A Perturbação da Personalidade Borderline

A perturbação da personalidade borderline (PPB) tem sido objeto de estudo e debate na psicologia clínica nas últimas décadas. Caracterizada pela instabilidade emocional, relações interpessoais intensas e conflituosas e uma identidade instável, esta perturbação apresenta desafios significativos tanto para os indivíduos que a experienciam como para os profissionais de saúde mental que os acompanham (American Psychiatric Association, 2013).

Do ponto de vista clínico, a PPB manifesta-se por meio de um padrão crónico de instabilidade emocional. Indivíduos com esta perturbação tendem a experienciar emoções intensas e de curta duração, que se alteram rapidamente, muitas vezes sendo desencadeadas por acontecimentos interpessoais ou stresse ambiental. Este fenómeno tem sido associado a níveis elevados de reatividade do sistema límbico, o que pode contribuir para respostas emocionais exacerbadas, numa tentativa de regulação afetiva que muitas vezes falha. Nesta perspetiva, os modelos neurobiológicos aliados a abordagens psicodinâmicas permitem compreender melhor os mecanismos subjacentes à desregulação emocional que caracteriza o transtorno (Linehan, 1993).

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Saúde Mental e Académica: A Necessidade de Apoio Psicológico aos Jovens Universitários

À medida que o final do ano letivo se aproxima, muitos estudantes académicos em Portugal enfrentam um aumento significativo de stresse, ansiedade e exaustão emocional. A pressão das avaliações, a incerteza quanto ao futuro e a sobrecarga de tarefas acumuladas ao longo do semestre tornam esta fase particularmente exigente. Neste contexto, a procura por apoio psicológico tem-se tornado não só mais frequente, mas também mais urgente e necessária.

Não é novidade que a saúde mental dos estudantes universitários se encontra fragilizada. Um estudo realizado pelo Observatório Nacional da Saúde Mental Estudantil (ONSAME) em 2023 revelou que cerca de 63% dos estudantes inquiridos referiram sentir níveis elevados de ansiedade durante o período de exames, e 41% admitiram ter considerado procurar ajuda psicológica, embora muitos não o tenham feito devido a estigmas ou à falta de recursos acessíveis.

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Integração entre Psicologia Clínica e Psiquiatria: Delimitações, Confluências e Implicações Clínicas

Resumo

A presente reflexão tem como objetivo explorar a distinção epistemológica e metodológica entre psicologia clínica e psiquiatria, analisando os principais pontos de intersecção e colaboração na prática clínica. Aborda-se ainda a importância do diagnóstico diferencial rigoroso, os riscos associados a uma avaliação imprecisa e o papel da psicoterapia em quadros clínicos de etiologia orgânica. Defende-se a abordagem interdisciplinar como condição necessária para a eficácia terapêutica em saúde mental.

Palavras-chave: psicologia clínica, psiquiatria, diagnóstico diferencial, comorbilidade, intervenção interdisciplinar, psicoterapia


1. Introdução

A saúde mental contemporânea implica, cada vez mais, uma abordagem integrativa que contemple a complexidade biopsicossocial dos indivíduos (Engel, 1977). Neste contexto, a articulação entre psicologia clínica e psiquiatria revela-se fundamental. Contudo, a sobreposição sintomática entre diferentes quadros clínicos e a multiplicidade de modelos de intervenção podem gerar confusão quanto ao âmbito de atuação de cada especialidade. Este artigo propõe clarificar esses limites e explorar formas eficazes de cooperação interdisciplinar.


2. Delimitação Disciplinar: Psicologia Clínica e Psiquiatria

A psiquiatria, enquanto especialidade médica, intervém prioritariamente sobre os substratos neurobiológicos das perturbações mentais, recorrendo ao diagnóstico médico e à psicofarmacologia (Sadock, Sadock, & Ruiz, 2015). A psicologia clínica, por sua vez, fundamenta-se em modelos teóricos e empíricos de compreensão do comportamento humano e utiliza intervenções psicoterapêuticas baseadas na evidência (American Psychological Association [APA], 2023). Apesar da distinção formativa, ambas as disciplinas se inserem no espectro da saúde mental e frequentemente convergem na prática clínica.


3. Diagnóstico e Comorbidade: Fontes de Confusão Clínica

A elevada comorbilidade entre perturbações mentais e a partilha de sintomatologia inespecífica dificultam o diagnóstico diferencial. Sintomas como ansiedade, insónia, irritabilidade ou défices de atenção podem surgir em múltiplas condições (First et al., 2018). A ausência de marcadores biológicos para a maioria das perturbações do foro mental, aliada a limitações na literacia em saúde, contribui para a subvalorização ou medicalização indevida de certos quadros clínicos.


4. A Depressão como Caso Paradigmático de Interpretação Ambígua

A perturbação depressiva major é frequentemente confundida com reações emocionais normativas ou quadros adaptativos. Esta visão reducionista ignora os componentes neuroendócrinos e hereditários da doença, comprometendo a eficácia da intervenção (Kupfer, Frank, & Phillips, 2012). Uma avaliação psicopatológica rigorosa é essencial para distinguir entre tristeza situacional e depressão clínica, orientando adequadamente para intervenção farmacológica e/ou psicoterapêutica.


5. Integração Clínica: Complementaridade entre Abordagens

A articulação entre psicoterapia e farmacoterapia representa uma das estratégias mais eficazes no tratamento de perturbações mentais moderadas a graves (Cuijpers et al., 2020). Enquanto a medicação pode estabilizar a sintomatologia aguda, a psicoterapia permite a reestruturação cognitiva, emocional e relacional do paciente, promovendo mudanças sustentadas e prevenção de recaídas.


6. Implicações do Diagnóstico Incorreto

Erros diagnósticos podem ter consequências clínicas e éticas relevantes: dano terapêutico não intencional (iatrogenia), descontinuidade terapêutica, cronicidade do quadro clínico e aumento do sofrimento psíquico (Frances, 2013). A utilização indevida de medicação em quadros não médicos, ou a exclusão de intervenção farmacológica quando indicada, são riscos reais na ausência de avaliação interdisciplinar.


7. Identificação de Indicadores de Etiologia Biológica

Fatores como historial familiar de doença mental, sintomatologia psicótica, curso clínico abrupto e resistência à psicoterapia são indicadores frequentes de uma possível origem neurobiológica (APA, 2022). Nestes casos, o encaminhamento para avaliação psiquiátrica torna-se imperativo. A decisão deve basear-se numa anamnese rigorosa e em critérios clínicos validados.


8. Psicoterapia em Patologias de Etiologia Orgânica

Doenças com etiologia neurológica, como a esclerose múltipla ou a epilepsia, têm frequentemente impacto significativo na saúde mental. A psicoterapia nestes casos visa apoiar o ajustamento emocional, trabalhar o luto antecipado, promover estratégias de coping e prevenir perturbações afetivas reativas (Mohr et al., 2012). A intervenção psicológica nestes contextos melhora a adesão ao tratamento médico e a qualidade de vida.


9. Ética e Encaminhamento Interdisciplinar

A prática clínica exige uma postura ética de reconhecimento dos limites do exercício profissional. O encaminhamento para psiquiatria deve ser feito sempre que se identifiquem sinais fora do escopo psicológico, nomeadamente necessidade de intervenção médica ou risco acrescido para o paciente. A atuação em rede permite respostas mais completas e centradas na pessoa (WHO, 2022).


10. Conclusão

A eficácia das intervenções em saúde mental depende da articulação entre disciplinas complementares. Psicologia clínica e psiquiatria, embora epistemologicamente distintas, partilham um objetivo comum: promover a saúde mental e o bem-estar. A integração, o respeito mútuo e a comunicação entre áreas são pilares de uma prática clínica ética, rigorosa e centrada no paciente.


Referências

American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed., text rev.; DSM-5-TR). APA Publishing.

American Psychological Association. (2023). Clinical practice guideline for the treatment of depression across three age cohorts. APA.

Cuijpers, P., Karyotaki, E., Weitz, E., Andersson, G., Hollon, S. D., van Straten, A., & Ebert, D. D. (2020). The effects of psychotherapies for major depression in adults on remission, recovery and improvement: A meta-analysis. Journal of Affective Disorders, 277, 455–464. https://doi.org/10.1016/j.jad.2020.08.057

Engel, G. L. (1977). The need for a new medical model: A challenge for biomedicine. Science, 196(4286), 129–136.

First, M. B., Williams, J. B. W., Karg, R. S., & Spitzer, R. L. (2018). Structured Clinical Interview for DSM-5® Disorders—Clinician Version (SCID-5-CV). American Psychiatric Publishing.

Frances, A. (2013). Saving Normal: An Insider’s Revolt against Out-of-Control Psychiatric Diagnosis, DSM-5, Big Pharma, and the Medicalization of Ordinary Life. William Morrow.

Kupfer, D. J., Frank, E., & Phillips, M. L. (2012). Major depressive disorder: New clinical, neurobiological, and treatment perspectives. The Lancet, 379(9820), 1045–1055. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(11)60602-8

Mohr, D. C., Hart, S. L., Julian, L., Cox, D., & Pelletier, D. (2012). Behavioral intervention for multiple sclerosis: A randomized controlled trial. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 93(8), 1290–1298.

Sadock, B. J., Sadock, V. A., & Ruiz, P. (2015). Kaplan and Sadock’s synopsis of psychiatry: Behavioral sciences/clinical psychiatry (11th ed.). Wolters Kluwer.

World Health Organization. (2022). Guidance on community mental health services: Promoting person-centred and rights-based approaches. WHO Press.

Falando um pouco sobre esquizofrenia

Este é um daqueles temas que muitas pessoas evitam ou só conhecem através de estereótipos errados. Quando pensamos em esquizofrenia, é fácil lembrarmo-nos de filmes ou séries que mostram pessoas completamente desconectadas da realidade, mas a verdade é bem mais complexa e, sobretudo, muito mais humana.

A esquizofrenia é uma perturbação psiquiátrica grave que afeta a forma como a pessoa pensa, sente e percebe o mundo à sua volta. Normalmente, os primeiros sinais aparecem no final da adolescência ou no início da idade adulta. Não é, como algumas pessoas pensam, uma “dupla personalidade” ou simplesmente “loucura”. É uma condição séria que pode ter um grande impacto na vida da pessoa doente e das pessoas à sua volta.

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Esquizofrenia em Poucas Palavras

A esquizofrenia é uma condição de saúde mental que pode afetar profundamente a vida de quem a experiencia. Trata-se de uma perturbação complexa, que envolve mudanças na forma como a pessoa pensa, sente e consequentemente se comporta. A esquizofrenia pertence ao espectro das perturbações psicóticas.

Os sinais da esquizofrenia podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem experiências como delírios (crenças firmes que não correspondem à realidade), alucinações (perceber coisas que não estão presentes, como ouvir vozes), discurso desorganizado e comportamentos inusitados ou catatónicos. Além disso, a pessoa pode apresentar uma falta de expressividade emocional e uma perda de motivação para realizar atividades diárias.

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Insónias: Impacto na Saúde e Estratégias para Dormir Melhor

A insónia é um distúrbio do sono caracterizado pela dificuldade em adormecer, manter o sono ou acordar muito cedo sem conseguir voltar a dormir. Pode ser ocasional ou crónica, afetando significativamente a qualidade de vida ao causar cansaço excessivo, irritabilidade, falta de concentração e impactos na saúde física.

Embora algumas pessoas tenham dificuldades temporárias em dormir, devido a fatores como stresse ou alterações nas suas rotinas, a insónia crónica é mais complexa e pode estar relacionada com problemas psicológicos ou emocionais. A ansiedade, por exemplo, pode agravar o problema, tornando-se essencial a procura de ajuda profissional para um tratamento adequado.

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Outubro: Mês da Saúde Mental

O mês de Outubro está marcado como o Mês da Saúde Mental, sendo um período dedicado à conscientização e ao diálogo sobre a importância do bem-estar psicológico. No dia 10 de outubro, celebra-se o Dia Mundial da Saúde Mental, data promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 1992, com o objetivo de aumentar a compreensão sobre as perturbações mentais e reduzir o estigma que muitas vezes impede as pessoas de procurarem ajuda.

A saúde mental vai para além da ausência de patologia, sendo definida como um estado de equilíbrio e bem-estar emocional, psicológico e social. A falta de saúde mental afeta a forma como pensamos, sentimos e agimos no nosso dia-a-dia. Problemas como depressão, ansiedade e stresse, podem ter um impacto profundo na nossa qualidade de vida e nas nossas relações pessoais e profissionais. Assim, é essencial promover a literacia em saúde, nomeadamente em saúde mental, no sentido de aumentar a conscientização e o cuidado com a mente de forma contínua, especialmente num mundo que tem enfrentado desafios como a pandemia, as crises económicas e as pressões sociais.

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Sexualidade e saúde mental

A Sexualidade é um tema indissociável do ser humano, presente em todos os contextos e capaz de desencadear todo o tipo de reações, como o riso, a vergonha, a dúvida ou a curiosidade. Qualquer comportamento sexual tem uma componente biológica, psicológica, e interpessoal, baseando-se em conceitos culturais de normalidade e moralidade.

A Saúde Mental é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), não apenas como a ausência de doença, mas também como um estado de bem-estar em que cada indivíduo realiza o seu próprio potencial, conseguindo lidar com os desafios normativos da vida, como por exemplo, trabalhar de forma produtiva e assim contribuir para a sociedade. Para a OMS, a sexualidade inclui vários aspetos da experiência humana: as diferenças biológicas entre mulheres e homens, as identidades e papéis de género, a orientação sexual, o erotismo, o prazer, a intimidade e a reprodução. A interligação entre variáveis como o sexo atribuído à nascença, o género, e a orientação sexual, e a forma como estas se relacionam é tão fluída e livre como a complexidade da própria existência humana.

A história pessoal de cada indivíduo e a forma como se relaciona com os outros e com o mundo, é de certo modo influenciada pelo género e pela sexualidade. A a sua expressão pode mudar ao longo da vida, desde a adolescência até à idade adulta avançada. O género e a sexualidade estão presentes na vivência humana, na forma como a paixão é experienciada, na intimidade, no amor, no modo como cada um de nós se afirma perante a sociedade, na elaboração e na construção das relações afetivas e na forma como cresceremos nessas mesmas relações.

As diversas formas de expressão da sexualidade humana são todas elas normativas e legítimas, desde que sejam vivenciadas de forma saudável e que não interfiram com a liberdade e a vontade dos outros. A vivência da sexualidade pode por vezes conduzir a períodos de angústia, tristeza, ansiedade, medo, vergonha, ou até mesmo desalento e resignação. Em alguns desses momentos, a partilha com um profissional de saúde habilitado, poderá ajudar a encontrar soluções para as dificuldades apresentadas. Estes podem oferecer informação, sugestões e estratégias para ajudar a lidar com as dificuldades, assim como poderá, após avaliação do caso, encaminhar para outro profissional especializado.

 As crenças e normas sociais atuais, podem por vezes ainda não estar ajustadas à diversidade humana, que se vê forçada muitas vezes a inserir numa sociedade que ainda pune e ostraciza muitas das expressões individuais da sexualidade, como é o caso dos indivíduos com incongruência entre o género sexual vivenciado e o seu género atribuído à nascença. A mudança de género e o processo de reatribuição sexual são processos organizadores na vida dos indivíduos, no entanto, são questões ainda fraturantes numa sociedade binária, apesar de terem vindo a ser feitos progressos nesta área.

A sexualidade e a doença mental podem influenciar-se ou determinar-se mutuamente. As perturbações depressivas, as perturbações de ansiedade, o consumo de substâncias psicoativas, a perturbação bipolar ou a esquizofrenia, são exemplos de perturbações que podem dar origem ou estar em comorbilidade com dificuldades ao nível da sexualidade. Por outro lado, as disfunções sexuais podem de igual modo agravar ou desencadear patologia do foro psicológico ou psiquiátrico.

O estilo de vida é também por si só potenciador das dificuldades ao nível da sexualidade, como por exemplo os consumos de álcool, tabaco ou drogas, que influenciando a saúde física se podem repercutir na saúde mental e sexual. Também as perturbações do sono, a alimentação e a ausência de atividade física, têm impacto a esse nível o que não deve ser desvalorizado. Outro fator que pode ter grande impacto na função sexual do indivíduo é alguma medicação crónica, pelos seus efeitos secundários. Este é um fator muito relevante e que merece toda a atenção, uma vez que é muitas vezes é a causa principal para o abandono da medicação, com todo o risco que isso pode implicar.

As dificuldades ao nível da sexualidade e da sua vivência, podem ocorrer em qualquer idade e relacionam-se com a forma como o corpo, a mente, a intimidade se relacionam. As dificuldades sexuais resultam muitas vezes em sentimentos de culpa e de falha e fracasso. O apoio psicológico pode ser uma importante ajuda uma vez que fornece um “lugar” de contenção, de segurança para a expressão emocional, para a reestruturação de alguns pensamentos desadaptativos e também para o ensino e treino de estratégias para lidar com o problema. Estas perturbações são geralmente reversíveis com abordagens relativamente simples, sendo a sua maior barreira a desvalorização do problema ou a tardia procura de ajuda.

Não deixe que sentimentos de vergonha, culpa, inferioridade ou desalento tomem conta da situação. Procure ajuda!

Depressão ou distimia?

A depressão tem uma prevalência elevada nas perturbações do foro mental. Porém, nem tudo o que parece é. Há que avaliar cuidadosamente cada critério, cada conjunto de sintomas, uma vez que alguns podem ser comuns a mais do que uma perturbação.

A Distimia enquadra-se nas perturbações depressivas e caracteriza-se pela presença de humor depressivo durante a maior parte do dia, apresentado durante pelo menos dois anos em mais de metade dos dias. O seu diagnóstico assenta no relato subjetivo (ou por observação dos outros) de pelo menos dois ou mais dos seguintes sintomas: aumento ou diminuição do apetite; dificuldades de sono (ex. insónia); cansaço e/ou falta de energia; baixa autoestima; dificuldades de concentração; dificuldade na tomada de decisões e sentimentos de desesperança. No indivíduo com distimia, estes sintomas podem causar mal-estar clinicamente significativo e/ou défice social, ocupacional ou em qualquer outra área do seu funcionamento.

Associado á perturbação de Distimia pode também estar um mal-estar de cariz ansioso, melancólico ou até mesmo com características psicóticas. A distimia pode ter um início precoce, se os sintomas se manifestarem antes dos 21 anos, ou tardio, se após os 21 anos, e pode ir de ligeira a grave, dependendo da intensidade e frequência dos sintomas. A Distimia tem muitas vezes um início precoce e insidioso, (infância ou adolescência), e por norma um curso crónico. O início precoce está associado a uma maior probabilidade de perturbações da personalidade ou do abuso de substâncias psicoativas.

Os fatores de risco para a Distimia são multifatoriais, podendo ser genéticos/fisiológicos, ambientais (ex. perda ou separação parental) ou temperamentais, nomeadamente níveis elevados de afetividade negativa, maior gravidade dos sintomas, pior funcionamento global do individuo e a presença de perturbações de ansiedade ou perturbações do comportamento. A Distimia pode ter consequências marcantes na funcionalidade do individuo, dependendo do grau em que o afeta.

Fazendo uma comparação entre Distimia e Depressão, pode-se dizer de forma simples que a depressão surge muitas vezes de forma abrupta, habitualmente em consequência de um evento traumático, enquanto a distimia pode “instalar-se” de forma silenciosa, durante a infância ou a adolescência, podendo ser confundida com uma característica da personalidade. Em termos de sintomatologia, a Distimia apresenta sintomas tendencialmente mais brandos, sendo exemplo o pessimismo, a irritabilidade, a fadiga, a baixa autoestima, sentimentos de culpa, de insegurança, dificuldades na tomada de decisões e dificuldades relacionais. Na Depressão, os sintomas mais típicos são a apatia, a anedonia (falta de prazer em atividades anteriormente prazerosas), a tristeza profunda, o desalento, as dificuldades de concentração, de memória, a baixa produtividade e a ideação suicida.

Em termos terapêuticos, a Distimia habitualmente responde bem ao tratamento psicoterapêutico, visto que as sessões ajudam o paciente a lidar com os sintomas e a superar as dificuldades. Os pacientes distímicos frequentemente mantêm a sua funcionalidade, no entanto, em alguns casos pode ser também necessário recorrer à medicação para equilíbrio da bioquímica cerebral. Parece haver evidência de que a intervenção de orientação cognitivo-comportamental, apresenta uma boa eficácia em termos de abordagem psicoterapêutica. A facilitação da expressão emocional, o apoio nas tomadas de decisão, o treino assertivo, e a promoção do autoconhecimento, são exemplos de dimensões a explorar, que podem dar um ótimo contributo para o aumento da satisfação com a vida.

Dê atenção aos sinais, identifique os seus sintomas e, se for o caso, procure ajuda profissional para fazer uma avaliação psicológica. Cuide de si e viva com mais qualidade!

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.

Processo de avaliação psicológica

A avaliação psicológica insere-se nas competências profissionais exclusivas do Psicólogo/a e só a este/a é conferida legitimidade para a realização deste trabalho, com recurso a técnicas e instrumentos específicos para o efeito e para cuja utilização está capacitado.

O processo de avaliação psicológica tem início sempre que é pedida a resposta a uma questão ou um parecer profissional sobre um determinado caso ou indivíduo. O psicólogo/a analisa até que ponto se sente habilitado para dar resposta a esse pedido, mas também deve verificar se este se encontra dentro dos critérios éticos estabelecidos pelo código deontológico, que tem por objetivo guiar este profissional de saúde mental, no sentido de práticas de excelência, garantindo que o seu exercício profissional é o máximo ético e não o mínimo aceitável (Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Diário da República, 2.ª série — N.º 78 — 20 de Abril de 2011).

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