Praticar a empatia com as crianças

A empatia é a base do desenvolvimento socioemocional. Carl Rogers, psicólogo e fundador da psicologia centrada no indivíduo descreve a empatia como a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender a sua perspetiva, de sentir como se fosse ele próprio e de retomar ao seu lugar e oferecer a ajuda necessária. Esta é uma competência fundamental na relação entre pais e filhos.

Os vários acontecimentos na vida de uma criança, podem trazer em alguns momentos instabilidade e dificuldades de adaptação. É essencial que os pais consigam ser empáticos com a criança, que por exemplo, acabou de ver nascer um irmão mais novo e que vê alterada a sua realidade familiar. É natural que a criança apresente mudanças no seu comportamento, que deverão ser entendidas como normativas. Ficar mais agitada, tanto em contexto escolar como em casa, pode ser uma reação à “novidade”. As alterações do sono ou do apetite podem também ocorrer, bem como algum retrocesso nas competências já adquiridas, no sentido da infantilização. Os comportamentos desafiantes e a dificuldade em cumprir regras podem ser manifestações de adaptação da criança à sua situação de irmã mais velha.

Perante a alteração comportamental da criança, é comum os pais, enfrentando o exigente desafio que um novo bebé lhes trás, ignorarem alguns desses comportamentos, identificando-os como “chamadas de atenção”. No entanto, será necessário fazer uso da empatia para o exercício de uma parentalidade mais positiva e encorajadora. Os pais devem legitimar os sentimentos da criança, permitir e favorecer a expressão dos mesmos, ainda que possam não estar de acordo com o comportamento apresentado. Devem mostrar à criança que compreendem o porquê do seu comportamento, que entendem as emoções que o motivam (ex. zanga, ciúme, insegurança) e com tranquilidade criar uma conexão e sintonia com ela. É muito importante permitir que a criança expresse o que está a pensar e a sentir para que esta se sinta compreendida e apoiada. Ser empático, neste caso, é também oferecer à criança a possibilidade de decidir a forma como poderá resolver o problema. “O que posso fazer para que te sintas melhor?” ou “como achas que podemos resolver essa questão?” são exemplos de perguntas que os pais podem utilizar para ajudar a criança a lidar com aquilo que a incomoda. Porém, não é assim que habitualmente acontece…

Por vezes, os pais tendem a achar que a criança, sendo inteligente, tem capacidade para compreender e lidar com a situação sem ter a necessidade de manifestar as alterações comportamentais ditas “desajustadas”. Ralham, punem e por vezes humilham, sem que se apercebam de que não estão a ser empáticos, tentando eliminar o sintoma (comportamento) sem levar em consideração a causa (sentimento). Torna-se necessária alguma reflexão e proceder a uma mudança de dentro para fora, isto é, aceitar aquele comportamento com amor e cuidado para que a criança sinta o amor incondicional dos pais, a sua compreensão e a sua presença na sua vida. É importante que os pais se consigam por no lugar da criança, compreendam o momento e acolham as suas necessidades, demonstrando empatia 🙂

A empatia é uma “arma” poderosíssima nas relações interpessoais.

Pratique-a com amor!

Sugestão: Lima, L. D. (2018). TEORIA HUMANISTA: CARL ROGERS E A EDUCAÇÃO. Caderno De Graduação – Ciências Humanas E Sociais – UNIT – ALAGOAS4(3), 161. 

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