Videojogos: uso, abuso ou adição?

VideojogosNos tempos modernos, o desenvolvimento das tecnologias deu origem aos videojogos e à possibilidade de interação através dos meios digitais online. Essa interação, assim como os comportamentos associados, podem trazer tanto benefícios como ser bastante prejudiciais, consoante se trate de uso, abuso ou adição.

Apelativos pelo seu aspeto gráfico, pelas cores, pela música, pela recompensa imediata do somar dos pontos, do passar de níveis, enfim, seja pelo que for, os videojogos são efetivamente uma realidade cada vez mais cedo presente nas vidas das nossas crianças e jovens. Alguns pais, por sua vez, sentem grandes dificuldades para entenderem esta realidade e para lidarem com os comportamentos dos seus filhos mas também com as consequências que deles advêm. Perguntas como “quanto tempo pode o meu filho jogar por dia sem que seja prejudicial”? Ou “que tipo de jogo é adequado ou desadequado para a idade do meu filho”? são frequentes, numa tentativa de conciliar vontades, evitar conflitos ou lidar com dificuldades que podem advir desta realidade.

EletrónicoOs videojogos não são eleitos apenas pelos mais novos, ou seja, as tecnologias que já não são assim tão novas como isso, acompanham já algumas gerações levando a que hoje em dia hajam já pais com comportamentos idênticos aos dos seus filhos, ou seja, pais que servem como modelos aos seus filhos no que diz respeito à utilização dos dispositivos eletrónicos, nomeadamente dos videojogos. Assim, qualquer conselho ou dica que possam retirar deste texto, poderá ajudar os pais a orientar as suas crianças mas também podem servir como linhas orientadoras para si mesmos.

VideojogosAntes de mais convém referir que os videojogos não são apenas perigosos e nocivos. Pelo contrário, podem até ser bastante educativos, estimulantes e podem ajudar a desenvolver algumas competências. Por exemplo, em termos de benefícios cognitivos, jogar poderá melhorar a capacidade de concentração da criança. A capacidade de detetar objetos num campo cheio de distratores de cor e movimento, pode ajudar à atenção ou até a controlar a impulsividade. O funcionamento executivo poderá também ser melhorado, por exemplo através do desenvolvimento da capacidade de realizar mais do que uma tarefa ao mesmo tempo. A competência de resolver problemas e a flexibilidade intelectual podem ser dimensões do funcionamento mental a serem favorecidas pela realização de jogos digitais, já para não falar da prevenção ou atraso do aparecimento de quadros demenciais.

ConsolasNa dimensão social, os videojogos podem também trazer benefícios aos seus utilizadores. Estes podem desenvolver competências como a cooperação que tende a generalizar-se para as suas relações na vida real. No campo das emoções, os videojogos são “peritos” na sua estimulação, podendo aumentar o humor, estimular sentimentos positivos mas também permitir o treino da autorregulação de sentimentos mais desadaptativos.

VideojogosMas atenção, os benefícios podem facilmente ser “abafados” pelos prejuízos de uma utilização desadequada. Sintomas como a perda de interesse por outras atividades próprias da etapa do desenvolvimento em que a criança/adolescente se encontra, perda de interações pessoais, de relações afetivas, isolamento, desinteresse pela escola e pelo estudo  (ou pelo trabalho no caso dos adultos) pela dedicação quase exclusiva aos videojogos, dificuldade em controlar o humor sem ser através da prática do jogo, sintomas de abstinência perante a impossibilidade de jogar ou o uso contínuo e excessivo destas atividades mesmo  tendo conhecimento dos riscos, são sinais de alerta aos quais os pais deverão estar atentos, quer nos seus filhos, quer em si mesmos, se for o caso. Estes sintomas não podem ser vistos de modo isolado e deverão sempre ser confirmados por um profissional de saúde, nomeadamente da área da psicologia ou da psiquiatria.

VideojogosHá dois fatores primordiais a ter em conta para o controlo e prevenção de uma perturbação de adição aos videojogos. Um dos fatores é o tempo. O tempo que cada indivíduo passa a jogar depende do modo como a sua vida diária está estruturada e poderá ser variável de pessoa para pessoa. No entanto, no caso das crianças/adolescentes, o tempo deverá sempre ser controlado de acordo com as novas normas da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o tempo de écran. O equilíbrio entre o tempo despendido com atividades de jogos digitais e as outras atividades de vida saudável de uma criança pode ser o segredo. Colocar limites temporais para a utilização dos écrans e saber fazer cumprir as regras estabelecidas, de forma harmoniosa, pode fazer toda a diferença. A par do tempo de utilização estão os conteúdos, isto é, definir quais os jogos adequados para cada faixa etária e respeitar as normas de utilização deverá também ser uma preocupação para os pais e cuidadores.

Gamming

Por outro lado, perceber a vulnerabilidade da criança ou do sujeito para a adição, pode também ajudar a preveni-la. A ciência diz-nos que não são os videojogos que viciam as pessoas, mas sim as pessoas é que se viciam nos videojogos, e, que os mecanismos neurobiológicos são semelhantes em qualquer tipo de adição, mesmo que seja química. Á semelhança de outras adições, a causa parece não ser a atividade em si mesma mas sim a sua prática excessiva e prejudicial que acontece, frequentemente associada às necessidades psicológicas do sujeito, criança ou adulto, como sentimentos de falta de competência, de pouca autonomia ou da manutenção de relações sociais insatisfatórias que podem ter como consequência uma enorme tristeza e insatisfação com a vida, perante a qual os videojogos possam ser utilizados como mecanismo de fuga.

AdiçõesAssim, o uso das tecnologias e dos videojogos é uma inevitabilidade hoje em dia, sobretudo para as gerações mais jovens. A questão que se coloca é se conseguimos todos nós evitar que o uso se torne abuso, disfuncional e prejudicial em qualquer idade ou condição, e, pior ainda evitar que a utilização abusiva possa conduzir à adição, situação em que a dificuldade de se lidar com o problema aumenta significativamente. Identifique os riscos, aja o mais cedo possível e se não conseguir obter resultados satisfatórios, procure ajuda junto à sua psicóloga!

 

Pensar o Natal

NatalEntrámos uma vez mais na quadra natalícia! De uma forma ou de outra, cada um de nós vive o Natal à sua maneira. Mas que maneiras são essas de vivermos o Natal? As crenças cristãs, a festa da família ou o momento das compras e dos presentes, são modos de se vivenciar esta quadra, de forma mais ou menos adaptativa, mais ou menos feliz e que merece alguma reflexão.

Entre o final de Outubro e o início do mês de Novembro, começam a ver-se as lojas enfeitadas, as ruas iluminadas, as grandes superfícies movimentadas e as pessoas, mais ou menos entusiasmadas com a aproximação do Natal! Mas que significado atribuem ao Natal todas essas pessoas? Pois bem, parecem haver três formas distintas ou complementares de se vivenciar a quadra natalícia: o Natal cristão, o Natal do convívio e da confraternização e o Natal do consumismo. Á semelhanças de outras situações, a vivência do Natal deveria ser pautada pelo equilíbrio entre cada uma destas formas de se lhe atribuir importância. A palavra Natal deriva do latim natalis, que vem de nascor, que significa nascimento e que tem como referência o nascimento de Jesus que se celebra todos os anos no dia 25 de Dezembro. Esta data tem o valor simbólico da esperança e da possibilidade de mudança para melhor, que poderá advir do novo ano que se avizinha.

NatalSe retirarmos ao Natal a simbologia cristã, este poderá ser vivido como a festa da família, não tão virada para a celebração do nascimento mas para o convívio e para a confraternização, daqueles que durante o resto do ano poderão ter poucas possibilidades de se reunirem. É certo que Natal é nascimento mas porque não celebrar o renascimento das emoções que o reencontro evoca? Esta é sempre uma época aguardada pela maioria das pessoas para se juntar á volta da mesa, da árvore de Natal, do presépio… e de partilhar. Partilhar memórias, relembrar a infância, recordar os que já partiram, partilhar experiências que foram sendo vividas ao longo do ano e também partilhar presentes. As celebrações natalícias podem em alguns casos perder o caráter religioso e adquirir um caráter social e de afetos. Não será menos importante. Por vezes, é nesta celebração e reencontro que se tem a possibilidade de apaziguar ou resolver qualquer questão ou dificuldade que tenha surgido durante o ano. Podem-se reestabelecer laços quebrados, resolver conflitos familiares, introduzir novos elementos no seio familiar e fazer desta época festiva um momento de conciliação e amor.

Época natalíciaDepois temos as compras, os presentes, o consumismo e lá vem o Pai-Natal. Este tema poderá ser sensível se cairmos no extremo do comprar porque sim, por obrigação, por dever ou para ostentar. Mas também pode ser visto como um momento de oferecer como forma de expressar afeto, de agradar a quem se ama, de partilhar com quem tem menos ou de dar algo de nós, como quando fazemos nós mesmos o presente. A própria sociedade, nomeadamente a organização laboral prevê o subsídio de Natal e a tolerância de ponto, para que este possa ser um momento de maior abundância e de disponibilidade para o outro. Para além disso há as promoções, tão características desta quadra, que apelam ao consumo e que muitas famílias aproveitam, não apenas para comprar presentes para oferecer mas também para melhorarem a sua qualidade de vida.

NatalQualquer que seja a sua forma de viver o Natal, cristã, de confraternização ou de consumo, ou se se revê numa forma mista, talvez a mais comum, em que o simbolismo cristão se alia à união, convívio e troca de presentes, desejo-lhe um feliz Natal e um Novo Ano cheio de esperança, prosperidade e amor.

A pirâmide das necessidades

NecessidadesSe comer, dormir e respirar são três das necessidades básicas do Homem, estas referem-se apenas a necessidades fisiológicas. No entanto, há outras necessidades nas quais nem sempre pensamos como sendo básicas e essenciais ao funcionamento do ser humano, mas que são importantes e sem as quais não poderá haver equilíbrio, harmonia e plena satisfação com a vida.

Na década de 50 do século passado, o psicólogo norte-americano Abraham H. Maslow teorizou acerca desta temática e criou a Pirâmide de Maslow ou a Hierarquia das Necessidades, tendo como objetivo determinar o conjunto de condições necessárias ao Homem, para que este possa alcançar a satisfação com a vida, quer a nível pessoal como profissional ou social. O autor considera a organização das necessidades de forma hierárquica, ao defender que estas se agrupam conforme o grau de importância e urgência na sua satisfação.

Hierarquia das necessidadesAssim, para Maslow é a perspetiva de satisfação dessas necessidades que se constitui como a motivação no sujeito. A apresentação em pirâmide serve o propósito de hierarquizar as necessidades, ou seja, coloca as mais básicas e indispensáveis à sobrevivência na sua base e à medida que se vai aproximando do topo, são colocadas as necessidades de maior complexidade e elaboração.

Necessidades de MaslowLogo depois das necessidades fisiológicas, que visam a sobrevivência, entrte elas respirar, comer, beber, dormir, sexo e abrigo, o segundo nível refere-se às necessidades de segurança. A segurança física e de saúde, familiar, no trabalho, de propriedade/recursos são fundamentais para que o indivíduo sinta proteção e garantia de ter soluções para lidar com situações que possam ocorrer. O nível seguinte refere-se às necessidades sociais, isto é, as relações de amizade, amor, familiares ou de convívio com colegas que se manifestem por sentimentos de aceitação perante os outros e sentido de pertença a um ou vários grupos.

Pirâmide das necessidades Antes de chegar ao topo da pirâmide encontram-se as necessidades relacionadas com a estima. Estas englobam a autoestima, autoconceito, autoconfiança, respeitabilidade, reconhecimento e conquista. Por fim, o topo da hierarquia integra as necessidades de autorrealização. Estas são primordiais para que a pessoa alcance a verdadeira realização pessoal e profissional. Entre elas estão a moralidade, os valores, a liberdade, a independência, a autonomia, a criatividade, a autenticidade, o controlo das emoções e o autoconhecimento. Para a satisfação destas necessidades o indivíduo terá que ter a capacidade de refletir e ter um bom conhecimento de si próprio, no sentido de obter a plenitude.

Necessidades básicasSegundo o autor, a regra de que um nível deve ter sido atendido antes de o indivíduo avançar para o próximo deveria ser respeitada, porém, hoje em dia a pirâmide é vista como uma estrutura mais flexível, sendo possível que um determinado fator de um dos níveis não seja tão relevante para a motivação de um determinado indivíduo. Por outro lado, é também provável que uma pessoa possa procurar ativamente realizar as suas necessidades, privilegiando um determinado nível em detrimento de outro.

MaslowPosteriormente Maslow identifica outras três necessidades: a necessidade de aprendizagem, a necessidade de satisfação estética e a necessidade de espiritualidade. Para melhor compreender o mundo que o rodeia e a ele se adaptar, o sujeito tem a necessidade de adquirir conhecimento e de aprender ao longo da vida. A beleza, a simetria e a arte buscam a perfeição e orientam para a necessidade relacionada com a estética. A conexão com os elementos da natureza, da espiritualidade e da fé compõem as necessidades de transcendência, fundamentais para que alguns indivíduos vivam a sua integridade enquanto seres humanos.

Necessidades básicasA Pirâmide de Maslow é uma ferramenta com grande potencial pois pode ajudar no processo de autoconhecimento, principalmente na identificação e compreensão dos fatores que despertam a motivação em cada um, de nós. Para nos mantermos motivados e focados nos nossos objetivos temos que saber o que nos impulsiona na sua direção. Assim, recorrendo à Hierarquia de Necessidades podemos identificar em que nível se encontram as nossas metas, entendendo melhor o que procuramos e encontrando mais caminhos para as atingir. Em contexto de trabalho, por exemplo, a Pirâmide de Maslow pode ajudar as empresas a garantir que as suas equipas se mantêm motivadas. Pessoas com as suas necessidades básicas atendidas geram um ambiente mais saudável, criativo e produtivo. A manutenção da motivação é capaz de reduzir custos, potenciar resultados, diminuir a rotatividade e melhorar a otimização dos recursos humanos.

 

Fonte:

http://highgatecounselling.org.uk/members/certificate/CT2%20Paper%201.pdf

 

 

Tricotar, relaxar e não só!

Tricot e psicologia

Tricotar ou a arte de entrelaçar os fios é uma atividade antiga mas que mantém muitos adeptos ainda nos dias de hoje. Útil para fazer roupas e acessórios, por vezes utilizado como passatempo, o tricot pode ter um importante efeito terapêutico, relaxante e não só.

O tricot é uma arte inicialmente desenvolvida por mulheres mas nos dias de hoje, parece ocupar já um espaço considerável na vida de muitos homens. A par da utilidade dos trabalhos tricotados que vão desde cachecóis, gorros, meias, camisolas, casacos ou mantas, entre outros, o tricot tem um efeito muito positivo naqueles que o escolhem como passatempo. Os seus efeitos terapêuticos, bem como de outras técnicas de fazer malha, são diversos e muito eficazes. Por um lado tricotar relaxa, potencia a meditação e descontrai, podendo ajudar a aliviar a tensão acumulada ao longo do dia. Por outro lado, tricotar ajuda a desenvolver as habilidades motoras e promove a capacidade de concentração e de atenção. A criatividade é outra competência que pode ser desenvolvida através do tricot. Planear, desenhar a peça, executar e alterar, são formas importantes de colocar a criatividade em movimento e a cabeça a pensar. O tempo do tricot pode ser um tempo de introspeção, de análise pessoal e de reflexão, potenciando a tomada de decisões ou a resolução de problemas.

Psicologia e tricotTricotar pode ser um acto isolado mas também pode promover a aprendizagem e a socialização, se a prática for executada em grupo. A troca de ideias, de opiniões, de ajuda de peritos nas técnicas mais elaboradas, promovem o convívio e a partilha. Fazer, desmanchar e voltar a fazer, corrigir erros, experimentar novos pontos ou técnicas, são estimulantes do ponto de vista cognitivo e psicomotor. Tecer malhas em grupo permite que se teçam histórias, lembranças, memórias, viagens ao passado, exploração do presente e projeções futuras.

Psicologia e tricotSendo esta uma atividade prazerosa, o cérebro produz substâncias como as endorfinas que são responsáveis pela sensação de bem-estar e redução do stresse. Assim, o tricot pode ser visto como calmante e como forma de controlar a ansiedade. Pessoas com problemas de onicofagia, frequentemente associada a quadros ansiosos, podem beneficiar desta prática uma vez que estando as mãos ocupadas a tecer malhas, inibem os comportamentos de roer as unhas.  À semelhança de outras atividades manuais, o tricot pode contribuir de forma positiva para o bem-estar psicológico. De salientar o sentimento de autoeficácia de quem termina um trabalho, o orgulho de se ter feito “aquela camisola para o filho” ou por terem saído das próprias mãos alguns dos presentes de Natal, é certamente muito gratificante.

Psicologia e tricotTricotar não é apenas um passatempo mas sim o estabelecimento de metas e objetivos. O que se escolhe fazer, o prazo definido, o valor atribuído, os esforços necessários para a conclusão do projeto, podem ser formas de estruturação comportamental, tão importantes por exemplo, nos casos de depressão. Também a estimulação cognitiva que tricotar permite poderá ser benéfica no atraso das demências. Parece também que o facto de nos concentrarmos numa atividade que se baseia na repetição, acalma e pode ajudar a induzir o sono. Perante tantas vantagens e benefícios para as nossas vidas, porque não experimentar? Deixe-se levar pelo conforto da lã macia, escolha uma cor do seu agrado e mãos à obra! A Internet está cheia de tutoriais que ensinam desde os pontos mais básicos aos mais elaborados. Dizer que não sabe fazer não é desculpa. Em alternativa, há sempre uma avó ou uma tia que podem ensinar ou inscreva-se num workshop que muitas vezes decorrem nas lojas de lãs e divirta-se!

Psicologia e tricot