Rede de apoio social – pedir ajuda

Rede socialO relacionamento com os outros está omnipresente na vida e no dia-a-dia de todos nós. Ao conjunto de pessoas com quem temos uma relação significativa podemos chamar rede de apoio social. O apoio social pode ser definido como a quantidade e coesão das relações sociais que nos rodeiam.

É um processo interactivo que visa o bem-estar físico e psicológico. O contacto social pode promover a saúde e o bem-estar e tem provavelmente uma função de regulação da resposta emocional perante os vários factores causadores de stress. De acordo com Uchino, Uno & Holt-Lustad (1999) o apoio social pode ter várias funções: apoio informativo, apoio emocional, apoio de pertença e apoio tangível, desempenhando assim um importantíssimo papel nas nossas vidas, manifestando-se na nossa saúde física e psicológica.

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O adolescente e o sono

Sono na adolescência

Há uma diferenciação entre o sono das crianças mais novas e o sono dos adolescentes, tanto no que diz respeito à sua duração em termos de número de horas por noite, quer em termos da sua própria estrutura (Carskadon, 2010; Giannotti & Cortesi, 2010).

As crianças mais novas tendem a dormir um maior número de horas enquanto os adolescentes tendem a adiar progressivamente a hora de deitar, resultando num declínio da duração do sono, acabando estes por dormirem muitas vezes menos do que seria aconselhável. Vários estudos referem, que à medida que caminham da infância para a adolescência também as preferências dos jovens em relação à hora do dia para desenvolverem actividades vai mudando, ou seja, as crianças mais pequenas preferem as manhãs para as suas actividades, enquanto que os adolescentes mostram uma tendência para horários mais tardios (Andrade et al., 1993; Carskadon, Vieira, & Acebo). É também na adolescência que se verifica um aumento do desejo de independência, a assunção de novos papéis sociais, o aumento da pressão dos pares, das responsabilidades académicas e das possibilidades de actividades extra-curriculares, mas também a diminuição do controlo parental.

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Brincar ao ar livre

As brincadeiras ao ar livre e o contato com a natureza incentivam as crianças a ultrapassarem desafios, ao mesmo tempo que aprendem e apreendem o mundo, no seu contato com os elementos da natureza. Nos dias de hoje as tecnologias “dominam” o mundo, e os brinquedos digitais são muito apelativos para as nossas crianças, e sem dúvida importantes para que as estas sejam envolvidas numa realidade que já é o presente e será certamente o futuro. No entanto, o correr, pular e sujar-se continuam a ser essenciais para o saudável desenvolvimento infantil.

As crianças, em todas as etapas do seu desenvolvimento, beneficiam sem dúvida com o contato com o mundo exterior. Após um período de confinamento e com o retomar gradual com a normalidade, aliados ao bom tempo que os próximos meses nos prometem, sair com as crianças e levá-las a experienciar o contato com a natureza pode ser a opção acertada. Evidentemente que as regras de distanciamento físico em relação aos outros, os cuidados de higiene e a etiqueta respiratória não podem ser esquecidas. No entanto, este texto visa focar-se nas possibilidades que o contexto exterior oferece às crianças mas também aos adultos que as acompanham.

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Adolescência: quando o tema é sexualidade

A adolescência é um período de grandes mudanças, tanto a nível fisiológico como psicológico. Fase de descoberta, afirmação e construção da identidade, é rica em experiências e vivências comuns e normativas mas revestidas de um potencial de risco que merece toda a atenção e cuidado. Quando o tema é a sexualidade, não é exceção.

A sexualidade é uma área que acompanha todo o curso de vida, desde o nascimento até à morte mas que tem particular relevância durante o período da adolescência. É nesta fase que o corpo e as suas transformações se tornam centrais na vida do jovem e emergem as questões relacionadas com a capacidade de atração e de desempenho. Numa fase inicial, os jovens preocupam-se mais com a sua aparência, baseiam-se muitas vezes em comparações com os modelos ditados pela sociedade e questionam-se acerca da adequação do seu desempenho, tendo em conta a sua ainda pouca experiência e dos seus pares.

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O meu filho dorme comigo…

Crianças a dormirem com os paisGeralmente aconselha-se que a criança durma sozinha, se possível a partir dos seis meses de vida, de preferência no seu próprio quarto, no sentido de favorecer a sua capacidade de estar só e de promover o desenvolvimento da sua autonomia.

Filhos a dormir no meio dos pais, mães ou pais a dormir na cama com o filho, o pai a dormir no sofá da sala porque o filho dorme com a mãe, a mãe a dormir na cama de um filho e o pai na cama com o outro… tantas possibilidades de cenários e tão reais e até frequentes. Vários são os argumentos utilizados pelos pais para justificarem algumas destas situações. “Se eu não for para a cama dele, ele não dorme”, “se não a deixar aconchegar-se no meio de nós ela passa a noite a acordar e ninguém tem sossego”, “eu deixo-o dormir comigo porque também gosto desse miminho” ou “é uma boa maneira de não ter que dormir com o meu marido”. São todos argumentos possíveis, e eu já os ouvi a todos!

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As minhas crianças estão muito preocupadas com o Covid-19!

De há um tempo a esta parte fui recebendo mensagens de pais que me questionavam sobre se seria normal a preocupação excessiva que algumas das suas crianças manifestavam acerca do Coronavírus. De facto o assunto tornou-se uma preocupação generalizada e os números de infetados, quer a nível nacional como internacional são muito significativos, tendo conduzido a esta situação de pandemia que hoje vivemos.

Algumas crianças mais ansiosas, começaram a preocupar-se com o novo vírus logo que se começou a falar dele. Outras, foram aos poucos dando atenção ao assunto e, principalmente após a adoção de medidas mais extremas como o fecho das escolas e as recomendações de isolamento social, entre outras, foram ficando “contaminadas” de medos e dúvidas, para algumas delas muito perturbadoras. Como tal, deixo aqui algumas dicas de como agir com a sua criança neste momento de inquietação tão novo para todos nós.

Não deixe de falar com a sua criança sobre este tema, começando por questionar a criança acerca do que ela já sabe ou de como pensa sobre o assunto. Ouça a sua criança com atenção e deste modo irá permitir que a criança se exprima, que fale sobre o que receia mas acima de tudo poderá corrigir alguma informação errada à qual a criança tenha tido acesso. Ensine à criança como se transmite o vírus e como se pode proteger, falando sempre com verdade e adequando a sua linguagem à idade da criança e à sua capacidade de entendimento. Use um tom de voz tranquilo pois informação e serenidade são recomendáveis em momentos como este.

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Quem cuida do cuidador?

Cuidadores informais

Ser Cuidador Informal implica uma enorme sobrecarga a nível físico, psíquico, social e financeiro. Todos os benefícios que possam ser atribuídos a estas pessoas irão ajudar na manutenção da sua saúde, do seu bem-estar e da sua qualidade de vida.

São considerados Cuidadores Informais, os cônjuges ou unidos de facto, parentes ou afins até ao quarto grau da linha reta ou da linha colateral da pessoa cuidada, que acompanham e cuidam dela de forma permanente ou regular. Estima-se que em Portugal existam entre 230 mil a 240 mil pessoas cuidadas em situação de dependência. O Estatuto do Cuidador Informal foi aprovado em 2019 por uma lei que tem como objetivo regular os direitos e os deveres do cuidador e da pessoa cuidada, estabelecendo as respetivas medidas de apoio, entre as quais a atribuição de um subsídio de apoio, o descanso a que têm direito e medidas especificas relativamente à sua carreira contributiva ou proteção laboral, no caso do cuidador não principal, isto é, aquele que cuida de forma regular mas não permanente. Continue a ler “Quem cuida do cuidador?”

Solidão na velhice: compreensão, prevenção e intervenção

RnvelhecerO processo de envelhecimento pressupõe inevitavelmente uma degradação progressiva e diferencial do indivíduo. É um processo que ocorre e se manifesta a vários níveis, pois a velhice associa-se a um conjunto de alterações biológicas, psicológicas, funcionais e sociais que variam de indivíduo para indivíduo.

Não sendo a idade um fator determinante, constitui-se como mais uma variável a levar em consideração no processo de envelhecimento. A par com o passar do tempo, destacam-se também as características individuais como a personalidade, a história e os hábitos de vida do sujeito. Uma pessoa mais ativa será tendencialmente mais funcional, até mais tarde na vida, em suma, terá uma melhor qualidade de vida e autonomia. O envelhecimento ativo é visto como um meio que procura otimizar as oportunidades para a saúde e manter a participação e a segurança, no sentido de aumentar a qualidade de vida ao longo do envelhecimento. Continue a ler “Solidão na velhice: compreensão, prevenção e intervenção”

OncoSexologia

OncoSexologiaDecorreu nos passados dias 3 e 4 do corrente, no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil em Lisboa )IPO), o Congresso Nacional de OncoSexologia, cujo foco incidiu sobre o impacto do cancro na sexualidade.

O referido evento contou com a participação de palestrantes e formadores com “cartas dadas” na área da oncologia em Portugal, nomeadamente em urologia, ginecologia, endocrinologia, cirurgia plástica e reconstrutiva, enfermagem, psiquiatria e psicologia, entre outros. Participaram também outros oradores representantes de áreas distintas como a representação ou o jornalismo, com intervenções igualmente relevantes. Este congresso com caráter formativo abordou numa área tão específica como importante para o bem-estar e qualidade de vida dos indivíduos. Aberto à comunidade médica mas também a outros técnicos de saúde, nomeadamente enfermeiros e psicólogos, este foi um momento de formação, informação, sensibilização, reflexão e partilha. O curso abarcou temas como a sexualidade humana no Século XXI – do normal ao disfuncional; o sexo, a sexologia e a comunicação; a sexualidade na perspetiva do envelhecimento e da sobrevivência; inovação e reabilitação em OncoSexologia e ainda os workshops sobre treino de comunicação em OncoSexologia e os problemas sexuais no homem e na mulher com cancro. Continue a ler “OncoSexologia”

Perturbações mentais comuns: o perigo da banalização

Ansiedade

Quando falamos de Perturbações Mentais Comuns referimo-nos a duas categorias principais de diagnóstico: as perturbações de Ansiedade e as perturbações Depressivas. Designá-las como comuns prende-se com o facto de serem as perturbações do foro mental com maior expressividade na população em geral. A sua elevada prevalência apresenta um grande impacto no funcionamento dos indivíduos por elas afetados, sendo que a gravidade e duração dos sintomas é variável, indo de ligeiros a graves e de se manterem por meses ou anos, podendo em muitos casos atingir a cronicidade.

Quer as perturbações depressivas, quer as perturbações de ansiedade representam condições de saúde diagnosticáveis e diferenciam-se dos sentimentos de tristeza, tensão ou medo que qualquer pessoa pode experimentar de forma normativa, algumas vezes ao longo da vida. Destes dois tipos de perturbação, a depressão parece ser por muitos a mais temida e incapacitante ao nível da funcionalidade do indivíduo, estimando-se uma prevalência de mais de 4% ao nível da população mundial e de cerca de 8% na população portuguesa em 2014. No entanto, as perturbações de ansiedade apresentam uma maior prevalência a nível nacional (cerca de 17% em 2014). Voltando às perturbações depressivas, embora estas possam afetar indivíduos de todas as faixas etárias e de vários níveis socioeconómicos, a pobreza, o isolamento, o desemprego, uma situação de doença física, uma separação ou a morte de um ente querido, são exemplos de fatores de risco para a depressão.
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