A Psicologia e o Amor Romântico

O amor romântico tem sido, desde sempre, um dos temas mais explorados pela arte, pela filosofia e, mais recentemente, pela psicologia. Cantado em músicas, descrito em poemas e idealizado em filmes, o amor continua a ser uma das forças mais intensas e mais complexas da experiência humana. Mas o que diz a psicologia sobre ele?

Em primeiro lugar, dizer que o amor é um fenómeno biológico e psicológico em simultâneo. Quando nos apaixonamos, o cérebro entra num verdadeiro turbilhão químico: a dopamina dá-nos prazer e euforia, a oxitocina cria vínculos e confiança, e a adrenalina acelera o coração e as emoções. O “frio na barriga” ou as “borboletas” tantas vezes referidas, e a sensação de viver num mundo mais colorido têm, afinal, uma base neuroquímica.

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Perfeccionismo: Entre a Excelência e a Autossabotagem

O perfeccionismo, frequentemente valorizado numa sociedade orientada para o desempenho, é muitas vezes confundido com rigor, competência ou motivação para alcançar padrões elevados. Contudo, do ponto de vista da Psicologia Cognitivo-Comportamental (PCC), o perfeccionismo constitui um conjunto de crenças rígidas e exigências internas que pode comprometer significativamente o bem-estar emocional, o funcionamento interpessoal e o rendimento académico ou profissional. Longe de ser apenas “gostar de fazer bem”, o perfeccionismo envolve uma relação disfuncional com o erro, com a autoavaliação e com a perceção de valor pessoal.

A PCC conceptualiza o perfeccionismo como um padrão cognitivo caracterizado por pressupostos condicionais e regras absolutistas do tipo: “Tenho de acertar sempre”, “Se falhar, significa que não sou capaz”, ou “Os outros só me valorizam se eu fizer tudo na perfeição”. Estas crenças, aprendidas ao longo da vida, frequentemente em contextos familiares muito exigentes, ambientes competitivos ou experiências precoces de crítica, tornam-se esquemas orientadores do comportamento. A pessoa passa a interpretar o mundo através de um filtro que associa erro a fracasso pessoal, e desempenho a validação. O resultado é um ciclo constante de autoavaliação negativa, hipervigilância em relação a falhas e evitamento de situações onde exista risco de imperfeição.

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