Não, nem tudo vai ficar bem…

Face a esta inesperada pandemia, todos nós de um modo ou outro, estamos a sofrer com as alterações a que ela nos obriga. A adaptação ás situações adversas é uma capacidade que uns terão mais do que outros, mas é sempre difícil entender e aceitar os efeitos destes tempos conturbados nas nossas vidas.

As alterações de quotidiano impostas pela pandemia vão desde a inibição total ou parcial da expressão emocional, as dificuldades em manter o ritmo e as rotinas escolares e laborais, as limitações  nas tarefas do dia-a-dia que implicam contacto com outras pessoas, entre muitas outras que cada um poderá particularizar, consoante a sua experiência. Estas alterações obrigam a uma adaptação cognitiva, emocional e comportamental. Temos que pensar sistematicamente onde é que tocámos, que temos que desinfetar ou lavar as mãos, que temos que usar a máscara em quase todos os contextos e situações, com tudo o que o seu uso implica, quer a nível do desconforto, quer a nível da imagem ou do que falta dela.

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Os sentimentos explicados às crianças

Sentimentos e emoções desempenham um papel muito importante na vida dos seres humanos e na sua sobrevivência. As emoções são as respostas do nosso organismo aos estímulos exteriores mas também aos nossos pensamentos. O modo como pensamos sobre alguma coisa vai determinar a forma como nos vamos sentir e até comportar.

Como já deves ter aprendido, todos nós, salvo algumas exceções, temos 5 sentidos: a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato. Desta forma conseguimos sentir o que nos rodeia, ou seja, vemos o que se passa à nossa volta, conseguimos ouvir os sons, sentimos o sabor do nosso fruto preferido, o cheiro do sabonete e a maciez da roupa em contacto com a nossa pele. Tudo isto que tu consegues sentir está fora do teu corpo. No entanto, há muitas outras formas de sentir através de coisas que acontecem dentro do teu corpo, ou seja, através dos teus pensamento e sentimentos. Tudo o que os teus sentidos captam vai armazenar-se dentro de um “armário” com diversas “gavetas” e que se chama memória. A memória corresponde a sons, sabores, imagens, etc. que já sentiste e que o teu corpo guardou. Quando recordas essas memórias, o teu corpo reage e a essa reação chama-se emoção. Por exemplo, se ouviste uma música que gostaste e te deixou alegre, ao recordá-la vais sentir alegria. Por outro lado, se vires uma imagem assustadora, sempre que recordares essa imagem vais sentir-te assustado. Essas emoções vão dar origem a sentimentos e estes podem ser muito variados.

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O desenho da família

AvaliaçãoA avaliação psicológica deve contemplar um leque tão alargado quanto possível de testes, técnicas e informadores. Em psicologia pediátrica, o teste do Desenho de Família de Corman é um dos mais utilizados, não só pela facilidade da sua aplicação como também pela boa recetividade que tem por parte das crianças e também pela riqueza da informação que esta técnica permite.

O teste do Desenho de Família de Corman é um teste gráfico que tem como finalidade a exploração do funcionamento interno da criança, da sua perceção em relação à família, do lugar que ocupa na mesma, do relacionamento com os diversos elementos que a constituem e do modo como os vários elementos se relacionam entre si, entre outras dimensões passíveis de serem avaliadas. A técnica consiste em solicitar à criança que desenhe uma família e não a sua família: “Imagina uma família e desenha-a”. No decorrer do teste, o examinador, habitualmente um psicólogo, vai registando alguns pontos como a orientação do desenho, a posição da folha de papel, o detalhe, a ordem em que as várias personagens aparecem no desenho, a duração da tarefa, a firmeza do traço, o tamanho dos desenhos mas também a linguagem verbal e não-verbal da criança durante a prova assim como as suas verbalizações. Continue a ler “O desenho da família”

Solidão na velhice: compreensão, prevenção e intervenção

RnvelhecerO processo de envelhecimento pressupõe inevitavelmente uma degradação progressiva e diferencial do indivíduo. É um processo que ocorre e se manifesta a vários níveis, pois a velhice associa-se a um conjunto de alterações biológicas, psicológicas, funcionais e sociais que variam de indivíduo para indivíduo.

Não sendo a idade um fator determinante, constitui-se como mais uma variável a levar em consideração no processo de envelhecimento. A par com o passar do tempo, destacam-se também as características individuais como a personalidade, a história e os hábitos de vida do sujeito. Uma pessoa mais ativa será tendencialmente mais funcional, até mais tarde na vida, em suma, terá uma melhor qualidade de vida e autonomia. O envelhecimento ativo é visto como um meio que procura otimizar as oportunidades para a saúde e manter a participação e a segurança, no sentido de aumentar a qualidade de vida ao longo do envelhecimento. Continue a ler “Solidão na velhice: compreensão, prevenção e intervenção”

Videojogos: uso, abuso ou adição?

VideojogosNos tempos modernos, o desenvolvimento das tecnologias deu origem aos videojogos e à possibilidade de interação através dos meios digitais online. Essa interação, assim como os comportamentos associados, podem trazer tanto benefícios como ser bastante prejudiciais, consoante se trate de uso, abuso ou adição.

Apelativos pelo seu aspeto gráfico, pelas cores, pela música, pela recompensa imediata do somar dos pontos, do passar de níveis, enfim, seja pelo que for, os videojogos são efetivamente uma realidade cada vez mais cedo presente nas vidas das nossas crianças e jovens. Alguns pais, por sua vez, sentem grandes dificuldades para entenderem esta realidade e para lidarem com os comportamentos dos seus filhos mas também com as consequências que deles advêm. Perguntas como “quanto tempo pode o meu filho jogar por dia sem que seja prejudicial”? Ou “que tipo de jogo é adequado ou desadequado para a idade do meu filho”? são frequentes, numa tentativa de conciliar vontades, evitar conflitos ou lidar com dificuldades que podem advir desta realidade. Continue a ler “Videojogos: uso, abuso ou adição?”

Pensar o Natal

NatalEntrámos uma vez mais na quadra natalícia! De uma forma ou de outra, cada um de nós vive o Natal à sua maneira. Mas que maneiras são essas de vivermos o Natal? As crenças cristãs, a festa da família ou o momento das compras e dos presentes, são modos de se vivenciar esta quadra, de forma mais ou menos adaptativa, mais ou menos feliz e que merece alguma reflexão.

Entre o final de Outubro e o início do mês de Novembro, começam a ver-se as lojas enfeitadas, as ruas iluminadas, as grandes superfícies movimentadas e as pessoas, mais ou menos entusiasmadas com a aproximação do Natal! Mas que significado atribuem ao Natal todas essas pessoas? Pois bem, parecem haver três formas distintas ou complementares de se vivenciar a quadra natalícia: o Natal cristão, o Natal do convívio e da confraternização e o Natal do consumismo. Á semelhanças de outras situações, a vivência do Natal deveria ser pautada pelo equilíbrio entre cada uma destas formas de se lhe atribuir importância. A palavra Natal deriva do latim natalis, que vem de nascor, que significa nascimento e que tem como referência o nascimento de Jesus que se celebra todos os anos no dia 25 de Dezembro. Esta data tem o valor simbólico da esperança e da possibilidade de mudança para melhor, que poderá advir do novo ano que se avizinha. Continue a ler “Pensar o Natal”

Outra birra!

Comportamentos de birraPodemos definir uma birra como sendo a expressão de sentimentos diversificados e intensos através de um comportamento ou reação exagerada, por vezes sem motivação racional.

Para o entendimento do que é uma birra deverão ser levados em consideração fatores como a relação entre a birra e os sentimentos, as características individuais e temperamentais da criança, o contexto, a idade e a etapa do desenvolvimento em que esta se encontra. As birras ocorrem quase inevitavelmente na infância, variando de frequência e intensidade de criança para criança, não havendo á partida distinção por género. Salvo algumas exceções, a idade mais comum para a expressão das birras é entre o ano e meio e os três anos. Esta corresponde a uma fase em que as crianças adquirem autonomia, principalmente na forma como se movimentam, o que lhes permite explorar e tentar dominar o ambiente que as rodeia. Para algumas pessoas pode parecer pouco compreensível o facto de, se a criança já iniciou a marcha e já consegue de alguma forma comunicar pela fala, ainda que de forma restrita, expressar-se “em forma de birra” parece não fazer sentido e habitualmente atribuem a um temperamento difícil o facto de as birras ocorrerem. Continue a ler “Outra birra!”

Parece que só passaram 5 minutos…

Psicologia infantilO Frederico tem 11 anos e foi à consulta de psicologia acompanhado pelo pai. O menino apresenta problemas ao nível do comportamento alimentar e uma marcada ansiedade generalizada. Na primeira sessão estava muito tímido, de olhar baixo e com um nervosismo que se notava pelo torcer constante da manga da camisola, e pouco falou. Na segunda sessão, começou a responder melhor às perguntas e a manter contacto visual, embora intermitente. Aderiu às tarefas de desenho propostas e ao longo da sessão foi revelando maior à-vontade e descontração. Na terceira sessão, o Fred (como gosta de ser chamado) revelou-se. Falou dos amigos, do que gostava e do que não gostava de fazer e também das suas preocupações. No final, quando se despede, diz “passou tão depressa esta hora. Parece-me que só passaram cinco minutos…”

O psicólogo e o desenho

Avaliação psicológica e o desenhoHá pouco tempo atrás ouvi alguém que dizia “o meu filho vai ao psicólogo só para fazer desenhos”. O tom de crítica era evidente, e, de facto, se a criança é acompanhada por um psicólogo apenas com o intuito de desenvolver as suas competências artísticas, pode realmente ser algo redutor… mas o desenho não é só arte.

O desenho, em contexto de avaliação ou de intervenção psicológica, assume um valor e uma importância que transcendem a mera revelação dos dotes artísticos da criança. O desenho é para o psicólogo um instrumento muito útil na sua prática clínica, quer se trate de avaliação, seleção ou intervenção psicológica. Através do desenho, o psicólogo consegue obter informação acerca do funcionamento da criança, do seu modo de estar perante os outros, do modo como projeta através dos elementos que desenha, o seu temperamento, as suas áreas de conflito, etc. Ao mesmo tempo, com recurso ao desenho, consegue-se facilitar o estabelecimento e a manutenção da relação entre a criança e o psicólogo. A criança por vezes consegue mais facilmente desenhar do que verbalizar. O pormenor ou a falta dele, o modo como adere à tarefa e se empenha nela, o tipo de traço que apresenta, a descrição dos detalhes, entre outros, representados através do desenho, podem fornecer informação relevante acerca da problemática em foco. Continue a ler “O psicólogo e o desenho”

Resolução de problemas

Tomada de decisãoÉ comum ouvir-se dizer que todos temos problemas. Uns de nós mais dados a “problematizar” e outros menos, o facto é que os problemas existem e andam por aí para serem resolvidos, caso contrário, permanecem como uma nuvem negra que paira sobre as nossas cabeças, incomodando, incomodando…

Há problemas e problemas, ou seja, há problemas de fácil resolução, na medida em que sabemos exatamente o que fazer para nos livrarmos deles, mas há outros, que por várias ordens de razão, são mais difíceis de solucionar pois implicam a tomada de decisões importantes que têm que ser bem ponderadas. Vários são os fatores que contribuem para a dificuldade que possamos ter em resolver um determinado problema. Ou porque o assunto implica gastos inesperados, ou porque nos obriga a alterar as nossas rotinas e vem revolucionar o nosso quotidiano, ou porque pode causar algum tipo de conflito ou mal-entendido com alguém ou porque nos encontramos num período particularmente difícil, em termos emocionais, o que nos condiciona e dificulta a tomada de decisão. Certo é que resolver um problema nem sempre está ao nosso alcance mas também é certo, que muitas vezes está, só não sabemos como. Continue a ler “Resolução de problemas”