A depressão é uma condição psicológica que afeta o humor, o pensamento e o funcionamento diário, indo muito além da tristeza pontual. A intervenção psicológica, em particular a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), tem demonstrado eficácia na compreensão e modificação dos padrões que mantêm o sofrimento.
A experiência de viver com depressão é frequentemente descrita como um processo silencioso de perda de energia, de interesse e de esperança. Para muitas pessoas, as tarefas quotidianas tornam-se progressivamente mais difíceis de executar, o prazer diminui e surgem os pensamentos persistentes de desvalorização, de culpa ou de incapacidade. A depressão não se resume apenas a tristeza, trata-se de uma condição psicológica complexa, que afeta o humor, o pensamento, o comportamento e o funcionamento global da pessoa.
A experiência de estar só é transversal à condição humana, mas nem sempre é vivida da mesma forma. Na psicologia, é fundamental distinguir solidão de solitude, dois conceitos frequentemente confundidos no discurso quotidiano, mas que representam vivências emocionais e cognitivas profundamente diferentes. Enquanto a solidão está associada ao sofrimento psicológico, a solitude pode constituir uma experiência saudável, reparadora e até necessária ao desenvolvimento pessoal.
A solidão é uma experiência subjetiva de desconexão emocional. Não depende, necessariamente, do número de relações existentes, mas da percepção de que as necessidades de vínculo, compreensão e pertença não estão a ser satisfeitas. Uma pessoa pode estar rodeada de outros e, ainda assim, sentir-se profundamente só. Do ponto de vista psicológico, a solidão associa-se a emoções como tristeza, vazio, rejeição ou desamparo. Vários estudos têm demonstrado a sua relação com sintomas depressivos, ansiedade, baixa autoestima e maior vulnerabilidade ao stresse. Em contextos prolongados, a solidão pode ainda ter impacto na saúde física, podendo contribuir para alterações do sono, do sistema imunitário e do funcionamento cardiovascular.
“E se, em vez de tentar corrigir tudo, aprendesse a simplesmente estar com isso?”
Esta pergunta paralisou a minha paciente Rita (nome fictício) durante uma das nossas consultas, há umas semanas. A Rita estava exausta, constantemente a lutar contra as suas emoções, a debater-se com o passado e a travar uma batalha com a sua autocrítica. Durante anos, acreditou que curar significava apagar a dor, não a sentir, mas agora eu pedia-lhe que a aceitasse em vez disso. No início a Rita resistiu. Aceitar parecia desistir, como se estivesse a erguer a bandeira branca perante toda a dor que carregava. Mas quanto mais refletia sobre isso, mais percebia que lutar não estava a resultar, apenas a deixava esgotada, presa num ciclo interminável e doloroso de resistência e frustração.
Aceitação não significa gostar do que aconteceu ou fingir que não doeu. Significa reconhecer a verdade da sua experiência, sem julgamento. Significa dizer: “Isto é o que eu sinto. É aqui que eu estou.” E, nesse momento, algo muda. Quando a Rita começou a praticar a aceitação, notou algo de extraordinário. A sua dor não desapareceu milagrosamente, mas o controlo da dor sobre ela, diminuiu. As memórias, anteriormente duras e insuportáveis, suavizaram-se. As emoções que tentara reprimir —a raiva, a tristeza, o medo — começaram a fluir através dela, em vez de a aprisionarem.
A aceitação é poderosa porque não exige mudança. Cria espaço para que ela aconteça. Permite respirar quando tudo parece sufocante. E porque é que a aceitação funciona? Porque liberta energia emocional. Resistir à dor consome muita energia, aceitá-la permite redirecionar essa energia para a cura e para o crescimento. A aceitação desenvolve a resiliência, quando deixa de ter medo das suas emoções, aprende que consegue lidar com elas e isso fortalece-o/a interiormente. A aceitação promove a clareza, dissipando o nevoeiro da resistência, ajudando a ver as situações com mais nitidez e a dar passos mais ponderados para a frente.
E como praticar a aceitação? Eis alguns passos:
Parar e observar: Quando se sentir sobrecarregado/a, faça uma pausa. O que sente no seu corpo? Que pensamentos estão na sua mente?
Nomear sem julgamento: Diga em voz alta ou escreva: “Sinto-me ansioso/a” ou “Estou triste por causa de…”
Recordar que está tudo bem: As emoções são como ondas — sobem, atingem o pico e eventualmente recuam. Deixe-as fluir sem se agarrar a elas nem as evitar. As emoções negativas fazem parte da vida, tal como as positivas. Permita-se senti-las.
Praticar a auto compaixão:Aceitação não significa fraqueza, significa que é um ser humano. Por isso, trate-se com bondade, como provavelmente trataria o seu melhor amigo.
A jornada da Rita não terminou com a aceitação — começou aí. Ainda teve dias difíceis, mas já não a destruíam como antes. A aceitação deu-lhe a base para curar, crescer e viver com esperança e coragem. Por isso, deixo-lhe a mesma pergunta que fiz à Rita:
“E se, em vez de tentar corrigir tudo, aprendesse a simplesmente estar com isso?” Às vezes, a mudança mais profunda começa quando simplesmente deixamos ir…
O Dia dos Namorados, celebrado a 14 de fevereiro, é frequentemente associado ao romantismo, às demonstrações de afeto e à valorização das relações amorosas. No entanto, do ponto de vista da Psicologia Cognitivo-Comportamental (PCC), esta data pode ter impactos variados na saúde mental, dependendo das crenças e dos esquemas cognitivos de cada pessoa.
A PCC baseia-se na ideia de que os nossos pensamentos influenciam as nossas emoções e comportamentos. Assim, o Dia dos Namorados pode ser interpretado e vivenciado de formas diferentes consoante as cognições individuais. Para algumas pessoas, a data reforça sentimentos de felicidade e segurança emocional, enquanto para outras pode desencadear ansiedade, tristeza ou frustração.
Nos últimos anos, a parentalidade positiva ganhou destaque como um modelo que valoriza o respeito mútuo, a empatia e o fortalecimento do vínculo entre pais e filhos. Este enfoque procura afastar-se das práticas autoritárias ou punitivas, incentivando a uma abordagem mais acolhedora, onde as emoções das crianças são validadas e as dificuldades são encaradas com compreensão. No entanto, é essencial distinguir entre parentalidade positiva e o fenómeno crescente da positividade tóxica, que pode minar os próprios objetivos deste estilo parental.
A parentalidade positiva baseia-se na ideia de que as crianças aprendem melhor em ambientes onde se sentem seguras emocionalmente. Ao invés de gritos ou castigos, promove-se a comunicação aberta, a resolução colaborativa de problemas e o encorajamento em lugar da crítica. Esta abordagem ajuda a criança a desenvolver a autoconfiança, as competências emocionais e e um sentido saudável de responsabilidade. No entanto, a aplicação da parentalidade positiva exige equilíbrio e autenticidade, evitando cair-se na armadilha da positividade tóxica.
O cansaço, o choro, a tristeza, o desalento e as alterações no apetite são aspectos interligados e que frequentemente refletem um estado emocional ou psicológico delicado. Cada um destes sintomas pode ser um sinal de que algo mais profundo está a afetar o bem-estar mental e emocional de um indivíduo.
O cansaço persistente é frequentemente associado a problemas de saúde mental, como a depressão. Embora o cansaço possa ser causado por fatores físicos, como a falta de sono ou a sobrecarga de trabalho, quando se torna crónico e não responde a mudanças no estilo de vida, pode indiciar uma condição mais séria. A fadiga mental e emocional é comum em casos de depressão e ansiedade, onde o esforço constante para lidar com pensamentos negativos e sentimentos de desesperança pode ser extenuante.
“Sofra e chore por si próprio, não uma ou duas vezes mas repetidamente. O sofrimento é catártico e conforta, sendo uma forma de manter a serenidade”.
“Sofrer, sentir pesar, chorar, resultam de emoções naturais, que surgem pronta e facilmente se não forem bloqueadas por interdições culturais, expectativas ou distorções. O sofrimento é uma parte importante da vida porque experimentar a perda, é inevitável para todos nós. Quanto mais envelhecermos por mais perdas passaremos. Logo, é necessário encontrar uma forma de lidarmos com a dor. A melhor forma é permitirmo-nos sentir tristeza à vontade e fazer o luto das perdas. Pode ser que nos apeteça chorá-las, e sem este tipo de libertação e escape, é possível que fiquemos com uma dor interior que nos afete a vários níveis”.
Os seres humanos relacionam-se de forma única e profunda com os seus animais de estimação, podendo mesmo considera-los como membros da família. O afeto reciproco destas relações leva a que a sua perda seja muito significativa e possa ter grande impacto no bem-estar emocional dos seus tutores.
A profunda ligação entre seres humanos e animais, pode ser comparada ás relações humanas, sendo que em alguns casos pode mesmo ser mais profunda, gratificante de amor incondicional. Quando se vêm confrontados com a perda ou a eminencia da perda dos seus animais de companhia, muitas vezes após longos nos de ligação, os sentimentos gerados pela perda podem ser muito dolorosos para o indivíduo ou para a família.
A depressão tem uma prevalência elevada nas perturbações do foro mental. Porém, nem tudo o que parece é. Há que avaliar cuidadosamente cada critério, cada conjunto de sintomas, uma vez que alguns podem ser comuns a mais do que uma perturbação.
A Distimia enquadra-se nas perturbações depressivas e caracteriza-se pela presença de humor depressivo durante a maior parte do dia, apresentado durante pelo menos dois anos em mais de metade dos dias. O seu diagnóstico assenta no relato subjetivo (ou por observação dos outros) de pelo menos dois ou mais dos seguintes sintomas: aumento ou diminuição do apetite; dificuldades de sono (ex. insónia); cansaço e/ou falta de energia; baixa autoestima; dificuldades de concentração; dificuldade na tomada de decisões e sentimentos de desesperança. No indivíduo com distimia, estes sintomas podem causar mal-estar clinicamente significativo e/ou défice social, ocupacional ou em qualquer outra área do seu funcionamento.
Associado á perturbação de Distimia pode também estar um mal-estar de cariz ansioso, melancólico ou até mesmo com características psicóticas. A distimia pode ter um início precoce, se os sintomas se manifestarem antes dos 21 anos, ou tardio, se após os 21 anos, e pode ir de ligeira a grave, dependendo da intensidade e frequência dos sintomas. A Distimia tem muitas vezes um início precoce e insidioso, (infância ou adolescência), e por norma um curso crónico. O início precoce está associado a uma maior probabilidade de perturbações da personalidade ou do abuso de substâncias psicoativas.
Os fatores de risco para a Distimia são multifatoriais, podendo ser genéticos/fisiológicos, ambientais (ex. perda ou separação parental) ou temperamentais, nomeadamente níveis elevados de afetividade negativa, maior gravidade dos sintomas, pior funcionamento global do individuo e a presença de perturbações de ansiedade ou perturbações do comportamento. A Distimia pode ter consequências marcantes na funcionalidade do individuo, dependendo do grau em que o afeta.
Fazendo uma comparação entre Distimia e Depressão, pode-se dizer de forma simples que a depressão surge muitas vezes de forma abrupta, habitualmente em consequência de um evento traumático, enquanto a distimia pode “instalar-se” de forma silenciosa, durante a infância ou a adolescência, podendo ser confundida com uma característica da personalidade. Em termos de sintomatologia, a Distimia apresenta sintomas tendencialmente mais brandos, sendo exemplo o pessimismo, a irritabilidade, a fadiga, a baixa autoestima, sentimentos de culpa, de insegurança, dificuldades na tomada de decisões e dificuldades relacionais. Na Depressão, os sintomas mais típicos são a apatia, a anedonia (falta de prazer em atividades anteriormente prazerosas), a tristeza profunda, o desalento, as dificuldades de concentração, de memória, a baixa produtividade e a ideação suicida.
Em termos terapêuticos, a Distimia habitualmente responde bem ao tratamento psicoterapêutico, visto que as sessões ajudam o paciente a lidar com os sintomas e a superar as dificuldades. Os pacientes distímicos frequentemente mantêm a sua funcionalidade, no entanto, em alguns casos pode ser também necessário recorrer à medicação para equilíbrio da bioquímica cerebral. Parece haver evidência de que a intervenção de orientação cognitivo-comportamental, apresenta uma boa eficácia em termos de abordagem psicoterapêutica. A facilitação da expressão emocional, o apoio nas tomadas de decisão, o treino assertivo, e a promoção do autoconhecimento, são exemplos de dimensões a explorar, que podem dar um ótimo contributo para o aumento da satisfação com a vida.
Dê atenção aos sinais, identifique os seus sintomas e, se for o caso, procure ajuda profissional para fazer uma avaliação psicológica. Cuide de si e viva com mais qualidade!
Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.
Podemos definir emoção como uma experiência subjetiva, que envolve a pessoa na sua totalidade: mente e corpo. Do ponto de vista neurológico, a emoção é descrita como uma variação psíquica e física, que tem origem num estímulo, avaliando-o e reagindo a ele.
As emoções são um modo natural de avaliação do meio envolvente, e a sua reação é consequência de uma adaptação. As emoções podem falar por nós, na medida em que são reveladoras da forma como nos sentimos e de como encaramos a vida. São estados de curta duração e onde estão incluídas a alegria, a tristeza ou o medo, entre muitas outras. Quando falamos de raiva, nojo, alegria, tristeza, surpresa ou medo, estamos a referir-nos a emoções básicas ou primárias, pois são aquelas não necessitam de reflexão ou introspeção. São inatas e estão ligadas ao instinto e à sobrevivência, e, por isso, surgem de forma súbita e inesperada e são de fácil definição pelo facto de serem rapidamente identificadas pelo indivíduo, independentemente da cultura a que pertence. As emoções secundárias ou sociais implicam uma tomada de consciência de si. Resultam das nossas aprendizagens e fazem uso das emoções primárias. No entanto, podem variar de acordo com o contexto cultural. São exemplos de emoções secundárias a vergonha, o ciúme, a inveja, a empatia, o embaraço, o orgulho ou a culpa.