Quando a criança tem medo de falhar

Algumas crianças lidam desde cedo com medos e inseguranças que podem ser motivados por diversas ordens de razão. Estes medos podem fazer com que a criança deixe de querer “arriscar” ou quando o faz, seja acompanhado por muita ansiedade, comprometendo o seu desempenho e reforçando as suas inseguranças.

Para ajudar a criança que tem medo de falhar, é muito importante, em primeiro lugar que reconheça a situação. Devemos revelar que percebemos o que se está a passar e procurar que a criança fale sobre o assunto, ou seja, que expresse a sua preocupação. Exemplos como “vejo que estás preocupado com a apresentação do teu trabalho de amanhã na escola. Vamos conversar um pouco sobre isso? Este poderá ser o ponto de partida para ajudar a criança insegura com o seu desempenho numa atividade escolar. Validar os sentimentos da criança e refletir sobre o assunto, pode também ser bastante eficaz, para que ela se consiga acalmar. “Estás muito ansioso por causa do teu trabalho, eu compreendo, por vezes é difícil ter tantas coisas na cabeça e essa matéria é realmente complexa”. Será igualmente útil ajudar a criança a processar o medo. “O que achas que pode acontecer se te enganares numa data ou num nome, quando apresentares o trabalho de História amanhã? Qual é a pior coisa que pode acontecer? E então?“.

Outra estratégia, consiste em incentivar a criança a modificar o seu pensamento. “Eu compreendo que por vezes, quando temos alguma dificuldade, parece que nunca vamos conseguir ultrapassa-la, mas com esforço e empenho podemos aprender a melhorar. Lembras-te como foi difícil aprenderes tabuada? No início foi complicado mas tanto treinaste que agora já a sabes bem“. Devemos utilizar como exemplo, alguma coisa que a criança com prática e esforço aprendeu, como pintar dentro dos limites do desenho ou andar de bicicleta ou patins. Procure ajudar a criança a identificar aquilo que ela própria pode controlar. “O que achas que podes fazer para estares mais á vontade amanhã a apresentar o trabalho?” Tirar dúvidas com o pai, apresentar para a família da mesma forma como vai ter que fazer na aula, fazer esquemas para memorizar algumas coisas são alguns exemplos que podem ser levados em consideração.

É fundamental, principalmente com crianças mais inseguras, normalizar o erro, na medida em que com os erros podemos aprender, crescer e melhorar. Partilhe com a criança os seus próprios erros e torne-se um “modelo de imperfeição”.. Fale dos seus erros e da forma como eles lhe permitiram melhorar o seu desempenho numa determinada tarefa. Por fim, mas não menos importante, não reforce apenas os os bons resultados, mas também todo o processo de aprendizagem e o esforço da criança. “Eu compreendo que tu querias ter uma boa nota nesse trabalho, no entanto aprendeste com certeza muitas coisas ao prepará-lo e isso também é muito importante”. Reforçar o esforço da criança, ainda que o resultado possa não ter sido positivo, vai incentiva-la a continuar a esforçar-se e a fazer melhor. Pode ainda, aliada a estas estratégias, introduzir a prática do relaxamento. Técnicas simples como a respiração controlada, podem ajudar, no momento em que a criança está exposta áquilo que receia, a controlar-se a si mesma e á situação.

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