Sinais de Desgaste Em Relações Afetivas

Couple thoughtful apart on sunny terrace

Nem sempre é fácil perceber quando uma relação está apenas a atravessar uma fase mais exigente ou quando começa, de facto, a comprometer o bem-estar emocional. Reconhecer alguns sinais de desgaste pode ajudar a compreender melhor o que se está a viver e a procurar apoio antes que o sofrimento se torne mais intenso.

As relações afetivas podem constituir uma importante fonte de segurança, intimidade, apoio emocional e sentimento de pertença. No entanto, também podem tornar-se fonte de ansiedade, tristeza, insegurança e desgaste, sobretudo quando as necessidades emocionais deixam de ser reconhecidas ou quando determinados conflitos se repetem sem que seja possível encontrar formas mais construtivas de os resolver. A existência de dificuldades não significa necessariamente que tenha deixado de existir amor ou que a relação esteja condenada. Todas as relações atravessam mudanças e períodos mais exigentes, influenciados pelo trabalho, pela parentalidade, por dificuldades económicas, problemas de saúde, perdas ou outras transições de vida.

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Ciúme: Emoções e Comportamentos a Reconhecer

Young woman in a denim jacket and green beanie looking worried on a city street

O ciúme é uma emoção humana comum, geralmente associada ao medo de perder alguém significativo ou à percepção de ameaça numa relação. Pode surgir em diferentes contextos: perante uma mudança na disponibilidade emocional do parceiro, experiências anteriores de traição, insegurança pessoal, ambiguidade relacional ou dificuldades de comunicação.

Sentir ciúme não significa, por si só, que exista uma perturbação psicológica, nem que a relação esteja necessariamente em risco. O problema surge quando o ciúme se torna frequente, intenso e passa a condicionar o comportamento da pessoa, levando à vigilância, ao controlo, à comparação constante, à procura repetida de garantias ou à interpretação negativa de pequenos sinais.

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PHDA no Adulto: Quando o Défice de Atenção Passa Despercebido Durante Anos

Woman at a busy desk surrounded by project calendars, sticky notes, and multiple screens showing tasks and time.

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é frequentemente associada à infância, sobretudo a crianças muito agitadas, impulsivas ou com dificuldades evidentes em contexto escolar. No entanto, atualmente sabemos que a PHDA pode persistir ao longo da vida e que muitos adultos chegam à idade adulta sem nunca terem recebido um diagnóstico formal. Em muitos casos, estas pessoas cresceram a sentir-se “desorganizadas”, “distraídas”, “preguiçosas” ou constantemente em esforço para acompanhar as exigências do quotidiano, sem compreender verdadeiramente a origem dessas dificuldades.

A PHDA no adulto caracteriza-se por um padrão persistente de desatenção e/ou impulsividade que interfere significativamente com o funcionamento pessoal, académico, profissional e relacional. Embora a hiperatividade motora intensa da infância possa diminuir com a idade, é frequente que permaneça uma sensação interna de inquietação, dificuldade em relaxar, tendência para procrastinação, desorganização, esquecimentos frequentes ou dificuldade em gerir prioridades e tempo.

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Impacto do Abandono Conjugal em Mulheres com Cancro

Woman alone after cancer diagnosis, emotional vulnerability

O diagnóstico de cancro é, por si só, profundamente desafiador. Quando a essa realidade se junta o abandono do parceiro, a experiência torna-se ainda mais dolorosa, combinando vulnerabilidade física com rutura emocional. Esta dupla ferida, doença e perda relacional, merece uma reflexão cuidada do ponto de vista psicológico.

Receber um diagnóstico oncológico implica confrontar-se com a fragilidade do corpo, a imprevisibilidade do futuro e a ameaça à própria identidade. Contudo, para algumas mulheres, o sofrimento não se limita à dimensão médica. Estudos na área da psico-oncologia sugerem que a doença pode constituir um fator de instabilidade conjugal, existindo evidência de maior probabilidade de dissolução conjugal quando o diagnóstico afeta a mulher, comparativamente ao homem (Glantz et al., 2009). Embora não represente a realidade de todas as relações, este dado aponta para um fenómeno clinicamente relevante.

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Final do Ano Letivo no Secundário: Escolher o Futuro Sem Ter Todas as Certezas

Young student at crossroads hopeful atmosphere

O final do ano letivo no ensino secundário é, para muitos jovens, uma fase de grande pressão. Para além dos testes, exames, médias e candidaturas, surge frequentemente uma pergunta difícil: “E agora?”

No 11.º e, sobretudo, no 12.º ano, muitos alunos sentem-se confrontados com decisões importantes: que curso escolher, que área seguir, se devem candidatar-se ao ensino superior, se faz sentido fazer um ano sabático ou se estão realmente no caminho certo. Para alguns, esta etapa é vivida com entusiasmo. Para outros, traz ansiedade, dúvidas, insegurança e medo de errar.

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Psicólogo: Profissional Qualificado e Ser Humano Imperfeito

Woman sitting in therapy room holding a drawing with a child and a woman outside window holding a sign

A profissão de psicólogo/a encontra-se frequentemente rodeada de idealizações. Existe a expectativa implícita de que o psicólogo seja permanentemente equilibrado, emocionalmente disponível, compreensivo e capaz de gerir qualquer situação interpessoal de forma exemplar. No contexto familiar, estas expectativas podem intensificar-se, levando alguns familiares a procurar o familiar psicólogo como uma espécie de “apoio emocional constante”, esperando interpretações psicológicas, mediação de conflitos ou respostas emocionais particularmente ajustadas.

Skovholt e Trotter-Mathison (2016) referem que, os profissionais das áreas de ajuda estão igualmente expostos a desgaste emocional, stresse e vulnerabilidade psicológica, sobretudo quando existe dificuldade em separar o papel profissional da vida pessoal. Esta confusão de papéis pode conduzir o psicólogo a assumir excessivamente a responsabilidade pela estabilidade emocional da família, colocando frequentemente as necessidades dos outros acima das suas próprias.

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Distimia: Quando a Tristeza Persistente se Torna Parte do Quotidiano

Person walking on a mountain path with a dark cloud above their head at sunset

A experiência de tristeza faz parte da vivência humana e surge naturalmente em resposta a acontecimentos difíceis, perdas ou períodos de maior vulnerabilidade emocional. Contudo, existem situações em que o humor persistentemente baixo deixa de ser apenas uma reação transitória e passa a constituir um padrão prolongado de funcionamento psicológico, influenciando de forma significativa o bem-estar, a motivação e a perceção de si próprio. É neste contexto que surge a distimia, atualmente designada no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders — Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR) como Perturbação Depressiva Persistente (American Psychiatric Association, 2022).

A distimia caracteriza-se pela presença de um humor deprimido crónico, persistente durante longos períodos de tempo — geralmente durante pelo menos dois anos nos adultos. Ao contrário daquilo que frequentemente acontece na depressão major, os sintomas podem apresentar menor intensidade, mas tendem a assumir um caráter contínuo e duradouro (Klein & Santiago, 2003). Muitas pessoas descrevem sentir-se “sempre em baixo”, desmotivadas, pessimistas ou emocionalmente cansadas, mesmo quando conseguem manter o funcionamento profissional, académico ou familiar.

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Sexualidade Após o Cancro: Entre a Vulnerabilidade e a Reconstrução

Man and woman affectionate in comfortable living room

A experiência de um diagnóstico de cancro representa, frequentemente, uma das vivências mais desafiantes do ponto de vista emocional, físico e relacional. Para além das implicações médicas e do impacto associado aos tratamentos, existem dimensões da vida que tendem a ser menos faladas, mas que assumem um papel importante na qualidade de vida e no bem-estar psicológico da pessoa. A sexualidade é uma dessas dimensões.

Apesar de muitas vezes permanecer envolta em silêncio, a sexualidade continua a fazer parte da identidade, da intimidade e da forma como cada pessoa se relaciona consigo própria e com o outro, mesmo após a doença oncológica. Contudo, é frequente que o cancro e os respetivos tratamentos provoquem alterações físicas, emocionais e relacionais que influenciam significativamente a vivência da intimidade e do desejo sexual (World Health Organization [WHO], 2006; National Cancer Institute [NCI], 2023).

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Agora estou a decidir mesmo por mim

Man hiking on mountain trail at sunset beside a wooden signpost with forest and river in background

O Ruben, de 20 anos, é estudante universitário, a frequentar o segundo ano de um curso inicialmente escolhido com base em critérios pragmáticos e expectativas externas. No início do acompanhamento, evidenciava ambivalência marcada, dificuldade na identificação de interesses e valores pessoais e tendência para evitamento da decisão, mantendo-se num percurso que percecionava como pouco significativo. Referia ansiedade associada ao futuro e receio de errar, com presença de autocrítica elevada.

Encontra-se em acompanhamento psicológico há cerca de 5 meses, período durante o qual foi desenvolvido trabalho focado na clarificação de valores, exploração vocacional, flexibilização cognitiva e aumento da tolerância à incerteza.

Num momento recente de sessão, verbaliza:

“Sinto que agora estou a decidir mesmo por mim… não é tipo uma decisão perfeita, mas faz sentido para mim, e isso já me deixa muito mais tranquilo. Acho que este processo terapêutico me ajudou a perceber o que quero e a confiar mais em mim, por isso, obrigado, a sério, fez mesmo diferença.”

Tens dúvidas em relação ao teu percurso académico? Queres tomar uma decisão e não sabes como fazer? Já pensaste em procurar apoio psicológico?

Neurodivergência: uma Leitura Psicológica da Diversidade do Funcionamento Humano

Only a single centered brain

O conceito de neurodivergência tem vindo a ganhar crescente relevância no campo da psicologia, propondo uma mudança significativa na forma como compreendemos as diferenças no funcionamento cognitivo, emocional e comportamental. Introduzido por Judy Singer no âmbito do movimento da neurodiversidade, este termo refere-se à ideia de que variações neurológicas, como as observadas no autismo, na perturbação de hiperatividade/défice de atenção (PHDA) ou nas dificuldades específicas de aprendizagem, constituem expressões naturais da diversidade humana, e não necessariamente desvios patológicos a corrigir.

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