Compulsão alimentar: quando a comida se torna uma resposta às emoções

Healthy grain bowl beside a burger and fries in a takeout box

Comer é uma necessidade básica, mas também uma experiência associada ao prazer, às emoções e às relações sociais. Em determinados momentos, a alimentação pode tornar-se uma forma de procurar conforto, aliviar a tensão ou lidar com sentimentos difíceis. Contudo, quando este comportamento se torna frequente, acompanhado de uma sensação de perda de controlo e de sofrimento emocional, poderá estar associado a uma perturbação do comportamento alimentar.

A compulsão alimentar é uma realidade frequentemente vivida em silêncio e que pode afetar significativamente o bem-estar psicológico e a qualidade de vida. Compreender o que está por detrás deste comportamento é fundamental para reconhecer o problema e procurar ajuda. A Perturbação de Ingestão Alimentar Compulsiva caracteriza-se pela ocorrência repetida de episódios em que a pessoa ingere uma quantidade de alimentos significativamente superior à habitual, num período relativamente curto, acompanhada da sensação de não conseguir controlar o que come. Durante estes episódios, é frequente comer rapidamente, mesmo sem sentir fome, continuar a comer apesar do desconforto físico ou fazê-lo às escondidas. Posteriormente, podem surgir sentimentos de culpa, vergonha ou desvalorização pessoal.

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Setembro, um novo começo? Quando recomeçar não significa começar do zero

Leaf-covered path winding through an autumn forest beside a wooden fence

Há qualquer coisa em setembro que nos convida a recomeçar. Terminam as férias, regressam os horários, as obrigações escolares e laborais, reorganizam-se agendas e, quase sem darmos conta, começamos muitas vezes a pensar no que gostaríamos de mudar. Mas será mesmo necessário entrar em setembro com uma nova versão de nós próprios? Essa necessidade de mudança não põe muita pressão no recomeço?

Embora janeiro seja tradicionalmente o mês associado aos grandes recomeços, setembro pode também representar um momento particularmente propício à mudança e à reorganização. O final do verão e o regresso às rotinas funcionam como uma espécie de marco temporal, separando aquilo que ficou “antes das férias” do período que agora começa. A investigação em Psicologia descreve precisamente este fenómeno como fresh start effect — efeito de novo começo. Determinados momentos, como o início de um ano, de um mês ou de uma semana, um aniversário ou o começo de um novo ciclo, podem aumentar temporariamente a motivação para estabelecer novos objetivos e introduzir mudanças nas nossas vidas (Dai, Milkman & Riis, 2014).

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PHDA no Adulto: Quando o Défice de Atenção Passa Despercebido Durante Anos

Woman at a busy desk surrounded by project calendars, sticky notes, and multiple screens showing tasks and time.

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é frequentemente associada à infância, sobretudo a crianças muito agitadas, impulsivas ou com dificuldades evidentes em contexto escolar. No entanto, atualmente sabemos que a PHDA pode persistir ao longo da vida e que muitos adultos chegam à idade adulta sem nunca terem recebido um diagnóstico formal. Em muitos casos, estas pessoas cresceram a sentir-se “desorganizadas”, “distraídas”, “preguiçosas” ou constantemente em esforço para acompanhar as exigências do quotidiano, sem compreender verdadeiramente a origem dessas dificuldades.

A PHDA no adulto caracteriza-se por um padrão persistente de desatenção e/ou impulsividade que interfere significativamente com o funcionamento pessoal, académico, profissional e relacional. Embora a hiperatividade motora intensa da infância possa diminuir com a idade, é frequente que permaneça uma sensação interna de inquietação, dificuldade em relaxar, tendência para procrastinação, desorganização, esquecimentos frequentes ou dificuldade em gerir prioridades e tempo.

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Sexualidade Após o Cancro: Entre a Vulnerabilidade e a Reconstrução

Man and woman affectionate in comfortable living room

A experiência de um diagnóstico de cancro representa, frequentemente, uma das vivências mais desafiantes do ponto de vista emocional, físico e relacional. Para além das implicações médicas e do impacto associado aos tratamentos, existem dimensões da vida que tendem a ser menos faladas, mas que assumem um papel importante na qualidade de vida e no bem-estar psicológico da pessoa. A sexualidade é uma dessas dimensões.

Apesar de muitas vezes permanecer envolta em silêncio, a sexualidade continua a fazer parte da identidade, da intimidade e da forma como cada pessoa se relaciona consigo própria e com o outro, mesmo após a doença oncológica. Contudo, é frequente que o cancro e os respetivos tratamentos provoquem alterações físicas, emocionais e relacionais que influenciam significativamente a vivência da intimidade e do desejo sexual (World Health Organization [WHO], 2006; National Cancer Institute [NCI], 2023).

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Porque é que somos tão duros connosco? O papel da autocrítica na experiência emocional

Person facing mirror with critical words reflection

A forma como falamos connosco próprios é, muitas vezes, mais exigente, crítica e implacável do que aquela que utilizamos com os outros. Perante um erro, uma falha ou uma dificuldade, é frequente surgirem pensamentos como “Não fui capaz”, “Devia ter feito melhor” ou “Isto diz muito sobre mim”. Esta tendência para a autocrítica, embora comum, pode ter um impacto significativo na forma como experienciamos as nossas emoções e nos posicionamos perante os desafios do quotidiano.

Do ponto de vista psicológico, a autocrítica pode ser compreendida como uma estratégia interna de regulação, ainda que, muitas vezes, disfuncional. Em alguns casos, desenvolve-se como uma tentativa de prevenir erros futuros, manter padrões elevados ou evitar a rejeição por parte dos outros. A ideia subjacente é, frequentemente, a de que “se for suficientemente exigente comigo, consigo melhorar ou evitar falhar”. No entanto, a evidência sugere que este padrão tende a associar-se a níveis mais elevados de ansiedade, depressão e desvalorização pessoal (Blatt, 2004).

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Decisões Académicas: Enfrentar a Pressão e Incerteza

A escolha de uma área de estudos universitários é frequentemente vivida como uma das primeiras grandes decisões da vida adulta. Para muitos jovens, este processo pode ser acompanhado por dúvida intensa, ansiedade e uma sensação de pressão significativa, tanto interna como externa. Embora seja esperado algum grau de incerteza, em alguns casos esta dificuldade pode tornar-se persistente e paralisante.

Do ponto de vista psicológico, a dificuldade na tomada de decisão vocacional pode ser compreendida como o resultado da interação entre fatores cognitivos, emocionais e contextuais. Muitos jovens apresentam crenças exigentes associadas à escolha, como a ideia de que existe uma “decisão certa” que determinará todo o futuro, ou que errar terá consequências irreversíveis. Estas crenças tendem a aumentar a ansiedade e a dificultar o processo de exploração e decisão (Germeijs & Verschueren, 2007).

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Compreender a Ansiedade e os Pensamentos Intrusivos

A ansiedade é uma resposta emocional e fisiológica orientada para a antecipação de ameaça, frequentemente acompanhada por respostas fisiológicas de ativação , hipervigilância e padrões de pensamento caracterizados por preocupação persistente.

No contexto clínico, a Teoria Cognitivo-Comportamental (TCC) conceptualiza a ansiedade como resultado da interação entre processos cognitivos, comportamentais e fisiológicos que mantêm o ciclo de ameaça e evitamento. Entre os fenómenos cognitivos mais comuns associados à ansiedade encontram-se os pensamentos intrusivos: conteúdos mentais involuntários, repetitivos e frequentemente angustiantes, que surgem sem intenção consciente e que tendem a ser interpretados como indicadores de risco, falha pessoal ou perda de controlo.

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Por Que Compramos por Impulso? A Psicologia por Detrás das Compras

As compras impulsivas são um fenómeno frequente na sociedade contemporânea e consistem em adquirir produtos sem planeamento prévio, motivado por uma resposta emocional imediata. Do ponto de vista psicológico, este comportamento é influenciado por uma combinação de fatores internos – como emoções, traços de personalidade e necessidades psicológicas – e externos, incluindo estímulos de marketing e ambiente social. Embora possa proporcionar prazer momentâneo, a compra impulsiva pode conduzir a arrependimento, dificuldades financeiras e sentimentos de culpa.

Um dos principais motores da compra impulsiva é a regulação emocional. Muitas pessoas recorrem ao consumo como estratégia para lidar com stresse, ansiedade ou tristeza, procurando uma gratificação instantânea que alivie o mal-estar. A dopamina, neurotransmissor associado à recompensa, desempenha um papel central: a antecipação da compra ativa circuitos cerebrais de prazer semelhantes aos da alimentação ou do jogo. Este processo explica porque a decisão de compra, em momentos de tensão ou euforia, ocorre de forma rápida e pouco racional, mesmo quando o indivíduo reconhece que o produto não é necessário.

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