Perturbações alimentares na infância

Alimentação das criançasNa primeira infância, as perturbações alimentares são situações clínicas relativamente comuns. No entanto, este tipo de problemas provoca aos pais e cuidadores uma grande preocupação, ao mesmo tempo que dificultam a sua relação com a criança.

As perturbações alimentares da primeira infância podem ser identificadas num contínuo, que vai desde as ligeiras flutuações do apetite devidas a causas menos relevantes, como por exemplo a reação à entrada para a cresce ou o nascimento de um irmão, até situações graves de recusa alimentar que podem colocar em risco a própria vida da criança. A estas perturbações alimentares pode estar associado o aparecimento de outros comportamentos fora do comum. Segundo do Manual de Diagnóstico das Perturbações Mentais (DSM-5), as perturbações alimentares definem-se como situações em que se observa uma alteração na ingestão de alimentos, quer em termos quantitativos, quer em termos qualitativos. São exemplos a ruminação ou mericismo (regurgitação repetida de alimentos), a pica (ingestão persistente de substâncias não alimentares), e a perturbação alimentar da primeira infância, que corresponde a uma falha persistente de ingestão adequada de alimentos, com acentuada falta de aumento ou mesmo perda de peso, sem causa orgânica conhecida e com a duração de mais de um mês. Continuar a ler

Psicólogos clínicos no SNS: Precisam-se!

Psicologia no SNSNos cuidados de saúde primários, a intervenção em psicologia clínica consiste na prestação de serviços psicológicos aos indivíduos, ás famílias e à comunidade, fazendo a integração da promoção da saúde e da prevenção da doença, assim como o apoio assistencial.

A intervenção do psicólogo clínico em contexto de cuidados de saúde primários implica a adoção de um paradigma holista no entendimento da pessoa bem como dos processos de saúde e/ou doença. Pressupõe também a integração numa equipa multidisciplinar, no sentido de poder fazer um trabalho responsável, integrativo e colaborativo, entre o utente, a família e a comunidade, e os restantes profissionais dos cuidados de saúde primários, em articulação com os cuidados de saúde especializados, se necessário. Compreender o indivíduo e o seu contexto, requer a aplicação de um modelo multidimensional, centrado no indivíduo e nas suas particularidades que vise essencialmente a promoção da sua autonomia e do seu bem-estar, não só psicológico mas consequentemente físico e relacional.

Psicologia da SaúdeHumanizar os serviços de saúde é urgente. Os avanços da tecnologia e da ciência podem por vezes levar a um “esquecimento” da pessoa humana. Há que mudar atitudes, típica e tradicionalmente adotadas por alguns profissionais e que se relacionam com um modelo de natureza biomédica – o médico ou outro profissional de saúde como figura de autoridade absoluta. A  American Psychological Association (APA) defende a substituição da hierarquia pelo equilíbrio, onde o profissional de saúde assume maior evidencia na sua relação com o utente quando apresenta maior contingência nas situações que ocorrem, face às reais necessidades do indivíduo. Só deste modo se torna possível um trabalho colaborativo e cooperante, em que o profissional em posse de conhecimento, de técnicas e de estratégias de intervenção, poderá conseguir uma verdadeira parceria na sua relação com o utente mas também com a restante equipa.

Psicologia  e saúdeSendo os cuidados de saúde primários, por definição, aqueles que estão mais próximos e mais acessíveis aos indivíduos, o psicólogo clínico e da saúde, ao desempenhar as suas funções neste contexto, constitui-se como a primeira linha de intervenção. Assim, deverá adotar um modelo bioecológico que lhe permita compreender os comportamentos relacionados com a saúde, em função de um determinado contexto familiar, social e cultural. As áreas de intervenção psicológica prioritárias em contexto de cuidados de saúde primários, são essencialmente promover a saúde, prevenir a doença/incapacidade, detetar precocemente a doença e trata-la. Deste modo, tanto o psicólogo como os restantes elementos da equipa de saúde deverão levar em consideração não só o doente mas a sua família e os contextos em que este se movimenta. As competências do psicólogo da saúde nestes contextos clínicos incluem o conhecer e compreender as variáveis envolvidas na vida do doente mas também a tomada de consciência face às suas próprias limitações, aquando do planeamento das intervenções. Tudo isto se prende com a avaliação, não só do doente/caso mas também dos seus próprios recursos e habilidades.

Psicologia da saúdeO psicólogo clínico e da saúde nos cuidados de saúde primários, tem como principais funções a avaliação psicológica, o planeamento, desenvolvimento, implementação e monitorização de programas de promoção da saúde, de prevenção e de tratamento da doença, assim como o desenvolvimento de investigação e a participação em atividades formativas e psicoeducativas. As suas funções envolvem  ainda o apoio ao doente na aceitação do diagnóstico, na adesão a realização de exames auxiliares de diagnóstico ou práticas e tratamentos mais invasivos e na adesão à medicação, bem como ao fornecimento de recomendações referentes a práticas de autocuidado e de reabilitação. A facilitação de estratégias para lidar com o stresse decorrente de toda a envolvência da situação de doença, quer ao próprio, quer aos familiares e cuidadores, é outra das funções do psicólogo clínico e da saúde, assim como o auxílio na comunicação com outros elementos da equipa de saúde. O psicólogo poderá ter também um papel importante na racionalização dos comportamentos de procura e de utilização dos cuidados de saúde, e como já foi referido, na promoção da qualidade e da humanização dos serviços. É ainda de salientar a importância do psicólogo no apoio aos profissionais de saúde de outras áreas (enfermeiros, médicos, administrativos) para os ajudar a lidarem com as possíveis situações de stresse decorrentes do exercício da profissão.

Serviços de saúdeA investigação mais recente aponta para os enormes benefícios para o bem-estar da comunidade, da integração de psicólogos clínicos nas equipas de cuidados de saúde primários. Considerando o impacto do aumento da prevalência dos problemas de saúde mental, principalmente as perturbações de ansiedade e as perturbações depressivas, e o crescente aumento da prescrição de ansiolíticos e antidepressivos, torna-se fundamental determinar e concretizar o nível de penetração da psicologia da saúde, nos centros  de cuidados de saúde primários, de clarificar o papel específico do psicólogo da saúde nestes mesmos locais e de considerar seriamente o impacto do visível aumento dos problemas de saúde mental, quer em termos de qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade quer pela sua repercussão em termos orçamentais, ou seja, no peso que estes representam para o também já “doente” Serviço Nacional de Saúde.

 

Sugestão:

https://pdfs.semanticscholar.org/1470/034dcdd3c39319174ae5b6ca86c86625a8f4.pdf

 

 

 

Inteligência emocional à luz de Goleman

EmoçõesO conceito de inteligência emocional tornou-se popular através da obra do jornalista científico norte americano Daniel Goleman. O autor define o conceito como um conjunto de competências afetivas e cognitivas que se divide em cinco dimensões: auto conhecimento, auto-controlo, empatia, motivação e competências sociais.

A inteligência emocional já tinha sido anteriormente descrita, por outros autores, como uma forma de inteligência social, que incluía a capacidade do indivíduo para reconhecer as emoções e os sentimentos em si próprio e nos outros e para utilizar essa informação, no sentido de orientar o seu pensamento e consequentemente o seu comportamento. Goleman define-a como a capacidade do indivíduo em reconhecer os seus próprios sentimentos e os dos outros, de se motivar e de conseguir gerir bem as emoções em si mesmo e nas suas relações. Continuar a ler

Burnout e férias de verão

EsgotamentoVerão! Sinónimo de férias escolares para uns e de férias profissionais para muitos outros.  O tão desejado período de descanso e lazer, de convívio, de festa, praia, campo ou tudo aquilo que no dia-a-dia, a azáfama não permite fazer.

As férias são uma necessidade do ser humano. Perante o desgaste físico e psicológico decorrente de um quotidiano rotineiro e por vezes com excesso de solicitações, torna-se fundamental o repouso, para o restabelecimento do corpo e da mente. A falta de descanso pode conduzir os indivíduos a situações de esgotamento físico e psicológico – o Burnout. O Burnout resulta do stresse crónico mal gerido associado principalmente ao trabalho. É caracterizado por uma enorme falta de energia ou exaustão, distanciamento mental face à atividade profissional, sentimentos negativos e perda de eficiência relativamente ao próprio trabalho. Um inquérito da DECO PROTESTE (2018) apontou para a existência de cerca de 30% de pessoas em situação de Burnout em Portugal, ou seja, uma percentagem bastante expressiva. Continuar a ler