Falar é o primeiro passo para a prevenção do suicídio

Man sitting on a bench along a garden path surrounded by autumn foliage

Nem sempre é fácil dizer “não estou bem”. Por vezes, o sofrimento permanece escondido durante semanas, meses ou até anos, atrás das rotinas, das responsabilidades e de uma aparente normalidade. Entre aquilo que sentimos e o momento em que conseguimos pedir ajuda pode existir um longo silêncio. E é precisamente nesse espaço que falar, escutar e reconhecer os sinais de sofrimento pode fazer a diferença.

Todos os anos, a 10 de setembro, assinala-se o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, uma data que procura sensibilizar para a importância de falar sobre o sofrimento psicológico, reduzir o estigma e facilitar o acesso ao apoio. Mais do que centrar a atenção apenas na crise, este dia convida-nos a refletir sobre a forma como escutamos, reconhecemos sinais de sofrimento e criamos espaço para que alguém possa dizer que não está bem.

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Fim das férias de verão: quando regressar à rotina desafia toda a família

Beach-themed classroom desk with shells, pencils, Geography and History books

As férias ainda não terminaram completamente, mas setembro já nos começa a entrar em casa: horários, agendas, escola, trabalho, refeições, atividades e despertadores voltam a ocupar o seu espaço. Para muitas famílias, esta passagem dos dias mais livres para uma rotina novamente exigente, pode trazer cansaço, irritabilidade e alguma ansiedade. Como tornar este regresso mais tranquilo para todos?

O final das férias de verão pode ser acompanhado por sentimentos contraditórios. Por um lado, pode existir a vontade de recuperar alguma organização e previsibilidade, e por outro, custa abandonar o ritmo mais flexível, os dias longos e a menor pressão dos horários das férias. Em poucos dias, a família pode passar de uma rotina relativamente descontraída para outra marcada por maior rigidez e por múltiplos compromissos.

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Psicólogo: Profissional Qualificado e Ser Humano Imperfeito

Woman sitting in therapy room holding a drawing with a child and a woman outside window holding a sign

A profissão de psicólogo/a encontra-se frequentemente rodeada de idealizações. Existe a expectativa implícita de que o psicólogo seja permanentemente equilibrado, emocionalmente disponível, compreensivo e capaz de gerir qualquer situação interpessoal de forma exemplar. No contexto familiar, estas expectativas podem intensificar-se, levando alguns familiares a procurar o familiar psicólogo como uma espécie de “apoio emocional constante”, esperando interpretações psicológicas, mediação de conflitos ou respostas emocionais particularmente ajustadas.

Skovholt e Trotter-Mathison (2016) referem que, os profissionais das áreas de ajuda estão igualmente expostos a desgaste emocional, stresse e vulnerabilidade psicológica, sobretudo quando existe dificuldade em separar o papel profissional da vida pessoal. Esta confusão de papéis pode conduzir o psicólogo a assumir excessivamente a responsabilidade pela estabilidade emocional da família, colocando frequentemente as necessidades dos outros acima das suas próprias.

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Distimia: Quando a Tristeza Persistente se Torna Parte do Quotidiano

Person walking on a mountain path with a dark cloud above their head at sunset

A experiência de tristeza faz parte da vivência humana e surge naturalmente em resposta a acontecimentos difíceis, perdas ou períodos de maior vulnerabilidade emocional. Contudo, existem situações em que o humor persistentemente baixo deixa de ser apenas uma reação transitória e passa a constituir um padrão prolongado de funcionamento psicológico, influenciando de forma significativa o bem-estar, a motivação e a perceção de si próprio. É neste contexto que surge a distimia, atualmente designada no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders — Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR) como Perturbação Depressiva Persistente (American Psychiatric Association, 2022).

A distimia caracteriza-se pela presença de um humor deprimido crónico, persistente durante longos períodos de tempo — geralmente durante pelo menos dois anos nos adultos. Ao contrário daquilo que frequentemente acontece na depressão major, os sintomas podem apresentar menor intensidade, mas tendem a assumir um caráter contínuo e duradouro (Klein & Santiago, 2003). Muitas pessoas descrevem sentir-se “sempre em baixo”, desmotivadas, pessimistas ou emocionalmente cansadas, mesmo quando conseguem manter o funcionamento profissional, académico ou familiar.

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Sexualidade Após o Cancro: Entre a Vulnerabilidade e a Reconstrução

Man and woman affectionate in comfortable living room

A experiência de um diagnóstico de cancro representa, frequentemente, uma das vivências mais desafiantes do ponto de vista emocional, físico e relacional. Para além das implicações médicas e do impacto associado aos tratamentos, existem dimensões da vida que tendem a ser menos faladas, mas que assumem um papel importante na qualidade de vida e no bem-estar psicológico da pessoa. A sexualidade é uma dessas dimensões.

Apesar de muitas vezes permanecer envolta em silêncio, a sexualidade continua a fazer parte da identidade, da intimidade e da forma como cada pessoa se relaciona consigo própria e com o outro, mesmo após a doença oncológica. Contudo, é frequente que o cancro e os respetivos tratamentos provoquem alterações físicas, emocionais e relacionais que influenciam significativamente a vivência da intimidade e do desejo sexual (World Health Organization [WHO], 2006; National Cancer Institute [NCI], 2023).

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Equilíbrio entre o Trabalho e a Vida Pessoal: Bem-Estar e Saúde Mental

Brass balance scale with work documents and laptop on one side and family photo, plants, and hobbies on the other

O Dia do Trabalhador convida-nos, todos os anos, a refletir sobre o lugar que o trabalho ocupa nas nossas vidas. Para além da sua dimensão económica, o trabalho é uma das principais fontes de identidade, propósito e organização do quotidiano. No entanto, quando a sua exigência ultrapassa a capacidade de adaptação individual, pode transformar-se numa fonte relevante de stresse e desgaste psicológico.

A psicologia tem vindo a estudar de forma consistente a relação entre o trabalho e o bem-estar, destacando a importância do equilíbrio entre as diferentes áreas de vida. O conceito de work-life balance (equilíbrio trabalho–vida pessoal) refere-se à capacidade de gerir de forma satisfatória as exigências profissionais e pessoais, sem que uma interfira de forma excessiva na outra. Quando este equilíbrio é comprometido, surgem frequentemente sinais como fadiga persistente, irritabilidade, dificuldade em “desligar” do trabalho e diminuição do envolvimento em atividades pessoais significativas (Greenhaus & Allen, 2011).

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Quando pensar demais se torna um problema: o ciclo dos pensamentos intrusivos na ansiedade

Glowing brain with cosmic patterns and words like creativity, memory, identity, and knowledge

Pensar faz parte da nossa natureza. É através do pensamento que organizamos a experiência, antecipamos cenários e procuramos soluções para os desafios do quotidiano. No entanto, há momentos em que este processo, em vez de servir como um recurso adaptativo, se transforma numa fonte significativa de desconforto. É neste ponto que surgem os chamados pensamentos intrusivos — conteúdos mentais que emergem de forma repetitiva, indesejada e muitas vezes, perturbadora.

Importa começar por esclarecer que a experiência de pensamentos intrusivos é, em si mesma, universal. A maioria das pessoas já teve, em algum momento, ideias súbitas e desconcertantes, como receios de causar dano, dúvidas persistentes ou imagens mentalmente vívidas e desconfortáveis. O que tende a diferenciar estas experiências num registo mais benigno, de um padrão mais ansioso, não é a sua presença mas sim a forma como são interpretadas e geridas (Clark, 2005).

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Impacto da Primavera na Saúde Mental

A chegada da primavera é, culturalmente, associada a renovação, leveza e esperança. Os dias tornam-se mais longos, a luz natural intensifica-se e o ambiente ganha novas cores e estímulos sensoriais. Este conjunto de alterações ambientais pode ter um impacto significativo no funcionamento psicológico, embora nem sempre de forma linear ou exclusivamente positiva.

Do ponto de vista biológico, o aumento da exposição à luz solar influencia diretamente os ritmos circadianos e a regulação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, frequentemente associados ao humor e à motivação. Durante os meses de inverno, a menor luminosidade está relacionada com níveis mais baixos de energia, maior fadiga e, em alguns casos, sintomatologia depressiva, fenómeno que, em situações mais marcadas, pode configurar a Perturbação Afetiva Sazonal. Com a transição para a primavera, é comum observar-se uma melhoria gradual do humor e um aumento da vitalidade, associados à reorganização destes sistemas biológicos (Rosenthal et al., 1984; Lam & Levitan, 2000).

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Comportamentos Obsessivo-Compulsivos em Jovens Adultos: Compreender e Intervir

Sentir-se preso em pensamentos repetitivos ou em comportamentos que parecem impossíveis de parar pode ser profundamente desgastante — especialmente numa fase da vida em que se esperaria maior liberdade, autonomia e clareza nas decisões.

Os comportamentos obsessivo-compulsivos em jovens adultos surgem frequentemente como tentativas de lidar com níveis elevados de ansiedade. Podem manifestar-se através de pensamentos intrusivos persistentes, como dúvidas constantes, receios de cometer erros, medo de causar dano ou preocupações com contaminação, acompanhados por uma necessidade intensa de reduzir o desconforto que esses pensamentos provocam. Embora este tipo de pensamentos seja uma experiência comum a todas as pessoas, o que tende a diferenciá-los nestes casos é a forma como são interpretados: como perigosos, inaceitáveis ou reveladores de algo negativo sobre si próprio (Clark & Beck, 2010).

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Namoro tóxico na adolescência: quando o amor começa a doer

Falar de namoro tóxico na adolescência não é falar apenas de relações “difíceis” ou de dramas próprios da idade. É falar de experiências emocionais que, muitas vezes, deixam marcas profundas na forma como os jovens aprendem a amar, a relacionar-se e a ver a si próprios.

A adolescência é um período de intensa construção identitária. É nesta fase que se experimenta, muitas vezes pela primeira vez, a intimidade emocional, o desejo de pertença e o medo da rejeição. O namoro surge, assim, como um espaço privilegiado de validação emocional — mas também como um terreno fértil para inseguranças, dependências emocionais e padrões relacionais pouco saudáveis.

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