
Algumas crianças têm muitos amigos e outras são felizes tendo apenas um ou dois. Mas quase todas se preocupam em ter e em fazer amigos, mesmo quando parecem muito confiantes e rodeadas de outras crianças. No entanto nem todas têm facilidade para estabelecer um primeiro contacto.
Quando a criança não tem amigos ou acha que tem poucos amigos, pode sentir-se muito sozinha. Quando o seu melhor amigo não está presente porque ficou doente ou mudou de escola, por exemplo. Na escola, quando a criança se sente sozinha, é fácil pensar “toda a gente tem amigos menos eu!” e sentir-se mal, especialmente no intervalo e à hora do almoço. Ficar escondida num cantinho à espera que alguém repare em nos, tem poucas hipóteses de resultar. Mesmo que alguém repare, pode pensar que não somos muito amigáveis ou que queremos mesmo ficar sozinhos.

Para fazer amigos, pode bastar à criança apenas sorrir e cumprimentar com um simpático “olá” outro colega de quem gostaria de ser amiga, na sua turma, por exemplo. Pode também convidar esse colega que lhe parece simpático, para se sentar ao seu lado na cantina ou para brincar consigo no recreio. No intervalo, pode ir ter com os colegas que estão a jogar á bola (ou outra brincadeira) e perguntar se também pode jogar ou simplesmente juntar-se a um grupo que está a conversar e entrar na conversa. Pode ainda começar a falar com um colega com quem habitualmente não conversa. Todas estas estratégias podem ser o ponto de partida para uma nova amizade.

A prática desportiva ou as atividades extracurriculares, podem ajudar a criança a conhecer novos amigos e a interagir com eles, fora do contexto escolar, bem como com os vizinhos, que por vezes têm filhos com idades aproximadas. A melhor forma de fazer amigos é sermos “amigos”, ou seja, sermos simpáticos, partilharmos as nossas coisas, dizermos coisas positivas e oferecermos ajuda a quem dela precisar. Devemos também ter a capacidade de ouvir os outros com atenção e não querermos ser sempre nós a falar e a decidir o que se vai fazer, assim como não espalharmos boatos nem alinharmos em segredinhos e intrigas sobre os outros colegas. Se á primeira não conseguirmos fazer amigos, não devemos desistir, devemos sim continuar a agir naturalmente, sermos nós próprios e mais cedo ou mais tarde alguém quererá ser nosso amigo.

Os bons amigos passam tempo juntos, partilham os seus problemas, dificuldades mas também as suas conquistas e os e sentimentos, divertem-se juntos, confiam e respeitam-se uns aos outros, são leais e defendem-se mutuamente, preocupam-se com a felicidade dos amigos. Mas os bons amigos também precisam de espaço para estar sozinhos ou com outros amigos, tal como também pode acontecer connosco. Como conhecemos o valor da amizade, sabemos que desejar ter esse espaço de vez em quando, não significa afastamento.

Mesmo depois de utilizar as estratégias sugeridas, ainda assim a criança não conseguiu alcançar o seu objetivo, ou se teve dificuldade em dar sozinha estes passos, então poderá pedir ajuda a um adulto (ex. pais, irmãos mais velhos, professor, psicóloga). Qualquer um deles podem ajudar a fazer com que a criança se possa sentir melhor e a empreender esforços no sentido de construir novas amizades.

Aprender a identificar as diferentes emoções e também a fazer a sua gestão, pode ser o ponto de partida para o desenvolvimento de melhores competências relacionais. Em qualquer momento da vida, as podemos aprender…