Quem cuida do cuidador?

Cuidadores informais

Ser Cuidador Informal implica uma enorme sobrecarga a nível físico, psíquico, social e financeiro. Todos os benefícios que possam ser atribuídos a estas pessoas irão ajudar na manutenção da sua saúde, do seu bem-estar e da sua qualidade de vida.

São considerados Cuidadores Informais, os cônjuges ou unidos de facto, parentes ou afins até ao quarto grau da linha reta ou da linha colateral da pessoa cuidada, que acompanham e cuidam dela de forma permanente ou regular. Estima-se que em Portugal existam entre 230 mil a 240 mil pessoas cuidadas em situação de dependência. O Estatuto do Cuidador Informal foi aprovado em 2019 por uma lei que tem como objetivo regular os direitos e os deveres do cuidador e da pessoa cuidada, estabelecendo as respetivas medidas de apoio, entre as quais a atribuição de um subsídio de apoio, o descanso a que têm direito e medidas especificas relativamente à sua carreira contributiva ou proteção laboral, no caso do cuidador não principal, isto é, aquele que cuida de forma regular mas não permanente.

Cuidador informalO Cuidador Informal Permanente é aquele que vive em comunhão de habitação com a pessoa cuidada e que por esse motivo não pode exercer uma atividade profissional nem receber qualquer remuneração decorrente da mesma, ou pelos cuidados que presta à pessoa cuidada. Por outro lado, o Cuidador Informal Regular poderá ou não auferir uma remuneração por atividade profissional ou pelo apoio prestado à pessoa cuidada. Assim, qualquer que seja o tipo de cuidados informais que presta, permanentes ou regulares, o Cuidador Informal é alguém que dedica o seu tempo e os seus recursos enquanto pessoa, no cuidado ao outro, abdicando por vezes de uma carreira profissional ou limitando a progressão da mesma, quase sempre por amor e muitas vezes com pouco reconhecimento por parte da sociedade.

Estatuto de cuidador informalSendo a pessoa cuidada total ou parcialmente dependente, por motivos de doença, quer física, quer mental ou muitas vezes a conjugação de ambas, o papel do cuidador é de extrema importância, responsabilidade, dedicação e exigência. Cuidar de um doente não é tarefa fácil, nem em termos físicos mas sobretudo em termos emocionais. Entre os principais problemas sentidos pelos Cuidadores Informais destacam-se o stresse, o isolamento, a exaustão física e/ou psicológica, as dificuldades financeiras ou a instabilidade laboral, porque trabalham sem horário, sem dias de descanso, sem vencimento, e na maioria das vezes sem a formação adequada para fazerem face à situação em que se encontram. A estas pessoas falta também o tempo para si mesmos,  a disponibilidade para as atividades lúdicas e para a manutenção das suas relações sociais, o que contribui para a degradação do seu bem-estar físico e psicológico.

Cuidar de quem cuidaE então o que vai acontecer com essas pessoas que dedicam as suas vidas a cuidar dos outros? Deixam de ter vida própria, colocam em causa a sua própria saúde física e emocional por carregarem um fardo tão pesado? Pois é, há que dar a essas pessoas as ferramentas necessárias ao desempenho de tão nobre função mas também fornecer-lhes acompanhamento e capacitação para que se possam preservar enquanto indivíduos e manter alguma da sua qualidade de vida. A par dos apoios financeiros que possam ser atribuídos pelo estado, a participação em workshops e formações acerca da doença/problemática da pessoa cuidada, poderá fornecer aos cuidadores, meios de compreensão mas também de uma atuação mais adaptativa perante a realidade que vivenciam. O apoio psicológico e a promoção de apoio social poderão ser benéficos, quer no alívio da sintomatologia depressiva ou ansiosa tão comum nos cuidadores, como na sua reintegração na sociedade, quando em caso de morte da pessoa cuidada, o seu papel termina.

Cuidadores informaisVoltar a estar laboral e socialmente ativo pode ser mais difícil do que possa parecer. Após um longo período, por vezes muitos anos, a cuidar de alguém que está completamente dependente obriga a uma exclusividade total e à renúncia de muitas atividades salutares. As rotinas instalam-se e as pessoas perdem alguns hábitos que por opção própria lhes traziam felicidade. Retomar hábitos perdidos, relações interrompidas por falta de disponibilidade, atividades suspensas por falta de recursos financeiros ou tempo, pode ser tarefa difícil quando a situação de repente se altera. Por vezes, aliado ao sentimento de alívio de ver terminar o sofrimento de alguém de quem se cuidou, pode estar um sentimento de culpa. De repente o cuidador vê-se sem a pessoa de quem cuidava, sem as tarefas que lhe preenchiam o dia e por vezes a noite. Há casos em que o retomar da “normalidade” é difícil, não só porque se perdeu o “fio condutor” mas também porque a pessoa fica numa situação de enorme fragilidade emocional.

Cuidar de quem cuidouA intervenção psicológica pode dar uma boa ajuda. Programas de estruturação comportamental juntamente com o apoio à expressão emocional podem fazer toda a diferença, no retomar de uma vida que se quer feliz.

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Lei n.º 100/2019 – Diário da República n.º 171/2019, Série I de 2019-09-06

 

 

Pensar o Natal

NatalEntrámos uma vez mais na quadra natalícia! De uma forma ou de outra, cada um de nós vive o Natal à sua maneira. Mas que maneiras são essas de vivermos o Natal? As crenças cristãs, a festa da família ou o momento das compras e dos presentes, são modos de se vivenciar esta quadra, de forma mais ou menos adaptativa, mais ou menos feliz e que merece alguma reflexão.

Entre o final de Outubro e o início do mês de Novembro, começam a ver-se as lojas enfeitadas, as ruas iluminadas, as grandes superfícies movimentadas e as pessoas, mais ou menos entusiasmadas com a aproximação do Natal! Mas que significado atribuem ao Natal todas essas pessoas? Pois bem, parecem haver três formas distintas ou complementares de se vivenciar a quadra natalícia: o Natal cristão, o Natal do convívio e da confraternização e o Natal do consumismo. Á semelhanças de outras situações, a vivência do Natal deveria ser pautada pelo equilíbrio entre cada uma destas formas de se lhe atribuir importância. A palavra Natal deriva do latim natalis, que vem de nascor, que significa nascimento e que tem como referência o nascimento de Jesus que se celebra todos os anos no dia 25 de Dezembro. Esta data tem o valor simbólico da esperança e da possibilidade de mudança para melhor, que poderá advir do novo ano que se avizinha.

NatalSe retirarmos ao Natal a simbologia cristã, este poderá ser vivido como a festa da família, não tão virada para a celebração do nascimento mas para o convívio e para a confraternização, daqueles que durante o resto do ano poderão ter poucas possibilidades de se reunirem. É certo que Natal é nascimento mas porque não celebrar o renascimento das emoções que o reencontro evoca? Esta é sempre uma época aguardada pela maioria das pessoas para se juntar á volta da mesa, da árvore de Natal, do presépio… e de partilhar. Partilhar memórias, relembrar a infância, recordar os que já partiram, partilhar experiências que foram sendo vividas ao longo do ano e também partilhar presentes. As celebrações natalícias podem em alguns casos perder o caráter religioso e adquirir um caráter social e de afetos. Não será menos importante. Por vezes, é nesta celebração e reencontro que se tem a possibilidade de apaziguar ou resolver qualquer questão ou dificuldade que tenha surgido durante o ano. Podem-se reestabelecer laços quebrados, resolver conflitos familiares, introduzir novos elementos no seio familiar e fazer desta época festiva um momento de conciliação e amor.

Época natalíciaDepois temos as compras, os presentes, o consumismo e lá vem o Pai-Natal. Este tema poderá ser sensível se cairmos no extremo do comprar porque sim, por obrigação, por dever ou para ostentar. Mas também pode ser visto como um momento de oferecer como forma de expressar afeto, de agradar a quem se ama, de partilhar com quem tem menos ou de dar algo de nós, como quando fazemos nós mesmos o presente. A própria sociedade, nomeadamente a organização laboral prevê o subsídio de Natal e a tolerância de ponto, para que este possa ser um momento de maior abundância e de disponibilidade para o outro. Para além disso há as promoções, tão características desta quadra, que apelam ao consumo e que muitas famílias aproveitam, não apenas para comprar presentes para oferecer mas também para melhorarem a sua qualidade de vida.

NatalQualquer que seja a sua forma de viver o Natal, cristã, de confraternização ou de consumo, ou se se revê numa forma mista, talvez a mais comum, em que o simbolismo cristão se alia à união, convívio e troca de presentes, desejo-lhe um feliz Natal e um Novo Ano cheio de esperança, prosperidade e amor.