Perturbação de Personalidade Paranoide (1)

PersonalidadeA Personalidade Paranoide caracteriza-se por uma forte tendência do indivíduo para interpretar as intenções e ações dos outros como ameaçadoras, sendo difícil adotar outras explicações alternativas para os seus comportamentos. Assim, a suspeição e a insegurança generalizada em relação aos outros, são as características centrais que interferem no modo de pensar, sentir, e consequentemente de agir, dos sujeitos com Perturbação de Personalidade Paranoide.

O indivíduo com este tipo de perturbação apresenta 4 ou mais dos seguintes sinais: suspeitas infundadas de que outros o exploram, prejudicam ou enganam; atormenta-se com dúvidas injustificadas sobre a lealdade ou a confiança dos amigos ou colegas; dificilmente faz confidências por recear injustificadamente que as informações possam ser usadas contra si próprio; interpreta os comentários ou acontecimentos inofensivos dos outros como atitudes dissimuladas ou com significados ameaçadores á sua pessoa; mantém uma má vontade persistente, não perdoando insultos ou desfeitas; percebe ataques ao seu carácter ou reputação que não são aparentes aos outros, sendo rápido a reagir com raiva ou a vingar-se e desconfia injustificadamente e recorrentemente sobre a fidelidade do conjugue/companheiro.

Perturbação de personalidadeO indivíduo com Personalidade Paranoide sente-se constantemente vigilante. Dificilmente confia nos outros e questiona os motivos que levam os outros a aproximarem-se de si, podendo acreditar que as pessoas são maldosas e traiçoeiras, prontas para atacar se tiverem oportunidade, tendo a necessidade de estar sempre “alerta”. Espantam-se com demonstrações de lealdade por parte dos familiares, amigos e conhecidos. Estes indivíduos tendem a preocupar-se com dúvidas injustificadas quanto à lealdade e confiança nas outras pessoas, cujas ações são cuidadosamente averiguadas para desvendar intenções de hostilidade mesmo tratando-se de pessoas mais chegadas. À primeira vista esta desconfiança sentida pode confundir-se com a tendência ao isolamento. Ao sentir-se desconfortável com a proximidade, por recear que o envolvimento e abertura emocional das relações íntimas aumentem a sua vulnerabilidade, geralmente tende a ser reservado e defensivo ao interagir com os outros.

PsicopatologiaO indivíduo com este tipo de personalidade tenderá a estar constantemente disposto de forma defensiva ao contra-ataque, sendo dificilmente capaz de reconhecer alguma hostilidade ou agressividade no seu próprio comportamento. Perante pequenos deslizes e provavelmente reage muito intensamente ao sentir-se maltratado, atacado ou enganado. Se está constantemente vigilante para potenciais sinais de perigo, nomeadamente aqueles que se relacionam com as outras pessoas, age cautelosa e intencionalmente, evitando descuidos e riscos desnecessários. Para ele, mostrar qualquer fraqueza é como pedir para ser atacado. Sente a necessidade de esconder cuidadosamente as suas inseguranças, dificuldades e problemas por meio de enganos, negação, desculpas ou atribuindo a responsabilidade aos outros. Assim, tem dificuldade em falar da sua vida, raramente revela os seus problemas e nunca exprime os seus desejos mais íntimos. Privilegia o mundo cognitivo e intelectual em prejuízo do mundo das emoções. É um verdadeiro desafio reconhecer a presença de emoções e permitir a exploração das mesmas. Manifesta assim uma certa resistência em confidenciar ou se aproximar dos outros, porque teme que a informação partilhada possa ser usada em seu prejuízo. Deste modo, o estabelecimento de relações próximas ou de maior intimidade é algo particularmente difícil.

ParanoideMuito atento, terá a sensação de que a observação do exterior e a experiência subjetiva com as outras pessoas confirma solidamente as ideias em que acredita. Parece que mesmo quando as interações sociais são boas e acessíveis, quando as pessoas agem de forma bondosa e gentil, isso não é mais do que uma tentativa para o levar a confiar nelas, para depois ser atacado e explorado. Rejeitará as interpretações das ações dos outros que habitualmente seriam óbvias à maioria das pessoas, ao mesmo tempo que procurará o que é para si o verdadeiro significado subjacente a essas ações. Para si a verdade tem de ser reposta e a justiça tem de ser feita. Por um lado, é possível que se confundam as manifestações de traços evitantes e traços paranoides na personalidade. Certamente, em qualquer um dos casos, a pessoa tem medo de ser magoada e desconfia como consequência disso. Ainda assim, o medo é uma emoção reconhecida e consciente no primeiro caso e inconsciente no segundo. Face a uma ameaça, alguém tendencialmente mais evitante foge, enquanto alguém mais próximo de um quadro paranoide defende-se atacando.

ParanoideEm última análise, a pessoa com traços paranoides tendencialmente desconfia, suspeita, é sensível à crítica, argumenta e pode ser teimosa. Necessita de ser autossuficiente e independente, assim como exercer controlo sobre o ambiente. Retrata-se como alguém sensível, ciumento, que se ofende e se irrita com facilidade. Talvez se sinta ainda como “vítima da injustiça”, crente de que a sua perceção pessoal tem significado especial, levando sempre a sério tudo o que acontece e que é dito ou feito. A personalidade com traços paranoides encontra-se em cerca de 0,5 a 2,5 % da população em geral, sendo mais frequente nos homens do que nas mulheres. Há alguma evidência para um aumento da sua prevalência em familiares de pessoas com esquizofrenia crónica ou perturbação delirante.

 

 

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.

Psicologia do Ambiente: nascimento, propósito e interação social

Comportamento humano e ambienteA Psicologia do Ambiente prende-se com o facto de as questões ambientais serem na verdade questões humano-ambientais e deste modo refletirem não as crises do ambiente mas sim as crises das pessoas inseridas nos ambientes (Corraliza, 1997).

O nascimento da Psicologia do Ambiente teve lugar num período pós-guerra, quando terminada a II Grande Guerra Mundial foi necessário dar-se início ao processo de reconstrução das cidades. Arquitetos e cientistas da área do comportamento humano, uniram-se num processo de consciencialização de que a reconstrução deveria contemplar não apenas princípios de construção estética e funcional mas também deveriam levar em consideração as necessidades psicológicas e comportamentais das populações. Deste modo, a Psicologia do Ambiente foi inicialmente denominada de Psicologia da Arquitetura e só no início da década de 60 do século passado, terá sido considerada como um ramo da Psicologia. Continuar a ler

Bullying ou intimidação: o que fazer?

Bullying e intimidação

“Ultimamente a Mariana diz que não quer ir à escola e anda muito calada e triste. Tem oito anos, tem um peso bastante acima da média e é muito tímida. Questionada acerca da razão pela qual não quer ir a escola a Mariana diz que as crianças na escola a estão a atormentar, a ridicularizar e a gozar – A Mariana está a ser vítima de bullying!”

Há certas crianças que se sentem mais importantes, melhores e mais fortes do que as outras. Isso confere-lhes uma segurança que utilizam para intimidar ou maltratar outras crianças que veem como piores, mais fracas, logo mais indefesas. A intimidação permite a algumas crianças dominar e maltratar outras, e assim conseguirem o que querem e quando querem. E o que podemos nós, os adultos, fazer perante uma situação como esta? Pois bem, em primeiro lugar devemos conseguir entender o que é a intimidação, ou seja, que o bullying consiste no uso frequente e regular de agressão física ou verbal, neste caso de uma criança, para dominar ou para se vingar de outra. Esta intimidação ocorre quando não há supervisão por parte de adultos, quer seja em casa, quer seja na escola e sempre que há diferenças de poder, isto é, uma criança mais velha, fisicamente mais forte ou mais popular, quer dominar, maltratar ou humilhar outra criança mais nova, mais fraca ou socialmente mais isolada. Continuar a ler

A escola e o desejo de saber

A escola e o saberO desejo de saber e a capacidade para aprender são inatos no ser humano. Os bebés começam desde os primeiros dias de vida, a utilizar as suas capacidades motoras, percetuais e sensoriais, para exercerem influência sobre os outros e sobre tudo o que os rodeia. É assim que identificam e compreendem os contextos onde se inserem, desenvolvendo as suas competências físicas, cognitivas e sociais.

Por volta dos 4 anos, as crianças entram na “idade dos porquês,” que não é mais do que a exploração da sua curiosidade, do seu desejo de saber. Ao entrar para a escola, todo um novo mundo se abre às crianças. Mas será que a escola dos dias de hoje, mata, aproveita ou incentiva o desejo de saber das crianças dos nossos dias? Supostamente a escola é uma fonte privilegiada de informação, onde as crianças têm acesso ao conhecimento e onde se dá um importante processo de aprendizagem. Os professores são os grandes atores deste teatro de aprendizagens, mas também os pares e todas as experiências que decorrem em contexto escolar, são efetivamente aprendizagens. No entanto, sem vontade não se aprende, não há conhecimento. A motivação da criança é o elemento chave para que ela apreenda a informação, a assimile e a transforme em conhecimento. E se por um lado o professor é o veículo mais evidente de fornecimento de informação, por outro lado pode não ser suficiente. O aluno não está dependente da informação que o professor possui, há muitas outras formas de obtenção de informação. Continuar a ler