Fim das férias de verão: quando regressar à rotina desafia toda a família

Beach-themed classroom desk with shells, pencils, Geography and History books

As férias ainda não terminaram completamente, mas setembro já nos começa a entrar em casa: horários, agendas, escola, trabalho, refeições, atividades e despertadores voltam a ocupar o seu espaço. Para muitas famílias, esta passagem dos dias mais livres para uma rotina novamente exigente, pode trazer cansaço, irritabilidade e alguma ansiedade. Como tornar este regresso mais tranquilo para todos?

O final das férias de verão pode ser acompanhado por sentimentos contraditórios. Por um lado, pode existir a vontade de recuperar alguma organização e previsibilidade, e por outro, custa abandonar o ritmo mais flexível, os dias longos e a menor pressão dos horários das férias. Em poucos dias, a família pode passar de uma rotina relativamente descontraída para outra marcada por maior rigidez e por múltiplos compromissos.

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Verão e imagem corporal: quando mostrar mais o corpo aumenta a insegurança

Woman standing barefoot on beach watching ocean waves at sunset

Com a chegada do verão, mudam as temperaturas, a roupa torna-se mais leve e o corpo fica naturalmente mais exposto. Para muitas pessoas, esta mudança é vivida com descontração, mas, para outras, pode trazer consigo um aumento significativo da insegurança, da autocrítica e do desconforto com a própria imagem. Ir à praia, usar determinadas peças de roupa, aparecer numa fotografia ou simplesmente estar num espaço onde outros corpos estão mais visíveis pode tornar-se emocionalmente exigente.

A imagem corporal não corresponde apenas àquilo que vemos quando nos olhamos ao espelho. É uma construção complexa, que envolve pensamentos, emoções, perceções e atitudes relativamente ao próprio corpo e que vai sendo influenciada pelas experiências pessoais, pelas relações, pelos padrões culturais e pelas mensagens que recebemos ao longo da vida. No verão, alguns destes fatores parecem ganhar maior intensidade. A comparação com outras pessoas torna-se mais frequente e as redes sociais acrescentam uma sucessão de imagens cuidadosamente selecionadas, posadas, filtradas ou editadas que podem facilmente ser tomadas como referência. A investigação tem mostrado uma relação consistente entre a comparação baseada na aparência e uma maior insatisfação corporal.

Young woman sitting on a dock looking thoughtfully at her phone by the water

Embora estas dificuldades sejam frequentemente associadas à adolescência, não pertencem exclusivamente a esta fase da vida. As transformações corporais acompanham-nos ao longo dos anos: crescimento, gravidez, pós-parto, envelhecimento, menopausa, doença, tratamentos médicos, alterações hormonais ou simplesmente as mudanças naturais do corpo. Homens e mulheres podem sentir desconforto com a sua imagem em diferentes momentos. A ideia cultural de que existe uma forma física adequada para usar determinada roupa ou frequentar a praia contribui para perpetuar uma expectativa difícil de alcançar e, sobretudo, desnecessária.

Six diverse adults standing barefoot in swimwear on a sandy beach smiling and hugging each other

É precisamente antes do verão que reaparecem expressões como “preparar o corpo para o verão” ou “conseguir um corpo de praia”. Mas um corpo não precisa de preencher determinados critérios estéticos para poder estar na praia, usar um fato de banho ou desfrutar dos dias quentes. Todos os corpos são corpos de verão. Ter um corpo de verão significa, simplesmente, ter um corpo e estar no verão. Esta ideia não implica que tenhamos de gostar todos os dias de tudo aquilo que vemos ao espelho. Podemos sentir insegurança relativamente a algumas características físicas e, ainda assim, escolher não deixar que essa insegurança determine aquilo que podemos vestir, os lugares onde podemos estar ou as experiências das quais nos permitimos participar.

Group of friends sitting on beach towels talking and laughing by ocean

A pressão para modificar rapidamente o corpo pode também interferir com a relação com a alimentação. Nesta época tornam-se particularmente comuns dietas muito restritivas, eliminação de determinados alimentos, períodos prolongados sem comer ou tentativas de compensar aquilo que se comeu através de restrição posterior ou exercício físico excessivo. Quando comer começa a organizar-se predominantemente em torno de regras externas — “isto posso”, “isto não posso”, “hoje estraguei tudo”, “amanhã tenho de compensar” — é fácil perder progressivamente o contacto com os sinais internos de fome, saciedade, prazer e satisfação. A comida deixa então de ser apenas alimento, prazer, cultura e convívio e pode transformar-se numa fonte permanente de vigilância e culpa.

Woman in floral dress serving food at a picnic table with sandwiches, corn, and salads

Uma relação mais saudável e intuitiva com a alimentação procura precisamente recuperar essa capacidade de escutar o corpo. Significa reconhecer a fome e a saciedade, permitir flexibilidade alimentar, escolher também tendo em conta o prazer, as preferências e as necessidades físicas e compreender que nenhum alimento isolado define a qualidade global da nossa alimentação. Não significa comer sem qualquer atenção às necessidades nutricionais, nem ignorar condições de saúde que exijam cuidados específicos. Significa antes afastar-se da lógica da punição, da culpa e da compensação. A investigação sobre alimentação intuitiva tem encontrado associações com menor perturbação do comportamento alimentar e da imagem corporal e com indicadores mais favoráveis de autoestima e bem-estar psicológico.

Smiling woman eating a plate of grilled chicken, salad, quinoa, and roasted sweet potatoes

Construir uma relação mais tranquila com o corpo pode também passar por deslocar parte da atenção da aparência para aquilo que o corpo permite fazer e experimentar. Caminhar, nadar, descansar, abraçar alguém, dançar, sentir a água do mar ou simplesmente respirar são experiências corporais que não dependem do tamanho de uma roupa nem de uma fotografia considerada perfeita. Pode igualmente ser útil observar a forma como falamos connosco próprios, reduzir a exposição a conteúdos digitais que desencadeiam comparação constante e questionar determinadas regras que fomos interiorizando: “não posso usar isto”, “as minhas pernas não são para mostrar”, “quando emagrecer vou à praia”. Nem todas as inseguranças desaparecem quando deixamos de lhes obedecer, mas podem progressivamente deixar de comandar as nossas escolhas.

Young woman in floral bikini laughing and splashing in ocean waves

Quando a preocupação com a aparência ocupa grande parte do pensamento, condiciona a alimentação, provoca evitamento de situações sociais, leva a comportamentos repetidos de verificação do corpo ou interfere significativamente com a autoestima e o bem-estar, poderá ser importante procurar acompanhamento psicológico. O objetivo não precisa de ser aprender a considerar o próprio corpo perfeito. Pode ser algo mais realista e, frequentemente, mais libertador: desenvolver uma relação suficientemente segura e respeitadora com ele para que a vida não tenha de ficar à espera de um corpo diferente.

Young woman and therapist engaged in conversation in therapy office

Neste verão, talvez o desafio não seja preparar o corpo para ser visto, mas permitir que o corpo que já temos participe plenamente na nossa vida.

Referências bibliográficas

Myers, T. A., & Crowther, J. H. (2009). Social comparison as a predictor of body dissatisfaction: A meta-analytic review. Journal of Abnormal Psychology, 118(4), 683–698. https://doi.org/10.1037/a0016763

Linardon, J., Tylka, T. L., & Fuller-Tyszkiewicz, M. (2021). Intuitive eating and its psychological correlates: A meta-analysis. International Journal of Eating Disorders, 54(7), 1073–1098. https://doi.org/10.1002/eat.23509

Warren, J. M., Smith, N., & Ashwell, M. (2017). A structured literature review on the role of mindfulness, mindful eating and intuitive eating in changing eating behaviours: Effectiveness and associated potential mechanisms. Nutrition Research Reviews, 30(2), 272–283. https://doi.org/10.1017/S0954422417000154

Final do Ano Letivo no Secundário: Escolher o Futuro Sem Ter Todas as Certezas

Young student at crossroads hopeful atmosphere

O final do ano letivo no ensino secundário é, para muitos jovens, uma fase de grande pressão. Para além dos testes, exames, médias e candidaturas, surge frequentemente uma pergunta difícil: “E agora?”

No 11.º e, sobretudo, no 12.º ano, muitos alunos sentem-se confrontados com decisões importantes: que curso escolher, que área seguir, se devem candidatar-se ao ensino superior, se faz sentido fazer um ano sabático ou se estão realmente no caminho certo. Para alguns, esta etapa é vivida com entusiasmo. Para outros, traz ansiedade, dúvidas, insegurança e medo de errar.

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Alimentação saudável e psicologia: para além das escolhas à mesa

Plate with avocado toast topped with poached egg and mixed berries, coffee mug, glass of orange juice, and bowl of yogurt with granola on wooden table near garden window

Falar de alimentação saudável é, muitas vezes, falar de nutrientes, calorias ou planos alimentares. No entanto, esta perspetiva, embora relevante, é incompleta. A forma como comemos está profundamente ligada a processos psicológicos — emoções, crenças, experiências passadas e contexto social — que influenciam não só o que escolhemos ingerir, mas também a forma como nos relacionamos com o nosso corpo e connosco próprios.

Do ponto de vista psicológico, a alimentação não é apenas uma necessidade biológica, mas também um comportamento aprendido e regulado por múltiplos fatores. Desde cedo, a comida pode assumir significados que vão para além da nutrição: conforto, recompensa, controlo ou até alívio emocional. É frequente observar que, em momentos de maior stresse, ansiedade ou tristeza, o comportamento alimentar pode-se alterar, surgindo padrões como comer em excesso, perder o apetite ou recorrer a determinados alimentos específicos em busca de regulação emocional. Este fenómeno, frequentemente designado como “comer emocional”, não deve ser entendido como uma falha individual, mas sim como uma estratégia, muitas vezes automática, de lidar com estados internos mais difíceis (Macht, 2008).

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Decisões Académicas: Enfrentar a Pressão e Incerteza

A escolha de uma área de estudos universitários é frequentemente vivida como uma das primeiras grandes decisões da vida adulta. Para muitos jovens, este processo pode ser acompanhado por dúvida intensa, ansiedade e uma sensação de pressão significativa, tanto interna como externa. Embora seja esperado algum grau de incerteza, em alguns casos esta dificuldade pode tornar-se persistente e paralisante.

Do ponto de vista psicológico, a dificuldade na tomada de decisão vocacional pode ser compreendida como o resultado da interação entre fatores cognitivos, emocionais e contextuais. Muitos jovens apresentam crenças exigentes associadas à escolha, como a ideia de que existe uma “decisão certa” que determinará todo o futuro, ou que errar terá consequências irreversíveis. Estas crenças tendem a aumentar a ansiedade e a dificultar o processo de exploração e decisão (Germeijs & Verschueren, 2007).

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O valor do Abraço

O abraço é uma das formas mais simples, universais e profundas de comunicação humana. Antes mesmo das palavras, o contacto físico transmite segurança, pertença, conforto e ligação emocional. À luz da psicologia, o abraço não é apenas um gesto afetivo: é um poderoso regulador emocional, com impacto direto no bem-estar psicológico, relacional e até fisiológico.

Desde o nascimento, o toque constitui uma necessidade básica do ser humano. O contacto pele com pele, o embalar, o colo e os primeiros abraços contribuem decisivamente para a organização do sistema nervoso do bebé, promovendo segurança emocional e um desenvolvimento relacional saudável. Ao longo da vida, esta necessidade mantém-se, ainda que muitas vezes subestimada numa sociedade cada vez mais acelerada, digital e orientada para o desempenho.

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Namoro tóxico na adolescência: quando o amor começa a doer

Falar de namoro tóxico na adolescência não é falar apenas de relações “difíceis” ou de dramas próprios da idade. É falar de experiências emocionais que, muitas vezes, deixam marcas profundas na forma como os jovens aprendem a amar, a relacionar-se e a ver a si próprios.

A adolescência é um período de intensa construção identitária. É nesta fase que se experimenta, muitas vezes pela primeira vez, a intimidade emocional, o desejo de pertença e o medo da rejeição. O namoro surge, assim, como um espaço privilegiado de validação emocional — mas também como um terreno fértil para inseguranças, dependências emocionais e padrões relacionais pouco saudáveis.

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Os Jogos Eletrónicos e o Desenvolvimento Infantil: O Que os Pais Devem Saber

Os jogos eletrónicos fazem parte do quotidiano de muitas crianças e adolescentes, levantando dúvidas naturais nos pais sobre limites, riscos e impacto emocional. Compreender a diferença entre um uso saudável e um uso problemático é essencial para promover um desenvolvimento equilibrado.

Os jogos eletrónicos fazem hoje parte do universo das crianças e dos adolescentes, sendo uma forma comum de entretenimento, socialização e até aprendizagem. Para muitos pais, esta realidade levanta dúvidas legítimas: quanto tempo é demasiado? Quando é que o jogo deixa de ser apenas diversão e passa a ser motivo de preocupação? A psicologia ajuda-nos a compreender que o problema não está, na maioria das vezes, no jogo em si, mas na forma como este é utilizado e no papel que passa a ocupar na vida da criança ou do adolescente.

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Tratamento da Enurese: Abordagem Cognitivo-Comportamental

A enurese noturna é uma perturbação de eliminação comum na infância, de etiologia multifatorial e com impacto significativo no funcionamento emocional da criança e no contexto familiar. A perspetiva cognitivo-comportamental permite integrar fatores biológicos, comportamentais e cognitivos, oferecendo um enquadramento clínico consistente e intervenções baseadas na evidência.

A enurese noturna, definida como a eliminação involuntária de urina durante o sono, em crianças numa idade em que já seria esperado controlo esfincteriano noturno, constitui uma das perturbações de eliminação mais frequentes na infância. Apesar da sua elevada prevalência, continua a ser rodeada de mitos, sentimentos de vergonha e interpretações moralizantes, o que pode agravar o impacto psicológico na criança e na família. A Psicologia Cognitivo-Comportamental (PCC) oferece um enquadramento particularmente útil para a compreensão e intervenção na enurese, ao integrar fatores fisiológicos, comportamentais, cognitivos e relacionais.

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A Psicologia do Natal: Entre o Menino Jesus e o Pai Natal

O Natal reúne símbolos que marcam a infância e influenciam a forma como crescemos. Entre eles, o Menino Jesus e o Pai Natal ocupam lugares especiais no imaginário das famílias. A psicologia ajuda-nos a compreender como estas figuras moldam emoções, crenças e memórias.

A época natalícia é um período especialmente rico do ponto de vista psicológico, combinando tradições, emoções e símbolos que acompanham as famílias ao longo de gerações. Entre esses símbolos surgem duas figuras muito presentes no imaginário infantil e adulto: o Menino Jesus e o Pai Natal. Embora pertençam a universos diferentes, um ligado à espiritualidade e à narrativa religiosa do nascimento, outro à fantasia lúdica e social, ambos desempenham papéis complementares no desenvolvimento emocional das crianças.

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