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Gracinda Santos

Psicóloga Clínica Especialista

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Etiqueta: Diálogo

Quando o Passado Continua Presente nas Relações Amorosas

Abstract artwork with tangled dark lines flowing into colorful waves
9 Out 20266 Out 2026 ~ Gracinda Santos ~ Comentar

As relações pessoais, nomeadamente as relações amorosas que vivemos deixam marcas. Algumas ajudam-nos a construir segurança, confiança e proximidade emocional. Outras podem tornar-nos mais cautelosos, inseguros ou com receio de voltar a sofrer. Uma rejeição, uma traição, uma relação de casal marcada pela instabilidade, pela crítica ou pela falta de disponibilidade emocional, pode influenciar a forma como nos envolvemos afetivamente, mesmo muito tempo depois de essa experiência ter terminado.

Nem sempre percebemos o que está a acontecer. Muitas vezes sentimos que estamos apenas a reagir ao comportamento do parceiro ou da parceira atual, quando, na realidade, algumas situações podem ativar medos e inseguranças que começaram noutras relações amorosas. A investigação sobre vinculação na idade adulta mostra que as experiências afetivas podem influenciar a confiança, a proximidade emocional e a forma como interpretamos o comportamento de quem está connosco (Campbell & Stanton, 2019). Quem já viveu uma experiência de traição, por exemplo, pode ficar mais atento a pequenas mudanças no comportamento do parceiro. Uma resposta que demora mais tempo, uma saída com amigos ou uma alteração de rotina podem ser sentidas e avaliadas como sinais de afastamento. Para quem já passou por relações amorosas em que se sentiu rejeitado ou desvalorizado, uma situação aparentemente simples pode despertar o medo de “não ser suficientemente importante” ou de voltar a ser abandonado.

Two people having a serious conversation in a warmly lit living room

Por vezes, esse medo leva a uma procura constante de confirmação dentro da relação. A pessoa precisa de saber repetidamente se está tudo bem, se continua a ser amada ou se pode confiar no parceiro. Noutros casos acontece o contrário: para evitar sofrer, mantém maior distância emocional, evita mostrar vulnerabilidade ou afasta-se quando sente que a relação amorosa começa a tornar-se mais próxima. A forma como lidamos com as emoções no contexto do casal está intimamente ligada aos padrões de vinculação e pode influenciar a qualidade da relação (Fávero et al., 2021). Estas reações não surgem necessariamente por escolha. Muitas vezes são formas de proteção. Se já sofremos numa relação amorosa, é compreensível que tentemos evitar que o mesmo aconteça novamente. A dificuldade aparece quando aquilo que inicialmente serviu para nos proteger começa a interferir com a relação atual, dificultando a confiança, a comunicação ou a intimidade.

Woman and man sitting apart on a sofa in a warmly lit living room

Também as crenças que fomos construindo sobre nós próprios e sobre os outros podem ter um papel importante. Experiências repetidas de rejeição, crítica ou instabilidade amorosa podem favorecer pensamentos como “as pessoas acabam sempre por ir embora”, “não posso confiar totalmente em ninguém” ou “se mostrar demasiado o que sinto, vou acabar magoado”. Estudos sobre esquemas precoces mostram que este tipo de crenças persistentes pode estar associado a dificuldades nas relações interpessoais, incluindo nas relações de casal (Janovsky et al., 2020). Por isso, pode ser importante aprender a distinguir aquilo que pertence à relação amorosa atual daquilo que vem do passado. Perguntar “o que está realmente a acontecer agora nesta relação?” ou “estou a reagir apenas ao que o meu parceiro fez ou também ao que já vivi antes?” pode ajudar a criar algum espaço entre aquilo que sentimos e a forma como reagimos. Isto não significa ignorar sinais importantes ou aceitar comportamentos que nos fazem sofrer. Significa procurar olhar para a relação atual a partir daquilo que realmente acontece nela, em vez de assumir antecipadamente que a história vai repetir-se.

Couple holding hands over coffee beside an open notebook overlooking the sea

A confiança numa relação amorosa constrói-se pouco a pouco. Cresce através de experiências de respeito, consistência, disponibilidade e segurança emocional. Também se fortalece quando existe espaço para falar de medos e inseguranças sem que tudo se transforme em acusação, controlo ou afastamento. A terapia cognitivo-comportamental aplicada às relações de casal procura precisamente ajudar a identificar padrões de pensamento, comunicação e resposta emocional que podem contribuir para dificuldades relacionais (Fischer, Baucom, & Cohen, 2016). Reconhecer estes padrões não significa culpabilizarmo-nos. Muitas das estratégias que hoje dificultam uma relação amorosa já tiveram, provavelmente, uma função de proteção. A questão é perceber se ainda fazem sentido ou se estão a impedir-nos de viver vínculos afetivos diferentes. O passado faz parte da nossa história amorosa, mas não tem de decidir tudo aquilo que acontece no presente. Tornar alguns padrões mais conscientes pode ser o primeiro passo para os questionar e para construir relações mais seguras, mais flexíveis e menos condicionadas pelo medo.

Couple speaking with therapist; sign reads, "Dificuldades em confiar, medo de abandonar, ciúmes, necessidade de validação ou afastamento emocional? Terapia pode ajudar."

Quando as dificuldades em confiar no parceiro, o medo de abandono, os ciúmes, a necessidade constante de validação ou o afastamento emocional provocam sofrimento, se repetem em diferentes relações amorosas ou interferem significativamente com o bem-estar, pode ser importante procurar apoio psicológico.

Referências Bibliográficas:

Campbell, L., & Stanton, S. C. E. (2019). Adult attachment and trust in romantic relationships. Current Opinion in Psychology, 25, 148–151.

Fávero, M., Lemos, L., Moreira, D., Ribeiro, F. N., & Sousa-Gomes, V. (2021). Romantic attachment and difficulties in emotion regulation on dyadic adjustment: A comprehensive literature review. Frontiers in Psychology, 12, 723823.

Janovsky, T., Rock, A. J., Thorsteinsson, E. B., Clark, G. I., & Murray, C. V. (2020). The relationship between early maladaptive schemas and interpersonal problems: A meta-analytic review. Clinical Psychology & Psychotherapy, 27(3), 408–447.

Fischer, M. S., Baucom, D. H., & Cohen, M. J. (2016). Cognitive-behavioral couple therapies: Review of the evidence for the treatment of relationship distress, psychopathology, and chronic health conditions. Family Process, 55(3), 423–442.

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Ansiedade de Desempenho: o medo de falhar

26 Set 202523 Set 2025 ~ Gracinda Santos ~ Comentar

O início de um novo ano letivo é, para muitos jovens, um período de expetativa e de renovação, mas também um momento marcado por ansiedade de desempenho. Do ponto de vista psicológico, este tipo de ansiedade surge quando a pessoa sente que o seu valor depende de resultados, temendo falhar perante os outros ou perante si própria. A transição para um novo ciclo de estudos, seja no ensino secundário ou universitário, intensifica este fenómeno: há novas rotinas, metas académicas mais exigentes e comparações inevitáveis com colegas.

Nos estudantes universitários, a ansiedade de desempenho manifesta-se frequentemente através da pressão para corresponder ao investimento financeiro e emocional da família e para construir um currículo competitivo. As primeiras semanas do ano letivo trazem desafios como a adaptação a uma maior autonomia, a gestão de horários mais complexos e a convivência em novos contextos sociais. Muitos jovens enfrentam receios de não estarem à altura das expectativas, o que pode provocar sintomas como insónia, tensão muscular, dificuldade de concentração e pensamentos autocríticos. Quando não acompanhada, esta ansiedade pode levar a procrastinação ou a evitamento, reforçando um ciclo de stresse.

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Pressões Académicas e Ansiedade em Jovens Estudantes

3 Jan 202526 Dez 2024 ~ Gracinda Santos ~ Comentar

A ansiedade é um fenómeno cada vez mais prevalente entre os jovens universitários, sendo frequentemente considerada um reflexo das pressões sociais, académicas e pessoais que caracterizam esta fase de transição. Estudar no ensino superior implica novos desafios e responsabilidades, muitas vezes enfrentados longe do ambiente familiar, o que pode amplificar sentimentos de insegurança e vulnerabilidade.

Uma das principais causas de ansiedade nos estudantes universitários é a carga académica. A necessidade de obter boas classificações para garantir o sucesso profissional futuro exerce uma pressão significativa. Os prazos apertados, os exames exigentes e a competitividade entre colegas criam um ambiente onde a autocrítica e o medo do fracasso prosperam. Este tipo de ansiedade pode manifestar-se em sintomas físicos como insónias, fadiga e dores musculares, bem como em sintomas psicológicos como dificuldade de concentração e irritabilidade.

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Relações de casal, o que fazer para não desistir?

16 Fev 202410 Fev 2024 ~ Gracinda Santos ~ Comentar

As relações interpessoais são de um modo geral exigentes e desafiantes. As relações de casal são tudo isso e muito mais, tornando-se por vezes tão difíceis que desistir parece ser a única opção. No entanto, há algumas estratégias que podem melhorar, simplificar e muitas vezes “resolver” estas relações, apesar de em alguns momentos as situações de conflito e desentendimento fazerem parecer que já nada as pode salvar.

Muitos casais enfrentam diariamente relações difíceis, conflituosas e desgastantes, em que a ideia de desistir aparece sistematicamente. Porém, mesmo quando a harmonia e a felicidade parecem já não existir, quando o amor e o companheirismo se fundem com o ressentimento, a raiva e a frustração, ainda assim pode haver uma forma de contornar e reverter este desequilíbrio, onde os sentimentos de culpa por norma assumem lugar de destaque. Para caminhar na direção da restauração de uma relação que parece já não ter “pernas para andar”, é fundamental que os dois elementos do casal assumam as suas responsabilidades no conflito. Só reconhecendo os próprios erros é que cada um pode escolher modificar comportamentos e atitudes, o que se vai refletir na dinâmica do relacionamento e permitir que ambos fiquem novamente disponíveis para a relação.

Em primeiro lugar, comecem por impedir que os ressentimentos destruam o vosso relacionamento. Ignorar a situação causadora de conflito não irá ajudará a resolve-la. Muitas vezes, quando os conflitos são muito frequentes, os casais podem ter tendência para bloquear a comunicação, para se protegerem. No entanto, dialogar sobre as dificuldades e as divergências é fundamental para manter saudável a relação e para encontrarem respostas ou soluções. Por outro lado, é importante que ambos percebam que a crítica e o “apontar o dedo” dificilmente levam á reconciliação. Ao colocarem o foco é na pessoa e não o seu comportamento, esta irá sentir-se atacada, o que pode criar automaticamente uma barreira. Procure dizer ao seu parceiro/a como se sente com determinado comportamento ou de que forma a sua atitude perante si a/o fazem sentir. “Sinto-me triste porque não tive a oportunidade de dar a minha opinião”, em vez de “tu nunca ouves a minha opinião”.

A crítica poderá sempre existir mas apenas se for construtiva. Em conjunto com o seu parceiro/a definam um período de tempo em que as críticas não são permitidas. Durante esse período, procurem estar menos defensivos/as e procurem adotar uma comunicação mais positiva. É igualmente importante que escolham ter uma comunicação baseada na honestidade, ou seja, tenham a certeza de que falam sobre as vossas preocupações, que expressam as vossas dificuldades e que expõem os vossos sentimentos de desejos, de forma assertiva, ou seja, respeitando o ponto de vista do outro. Procurem não esconder sentimentos, nem mesmo os negativos e não confundam honestidade com vulnerabilidade ou fraqueza.

Por vezes, as discussões acontecem. Embora não seja desejável, por vezes pode haver tendência para perder o foco do problema e orientar a discussão para o ataque pessoal.  Se acontecer, procurem a monitorização e o auto questionamento. “Onde é que esta minha atitude me vai levar?”, “Preciso mesmo de dizer-lhe isto?”. Evite revelar indiferença ou desprezo pelo outro, pois não vai contribuir em nada para a relação e pode ainda aumentar o desconforto. Procure pensar nas qualidades do seu parceiro/a e expresse sentimentos positivos sempre que possível. Faça um esforço para perceber o ponto de vista do outro, colocar-se “nos seus sapatos” e, mais uma vez, ser assertivo/a na comunicação.

As relações com os outros, principalmente as relações românticas, precisam que se lhes dedique tempo. Com a correria do quotidiano e as rotinas por vezes difíceis de conciliar, corremos o risco de nos esquecemos de ser simpáticos e amáveis com o parceiro/a. Pequenos gestos como, “Como correu o teu dia?” ou “O que te apetece fazer este fim-de-semana”, ou ainda “Precisas de ajuda para…?”, podem fazer a diferença. Conversar, revelar empatia pelo outro, validar a sua opinião e compreender as suas emoções, faz com que ele/a sinta que estamos ao seu lado, cúmplices e disponíveis, pode ajudar a manter o vínculo e dar significado ao casal.

Por fim, é importante que tenha a capacidade de perdoar. Perdoar não significa tolerar comportamentos ou atitudes prejudiciais ou desrespeitosas, no entanto, nas devidas situações, poderá permitir a continuidade da relação. Para seguirem o mesmo caminho, navegarem no mesmo barco, é muito importante aceitar algumas fraquezas do outro, reforçar as qualidades e procurar sempre o caminho da compreensão, tendo em vista a recuperação da harmonia e da felicidade que um dia vos juntou.

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A ansiedade do regresso ás aulas: “Alerta pais e alunos!”

15 Set 20239 Out 2023 ~ Gracinda Santos ~ Comentar

Terminadas as férias de verão, o regresso ás aulas pode ser algo tão desejado como temido. Se para muitas crianças e adolescentes este momento é esperado com entusiasmo, para muitos outros é vivido com enorme ansiedade. Os pais também podem sentir apreensão ou mesmo receio, no momento de levarem os seus filhos de regresso á escola.

O regresso às aulas é para a maioria crianças e jovens um momento aguardado com alguma ansiedade, embora nem sempre pelas mesmas razões. As crianças mais pequenas tendem a aguardar com entusiasmo o momento de regressar á escola, de rever colegas e professores e de retomar as suas rotinas, atividades e brincadeiras. A escola para além das aprendizagens em sala de aula é também um lugar de diversão e partilha, para o qual as crianças mais novas habitualmente anseiam regressar no final do verão. No entanto, e principalmente em anos de mudança de ciclo ou de escola, a ansiedade pode ter um papel importante na forma como crianças e pais avaliam esse momento, o que é perfeitamente normal, principalmente se o contexto escolar no qual a criança vai ingressar for novo e desconhecido.

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Casal em terapia

1 Set 202321 Ago 2023 ~ Gracinda Santos ~ Comentar

Na terapia de casal a intervenção foca-se essencialmente no casal e não na relação em si. O importante é avaliar cada elemento do casal e intervir no sentido de melhorar a sua saúde emocional. Pessoas emocionalmente estáveis tendem a ter relações mais saudáveis e satisfatórias.

Os “ingredientes” mais importantes para o sucesso de uma terapia de casal são o amor e a vontade de continuarem juntos. Alguns dos erros mais comuns dos casais com dificuldades relacionais são a procura de ajuda muito tardia; quando um elemento do casal quer pedir apoio e o outro vai “por arrasto” (falta de sintonia no processo de mudança); quando um dos elementos não reconhece que há um problema (fase de não contemplação); quando um ou os dois elementos do casal reconhecem que há problemas, mas não estão preparados para a mudança (contemplação); quando um dos dois pode não estar preparado para a ação (empreender ações de mudança) e quando há a crença de que o caminho de ambos passa por continuarem juntos, o que pode não ser a melhor opção…

Continue a ler “Casal em terapia” →

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