Solidão e solitude: duas experiências distintas do estar só

A experiência de estar só é transversal à condição humana, mas nem sempre é vivida da mesma forma. Na psicologia, é fundamental distinguir solidão de solitude, dois conceitos frequentemente confundidos no discurso quotidiano, mas que representam vivências emocionais e cognitivas profundamente diferentes. Enquanto a solidão está associada ao sofrimento psicológico, a solitude pode constituir uma experiência saudável, reparadora e até necessária ao desenvolvimento pessoal.

A solidão é uma experiência subjetiva de desconexão emocional. Não depende, necessariamente, do número de relações existentes, mas da percepção de que as necessidades de vínculo, compreensão e pertença não estão a ser satisfeitas. Uma pessoa pode estar rodeada de outros e, ainda assim, sentir-se profundamente só. Do ponto de vista psicológico, a solidão associa-se a emoções como tristeza, vazio, rejeição ou desamparo. Vários estudos têm demonstrado a sua relação com sintomas depressivos, ansiedade, baixa autoestima e maior vulnerabilidade ao stresse. Em contextos prolongados, a solidão pode ainda ter impacto na saúde física, podendo contribuir para alterações do sono, do sistema imunitário e do funcionamento cardiovascular.

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Compreender a Ansiedade e os Pensamentos Intrusivos

A ansiedade é uma resposta emocional e fisiológica orientada para a antecipação de ameaça, frequentemente acompanhada por respostas fisiológicas de ativação , hipervigilância e padrões de pensamento caracterizados por preocupação persistente.

No contexto clínico, a Teoria Cognitivo-Comportamental (TCC) conceptualiza a ansiedade como resultado da interação entre processos cognitivos, comportamentais e fisiológicos que mantêm o ciclo de ameaça e evitamento. Entre os fenómenos cognitivos mais comuns associados à ansiedade encontram-se os pensamentos intrusivos: conteúdos mentais involuntários, repetitivos e frequentemente angustiantes, que surgem sem intenção consciente e que tendem a ser interpretados como indicadores de risco, falha pessoal ou perda de controlo.

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A Perspetiva Psicológica da Procrastinação

A procrastinação é um fenómeno universalmente reconhecido que afeta milhões de pessoas em diferentes contextos, desde o académico ao profissional e até na vida pessoal. No entanto, sob a perspetiva psicológica, a procrastinação vai muito para além da simples “preguiça” ou da falta de disciplina. É um comportamento complexo frequentemente enraizado em fatores emocionais, cognitivos e sociais.

Do ponto de vista psicológico, a procrastinação pode ser entendida como a tendência para adiar tarefas importantes, mesmo quando isso resulta em consequências negativas. Este comportamento é, muitas vezes, impulsionado por uma luta interna entre a necessidade de agir e a resistência psicológica em fazê-lo. Um dos fatores mais comuns associados à procrastinação é o medo do fracasso. As pessoas que têm altos padrões de perfeccionismo, por exemplo, podem adiar tarefas por receio de não conseguirem executá-las de forma perfeita. Este ciclo de adiamento pode criar um ambiente de stresse e ansiedade, perpetuando o comportamento procrastinador.

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Férias de Verão: Birras e Comportamentos Difíceis

As férias de verão são uma época esperada com entusiasmo, especialmente para as crianças, que veem este período como uma oportunidade para relaxar, brincar e desfrutar de tempo livre. No entanto, para os pais, as férias podem trazer desafios inesperados, incluindo birras e comportamentos difíceis.

As birras são manifestações de frustração, raiva ou desconforto, e são comuns em crianças pequenas que ainda estão a aprender a regular as suas emoções e a expressar as suas necessidades de maneira adequada. Durante as férias de verão, são vários os fatores que podem desencadear birras. Entre os mais comuns estão a mudança de rotina, uma vez que em período de férias são muitas vezes alteradas as rotinas diárias das famílias e das crianças, o que lhes pode causar insegurança e desconforto. A ausência de horários fixos para refeições, sono e atividades pode aumentar a probabilidade da ocorrência de birras e comportamentos desadequados.

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