso, ações deste nível são de extrema importância para que a comunidade médica e outros técnicos de saúde se sintam aptos a acompanhar e ajudar os doentes oncológicos e as suas famílias, com foco na abordagem dos problemas e disfunções sexuais secundários à doença e aos tratamentos.

Sexualidade e cancroA sexualidade é um ponto central do ser humano durante toda sua vida, abarcando o sexo, a identidade e os papéis de género, a orientação sexual, o erotismo, o prazer, a intimidade e a reprodução. A sexualidade é vivenciada nos pensamentos, nas fantasias, nos desejos, nas atitudes, nos valores, nos comportamentos, no papel que cada um representa e nos relacionamentos. Embora a sexualidade possa englobar todas estas dimensões, nem todas são sempre experimentadas ou vividas. A sexualidade é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, económicos, políticos, culturais, éticos, legais, históricos, religiosos e espirituais. (WHO, 2007).

OncologiaTendo por base tão grande diversidade de dimensões e abordagens, a sexualidade tende a ser demasiado focada na genitalidade e na sua funcionalidade. No caso dos doentes de cancro, estes podem ver comprometida essa mesma funcionalidade genital, quer provisória, quer definitivamente, o que pode causar a perceção de perda de identidade e de papéis. o que implica um luto e potencialmente um grande sofrimento. É nestes casos que o papel do profissional de saúde, nomeadamente o psicólogo, pode ser extremamente importante e fazer toda a diferença na forma como o indivíduo vai viver quer a fase de tratamento, quer a fase de reabilitação e eventual adaptação a algumas perdas ou limitações que possam ocorrer. A possibilidade de falar com alguém que entende o problema, que conhece os seus determinantes e consequentes, e, que, acima de tudo tem formação adequada na área da OncoSexologia, será uma mais-valia para o doente.

OncosexologiaA intervenção em OncoSexologia pressupõe vários níveis de atuação. O primeiro nível foca-se na aceitação e compreensão das limitações do doente, bem como na desculpabilização em relação àquilo que é normativo. O doente deverá encontrar um contexto de segurança para expor as suas preocupações, nomeadamente ao nível dos seus pensamentos, fantasias, sentimentos e comportamentos. O segundo nível, consiste no fornecimento de informação básica em relação à função sexual e ao ciclo de resposta sexual, bem como em relação ás limitações do doente e às suas potencialidades. O terceiro nível refere-se à apresentação de sugestões específicas relacionadas com a prática sexual, que passam por orientações de mudança comportamental, que possam levar o doente a atingir os seus objetivos, sempre com base numa sólida história clínica. Por fim, o quarto nível pressupõe uma intervenção com um profissional especializado em sexologia e consiste num plano personalizado, podendo envolver não só o doente mas também o seu parceiro (a).

Fontes:

Annon, J. (1981). PLISSIT Therapy. In: Corsini, R. Handbook of Innovative Pshychotherapies. New York. John Wiley & Sons Inc., pp 626-639.

O.M.S. (2001). Relatório Mundial da Saúde – Saúde Mental: Nova concepção, nova esperança. Lisboa: Direcção-Geral da Saúde.

Bullying ou intimidação: o que fazer?

Bullying e intimidação

“Ultimamente a Mariana diz que não quer ir à escola e anda muito calada e triste. Tem oito anos, tem um peso bastante acima da média e é muito tímida. Questionada acerca da razão pela qual não quer ir a escola a Mariana diz que as crianças na escola a estão a atormentar, a ridicularizar e a gozar – A Mariana está a ser vítima de bullying!”

Há certas crianças que se sentem mais importantes, melhores e mais fortes do que as outras. Isso confere-lhes uma segurança que utilizam para intimidar ou maltratar outras crianças que veem como piores, mais fracas, logo mais indefesas. A intimidação permite a algumas crianças dominar e maltratar outras, e assim conseguirem o que querem e quando querem. E o que podemos nós, os adultos, fazer perante uma situação como esta? Pois bem, em primeiro lugar devemos conseguir entender o que é a intimidação, ou seja, que o bullying consiste no uso frequente e regular de agressão física ou verbal, neste caso de uma criança, para dominar ou para se vingar de outra. Esta intimidação ocorre quando não há supervisão por parte de adultos, quer seja em casa, quer seja na escola e sempre que há diferenças de poder, isto é, uma criança mais velha, fisicamente mais forte ou mais popular, quer dominar, maltratar ou humilhar outra criança mais nova, mais fraca ou socialmente mais isolada. Continuar a ler