A relação entre o sol, o verão e o bem-estar psicológico tem sido objeto de crescente interesse na área da psicologia. À medida que os dias se tornam mais longos, as temperaturas mais amenas e a exposição à luz solar mais frequente, muitas pessoas relatam melhorias significativas no humor, na energia e na motivação. Esta ligação entre o clima e o estado mental não é apenas uma percepção popular, está suportada por diversas evidências científicas que demonstram os efeitos positivos do sol e da estação estival na saúde mental.
Em primeiro lugar, a exposição à luz solar promove a produção de vitamina D, essencial para o bom funcionamento do organismo e associada a uma menor prevalência de sintomas depressivos. A deficiência desta vitamina tem sido correlacionada com um aumento do risco de depressão, particularmente nos meses de inverno, quando a incidência de luz natural é mais reduzida. O verão, ao proporcionar uma maior quantidade de luz solar direta, contribui assim para a regulação de processos fisiológicos que influenciam o humor (Holick, 2007).

Para além disso, a luz solar estimula a produção de serotonina, um neurotransmissor que desempenha um papel crucial na regulação do humor, do sono e do apetite. Níveis mais elevados de serotonina estão associados a sentimentos de bem-estar e satisfação. A psicologia reconhece que ambientes mais iluminados e naturais tendem a reduzir sintomas de ansiedade e stresse, promovendo uma sensação de relaxamento e equilíbrio emocional (Lambert et al., 2002).

O verão também propicia um estilo de vida mais ativo. As condições climatéricas favoráveis incentivam a prática de exercício físico ao ar livre, como caminhadas, natação ou ciclismo, atividades que, por si só, têm efeitos comprovadamente benéficos na saúde física e mental. O exercício regular contribui para a redução dos níveis de cortisol (hormona do stresse) e para o aumento de endorfinas, conhecidas como “hormonas da felicidade” (Peluso & Guerra de Andrade, 2005).

Além do mais, o verão costuma estar associado a momentos de lazer, férias e convívio social. A quebra da rotina, as viagens e os encontros com amigos e família são experiências que favorecem a desconexão do stresse quotidiano e estimulam a construção de memórias positivas. Na perspetiva da psicologia positiva, estas experiências de prazer e realização são fundamentais para o florescimento psicológico e a construção de resiliência emocional (Seligman, 2011).

No entanto, importa também reconhecer que o verão e o calor excessivo podem, em alguns casos, ter efeitos adversos. Pessoas com perturbações de ansiedade, perturbação bipolar ou dificuldades na regulação emocional podem sentir-se desreguladas com o excesso de estímulos ou com alterações na rotina do sono. Da mesma forma, o aumento da temperatura pode agravar estados de irritabilidade ou cansaço. Por isso, é fundamental adotar estratégias de autorregulação emocional e manter hábitos saudáveis, mesmo durante os meses de lazer.

Em suma, o sol e o verão têm, na maioria dos casos, uma influência benéfica no bem-estar psicológico e na saúde mental, promovendo sentimentos de alegria, maior energia e bem-estar geral. A psicologia confirma que a exposição à natureza, a luz natural e os ritmos mais descontraídos do verão são aliados valiosos da saúde emocional. Contudo, é essencial manter uma abordagem equilibrada e consciente, respeitando os limites do corpo e da mente, para que os benefícios da estação sejam plenamente usufruídos.
Referências bibliográficas
- Holick, M. F. (2007). Vitamin D deficiency. New England Journal of Medicine, 357(3), 266–281.
- Lambert, G. W., Reid, C., Kaye, D. M., Jennings, G. L., & Esler, M. D. (2002). Effect of sunlight and season on serotonin turnover in the brain. The Lancet, 360(9348), 1840–1842.
- Peluso, M. A. M., & Guerra de Andrade, L. H. S. (2005). Physical activity and mental health: the association between exercise and mood. Clinics, 60(1), 61–70.
- Seligman, M. E. P. (2011). Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being. Free Press.