O que é a Misofonia?

A Misofonia refere-se a uma condição em que há uma forte aversão a certos sons específicos, em resposta aos quais o indivíduo relata experiências emocionais muito intensas de repulsa.

A Misofonia é a hipersensibilidade que alguns indivíduos têm a sons específicos do quotidiano, sons esses que podem levar a reações extremas e desadequadas, que incluem a raiva, a irritabilidade ou o pânico. Esta perturbação é também conhecida como Síndrome de Sensibilidade Seletiva do Som (SSSS ou S4). Os sintomas da Misofonia podem ter início em qualquer idade a partir do final da infância e início da adolescência. Por norma a reação aversiva é desencadeada por um som específico, ao qual há tendência para se irem acrescentando outros sons. Exemplos destes sons são a respiração, a mastigação ou a deglutição de outrem, o clique de uma caneta ou o pingar de uma torneira. Ao ser exposto a determinado som, o indivíduo reage de forma exacerbada, sente extrema irritabilidade e pode mesmo ter reações violentas.

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Quando a criança diz que tem poucos amigos

Algumas crianças têm muitos amigos e outras são felizes tendo apenas um ou dois. Mas quase todas se preocupam em ter e em fazer amigos, mesmo quando parecem muito confiantes e rodeadas de outras crianças. No entanto nem todas têm facilidade para estabelecer um primeiro contacto.

Quando a criança não tem amigos ou acha que tem poucos amigos, pode sentir-se muito sozinha. Quando o seu melhor amigo não está presente porque ficou doente ou mudou de escola, por exemplo. Na escola, quando a criança se sente sozinha, é fácil pensar “toda a gente tem amigos menos eu!” e sentir-se mal, especialmente no intervalo e à hora do almoço. Ficar escondida num cantinho à espera que alguém repare em nos, tem poucas hipóteses de resultar. Mesmo que alguém repare, pode pensar que não somos muito amigáveis ou que queremos mesmo ficar sozinhos.

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Bem-Estar e Saúde Psicológica

Organização Mundial de Saúde (OMS) define Saúde Psicológica como um estado de bem-estar que permite que a pessoa realize as suas capacidades e o seu potencial, que lide com o stresse normal do dia-a-dia e que trabalhe produtivamente e contribua ativamente para a sua comunidade.

A Saúde Psicológica é parte integrante da Saúde do ser humano, considerando-se que não há Saúde sem Saúde Psicológica. Relaciona-se com a capacidade de utilizarmos as nossas competências e capacidades para gerir os desafios do quotidiano, nos diferentes contextos em que vivemos (ex. familiar, escolar ou profissional). A Saúde Psicológica está associada também com o modo como pensamos, sentimos, avaliamos as situações, nos relacionamos com os outros e tomamos decisões. Quando estamos psicologicamente saudáveis, sentimo-nos confiantes e capazes de lidar com a nossa vida e de nos relacionarmos com os outros.

A felicidade e o bem-estar são frequentemente utilizados como sinónimos de Saúde Psicológica. A forma como avaliamos positivamente os acontecimentos de vida, em termos de experiências agradáveis e emoções positivas (ex. amor, alegria, tranquilidade, gratidão, esperança…), vai influenciar a nossa Saúde Psicológica. Quando nos sentimos felizes e de bem com a vida e conosco mesmos, enérgicos e disponíveis para os outros, podemos dizer que temos uma boa Saúde Psicológica e que esta contribui para a nossa satisfação com a vida.

Os estilos de vida saudáveis, o autocuidado, o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida familiar e as relações positivas e de qualidade, são fatores determinantes para a nossa Saúde Psicológica. Adotar uma alimentação racional e a prática de exercício físico, pode ser o primeiro passo para nos tornarmos mais saudáveis, através do benefício que estas duas práticas têm para a saúde física e consequentemente para a Saúde Psicológica. Por outro lado, não nos podemos esquecer de nos mimar. Realizar atividades que nos dão prazer ou dedicarmos algum do nosso tempo a passatempos que nos são agradáveis, como por exemplo a leitura, a escrita, a música, passeios ao ar livre, realizar ações de voluntariado, etc., também contribui para o bem-estar pessoal.

A socialização é fundamental para que nos sintamos bem e permite uma série de interações prazerosas que irão contribuir para o aumento da nossa satisfação com a vida. Relações positivas e saudáveis, ajudam por meio da partilha, da diversão e do apoio que nos podem trazer, a sentirmo-nos bem e a atribuirmos á nossa existência positividade, alegria e até um propósito. A família e os amigos têm um papel essencial na nossa Saúde Psicológica. O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional consegue-se muitas vezes, com a ajuda dos que connosco partilham histórias, experiencias e preferências.

Reveja a sua vida e faça um balanço de como a está a gerir. Procure introduzir momentos de autocuidado para que se consiga reequilibrar e recentrar. Não descure a sua Saúde Psicológica pois sem ela não poderá ser feliz!

A criança e a perturbação de ansiedade

O ser humano, na sua luta pela sobrevivência, tem desde sempre a necessidade de se proteger perante situações adversas e ameaçadoras, que fazem parte do seu quotidiano. Nessas situações, o organismo está preparado para uma reação imediata perante o perigo, através da libertação de substâncias químicas que produzem sensações físicas e mentais, como a aceleração dos batimentos cardíacos, o aumento da transpiração, o estado de alerta, o instinto de fuga ou pelo contrário, o instinto de enfrentamento da situação potencialmente perigosa.

Todas estas sensações têm o propósito de preparar o organismo para uma reação de proteção frente ao perigo. Algum tempo depois, estas sensações diminuem devido à ação do sistema nervoso parassimpático, o que provoca uma sensação de relaxamento. Além das respostas fisiológicas, são ativados mecanismos cognitivos (antecipação de consequências desastrosas), motivacionais (desejo de estar longe da situação traumática), emocionais (sentimento de medo) e comportamentais (fuga ou ação).

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Luto, um processo difícil

O luto é a reação emocional a uma perda. O processo de adaptação á perda implica algumas emoções, cognições e comportamentos comuns à maioria dos seres humanos. Sentimentos de tristeza profunda, negação ou o isolamento social, são exemplos de reações padrão da pessoa enlutada.

São várias as emoções normativas presentes num processo de luto, sendo as mais comuns a tristeza, com ou sem manifestações de choro; a raiva, por não ter podido fazer nada para evitar a perda; a culpa, na maioria das vezes irracional por não ter conseguido evitar a morte do ente querido; a ansiedade por ter medo de não conseguir sobreviver sem a pessoa que morreu ou pela tomada de consciência da sua própria finitude ao confrontar-se com a “partida” de alguém próximo; a solidão e o desamparo, principalmente em casos de viuvez após uma relação muito duradoura e feliz; a fadiga, especialmente se o período antecedente à morte de uma pessoa foi física e emocionalmente muito exigente para o enlutado; o alívio ou libertação, por ver terminar um sofrimento muito doloroso de alguém significativo e a saudade, esse termo tão português e que significa sentir dolorosamente a falta de algo ou de alguém que se perdeu.

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Quando o meu filho não gosta da professora…

Em contexto escolar, nem todas as relações são pacíficas entre pares. Gosta-se mais de uns do que de outros, como é natural, e o mesmo acontece em relação aos professores. Cada professor tem a sua personalidade, a sua forma de comunicar, de ensinar e até de repreender, o que  faz com que por vezes alguns alunos não gostem de alguns professores.

Á semelhança do que pode acontecer com qualquer outra pessoa, por vezes a criança/adolescente pode não gostar de um determinado professor. Pode acontecer que haja um “choque” de personalidades e que nem sempre a relação do aluno com um certo professor, seja a melhor. Por outro lado, assim como há alunos mais aplicados e bem-comportados do que outros, também há professores mais competentes e mais assertivos do que outros. No entanto, de um modo geral, os professores gostam dos alunos, querem dar-se bem com eles, têm prazer em ensina-los, em transmitir-lhes conhecimento, bem como a ajudar nas dificuldades e a elogiar e reforçar os bons desempenhos.

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Resiliência, o que significa afinal esta palavra que se tornou tão comum?

Resiliência é a capacidade que nos permite lidar com os nossos problemas, superá-los, adaptarmo-nos às mudanças e transformarmos experiências negativas em forças.

 Ser resiliente faz com que consigamos gerir melhor o stresse das situações difíceis e que aproveitemos o que a vida tem de bom para nos dar, mesmo quando alguns aspetos possam ser menos bons. A resiliência não vai fazer com que os nossos problemas desapareçam, não é uma espécie de “varinha mágica” que possuímos para resolver as dificuldades. Ser resiliente também não é ter a capacidade de aguentar sozinho todos os acontecimentos negativos, sem nos queixarmos. Pelo contrário, é importante que se saiba pedir ajuda quando dela precisamos.

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É a Minha Psicóloga!

O Ricardo tem 13 anos e está em acompanhamento psicológico há cerca de 6 meses devido ás suas dificuldades relacionadas com um quadro de Ansiedade Generalizada, mas também por dificuldades na adaptação ao divórcio dos pais e ás consequentes alterações da sua rotina. Em consulta, o Ricardo refere não conseguir falar das suas preocupações, nem com o pai, nem com a mãe, por sentir que ambos estão instáveis e que não o iriam compreender. Por outro lado, deixa entender que não quer ser mais um problema para os pais e manifesta alguns sentimentos de culpa em relação á separação. Encontra no “espaço e no tempo” da consulta, o momento em que expressa as suas emoções, manifesta os seus medos mas também partilha as suas conquistas escolares e do vólei, que começou a praticar recentemente. Na última consulta em que esteve com a psicóloga verbalizou “com a Dra. eu estou á vontade…posso contar tudo e até dizer alguns disparates, porque a senhora é a Minha Psicóloga”. É tão bom ouvir destas coisas…

Apoio social – a criança e a família

O apoio social ou suporte social integram o ambiente social e as pessoas que fazem parte da rede social real do indivíduo. O apoio social pode ser entendido como objetivo ou subjetivo, ou seja, apoio recebido e apoio percebido.

O apoio subjetivo ou percebido traduz-se na experiência pessoal de se saber que “aquelas pessoas” estão lá, se for necessário, ainda que não haja uma interação direta e objetiva. Ter a consciência de que se tem alguém a quem recorrer, se necessário, parece ser mais tranquilizante e securizante do que propriamente pedir e usufruir de ajuda efetiva. O apoio social objetivo e por isso recebido refere-se ao conjunto de interações e trocas que o indivíduo recebe daqueles por quem se considera querido, desejado, respeitado e envolvido. O sujeito vai reconhecer a disponibilidade dos que lhe são próximos, e a possibilidade de recorrer a estes e ser correspondido se o necessitar, o que lhe trás conforto e segurança.

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A satisfação individual com o apoio social está muito associada à saúde e ao bem-estar físico e psicológico, bem como à satisfação com a vida e à existência de afetos positivos em relação a si mesmo e aos outros. Deste modo, a perceção do suporte social ou as expectativas de que o apoio existirá se for necessário, tem sido considerado um elemento facilitador do bem-estar pessoal e social dos indivíduos, perante desafios e dificuldades com que se vão confrontando ao longo do seu percurso de vida. É um fator mediador do impacto das situações adversas ou perturbadoras do bem-estar físico e emocional.

O suporte social pode ter uma função preventiva e/ou curativa em relação aos acontecimentos de vida negativos e à doença, e uma função estimulante e gratificante, promotora de mais felicidade e de vivências positivas. Este suporte está positivamente associado ao confronto com novas situações ou situações potencialmente stressantes, reduzindo a tensão e a sensação de falta de controlo das mesmas.

No que diz respeito às crianças e á família enquanto grupo de apoio social, parece haver um efeito protetor para a maior parte das crianças e adolescentes, quando a família lhes dá atenção adequada e apropriada durante o primeiro ano de vida, mesmo quando estes estão inseridos em ambientes de risco. Fatores como a confiança, a atenção, a empatia, a disponibilidade, o respeito e as expectativas elevadas relativamente aos resultados escolares e comportamentais, o suporte, o afeto e os bons modelos comportamentais são considerados responsáveis por este efeito protetor.

A partilha das tarefas do dia-a-dia em família pelos dois elementos do casal é encarada como benéfica para o desenvolvimento infantil, sendo a preocupação com os limites e as regras, a presença conjunta em atividades de lazer e o investimento no incentivo de responsabilidades, fatores fulcrais para o desenvolvimento do ajustamento psicológico de crianças e jovens e para o seu bom desempenho escolar.

Outro fator que permite potenciar o papel positivo da família, no ajustamento da criança ou do jovem, é a possibilidade de permitir a sua participação ativa em contexto familiar, criando condições para que este seja ouvido e a sua opinião possa ser levada em consideração nas tomadas de decisões importantes para a família ou na programação de atividades familiares, por exemplo de lazer. Este fator é muito importante uma vez que potencia o desenvolvimento do sentimento de pertença e de responsabilidade, aumentando também as expectativas em relação ao futuro e promovendo a persistência para a definição e alcance de metas e objetivos.

Uma família enquanto grupo protetor e apoiante, deverá ter a preocupação de comunicar de forma positiva e efetiva, fornecer apoio á criança ou adolescente, facilitar a expressão de pensamentos e sentimentos, permitir a discussão dos assuntos relevantes, minimizar os conflitos, negociar os planos da família e desenvolver a cooperação e a confiança entre pais e filhos. Pode ser necessário, em alguns casos, recorrer a um apoio familiar regular para que estas sejam ajudadas adquirir as competências necessárias para que possam a agir de forma a potenciar o adequado desenvolvimento emocional das suas crianças/jovens.