Ciúme enquanto Construção Cognitiva

O ciúme, frequentemente interpretado como uma resposta emocional instintiva ou reativa, é na realidade um fenómeno psicológico complexo que emerge da interação entre estruturas cognitivas profundas, normas internas e processos de pensamento disfuncionais. A sua manifestação não é aleatória, mas sustentada por padrões de funcionamento mental que se autoalimentam e reforçam, dificultando a autorregulação emocional e comprometendo o equilíbrio relacional.

No cerne deste sistema encontram-se as crenças centrais, entendidas como esquemas cognitivos nucleares que estruturam a perceção do self, do outro e das relações interpessoais. Estas crenças são frequentemente formadas em fases precoces do desenvolvimento e tornam-se automáticas e inconscientes, operando como lentes que distorcem a realidade. Quando negativas, estas crenças moldam uma visão autodepreciativa ou desconfiada do mundo relacional. Por exemplo, a convicção “eu não sou digno de ser amado” pode conduzir a interpretações distorcidas de comportamentos neutros do parceiro, ativando estados emocionais como insegurança, ansiedade e medo de abandono (Beck, 1979).

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Saúde Mental e Académica: A Necessidade de Apoio Psicológico aos Jovens Universitários

À medida que o final do ano letivo se aproxima, muitos estudantes académicos em Portugal enfrentam um aumento significativo de stresse, ansiedade e exaustão emocional. A pressão das avaliações, a incerteza quanto ao futuro e a sobrecarga de tarefas acumuladas ao longo do semestre tornam esta fase particularmente exigente. Neste contexto, a procura por apoio psicológico tem-se tornado não só mais frequente, mas também mais urgente e necessária.

Não é novidade que a saúde mental dos estudantes universitários se encontra fragilizada. Um estudo realizado pelo Observatório Nacional da Saúde Mental Estudantil (ONSAME) em 2023 revelou que cerca de 63% dos estudantes inquiridos referiram sentir níveis elevados de ansiedade durante o período de exames, e 41% admitiram ter considerado procurar ajuda psicológica, embora muitos não o tenham feito devido a estigmas ou à falta de recursos acessíveis.

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