A profissão de psicólogo/a encontra-se frequentemente rodeada de idealizações. Existe a expectativa implícita de que o psicólogo seja permanentemente equilibrado, emocionalmente disponível, compreensivo e capaz de gerir qualquer situação interpessoal de forma exemplar. No contexto familiar, estas expectativas podem intensificar-se, levando alguns familiares a procurar o familiar psicólogo como uma espécie de “apoio emocional constante”, esperando interpretações psicológicas, mediação de conflitos ou respostas emocionais particularmente ajustadas.
Skovholt e Trotter-Mathison (2016) referem que, os profissionais das áreas de ajuda estão igualmente expostos a desgaste emocional, stresse e vulnerabilidade psicológica, sobretudo quando existe dificuldade em separar o papel profissional da vida pessoal. Esta confusão de papéis pode conduzir o psicólogo a assumir excessivamente a responsabilidade pela estabilidade emocional da família, colocando frequentemente as necessidades dos outros acima das suas próprias.
A escolha de uma área de estudos universitários é frequentemente vivida como uma das primeiras grandes decisões da vida adulta. Para muitos jovens, este processo pode ser acompanhado por dúvida intensa, ansiedade e uma sensação de pressão significativa, tanto interna como externa. Embora seja esperado algum grau de incerteza, em alguns casos esta dificuldade pode tornar-se persistente e paralisante.
Do ponto de vista psicológico, a dificuldade na tomada de decisão vocacional pode ser compreendida como o resultado da interação entre fatores cognitivos, emocionais e contextuais. Muitos jovens apresentam crenças exigentes associadas à escolha, como a ideia de que existe uma “decisão certa” que determinará todo o futuro, ou que errar terá consequências irreversíveis. Estas crenças tendem a aumentar a ansiedade e a dificultar o processo de exploração e decisão (Germeijs & Verschueren, 2007).
Os jogos eletrónicos fazem parte do quotidiano de muitas crianças e adolescentes, levantando dúvidas naturais nos pais sobre limites, riscos e impacto emocional. Compreender a diferença entre um uso saudável e um uso problemático é essencial para promover um desenvolvimento equilibrado.
Os jogos eletrónicos fazem hoje parte do universo das crianças e dos adolescentes, sendo uma forma comum de entretenimento, socialização e até aprendizagem. Para muitos pais, esta realidade levanta dúvidas legítimas: quanto tempo é demasiado? Quando é que o jogo deixa de ser apenas diversão e passa a ser motivo de preocupação? A psicologia ajuda-nos a compreender que o problema não está, na maioria das vezes, no jogo em si, mas na forma como este é utilizado e no papel que passa a ocupar na vida da criança ou do adolescente.
A enurese noturna é uma perturbação de eliminação comum na infância, de etiologia multifatorial e com impacto significativo no funcionamento emocional da criança e no contexto familiar. A perspetiva cognitivo-comportamental permite integrar fatores biológicos, comportamentais e cognitivos, oferecendo um enquadramento clínico consistente e intervenções baseadas na evidência.
A enurese noturna, definida como a eliminação involuntária de urina durante o sono, em crianças numa idade em que já seria esperado controlo esfincteriano noturno, constitui uma das perturbações de eliminação mais frequentes na infância. Apesar da sua elevada prevalência, continua a ser rodeada de mitos, sentimentos de vergonha e interpretações moralizantes, o que pode agravar o impacto psicológico na criança e na família. A Psicologia Cognitivo-Comportamental (PCC) oferece um enquadramento particularmente útil para a compreensão e intervenção na enurese, ao integrar fatores fisiológicos, comportamentais, cognitivos e relacionais.
O Natal reúne símbolos que marcam a infância e influenciam a forma como crescemos. Entre eles, o Menino Jesus e o Pai Natal ocupam lugares especiais no imaginário das famílias. A psicologia ajuda-nos a compreender como estas figuras moldam emoções, crenças e memórias.
A época natalícia é um período especialmente rico do ponto de vista psicológico, combinando tradições, emoções e símbolos que acompanham as famílias ao longo de gerações. Entre esses símbolos surgem duas figuras muito presentes no imaginário infantil e adulto: o Menino Jesus e o Pai Natal. Embora pertençam a universos diferentes, um ligado à espiritualidade e à narrativa religiosa do nascimento, outro à fantasia lúdica e social, ambos desempenham papéis complementares no desenvolvimento emocional das crianças.
Nos dias de hoje, a adolescência apresenta-se como uma fase do desenvolvimento particularmente desafiadora, não apenas pelas transformações fisiológicas e emocionais, mas também pelas novas exigências sociais e tecnológicas que moldam a forma como os jovens comunicam entre si. Apesar de estarem permanentemente ligados através de redes sociais e dispositivos móveis, muitos adolescentes revelam uma acentuada dificuldade em estabelecer relações interpessoais saudáveis e eficazes com os seus pares. Este fenómeno, frequentemente observado por educadores, pais e psicólogos, levanta preocupações relativamente ao desenvolvimento de competências relacionais fundamentais para a saúde mental e bem-estar ao longo da vida.
A adolescência é uma fase crítica para o desenvolvimento das competências sociais. É nesta etapa que os jovens experimentam, constroem e consolidam a sua identidade social, explorando papéis e procurando a aceitação no grupo de pares. No entanto, o contexto atual, fortemente influenciado pela digitalização da comunicação, alterou profundamente os modos de interação entre os adolescentes. O contacto cara-a-cara, essencial para a aquisição de competências relacionais como a empatia, a escuta ativa e a leitura da linguagem não verbal, tem vindo a ser progressivamente substituído por interações mediadas por écrans, principalmente mensagens escritas (Twenge, 2017).
Atualmente, a Internet está presente em todos os contextos das nossas vidas, para o bem e para o mal. Se algumas pessoas têm mais facilidade em controlar a sua utilização e fazê-la de forma adequada, outras tendem a deixar-se levar mais facilmente pela diversidade de temas e atividades a que ela dá acesso. E como é com as crianças?
Se para muitos adultos, pode ser difícil dar bom uso à Internet e ao que ela permite, para as crianças será certamente mais difícil. Os mais novos têm tendencialmente maior dificuldade em controlar o tempo despendido em atividades online, bem como a selecionar conteúdos adequados á sua faixa etária. Quem tem filhos ou crianças pequenas a seu cargo, poderá seguir algumas recomendações muito úteis e que, se levadas a sério e de forma consistente, podem ajudar prevenir situações de dependência da Internet. Este é um tema que preocupa cada vez mais pais, educadores e outros profissionais que lidam diariamente com essa problemática.
Com o aumento da esperança média de vida, a população portuguesa está claramente a envelhecer. Nascem menos, morre-se mais tarde e temos na nossa população cada vez mais idosa, com tudo o que isso acarreta, quer a nível do bem-estar pessoal, como a nível social, pelo impacto de algumas doenças associadas ao envelhecimento. A Demência é uma delas.
Havendo mais idosos, as problemáticas que caracterizam esta faixa etária tendem a ser mais prevalentes. Se noutros tempos a maior parte das pessoas morria antes dos 75 anos, hoje em dia, houve já a necessidade de se estabelecer uma quarta idade, uma vez que há cada vez mais pessoas que ultrapassam a fasquia dos 90, bem como aqueles que chegam a centenários. Assim, se anteriormente a Demência era uma patologia que afetava principalmente os que estoicamente chegavam a velhos, hoje em dia a probabilidade de se ficar demente aumenta com a possibilidade de se poder viver mais.
Na terapia de casal a intervenção foca-se essencialmente no casal e não na relação em si. O importante é avaliar cada elemento do casal e intervir no sentido de melhorar a sua saúde emocional. Pessoas emocionalmente estáveis tendem a ter relações mais saudáveis e satisfatórias.
Os “ingredientes” mais importantes para o sucesso de uma terapia de casal são o amor e a vontade de continuarem juntos. Alguns dos erros mais comuns dos casais com dificuldades relacionais são a procura de ajuda muito tardia; quando um elemento do casal quer pedir apoio e o outro vai “por arrasto” (falta de sintonia no processo de mudança); quando um dos elementos não reconhece que há um problema (fase de não contemplação); quando um ou os dois elementos do casal reconhecem que há problemas, mas não estão preparados para a mudança (contemplação); quando um dos dois pode não estar preparado para a ação (empreender ações de mudança) e quando há a crença de que o caminho de ambos passa por continuarem juntos, o que pode não ser a melhor opção…
Para muitas crianças e respetivas famílias, a hora das refeições pode ser um verdadeiro tormento. Gritam porque não querem ir para a mesa, desesperam os pais com intermináveis “já vou”, reclamam da comida, recusam-se a experimentar novos alimentos, enfim, um rol de dificuldades que podem transformar a refeição numa “guerra”.
O que fazer para lidar com estas dificuldades e ter uma refeição tranquila e prazerosa? Aqui ficam algumas dicas que podem ajudar caso o leitor se identifique com este tipo de problema. Comece por avisar que a hora da refeição está a chegar e dê algum tempo para que a criança possa acabar o que está a fazer e preparar-se para o momento. Seja um bom exemplo! Para exigir a uma criança que se sente à mesa e lá permaneça durante a refeição, nada como todos o fazerem. A criança aprende principalmente por mimetismo. Tente fazer do momento da refeição um momento agradável e de partilha, em que todos fazem parte e intervêm, falam do seu dia e das suas atividades.
Procure incluir a criança na preparação do momento, ou seja, peça-lhe para ajudar a por a mesa ou para ajudar na preparação dos alimentos mais simples, sempre com a sua supervisão e controlo, claro. Coloque pequenas doses de comida no prato da criança, especialmente se se tratar de um alimento novo ou de um alimento de que ela gosta menos. Procure introduzir os alimentos novos um de cada vez e sempre acompanhados de outro alimento familiar de que a criança goste. Ofereça à criança alimentos simples e de fácil identificação. É frequente as crianças recusarem pratos muito complexos, com muitas misturas e muita variedade.
Faça da refeição um momento também de educação. Explique à criança o que vai comer e fale sobre a origem dos alimentos, obviamente de acordo com o nível de entendimento desta. Dê a escolher, se necessário, entre 2 alimentos diferentes mas idênticos em termos nutricionais. Isso fará com que a criança tenha o poder de decidir mas claro, limite-lhe as opções para que seja mais fácil. Estabeleça um limite de tempo razoável para a refeição. Após esse limite, retire o prato à criança e só volte a oferecer-lhe comida na refeição seguinte. Uma criança saudável não terá problemas se ficar sem comer a uma refeição, e por outro lado, precisa de aprender que existe um momento apropriado para o fazer – o momento em que a família está à mesa!