Efeitos Emocionais e Físicos das Perturbações Alimentares

As perturbações do comportamento alimentar (PCA), como a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e a perturbação de ingestão compulsiva, são condições psiquiátricas graves que afetam não apenas o corpo, mas também a mente. Estas patologias caracterizam-se por uma relação disfuncional com a alimentação, com a imagem corporal e com a autoestima, estando frequentemente associadas a um sofrimento emocional intenso e a complicações físicas significativas.

Do ponto de vista emocional, os pacientes com PCA vivem num estado constante de conflito interno. A obsessão pelo controlo do peso e pela aparência física é muitas vezes impulsionada por padrões culturais irrealistas, mas também por vulnerabilidades psicológicas preexistentes, como baixa autoestima, ansiedade ou depressão. Este ciclo de autoexigência e autocrítica perpetua sentimentos de culpa e vergonha, que agravam o isolamento social. Os indivíduos com anorexia nervosa, por exemplo, podem experienciar um medo intenso de ganhar peso, mesmo quando estão perigosamente abaixo do peso. Já na bulimia nervosa, os episódios de ingestão compulsiva, seguidos por comportamentos compensatórios como o vómito autoinduzido, alimentam uma sensação de perda de controlo e de autoaversão.

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Parentalidade Positiva e os Perigos da Positividade Tóxica

Nos últimos anos, a parentalidade positiva ganhou destaque como um modelo que valoriza o respeito mútuo, a empatia e o fortalecimento do vínculo entre pais e filhos. Este enfoque procura afastar-se das práticas autoritárias ou punitivas, incentivando a uma abordagem mais acolhedora, onde as emoções das crianças são validadas e as dificuldades são encaradas com compreensão. No entanto, é essencial distinguir entre parentalidade positiva e o fenómeno crescente da positividade tóxica, que pode minar os próprios objetivos deste estilo parental.

A parentalidade positiva baseia-se na ideia de que as crianças aprendem melhor em ambientes onde se sentem seguras emocionalmente. Ao invés de gritos ou castigos, promove-se a comunicação aberta, a resolução colaborativa de problemas e o encorajamento em lugar da crítica. Esta abordagem ajuda a criança a desenvolver a autoconfiança, as competências emocionais e e um sentido saudável de responsabilidade. No entanto, a aplicação da parentalidade positiva exige equilíbrio e autenticidade, evitando cair-se na armadilha da positividade tóxica.

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Autoconhecimento e Autoconfiança: um Possível Caminho para a Aceitação Emocional

Muitos dos pedidos de ajuda que chegam à consulta de psicologia clínica, incluem as dificuldades do foro emocional, particularmente no que se refere a sentimentos de medo e ansiedade. Muitos pacientes têm grande dificuldade em experienciar e conviver com as suas experiências emocionais mais intensas e disfuncionais, pois estas vêm acompanhadas de desconforto ou até mesmo de intenso sofrimento emocional (e físico).

Uma vida ao serviço do desejo de não sentir ansiedade nem medo, especialmente quando regrada de forma rígida e inflexível, pode ter um impacto muito limitador, sendo possível que esse modo de operar defina de forma extensiva, a vida dos pacientes que chegam ao consultório à procura de ajuda” (Lucena-Santos, Pinto-Gouveia & Oliveira, 2015). Entendendo o autoconhecimento como a capacidade do indivíduo para se conhecer a si mesmo e ao seu padrão de funcionamento psicológico, é ele que possibilita o aperfeiçoamento de todas as outras competências psicológicas. “ (…) O autoconhecimento posiciona realisticamente o indivíduo no momento presente, conectando-o ao seu histórico de experiências, no qual tem origem o seu repertório comportamental, que atualmente pode exibir” (Poubel & Rodrigues, 2018). Neste sentido, um indivíduo com maturidade e realismo no que se refere ao autoconhecimento, estará em melhores condições de perceber, descrever e escolher os seus comportamentos atuais e futuros, tornando-se num agente mais ativo da sua própria história.

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Férias de Verão: Birras e Comportamentos Difíceis

As férias de verão são uma época esperada com entusiasmo, especialmente para as crianças, que veem este período como uma oportunidade para relaxar, brincar e desfrutar de tempo livre. No entanto, para os pais, as férias podem trazer desafios inesperados, incluindo birras e comportamentos difíceis.

As birras são manifestações de frustração, raiva ou desconforto, e são comuns em crianças pequenas que ainda estão a aprender a regular as suas emoções e a expressar as suas necessidades de maneira adequada. Durante as férias de verão, são vários os fatores que podem desencadear birras. Entre os mais comuns estão a mudança de rotina, uma vez que em período de férias são muitas vezes alteradas as rotinas diárias das famílias e das crianças, o que lhes pode causar insegurança e desconforto. A ausência de horários fixos para refeições, sono e atividades pode aumentar a probabilidade da ocorrência de birras e comportamentos desadequados.

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Saúde mental no masculino

A doença mental no masculino é um tema particularmente importante, na medida em que o estigma que ainda hoje está associado a estas questões, pode fazer com que muitos homens evitem ou adiem a procura de ajuda, com consequências potencialmente graves na sua funcionalidade e na sua satisfação com a vida.

Felizmente, cada vez mais o estigma relacionado com as perturbações do foro psicológico ou psiquiátrico, tem vindo a ser desconstruído, no sentido de “normalizar” a avaliação e o acompanhamento psicológico, aos homens que possam enfrentar dificuldades, nesta área da saúde em geral, mas também por desafios específicos do género. Contudo, estas dificuldades, que por vezes são banalizadas ou ignoradas, levam a que a tomada de consciência e a procura de ajuda sejam adiadas ou até mesmo evitadas. As expectativas sociais, estigmas culturais e atitudes em relação à vulnerabilidade e à procura de apoio psicológico por parte dos homens, constituem-se como uma “barreira” por vezes difícil de transpor.

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Crianças, tecnologias e Internet

Atualmente, a Internet está presente em todos os contextos das nossas vidas, para o bem e para o mal. Se algumas pessoas têm mais facilidade em controlar a sua utilização e fazê-la de forma adequada, outras tendem a deixar-se levar mais facilmente pela diversidade de temas e atividades a que ela dá acesso. E como é com as crianças?

Se para muitos adultos, pode ser difícil dar bom uso à Internet e ao que ela permite, para as crianças será certamente mais difícil. Os mais novos têm tendencialmente maior dificuldade em controlar o tempo despendido em atividades online, bem como a selecionar conteúdos adequados á sua faixa etária. Quem tem filhos ou crianças pequenas a seu cargo, poderá seguir algumas recomendações muito úteis e que, se levadas a sério e de forma consistente, podem ajudar prevenir situações de dependência da Internet. Este é um tema que preocupa cada vez mais pais, educadores e outros profissionais que lidam diariamente com essa problemática.

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Quando a criança tem medo de falhar

Algumas crianças lidam desde cedo com medos e inseguranças que podem ser motivados por diversas ordens de razão. Estes medos podem fazer com que a criança deixe de querer “arriscar” ou quando o faz, seja acompanhado por muita ansiedade, comprometendo o seu desempenho e reforçando as suas inseguranças.

Para ajudar a criança que tem medo de falhar, é muito importante, em primeiro lugar que reconheça a situação. Devemos revelar que percebemos o que se está a passar e procurar que a criança fale sobre o assunto, ou seja, que expresse a sua preocupação. Exemplos como “vejo que estás preocupado com a apresentação do teu trabalho de amanhã na escola. Vamos conversar um pouco sobre isso? Este poderá ser o ponto de partida para ajudar a criança insegura com o seu desempenho numa atividade escolar. Validar os sentimentos da criança e refletir sobre o assunto, pode também ser bastante eficaz, para que ela se consiga acalmar. “Estás muito ansioso por causa do teu trabalho, eu compreendo, por vezes é difícil ter tantas coisas na cabeça e essa matéria é realmente complexa”. Será igualmente útil ajudar a criança a processar o medo. “O que achas que pode acontecer se te enganares numa data ou num nome, quando apresentares o trabalho de História amanhã? Qual é a pior coisa que pode acontecer? E então?“.

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Ser adolescente

Ao atingir a puberdade, as crianças experienciam grandes e rápidas mudanças físicas, emocionais e sexuais, sobre as quais não têm controlo. Estas mudanças requerem uma adaptação e uma compreensão, sendo por vezes difícil ao adolescente lidar com o seu corpo e com os seus pensamentos, o que pode conduzi-lo a sentimentos de ansiedade ou ao isolamento social.

Perante questões como “será normal a minha aparência’” ou “o que é que os outros pensam de mim?”, o adolescente toma consciência de si mesmo, mas também pode sentir alguma angústia pela inevitabilidade das mudanças com as quais está a ter que lidar, sem que por vezes esteja preparado para tal. É relativamente comum que a segurança e as certezas da infância desapareçam, dando lugar á dúvida e à ansiedade. Estes sentimentos são normativos, desde que o jovem consiga manter a sua funcionalidade e aos poucos se vá adaptando a um novo corpo, a um novo modo de estar, de pensar e de sentir. No entanto, alguns adolescentes, pelas suas características individuais, demoram mais tempo a fazer essa adaptação, por vezes com custos elevados para o seu bem-estar pessoal, familiar e relacional.

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Seja assertivo, comunique melhor!

A comunicação assertiva promove uma melhor comunicação interpessoal e consequentemente relações pessoais mais gratificantes, maior realização pessoal e melhor qualidade de vida.

A assertividade é uma competência social que permite que o indivíduo defenda os seus direitos pessoais, expresse os seus pensamentos, sentimentos e crenças, de forma honesta, clara e adequada, ao mesmo tempo que respeita os direitos e opiniões dos outros. Cada indivíduo tem naturalmente o seu estilo próprio de comunicação. Uns mais passivos, outros mais agressivos, enfim, ser assertivo pode não ser propriamente uma característica inata mas com motivação e empenho, todos nós podemos aprender e treinar a assertividade e obter resultados surpreendentes ao nível dos relacionamentos, nos mais variados contextos de vida.

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A criança enquanto testemunha da violência doméstica

Todos os dias há milhares de crianças que são vítimas de violência por exposição ao conflito parental, o que leva a que fiquem mais vulneráveis ao aparecimento de problemas emocionais, com repercussão no seu comportamento, desempenho cognitivo e desenvolvimento global.

A violência doméstica, nomeadamente entre casais, é um flagelo da sociedade, tanto em termos de violação dos direitos humanos, como de saúde pública. O conflito violento sistemático entre os pais ou outras figuras presentes no contexto familiar, quer envolva agressão física, psicológica, verbal ou sexual, afeta gravemente a criança a ele exposta, ainda que os atos violentos não sejam perpetrados diretamente sobre ela.

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