Porque é que somos tão duros connosco? O papel da autocrítica na experiência emocional

Person facing mirror with critical words reflection

A forma como falamos connosco próprios é, muitas vezes, mais exigente, crítica e implacável do que aquela que utilizamos com os outros. Perante um erro, uma falha ou uma dificuldade, é frequente surgirem pensamentos como “Não fui capaz”, “Devia ter feito melhor” ou “Isto diz muito sobre mim”. Esta tendência para a autocrítica, embora comum, pode ter um impacto significativo na forma como experienciamos as nossas emoções e nos posicionamos perante os desafios do quotidiano.

Do ponto de vista psicológico, a autocrítica pode ser compreendida como uma estratégia interna de regulação, ainda que, muitas vezes, disfuncional. Em alguns casos, desenvolve-se como uma tentativa de prevenir erros futuros, manter padrões elevados ou evitar a rejeição por parte dos outros. A ideia subjacente é, frequentemente, a de que “se for suficientemente exigente comigo, consigo melhorar ou evitar falhar”. No entanto, a evidência sugere que este padrão tende a associar-se a níveis mais elevados de ansiedade, depressão e desvalorização pessoal (Blatt, 2004).

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Divórcio e Solidão: Os Desafios Emocionais para as Mulheres

O divórcio representa uma das experiências de vida mais desafiantes e emocionalmente exigentes que uma pessoa pode enfrentar. No caso das mulheres, especialmente em contextos socioculturais onde o casamento ainda é encarado como um dos pilares da identidade feminina, o divórcio pode ser vivido não apenas como uma rutura relacional, mas também como uma crise existencial. A solidão que muitas mulheres divorciadas sentem não se limita à ausência de um companheiro, ela é, frequentemente, mais profunda, refletindo um sentimento de desenraizamento, perda de pertença e até desvalorização pessoal.

Do ponto de vista psicológico, a solidão pode ser definida como a perceção subjetiva de isolamento ou de desconexão emocional face aos outros. No caso das mulheres divorciadas, esta perceção pode ser amplificada por diversos fatores. Em primeiro lugar, há frequentemente uma quebra nas rotinas sociais partilhadas durante o casamento, como jantares com amigos em comum ou alguns eventos familiares, levando à redução dos círculos sociais. Além disso, o estigma social ainda presente em certas comunidades, pode fazer com que estas mulheres se sintam marginalizadas ou julgadas, o que pode reforçar sentimentos de exclusão.

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