Setembro: entre a Melancolia e a Esperança

O mês de Setembro transporta consigo uma simbologia particular. Não sendo o início oficial de um novo ano, é frequentemente vivido como um marco de recomeço, quase um segundo Janeiro no calendário pessoal e colectivo. Este carácter simbólico deriva do facto de Setembro encerrar a fase estival, marcada pelas férias, pela descontração e pelo prolongamento dos dias, e introduzir uma etapa que exige organização, disciplina e regresso às rotinas. É um mês de transição que, por isso mesmo, tanto pode gerar entusiasmo e motivação, como pode acentuar fragilidades emocionais e resistências à mudança.

Do ponto de vista social e cultural, Setembro representa o regresso às aulas para milhares de crianças e jovens, a reentrada no ensino superior para estudantes universitários e a retoma do trabalho para grande parte dos adultos. Estas transições mobilizam recursos pessoais, exigem ajustamentos e colocam desafios que, se por um lado são oportunidades de crescimento e renovação, por outro podem constituir fonte de ansiedade e stress.

Um dos elementos que contribui para a carga emocional de Setembro é a própria alteração do clima. Os dias tornam-se mais curtos, a luminosidade decresce, a temperatura baixa gradualmente e o ambiente começa a perder a leveza associada ao verão. Este fenómeno, aparentemente natural, tem impacto direto no humor e na disposição das pessoas. A redução das horas de sol pode afectar a regulação do ritmo circadiano, interferindo no sono e na energia, além de poder contribuir para um aumento da vulnerabilidade a estados depressivos, sobretudo em indivíduos mais sensíveis às oscilações sazonais. Assim, o regresso às rotinas ocorre num contexto em que o próprio corpo é chamado a adaptar-se a uma nova cadência, menos luminosa e mais exigente em termos de resistência psicológica.

No regresso ao trabalho, é frequente emergirem sentimentos ambivalentes. Por um lado, há a sensação de perda da liberdade conquistada nas férias, a nostalgia dos momentos de descanso, de convívio familiar e de ócio criativo. As férias permitem, em regra, uma quebra com as pressões quotidianas, oferecendo ao corpo e à mente espaço para recuperar. O seu término pode reativar a sobrecarga mental, reacender conflitos laborais ou expor de novo as dificuldades de gestão de tempo entre vida profissional e pessoal. O chamado “stress pós-férias” é um fenómeno real, caracterizado por irritabilidade, fadiga e dificuldades de concentração, e que resulta, em parte, da brusca mudança de ritmo.

Por outro lado, o regresso ao trabalho traz também benefícios e não deve ser encarado apenas como um fardo. Representa a possibilidade de retomar projectos interrompidos, de reencontrar colegas, de recuperar a sensação de utilidade e produtividade. Em muitas pessoas, a rotina funciona como estrutura organizadora que sustenta o equilíbrio psicológico, evitando a dispersão e a falta de objectivos claros. A retoma laboral, quando acompanhada de propósito e sentido, pode traduzir-se numa oportunidade de reafirmação pessoal e de planeamento para o futuro.

Por outro lado, o regresso ao trabalho traz também benefícios e não deve ser encarado apenas como um fardo. Representa a possibilidade de retomar projectos interrompidos, de reencontrar colegas, de recuperar a sensação de utilidade e produtividade. Em muitas pessoas, a rotina funciona como estrutura organizadora que sustenta o equilíbrio psicológico, evitando a dispersão e a falta de objectivos claros. A retoma laboral, quando acompanhada de propósito e sentido, pode traduzir-se numa oportunidade de reafirmação pessoal e de planeamento para o futuro.

É neste equilíbrio entre aspetos positivos e negativos que reside a riqueza do mês de Setembro. O seu simbolismo de recomeço pode ser apropriado como oportunidade de renovação pessoal. Depois de um período de descanso, ainda que curto, o indivíduo pode encarar este mês como o momento ideal para definir novas metas: iniciar uma prática de exercício físico, reorganizar hábitos de sono, investir em novas aprendizagens ou até repensar a sua trajectória profissional. O impulso do “novo ciclo” pode funcionar como catalisador de mudanças significativas e sustentáveis.

Para mim, Setembro tem ainda um significado mais íntimo e pessoal: é o mês do meu aniversário. Talvez por isso o viva de forma tão especial, como se nele convergissem não apenas os regressos e os recomeços coletivos, mas também um renascer individual. Setembro é, para mim, a síntese perfeita entre a despedida da leveza do verão e a promessa de novos horizontes. É o mês em que me reencontro com a minha própria história e em que sinto, com mais intensidade, que cada fim encerra em si a possibilidade luminosa de um novo começo.

No entanto, é fundamental reconhecer e validar o impacto negativo que este mês pode ter. A nostalgia das férias, a redução da luminosidade, o aumento das responsabilidades e a pressão do regresso não devem ser desvalorizados. A consciência destas fragilidades permite preparar respostas mais adaptativas, como a gestão gradual do regresso ao trabalho, a prática regular de atividades prazerosas e o investimento em estratégias de autocuidado.

Em síntese, Setembro é, simultaneamente, um mês de despedida e de boas-vindas. Despede-se da leveza do verão, dos dias longos e da despreocupação, e acolhe a exigência das rotinas, dos compromissos e das responsabilidades. Mas é também um mês que oferece a cada pessoa a possibilidade de recomeçar, de se reorganizar e de projectar o futuro. Cabe a cada um equilibrar o peso da nostalgia com a leveza da esperança, transformando o recomeço num movimento de crescimento, em vez de numa prisão de obrigações. Talvez seja essa a maior lição de Setembro: recordar que cada fim é, em si mesmo, um convite a recomeçar.

Consumo de Cannabis na Adolescência: Um Debate Necessário em Portugal

O tema do consumo de cannabis por adolescentes em Portugal é, na minha opinião, um daqueles assuntos que nos obriga a sair dos extremos e a procurar uma abordagem mais sensata. Ao longo dos últimos anos, tem-se falado muito sobre a legalização da cannabis e os seus possíveis efeitos na sociedade, mas nem sempre se ouve um debate honesto sobre os riscos específicos para os mais jovens — um grupo particularmente vulnerável.

É importante começar por dizer o óbvio: a adolescência é uma fase do desenvolvimento marcada por intensas transformações físicas e mentais, o que a torna num período particularmente sensível e vulnerável. É também uma fase de descoberta e de definição da identidade. O cérebro adolescente está ainda em desenvolvimento e isso torna-o especialmente sensível, a qualquer substância que interfira com os seus processos naturais. E sim, a cannabis interfere. Apesar da ideia cada vez mais disseminada de que é uma “droga leve” ou até inofensiva, a verdade é que o seu consumo frequente pode ter efeitos sérios como, dificuldades de concentração, perda da motivação, alterações do humor, e até problemas mais graves como surtos psicóticos em pessoas predispostas. Estes não são cenários fantasiosos mas sim relatos reais, cada vez mais presentes nos serviços de saúde mental juvenil.

Infelizmente, muitos jovens não veem a cannabis como algo perigoso. Há uma certa “romantização” da erva como: “é natural”, “é melhor que o álcool”, “também pode ser usada para fins medicinais”, etc. Ora, tudo isto contém alguma dose de verdade, porém, usada fora de contexto, esta informação transforma-se num mito. A cannabis pode até ter alguns benefícios medicinais, mas isso não a torna automaticamente segura para o consumo recreativo, especialmente em idades jovens. O álcool também é legal e socialmente aceite, mas não só não deixa de ser uma substância tóxica, como ninguém sensato recomenda o seu consumo a adolescentes.

Mas não nos deixemos levar pelo pânico moral. Não acredito que o caminho seja o alarmismo, muito menos a criminalização. Portugal deu um passo importante em 2001 ao descriminalizar o consumo de todas as drogas, e isso provou ser uma abordagem mais humana e eficaz do que a repressão. No entanto, a descriminalização não é o mesmo que legalização. E aqui entra o cerne da questão: devemos ou não legalizar o consumo de cannabis em Portugal?

A resposta, na minha opinião, é um cauteloso “sim” desde que feito com responsabilidade. Legalizar não deve significar abrir as portas ao consumo descontrolado. Deve significar sim, retirar o controlo das mãos do mercado ilegal e trazê-lo para um contexto regulado, fiscalizado e informado. Significa permitir que os adultos façam escolhas conscientes e seguras, enquanto se investe seriamente em prevenção, especialmente junto dos mais jovens.

Legalizar pode, paradoxalmente, ajudar a proteger os adolescentes. Ao regular a produção, a venda e a informação sobre a cannabis, seria possível controlar a qualidade da substância, evitar misturas perigosas, limitar o acesso por idade e, acima de tudo, retirar o “fascínio” do proibido. Como sociedade, podemos e devemos explicar claramente que o facto de algo ser legal não o torna automaticamente seguro ou adequado para todos. A educação é aqui o ponto chave.

O perigo real da legalização não está na substância em si, mas na forma como ela é apresentada à sociedade. Se for vendida como um produto inofensivo, semelhante a um suplemento natural, estaremos a abrir espaço para uma nova geração de consumidores impreparados. Mas se for enquadrada num contexto rigoroso, com campanhas informativas, restrições de marketing e foco na saúde pública, então talvez possamos finalmente ter uma conversa adulta sobre o este tema algo controverso.

Pessoalmente, preocupo-me com o crescente número de adolescentes que experimentam a cannabis cada vez mais cedo, na maioria das vezes sem noção dos riscos a que se expõem. Mas preocupo-me igualmente com o moralismo cego que fecha os olhos à realidade. Fingir que a cannabis não existe, ou que todos os seus consumidores estão em perigo, é tão perigoso como normalizá-la sem crítica.

O debate sobre a legalização deve por isso ser feito com equilíbrio. Sim, há perigos, sobretudo para os jovens. Mas a legalização e o controlo da substância também pode trazer benefícios, desde que acompanhados de políticas públicas eficazes, informação rigorosa e investimento em educação. Mais do que decidir entre “proibir” ou “liberalizar”, o que precisamos é de construir uma cultura de consciência, responsabilidade e respeito pela saúde dos nossos adolescentes.

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Verão, Férias e Psicopatologia: Uma relação mais complexa do que se possa pensar

O verão, frequentemente associado à leveza, ao descanso e ao bem-estar, é para muitos um período aguardado com entusiasmo. Contudo, esta estação, marcada por alterações de rotinas, exposição prolongada ao calor e maior pressão social para se “ser feliz”, pode ter efeitos contraditórios sobre diversas psicopatologias. De facto, longe de ser um antídoto universal para o sofrimento psíquico, o verão e as férias podem intensificar ou até desencadear certas condições clínicas, revelando uma relação mais complexa entre o ambiente sazonal e a saúde mental.

Comecemos por considerar as perturbações do humor. Existe um fenómeno bem documentado que é a perturbação afectiva sazonal, geralmente associada ao inverno, mas que, em menor grau, pode também manifestar-se no verão. A chamada “depressão de verão” caracteriza-se por insónia, irritabilidade, ansiedade e perda de apetite, contrastando com a forma invernal, mais marcada por letargia e hiperfagia (Rohan et al., 2009). As causas são ainda pouco compreendidas, mas sabe-se que fatores como a alteração dos ritmos circadianos, a exposição intensa à luz solar e o calor extremo podem contribuir para um desequilíbrio neurobiológico.

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Comunicação Eficaz nas Férias: Prevenção de Conflitos Conjugais

As férias de verão, tradicionalmente encaradas como um período de descanso e convívio familiar, podem paradoxalmente tornar-se fonte de tensão e conflito nas relações conjugais. Embora a expectativa de qualidade de tempo juntos seja elevada, a experiência real pode revelar vulnerabilidades relacionais, exacerbadas por alterações bruscas de rotina, aumento de tempo em coabitação e diferenças nas expectativas pessoais. A psicologia cognitivo-comportamental (PCC), enquanto modelo terapêutico amplamente validado cientificamente, oferece uma lente útil para a compreensão estas dificuldades e propõe estratégias eficazes de intervenção.

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Desafios da Parentalidade na Era Digital

Enquanto psicóloga, tenho recebido com frequência pais que procuram ajuda por sentirem que perderam o controlo sobre os hábitos digitais dos seus filhos adolescentes. Jogos online, redes sociais, horas a fio em frente ao telemóvel ou computador… São queixas recorrentes. Muitos destes pais chegam esgotados, angustiados, com um sentimento de impotência e, não raras vezes, com a esperança de que a psicóloga tenha “a solução”. “Ele não me ouve, talvez ouça alguém de fora”, “Já tentei tudo, diga-lhe a senhora o que fazer”, “Ela só vive para o telemóvel, já não sei o que fazer”. Estas frases não são apenas desabafos, são gritos silenciosos de pais que estão em sofrimento, por vezes confusos sobre o seu papel e profundamente preocupados com o futuro dos seus filhos.

É importante, antes de mais, reconhecer este sofrimento. A parentalidade na era digital coloca desafios para os quais poucos adultos estavam preparados. A velocidade com que a tecnologia evolui, aliada à crescente complexidade das relações online, pode criar um verdadeiro fosso geracional. Muitos pais sentem que perderam a autoridade ou a capacidade de comunicar com os filhos de forma eficaz. Neste cenário, não é de estranhar que depositem na figura do psicólogo uma série de expectativas, por vezes irrealistas, na esperança de encontrar respostas rápidas e eficazes.

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Compreendendo a Depressão no Jovem Adulto

A transição da adolescência para a idade adulta é um período crítico do desenvolvimento, marcado por desafios significativos em diversas esferas: académica, profissional, afetiva e identitária. Neste contexto, a depressão surge como uma perturbação mental cada vez mais prevalente entre jovens adultos, interferindo profundamente com a sua qualidade de vida, funcionamento diário e projetos de futuro. A sua manifestação, frequentemente silenciosa, é agravada por fatores sociais, emocionais e cognitivos que tornam a deteção e a intervenção precoce particularmente difíceis. A abordagem cognitivo-comportamental oferece um enquadramento útil e eficaz para compreender e tratar esta problemática complexa.

O jovem adulto — geralmente entre os 18 e os 25 anos — encontra-se numa fase de intensa redefinição do “eu” e de tomada de decisões que influenciam o resto da vida. Esta exigência de adaptação, aliada a fatores externos como pressões académicas, instabilidade económica, conflitos familiares ou rupturas afetivas, pode precipitar quadros depressivos (Arnett, 2000). A depressão neste grupo etário apresenta-se frequentemente com sintomas como desmotivação, cansaço persistente, sentimentos de vazio, baixa autoestima, dificuldades de concentração, alterações do sono e do apetite, e por vezes, ideação suicida. No entanto, muitos jovens não reconhecem estes sinais como perturbação mental, associando-os a “stresse normal” da idade ou tentando minimizá-los com estratégias de evitamento ou comportamentos de risco (Eisenberg, Hunt & Speer, 2013).

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A Perturbação da Personalidade Borderline

A perturbação da personalidade borderline (PPB) tem sido objeto de estudo e debate na psicologia clínica nas últimas décadas. Caracterizada pela instabilidade emocional, relações interpessoais intensas e conflituosas e uma identidade instável, esta perturbação apresenta desafios significativos tanto para os indivíduos que a experienciam como para os profissionais de saúde mental que os acompanham (American Psychiatric Association, 2013).

Do ponto de vista clínico, a PPB manifesta-se por meio de um padrão crónico de instabilidade emocional. Indivíduos com esta perturbação tendem a experienciar emoções intensas e de curta duração, que se alteram rapidamente, muitas vezes sendo desencadeadas por acontecimentos interpessoais ou stresse ambiental. Este fenómeno tem sido associado a níveis elevados de reatividade do sistema límbico, o que pode contribuir para respostas emocionais exacerbadas, numa tentativa de regulação afetiva que muitas vezes falha. Nesta perspetiva, os modelos neurobiológicos aliados a abordagens psicodinâmicas permitem compreender melhor os mecanismos subjacentes à desregulação emocional que caracteriza o transtorno (Linehan, 1993).

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A Influência do Verão no Humor e na Saúde Emocional

A relação entre o sol, o verão e o bem-estar psicológico tem sido objeto de crescente interesse na área da psicologia. À medida que os dias se tornam mais longos, as temperaturas mais amenas e a exposição à luz solar mais frequente, muitas pessoas relatam melhorias significativas no humor, na energia e na motivação. Esta ligação entre o clima e o estado mental não é apenas uma percepção popular, está suportada por diversas evidências científicas que demonstram os efeitos positivos do sol e da estação estival na saúde mental.

Em primeiro lugar, a exposição à luz solar promove a produção de vitamina D, essencial para o bom funcionamento do organismo e associada a uma menor prevalência de sintomas depressivos. A deficiência desta vitamina tem sido correlacionada com um aumento do risco de depressão, particularmente nos meses de inverno, quando a incidência de luz natural é mais reduzida. O verão, ao proporcionar uma maior quantidade de luz solar direta, contribui assim para a regulação de processos fisiológicos que influenciam o humor (Holick, 2007).

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A Importância das Pausas para o Bem-Estar

Nesta altura do ano, é fácil cair na ilusão de que duas ou três semanas de férias serão suficientes para resolver tudo: a ansiedade acumulada ao longo dos meses, as noites mal dormidas, o stresse constante e o cansaço emocional que teima em não desaparecer. E, de facto, durante alguns dias, parece mesmo resultar. O corpo repousa, a mente desacelera, e o tempo ganha outro ritmo.

Contudo, não tarda até que tudo retorne ao ponto de partida. As preocupações não desaparecem com a distância, apenas ficam em “suspenso”. Ao voltar, continuam lá, intactas, à espera de serem enfrentadas, resolvidas. E assim, repete-se o ciclo: exaustão, pausa momentânea, leve alívio, e regressamos à exaustão.

o, não tarda até que tudo retorne ao ponto de partida. As preocupações não desaparecem com a distância, apenas ficam em “suspenso”. Ao voltar, continuam lá, intactas, à espera de serem enfrentadas, resolvidas. E assim, repete-se o ciclo: exaustão, pausa momentânea, leve alívio, e regressamos à exaustão.

Essas pausas não precisam de ser grandiosas. Pelo contrário, podem (e devem) ser simples e acessíveis: por exemplo, uma caminhada sem distrações, uma refeição sem ecrãs, um momento de silêncio genuinamente vivido, uma pequena “escapadinha” durante o ano, escrever livremente sobre o que se sente, experimentar algo novo, ou simplesmente parar. Respirar. Estar presente. Estar em atenção plena, vários momentos do dia-a-dia.

Numa rotina sobrecarregada de estímulos e exigências, até uma breve pausa pode parecer invulgar. Contudo, são precisamente esses momentos de presença e de silêncio que permitem que o ruído interno abrande, que a mente se reorganize, que surja maior clareza, foco e capacidade de resposta ponderada, em vez de mera reação instintiva ou impulsiva.

As férias, por si só, não são suficientes para sustentar o equilíbrio emocional ao longo do ano. São um ponto de apoio, sim, mas não substituem a necessidade de espaço interior constante. Mais do que esperar por férias para descansar, é urgente cultivar espaços de bem-estar no quotidiano. Criar tempo para si, ainda que breve, é um gesto de autocuidado que pode fazer toda a diferença — todos os dias.

Cuide de si, sempre, adquira hábitos diários de autocuidado e viva melhor!