Em defesa do toque

Faz parte dos comportamentos adequados para a prevenção da contaminação com o vírus da COVID-19, a etiqueta respiratória e o distanciamento social. Este distanciamento implica que fomos obrigados a deixar hábitos em nós enraizados, como é o caso do beijo, do abraço ou do aperto de mão.

Em tempos de pandemia, o modo de cumprimentar mudou de forma radical. O toque deixou de existir. Beijinhos, apertos de mão, palmadinhas nas costas e abraços foram eliminados aos nossos gestos diários e habituais. Em vez disso e a bem de todos, foram inseridos outros gestos como os toques de pé, de cotovelo ou até as vénias. O sorriso, outro gesto quase automático e revelador de agrado por ver o outro, está agora escondido por detrás de máscaras, mais ou menos personalizadas e por vezes até, a combinar com as roupas mas que inevitavelmente escondem o que algumas pessoas têm de melhor para dar aos outros.

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Emoções, temperamento e desenvolvimento na primeira infância

Apesar das crianças, desde o seu nascimento, partilharem padrões comuns de desenvolvimento, revelam temperamentos e comportamentos diferentes, que são o reflexo das influências inatas e ambientais. A partir da infância, o desenvolvimento da personalidade está fortemente entrançado com os relacionamentos sociais e as emoções a estes associadas.

O desenvolvimento psicossocial na primeira infância é feito por etapas. Até aos 3 meses, as crianças estão abertas à estimulação dos outros, começando a revelar curiosidade e interesse pelas pessoas e os primeiros sorrisos aparecem durante as interações. Entre os 3 e os 6 meses, as crianças conseguem de certo modo antecipar algumas reações e comportamentos dos outros e até revelar algum desapontamento se as suas expectativas não são concretizadas. Para demonstrar o seu desapontamento, as crianças choram e agitam-se, revelando assim as suas emoções. Por outro lado, se contentes, riem e palram frequentemente. Entre a criança e principalmente as figuras parentais, há reciprocidade, revelando um certo “despertar social”.

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Suspensão das consultas presenciais

Caros clientes, de acordo com as normas estabelecidas para a prevenção da transmissão do Covid-19, as minhas consultas presenciais estão temporariamente suspensas. No entanto, estou diaponivel via email , Skype ou telefone para qualquer questão relacionada com o acompanhamento psicológico em curso.
Grata pela vossa compreensão, aproveito para recomendar que sigam as indicações de precaução veiculadas através dos meios de comunicação social.
Cumprimentos a todos, certa de que conseguiremos ultrapassar este período com relativa tranquilidade.

www.gracindapsi.com
gracinda.psicologia@gmail.com
T 919057801

Resolução de problemas

Tomada de decisãoÉ comum ouvir-se dizer que todos temos problemas. Uns de nós mais dados a “problematizar” e outros menos, o facto é que os problemas existem e andam por aí para serem resolvidos, caso contrário, permanecem como uma nuvem negra que paira sobre as nossas cabeças, incomodando, incomodando…

Há problemas e problemas, ou seja, há problemas de fácil resolução, na medida em que sabemos exatamente o que fazer para nos livrarmos deles, mas há outros, que por várias ordens de razão, são mais difíceis de solucionar pois implicam a tomada de decisões importantes que têm que ser bem ponderadas. Vários são os fatores que contribuem para a dificuldade que possamos ter em resolver um determinado problema. Ou porque o assunto implica gastos inesperados, ou porque nos obriga a alterar as nossas rotinas e vem revolucionar o nosso quotidiano, ou porque pode causar algum tipo de conflito ou mal-entendido com alguém ou porque nos encontramos num período particularmente difícil, em termos emocionais, o que nos condiciona e dificulta a tomada de decisão. Certo é que resolver um problema nem sempre está ao nosso alcance mas também é certo, que muitas vezes está, só não sabemos como. Continue a ler “Resolução de problemas”

Crianças e violência: riscos e consequências

Crianças e a violênciaA violência infantil apresenta-se como um factor de risco para o desenvolvimento de problemas emocionais e de comportamento, podendo ter como consequência o desajuste escolar, familiar e/ou social.

A violência é um problema social e pode estar presente na vida das nossas crianças de formas distintas. Os abusos físicos como bater, empurrar ou abanar as crianças são uma prática ainda muito comum em muitas famílias. Do mesmo modo, o abuso verbal como gritar, ameaçar, ridicularizar, humilhar ou intimidar é muitas vezes a forma de tentar corrigir comportamentos desadequados da criança ou de os punir. O abuso sexual, definido como qualquer contacto ou interação com a criança para estímulo ou gratificação sexual do adulto, é outra realidade mais frequente do que se poderia pensar. De um modo diferente, a negligência é outra forma de violência contra a criança. Não atender às suas necessidades básicas (alimentação, abrigo, assistência médica) ou necessidades emocionais (segurança, confiança, carinho) é uma forma de violência contra as crianças, que pode ser tão grave como qualquer outra. Torna-se dramático o facto de que muitas vezes os agressores das crianças são os seus próprios pais ou cuidadores, precisamente aqueles em quem a criança deveria poder confiar e ter como porto de abrigo. Continue a ler “Crianças e violência: riscos e consequências”