O meu filho é um adolescente!

A puberdade traz grandes e rápidas mudanças físicas, emocionais e sexuais, sobre as quais os jovens não têm controlo. Estas mudanças requerem uma adaptação e uma compreensão das mesmas, sendo por vezes difícil ao adolescente lidar com o seu corpo e com os seus pensamentos, o que pode conduzi-lo a sentimentos de ansiedade mas também ao isolamento social.

Perante algumas questões como “será normal a minha aparência’” ou “o que é que os outros pensam de mim?”, o adolescente toma consciência de si mesmo mas também pode sentir alguma angústia, pela inevitabilidade das mudanças com as quais está a ter que lidar, sem que muitas vezes esteja preparado para tal. Por vezes, a segurança e as certezas da infância parecem desaparecer, dando lugar á incerteza e à ansiedade. Estes sentimentos são normativos, desde que o jovem consiga manter a sua funcionalidade a aos poucos, adaptar-se a um novo corpo, a um novo modo de estar e de se sentir. Porém, alguns adolescentes, pelas suas características, demoram mais tempo a fazer essa adaptação, com custos elevados no seu bem-estar pessoal, familiar e relacional.

A adolescência pressupõe uma “montanha russa” de emoções, que oscilam entre a alegria ou o entusiasmo e a tristeza ou o desespero. Crescer é difícil e emocionalmente exigente, e por vezes os sentimentos de confiança e independência dão subitamente lugar ao medo e à insegurança. Durante a adolescência, os jovens desenvolvem-se emocionalmente através de uma importante mudança no modo como se vêm a si mesmos e como compreendem a sua identidade. Procuram identificar-se com diferentes estilos de vida, modos de vestir e de se comportar, mas o autoconhecimento e a sua afirmação enquanto indivíduos, é geralmente um processo lento, stressante e doloroso.

Em termos relacionais, na adolescência os pares assumem uma importância maior, perturbando por vezes a relação do jovem com a família. Se por um lado a relação com os amigos é importante pela lealdade e amizade intensa que está implícita, bem como pela partilha e pela possibilidade de se expressarem, por outro lado, os jovens passam a aceitar dos pais uma menor influência nas suas decisões, podendo criar conflitos, com maior ou menor gravidade. No entanto, á medida que o tempo passa, o jovem vai descobrindo sua própria identidade e o seu lugar no mundo. Na maioria das vezes, ao entrarem na idade adulta, as tensões e os conflitos de gerações tendem a dissipar-se e a família volta a assumir uma importância de maior relevo na vida do jovem adulto.

O que podem os pais fazer no sentido de ajudar os seus filhos a ultrapassarem esta fase de crescimento, e ao mesmo tempo se regularem a si mesmos perante situações de conflito geracional? Esta é uma questão que muitos pais colocam com grande pertinência, uma vez que com o passar do tempo, os adultos podem ficar um pouco esquecidos e “desatualizados” acerca das tendências das novas gerações. Em primeiro lugar, perante um comportamento que possa parecer algo desadequado, é importante que os pais possam dar um passo atrás e refletir acerca do que foi a sua própria adolescência e de como se comportavam, perante determinados desafios, bem como na forma como se relacionavam com os seus próprios pais. A tolerância é a palavra-chave. Racionalizar e analisar que comportamentos podemos admitir, por serem inócuos e não constituírem perigo ou ameaça, quer à integridade dos jovens, quer ao sistema de valores da família e da sociedade, pode ser um caminho.

Por outro lado, há que estabelecer e fazer cumprir limites, o que de resto, deve já ser um hábito que vem da infância. Por vezes os pais têm sentimentos ambíguos, no que diz respeito às regras a estabelecer nesta fase da vida dos seus filhos. No entanto, estas são fundamentais tanto para a harmonia familiar como para a estruturação da personalidade do jovem. As imposições dos pais por vezes causam revolta e rebeldia nos adolescentes, que podem responder com indiferença ou revolta. Quebrar regras faz parte também do processo de desenvolvimento, porém, como em tudo na vida, o difícil é encontrar o equilíbrio entre sermos pais intransigentes ou pais negligentes. Para isso há que ajudar os jovens a entenderem o porquê de determinada regra e a razão para certos limites. É importante que os pais deixem bem claros os seus valores e até onde é que estão dispostos a serem flexíveis, assim como informarem os filhos, acerca do que para os si é inaceitável.

É bom ter em atenção outros fatores que podem coincidir com o período de adolescência dos filhos, como por exemplo uma separação ou divórcio, um novo relacionamento de um dos pais ou de ambos, o aparecimento de novos irmãos, ou situações como a mudança de casa, de cidade ou de país. Também podem ser relevantes outros acontecimentos como a mudança de emprego ou a reforma dos pais. Estas são situações comuns e que não têm necessariamente que ser um problema, mas podem potenciar algum nível de conflito ou de dificuldade de adaptação dos jovens, num momento do seu desenvolvimento em que estão naturalmente mais vulneráveis. Todos estes exemplos, por si só são potenciadores de ansiedade e de alguma instabilidade familiar, pelo que para os adolescentes, podem-se tornar mais difíceis de ultrapassar e ser necessária uma ajuda extra.

Outro assunto que surge com a entrada na adolescência é o sexo. Se para a maioria dos jovens é praticamente impossível conceberem que os pais possam ter uma vida sexualmente ativa, também para os pais pode não ser fácil de aceitar a eminência da iniciação sexual dos seus filhos. Porém, será certamente benéfico que os jovens estejam informados, no sentido de evitarem situações de risco. Assim, aos pais pode caber o papel de educadores a este nível, falando abertamente com os seus filhos adolescentes, sem tabus mas com respeito, mostrando abertura para o esclarecimento de dúvidas e o debate de ideias. Temas como a homossexualidade, a contraceção, as doenças sexualmente transmissíveis e também os sentimentos e emoções, entre outros, poderão ser debatidos em família, com maior ou menor intimidade, consoante o tipo constelação e relacionamento interpessoal familiar. Deste modo, os jovens poderão sentir-se mais confiantes e mais preparados para fazerem as suas escolhas.

Seja tolerante e principalmente atento ao seu filho adolescente. Ajude-o a atravessar esta fase por vezes difícil e solitária.

Porquê pedir apoio psicológico?

Nunca se ouviu tanto falar de saúde mental como atualmente, mas será que ainda há ideias pré-concebidas e estigma relacionado com o pedido de ajuda? Estará já devidamente normalizada a procura de um psicólogo/a?

Reconhece-se hoje em dia que, entre muitas outras patologias, a perturbação de ansiedade e a perturbação depressiva são as doenças do foro mental mais comuns, com elevada prevalência tanto em crianças e adolescentes, como em adultos e idosos. Em alguns casos, uma intervenção de caráter preventivo, pode fazer a diferença entre desenvolver a doença, por vezes até à cronicidade, ou aprender a lidar com a sintomatologia, impedindo que a doença evolua e se instale, comprometendo a funcionalidade e o bem-estar do indivíduo. Deste modo, é fundamental que o psicólogo/a seja visto como alguém que pode fazer a diferença, na vida de uma pessoa, de uma família ou até de uma comunidade.

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Verão, férias e burnout

As férias vão-se aproximando a passos largos, á medida que os dias ficam mais quentes e soalheiros. O tão desejado e necessário período de férias de verão está à porta! Mas será que sabemos utilizar os dias de descanso para realmente descansar e repor energias? E também para refletir sobre a forma como a vida profissional pode estar a afetar de forma negativa a nossa saúde?

O descanso e o “desligar” das atividades profissionais/escolares é necessário para o restabelecimento do corpo e da mente, após o desgaste físico e psicológico decorrentes de meses de um dia-a-dia rotineiro e exigente. O excesso de trabalho e de solicitações pode levar a situações de esgotamento físico e psicológico – o Burnout. Este resulta do stresse crónico mal gerido, associado principalmente ao trabalho, e caracteriza-se por uma sensação de falta de energia ou exaustão, distanciamento mental face à atividade profissional, sentimentos negativos e perda de eficiência relativamente ao próprio trabalho, com consequências graves para a saúde física e mental. Um inquérito da DECO PROTESTE (2018) apontou para a existência de cerca de 30% de pessoas em situação de Burnout em Portugal, ou seja, uma percentagem bastante significativa.

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A ansiedade e o medo da mudança

A Fernanda tem 43 anos e é acompanhada na consulta de psicologia clínica há cerca de 2 anos. É contabilista, casada, tem 3 filhos, bons amigos, um gato e uma perturbação de ansiedade. Procurou apoio psicológico devido a esta perturbação, que interferia com a sua funcionalidade, impedindo-a muitas vezes de agir…

Recentemente conseguiu tomar a decisão de mudar de casa, para uma casa maior e numa zona mais tranquila. O apartamento onde vivia nos arredores de Lisboa “sufocava-a” e desejava muito poder dar aos filhos a possibilidade de crescerem no campo e de brincarem na rua. Poucas semanas após a mudança, sente-se tão feliz, que por vezes ainda nem acredita que conseguiu fazer algo que há tanto tempo desejava, mas que o medo não a deixava avançar.

Em consulta diz à ‘psicóloga: ”Se não tivesse procurado ajuda e não tivesse feito todo este caminho, que faço consigo há quase 2 anos, tenho a certeza que nunca teria conseguido fazer esta mudança tão importante para a minha família e para a minha vida. Obrigada!”.

É por isto que adoro ser psicóloga 😊

Os pensamentos que “não me saem da cabeça”

Os pensamentos intrusivos são um sintoma comum a muitas perturbações psiquiátricas como a depressão, a ansiedade a perturbação obsessivo- compulsiva. Estes pensamentos são muito persistentes, recorrentes, incomodativos e difíceis de controlar.

O problema de ter “pensamentos intrusivos,” embora comum, é de certo modo desconhecido uma vez que muitas pessoas não sabem exatamente o que são e como se manifestam. Estes pensamentos são automáticos e surgem na mente, na maioria das vezes de forma negativa. Ocorrem sem que haja necessariamente um motivo que o desencadeie e parecem muito reais e concretos, podendo interferir diretamente nas emoções e nos sentimentos da pessoa.

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Adolescência: regulação emocional e relacional

O desenvolvimento de competências sociais resulta da aprendizagem comportamental e relacional positiva. A adolescência, é um período da vida em que o relacionamento interpessoal sofre grandes alterações, em que se estabelecem novos relacionamentos e em que as relações com o grupo de pares assumem uma maior relevância.

Atualmente, a intervenção precoce na área da saúde mental juvenil, por meio de estratégias de prevenção e promoção da saúde e de estilos de vida saudáveis, assume cada vez mais importância. As normas internacionais orientam para uma maior preocupação com este assunto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2001) determinadas perturbações mentais como a ansiedade ou a depressão, podem derivar da dificuldade de alguns jovens em lidarem com o stresse gerado pelas relações sociais. Assim, torna-se fundamental o desenvolvimento de competências socio emocionais.

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Saúde mental: atenção aos sinais e aja precocemente

Não há nada exterior a nenhum de nós que nos possa garantir ausência de sofrimento. Ainda que muitos possamos ter todas as coisas que tipicamente utilizamos para medir o sucesso externo (ex. boa aparência, pais carinhosos, filhos incríveis, estabilidade financeira, bons amigos, uma relação conjugal satisfatória, etc.) isso pode não ser suficiente para garantir o nosso bem-estar psicológico.

 Os seres humanos podem usufruir de várias formas de conforto, entusiasmo e diversão, e mesmo assim experimentar grande sofrimento emocional. Os investigadores na área da psiquiatria e psicologia estão familiarizados com as sombrias estatísticas que confirmam uma dura realidade de indivíduos com enorme dor emocional, desespero e angustia. Estudos promovidos pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), por exemplo, revelam que as taxas de prevalência de perturbação mental ao longo da vida rondam atualmente os cerca de 50%.Muitas pessoas apresentem sofrimento emocional em consequência de problemas no trabalho, nos relacionamentos, na parentalidade e com as transições naturais do curso de vida, entre outros (Kessler et al., 2005).

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Terapia de casal

A intervenção psicológica em situação de casal, foca-se no casal e não na relação em si. O importante é avaliar cada elemento do casal e intervir no sentido de melhorar a sua saúde emocional. Pessoas emocionalmente estáveis tendem a ter relações mais saudáveis e satisfatórias.

Os fatores de base para a manutenção de uma relação de casal satisfatória são o amor e a vontade de continuarem juntos. Quando surgem dificuldades ao nível relacional, os erros mais comum são a procura tardia de ajuda, a cedência “por arrasto” de um dos elementos do casal para comparecer às sessões terapêuticas, ou seja a falta de sintonia no processo de mudança, quer por não reconhecer que há um problema na relação, quer por, embora reconhecendo a existência de dificuldades, não esteja preparado para dar início ao processo de mudança. Ainda que reconhecendo problemas relacionais e estando preparados para mudar, podem haver fatores que impeçam ou dificultem o empreendimento de ações de mudança.

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“Donas de casa” e saúde mental

São muitas as variáveis que podem afetar a saúde mental das mulheres. Há especificidades biológicas e, principalmente, perspetivas sociais que orientam para uma inegável diferença de género, no que diz respeito à incidência e prevalência das perturbações psiquiátricas.

Hoje em dia, exercer a atividade de ”dona de casa”, ou seja, a mulher dedicar-se à casa e à família em exclusividade, sem desempenhar uma atividade profissional e remunerada, pode coloca-la numa situação de vulnerabilidade, por diversas ordens de razão. Podem haver fatores de risco para o desenvolvimento de psicopatologia, decorrentes da multiplicidade de papéis desempenhados e das inúmeras situações ansiogéneas às quais estas mulheres, nesta condição, poderão estar mais propensas. Estas vulnerabilidades relacionais, associadas aos processos biológicos (Ex. menarca, gravidez e menopausa) e potencialmente agravadas por questões sociais e económicas, como por exemplo a cítica, o isolamento social, a incompreensão, a violência doméstica, a dependência financeira ou a pobreza, podem comprometer a saúde mental destas donas de casa.

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Um olhar sobre o envelhecimento bem-sucedido

Existe uma grande variedade de conceções sobre aquilo que é o envelhecimento “bem-sucedido”. O processo de envelhecimento inclui a necessidade de acomodar alterações físicas, limitações funcionais e outras alterações a nível do funcionamento psicológico e social, embora possam haver diferenças individuais significativas no início, no decurso e na dimensão dessas alterações.

A maioria dos adultos mais velhos adapta-se com sucesso às alterações normativas do processo de envelhecimento. Uma perspetiva desenvolvimentista relacionada com a longevidade propõe que, apesar dos decréscimos biológicos associados ao envelhecimento, existe potencial para um desenvolvimento e crescimento psicológico positivo numa fase da vida mais avançada. O trabalho dos profissionais, nomeadamente na área da psicologia, é moldado por uma perspetiva desenvolvimentista, uma vez que estes se baseiam na resiliência psicológica e social, construída ao longo do ciclo de vida para abordar efetivamente os problemas da etapa mais tardia do ciclo de vida.

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