As relações de amizade desempenham um papel fundamental na vida humana, sendo das conexões sociais mais significativas para o bem-estar emocional e psicológico. A psicologia estuda essas relações como um pilar essencial para a saúde mental, podendo influenciar desde a autoestima até a resiliência emocional.
De forma distinta dos laços familiares ou românticos, as amizades são baseadas na escolha voluntária e em interesses mútuos, o que lhes confere um caráter único e flexível. Um dos principais benefícios das amizades é o suporte emocional. Os amigos ajudam a aliviar o stresse, oferecendo compreensão e empatia. Esse suporte é particularmente importante em momentos de crise, quando o indivíduo se pode sentir mais vulnerável. A sensação de ser ouvido e compreendido num ambiente sem julgamentos, fortalece a segurança emocional. Estudos mostram que as amizades de qualidade estão associadas a níveis mais baixos de depressão e ansiedade, para além de uma maior satisfação com a vida.
A ansiedade de separação é uma reação emocional comum nas crianças, caracterizada pelo medo e desconforto intensos ao serem afastadas dos pais ou das suas figuras de referência.
Este comportamento é especialmente frequente em crianças pequenas, geralmente entre os seis meses e os três anos de idade, quando o desenvolvimento emocional e cognitivo ainda está em formação. Este tipo de ansiedade pode ser indicador de um desenvolvimento saudável, pois representa o vínculo forte que a criança possui com os cuidadores, essencial para a sua segurança e bem-estar. No entanto, quando a ansiedade se torna exagerada ou persiste em idades mais avançadas, pode indicar uma perturbação de ansiedade de separação, que requer atenção.
As férias de verão são uma época esperada com entusiasmo, especialmente para as crianças, que veem este período como uma oportunidade para relaxar, brincar e desfrutar de tempo livre. No entanto, para os pais, as férias podem trazer desafios inesperados, incluindo birras e comportamentos difíceis.
As birras são manifestações de frustração, raiva ou desconforto, e são comuns em crianças pequenas que ainda estão a aprender a regular as suas emoções e a expressar as suas necessidades de maneira adequada. Durante as férias de verão, são vários os fatores que podem desencadear birras. Entre os mais comuns estão a mudança de rotina, uma vez que em período de férias são muitas vezes alteradas as rotinas diárias das famílias e das crianças, o que lhes pode causar insegurança e desconforto. A ausência de horários fixos para refeições, sono e atividades pode aumentar a probabilidade da ocorrência de birras e comportamentos desadequados.
Muitos estudantes enfrentam períodos em que se sentem desmotivados em relação aos estudos, por diversas razões. No entanto, muitas vezes a falta de motivação e o baixo rendimento, prende-se com o facto de não terem desenvolvido ainda, métodos de estudo eficazes. Aqui ficam algumas estratégias simples, que podem ajudar os alunos a recuperar o entusiasmo e a encontrar a motivação necessária para o sucesso.
Em primeiro lugar recomenda-se que sejam definidos objetivos claros e alcançáveis para os estudos. Falamos de metas de curto prazo, como executar ou concluir uma tarefa específica, mas também metas de longo prazo, como obter uma determinada nota a uma determinada disciplina ou até mesmo passar de ano! Analisar e definir exatamente o que tem que ser feito, é o primeiro passo para se organizar o tempo para estudar, sem esquecer que também é preciso tempo para se divertirem.
Atualmente, a Internet está presente em todos os contextos das nossas vidas, para o bem e para o mal. Se algumas pessoas têm mais facilidade em controlar a sua utilização e fazê-la de forma adequada, outras tendem a deixar-se levar mais facilmente pela diversidade de temas e atividades a que ela dá acesso. E como é com as crianças?
Se para muitos adultos, pode ser difícil dar bom uso à Internet e ao que ela permite, para as crianças será certamente mais difícil. Os mais novos têm tendencialmente maior dificuldade em controlar o tempo despendido em atividades online, bem como a selecionar conteúdos adequados á sua faixa etária. Quem tem filhos ou crianças pequenas a seu cargo, poderá seguir algumas recomendações muito úteis e que, se levadas a sério e de forma consistente, podem ajudar prevenir situações de dependência da Internet. Este é um tema que preocupa cada vez mais pais, educadores e outros profissionais que lidam diariamente com essa problemática.
O ser humano, na sua luta pela sobrevivência, tem desde sempre a necessidade de se proteger perante situações adversas e ameaçadoras, que fazem parte do seu quotidiano. Nessas situações, o organismo está preparado para uma reação imediata perante o perigo, através da libertação de substâncias químicas que produzem sensações físicas e mentais, como a aceleração dos batimentos cardíacos, o aumento da transpiração, o estado de alerta, o instinto de fuga ou pelo contrário, o instinto de enfrentamento da situação potencialmente perigosa.
Todas estas sensações têm o propósito de preparar o organismo para uma reação de proteção frente ao perigo. Algum tempo depois, estas sensações diminuem devido à ação do sistema nervoso parassimpático, o que provoca uma sensação de relaxamento. Além das respostas fisiológicas, são ativados mecanismos cognitivos (antecipação de consequências desastrosas), motivacionais (desejo de estar longe da situação traumática), emocionais (sentimento de medo) e comportamentais (fuga ou ação).
Em contexto escolar, nem todas as relações são pacíficas entre pares. Gosta-se mais de uns do que de outros, como é natural, e o mesmo acontece em relação aos professores. Cada professor tem a sua personalidade, a sua forma de comunicar, de ensinar e até de repreender, o que faz com que por vezes alguns alunos não gostem de alguns professores.
Á semelhança do que pode acontecer com qualquer outra pessoa, por vezes a criança/adolescente pode não gostar de um determinado professor. Pode acontecer que haja um “choque” de personalidades e que nem sempre a relação do aluno com um certo professor, seja a melhor. Por outro lado, assim como há alunos mais aplicados e bem-comportados do que outros, também há professores mais competentes e mais assertivos do que outros. No entanto, de um modo geral, os professores gostam dos alunos, querem dar-se bem com eles, têm prazer em ensina-los, em transmitir-lhes conhecimento, bem como a ajudar nas dificuldades e a elogiar e reforçar os bons desempenhos.
O Ricardo tem 13 anos e está em acompanhamento psicológico há cerca de 6 meses devido ás suas dificuldades relacionadas com um quadro de Ansiedade Generalizada, mas também por dificuldades na adaptação ao divórcio dos pais e ás consequentes alterações da sua rotina. Em consulta, o Ricardo refere não conseguir falar das suas preocupações, nem com o pai, nem com a mãe, por sentir que ambos estão instáveis e que não o iriam compreender. Por outro lado, deixa entender que não quer ser mais um problema para os pais e manifesta alguns sentimentos de culpa em relação á separação. Encontra no “espaço e no tempo” da consulta, o momento em que expressa as suas emoções, manifesta os seus medos mas também partilha as suas conquistas escolares e do vólei, que começou a praticar recentemente. Na última consulta em que esteve com a psicóloga verbalizou “com a Dra. eu estou á vontade…posso contar tudo e até dizer alguns disparates, porque a senhora é a Minha Psicóloga”. É tão bom ouvir destas coisas…
O apoio social ou suporte social integram o ambiente social e as pessoas que fazem parte da rede social real do indivíduo. O apoio social pode ser entendido como objetivo ou subjetivo, ou seja, apoio recebido e apoio percebido.
O apoio subjetivo ou percebido traduz-se na experiência pessoal de se saber que “aquelas pessoas” estão lá, se for necessário, ainda que não haja uma interação direta e objetiva. Ter a consciência de que se tem alguém a quem recorrer, se necessário, parece ser mais tranquilizante e securizante do que propriamente pedir e usufruir de ajuda efetiva. O apoio social objetivo e por isso recebido refere-se ao conjunto de interações e trocas que o indivíduo recebe daqueles por quem se considera querido, desejado, respeitado e envolvido. O sujeito vai reconhecer a disponibilidade dos que lhe são próximos, e a possibilidade de recorrer a estes e ser correspondido se o necessitar, o que lhe trás conforto e segurança.
A satisfação individual com o apoio social está muito associada à saúde e ao bem-estar físico e psicológico, bem como à satisfação com a vida e à existência de afetos positivos em relação a si mesmo e aos outros. Deste modo, a perceção do suporte social ou as expectativas de que o apoio existirá se for necessário, tem sido considerado um elemento facilitador do bem-estar pessoal e social dos indivíduos, perante desafios e dificuldades com que se vão confrontando ao longo do seu percurso de vida. É um fator mediador do impacto das situações adversas ou perturbadoras do bem-estar físico e emocional.
O suporte social pode ter uma função preventiva e/ou curativa em relação aos acontecimentos de vida negativos e à doença, e uma função estimulante e gratificante, promotora de mais felicidade e de vivências positivas. Este suporte está positivamente associado ao confronto com novas situações ou situações potencialmente stressantes, reduzindo a tensão e a sensação de falta de controlo das mesmas.
No que diz respeito às crianças e á família enquanto grupo de apoio social, parece haver um efeito protetor para a maior parte das crianças e adolescentes, quando a família lhes dá atenção adequada e apropriada durante o primeiro ano de vida, mesmo quando estes estão inseridos em ambientes de risco. Fatores como a confiança, a atenção, a empatia, a disponibilidade, o respeito e as expectativas elevadas relativamente aos resultados escolares e comportamentais, o suporte, o afeto e os bons modelos comportamentais são considerados responsáveis por este efeito protetor.
A partilha das tarefas do dia-a-dia em família pelos dois elementos do casal é encarada como benéfica para o desenvolvimento infantil, sendo a preocupação com os limites e as regras, a presença conjunta em atividades de lazer e o investimento no incentivo de responsabilidades, fatores fulcrais para o desenvolvimento do ajustamento psicológico de crianças e jovens e para o seu bom desempenho escolar.
Outro fator que permite potenciar o papel positivo da família, no ajustamento da criança ou do jovem, é a possibilidade de permitir a sua participação ativa em contexto familiar, criando condições para que este seja ouvido e a sua opinião possa ser levada em consideração nas tomadas de decisões importantes para a família ou na programação de atividades familiares, por exemplo de lazer. Este fator é muito importante uma vez que potencia o desenvolvimento do sentimento de pertença e de responsabilidade, aumentando também as expectativas em relação ao futuro e promovendo a persistência para a definição e alcance de metas e objetivos.
Uma família enquanto grupo protetor e apoiante, deverá ter a preocupação de comunicar de forma positiva e efetiva, fornecer apoio á criança ou adolescente, facilitar a expressão de pensamentos e sentimentos, permitir a discussão dos assuntos relevantes, minimizar os conflitos, negociar os planos da família e desenvolver a cooperação e a confiança entre pais e filhos. Pode ser necessário, em alguns casos, recorrer a um apoio familiar regular para que estas sejam ajudadas adquirir as competências necessárias para que possam a agir de forma a potenciar o adequado desenvolvimento emocional das suas crianças/jovens.
Algumas crianças lidam desde cedo com medos e inseguranças que podem ser motivados por diversas ordens de razão. Estes medos podem fazer com que a criança deixe de querer “arriscar” ou quando o faz, seja acompanhado por muita ansiedade, comprometendo o seu desempenho e reforçando as suas inseguranças.
Para ajudar a criança que tem medo de falhar, é muito importante, em primeiro lugar que reconheça a situação. Devemos revelar que percebemos o que se está a passar e procurar que a criança fale sobre o assunto, ou seja, que expresse a sua preocupação. Exemplos como “vejo que estás preocupado com a apresentação do teu trabalho de amanhã na escola. Vamos conversar um pouco sobre isso? Este poderá ser o ponto de partida para ajudar a criança insegura com o seu desempenho numa atividade escolar. Validar os sentimentos da criança e refletir sobre o assunto, pode também ser bastante eficaz, para que ela se consiga acalmar. “Estás muito ansioso por causa do teu trabalho, eu compreendo, por vezes é difícil ter tantas coisas na cabeça e essa matéria é realmente complexa”. Será igualmente útil ajudar a criança a processar o medo. “O que achas que pode acontecer se te enganares numa data ou num nome, quando apresentares o trabalho de História amanhã? Qual é a pior coisa que pode acontecer? E então?“.