Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (2)

Perturbação de Ansiedade

De volta ao tema da ansiedade e dos medos, descrevo de seguida alguns subtipos da Perturbação de Ansiedade. A diversidade é de facto considerável e muitos indivíduos apresentam critérios de diagnóstico para vários tipos de perturbação em simultâneo, ao mesmo tempo que também é frequente encontrar sujeitos com problemas de ansiedade a par com outros quadros clínicos do foro da saúde mental, como por exemplo a Depressão ou a Perturbação Obsessivo-compulsiva. Intervir é preciso!

A Perturbação de Pânico caracteriza-se pelo medo e desconforto físico intensos que se associam habitualmente à possibilidade de morte ou de perda do controlo sobre si mesmo. Em presença desta perturbação, os ataques de pânico ocorrem inesperada e recorrentemente. Correspondem a um período abrupto e intenso de medo que atinge o seu pico em poucos minutos e que pode ocorrer tanto a partir de um estado de tranquilidade como de ansiedade. Entre os sintomas podemos incluir a aceleração do ritmo cardíaco, palpitações, suores, tremores, sensação de falta de ar ou de dificuldade em respirar, dor no peito, mal-estar abdominal, sensação de tontura ou desmaio, medo de perder o controlo e medo de morrer. Para ser considerado um ataque de pânico, deverão estar presentes pelo menos 4 dos referidos sintomas. Continuar a ler

Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (1)

Ansiedade e medoAs Perturbações de Ansiedade são problemáticas muito prevalentes na sociedade atual, principalmente entre as crianças e os adolescentes. E o que é afinal uma Perturbação de Ansiedade? As Perturbações de Ansiedade referem-se a perturbações que têm em comum características de medo e ansiedade persistentes e excessivos e todas as alterações do comportamento com eles relacionadas.

Ter medo é normal e é a resposta emocional a uma situação de ameaça real ou percebida. Sentir ansiedade refere-se à antecipação de uma ameaça futura e à sobrestimação do perigo dessa situação, habitualmente desproporcionado. De certa forma o medo e a ansiedade sobrepõem-se, no entanto, o medo associa-se mais vezes a situações de picos de excitação automática, necessária à luta ou fuga, pensamentos de perigo eminente e comportamentos de evitamento. A Ansiedade, por sua vez, associa-se mais a tensão muscular e estados de vigília preparatória para se enfrentar perigos futuros, caracterizando-se por comportamentos cautelosos e de evitamento. Continuar a ler

Crianças e castigos corporais

Disciplinar e ensinar
A violência pode estar presente nas vidas das crianças de três formas distintas: os atos de violência a que assistem, os atos de violência de que podem ser vítimas e os atos de violência que elas próprias perpetram.

Uma das principais formas de violência presente nas vidas de algumas crianças são os castigos corporais. Os castigos corporais referem-se ao uso da força física por parte, habitualmente de adultos, com a intenção de corrigir ou controlar um comportamento desadequado, causando dor à criança. São exemplos de castigos corporais as palmadas, empurrões, beliscões, puxões de cabelo ou de orelhas, assim como o uso de produtos agressivos como por exemplo pimenta na língua, entre outros. Estes castigos corporais que não são menos que atos de violência utilizados contra as crianças, são muitas vezes justificados pela necessidade de disciplinar. Disciplinar é ensinar, e ao tentar disciplinar-se uma criança por meio de castigos corporais vai levar a que ela aprenda a resolver os seus problemas com base na violência. A criança agredida aprende a agredir como forma de lidar com os seus problemas e dificuldades, correndo o risco de ela própria se tornar agressora. Continuar a ler

O meu filho tem uma perturbação do comportamento, e agora?

Oposição e desafioCrianças com Perturbação Desafiante de Oposição (PDO) ou crianças com Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) apresentam frequentemente comportamentos disfuncionais e difíceis de controlar.

Estas crianças apresentam dificuldades ao nível do controlo dos impulsos e são crianças que frequentemente se exaltam, discutem com adultos, desobedecem ou têm dificuldade em seguir e respeitar regras. Por vezes incomodam deliberadamente os outros e culpam muitas vezes outras pessoas pelos seus comportamentos, chegando mesmo a assumir atitudes vingativas ou rancorosas. As crianças que revelam este tipo de comportamentos têm um impacto negativo nas pessoas que as rodeiam (família, amigos, professores, pares) o que habitualmente gera nessas pessoas, atitudes e comportamentos igualmente negativos, provocando deste modo um círculo vicioso de discussões e agressões. Continuar a ler

Comunicar: falar e não só…

LinguagemNos seres humanos, a capacidade de comunicar através da fala é inata, sendo aperfeiçoada e utilizada ao longo do seu desenvolvimento.

A comunicação verbal pode revestir-se de diversas formas e alternativas de utilização. Podemos falar diferentes idiomas, o mesmo idioma com variantes de pronuncia, tons de voz diferentes, diferentes ritmos, enfim, dispomos de uma diversidade de modos de falar que normalmente adequamos a cada situação. O modo como cada um de nós comunica através da linguagem pode ser muito revelador da nossa personalidade, estado emocional, identidade pessoal e social, enfim, sobre aquilo que somos. Ao comunicarmos pela fala, podemos diversificar no vocabulário que usamos e podemos utilizar as palavras de diferentes formas. O discurso e as frases que formulamos podem ter diferentes intenções: perguntar, pedir, informar, declarar, etc. O sucesso da comunicação verbal depende muito da forma com que se transmite a mensagem. Existindo vários estilos de comunicação, entende-se como mais eficaz o estilo de comunicação assertiva, em que a mensagem é transmitida de forma clara, firme e directa, respeitando obviamente a posição, o ponto de vista e o entendimento do seu interlocutor. Continuar a ler

Depressão no idoso

Depressão nos idososA depressão tardia refere-se ao aparecimento de estados depressivos depois dos 65 anos. Muitas vezes a sintomatologia depressiva está associada à presença de doença física ou neurológica e à incapacidade ou às limitações decorrentes de estados de doença que levam ao declínio do estado geral do indivíduo.

As queixas mais frequentes nos doentes mais velhos são as dores de cabeça, dores reumatológicas ou musculoesqueléticas bem como a sintomatologia gastrointestinal.  Feito o despiste de doença orgânica que explique a referida sintomatologia, a presença da mesma pode ser explicada pela depressão, se combinada com alguma da sintomatologia característica desta doença. Os factores de risco para a depressão no idoso prendem-se com questões de género, sendo mais prevalente nas mulheres do que nos homens. Outros factores de risco para o desenvolvimento de patologia depressiva estão relacionados com o sistema endócrino e o sistema vascular. O diagnóstico de doenças médicas não psiquiátricas, nomeadamente doença oncológica, demência, doenças cardiovasculares, hipotiroidismo ou artrite, entre outras, constitui-se como um factor de risco relevante para esta patologia. O tipo de personalidade também influencia a propensão para a depressão assim como as experiências de vida do sujeito e o stresse crónico a que está submetido (familiar, social ou económico). Continuar a ler

Para que servem os Psicólogos?

Para que serve o psicólogo?

Se por vezes alguns adultos revelam dúvidas sobre o que faz um Psicólogo, as crianças poderão ter maior dificuldade em perceber qual a função destes profissionais. Quem são, para que servem e o que fazem é aquilo que me proponho esclarecer neste texto dedicado aos mais pequenos, para que possam saber o que contar se precisarem de recorrer à ajuda psicológica.

É relativamente frequente, em consulta, à pergunta “Sabes o que faz um psicólogo?”, algumas crianças ainda responderem algo do tipo “Tratam os malucos” ou “ajudam as pessoas que não são boas da cabeça”. Estes estereótipos são para eliminar de uma vez por todas. Primeiro porque não há malucos mas sim pessoas com perturbações mentais ou défices nas suas diversas capacidades, e depois, porque qualquer pessoa dita “normal” poderá beneficiar do apoio de um Psicólogo, em algum momento da sua vida. Continuar a ler

Ano Velho e Ano Novo

Ano novoCom o aproximar do fim de ano, muitos de nós tendemos a fazer um balanço do que nos trouxe ou nos tirou, o Ano que termina. Fazemos uma retrospectiva dos acontecimentos mais significativos, daqueles que por uma ou outra razão mais nos marcaram e idealizamos o Novo Ano  de acordo com as nossas preferências e necessidades.

Um novo projecto profissional que se abraçou, um novo relacionamento amoroso, uma casa nova, a compra de um carro, um filho que nasceu, ou aquele projecto que se conseguiu concluir, são exemplos de acontecimentos marcantes, naturalmente pela positiva. Um familiar que faleceu, um diagnóstico de doença, o filho que reprovou o ano, a perda do emprego, um acidente de automóvel ou uma zanga com um amigo, são exemplos de situações que podem ser igualmente marcantes mas pela negativa.

Ano NovoE feito um apanhado dos acontecimentos expressivos das nossas vidas, o que fazer com isso? Para que é que fazemos esse balanço se daí não tirarmos algo que nos permita crescer enquanto pessoa? Continuar a ler