A morte do animal de estimação

Os seres humanos relacionam-se de forma única e profunda com os seus animais de estimação, podendo mesmo considera-los como membros da família. O afeto reciproco destas relações leva a que a sua perda seja muito significativa e possa ter grande impacto no bem-estar emocional dos seus tutores.

A profunda ligação entre seres humanos e animais, pode ser comparada ás relações humanas, sendo que em alguns casos pode mesmo ser mais profunda, gratificante de amor incondicional. Quando se vêm confrontados com a perda ou a eminencia da perda dos seus animais de companhia, muitas vezes após longos nos de ligação, os sentimentos gerados pela perda podem ser muito dolorosos para o indivíduo ou para a família.

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Depressão ou distimia?

A depressão tem uma prevalência elevada nas perturbações do foro mental. Porém, nem tudo o que parece é. Há que avaliar cuidadosamente cada critério, cada conjunto de sintomas, uma vez que alguns podem ser comuns a mais do que uma perturbação.

A Distimia enquadra-se nas perturbações depressivas e caracteriza-se pela presença de humor depressivo durante a maior parte do dia, apresentado durante pelo menos dois anos em mais de metade dos dias. O seu diagnóstico assenta no relato subjetivo (ou por observação dos outros) de pelo menos dois ou mais dos seguintes sintomas: aumento ou diminuição do apetite; dificuldades de sono (ex. insónia); cansaço e/ou falta de energia; baixa autoestima; dificuldades de concentração; dificuldade na tomada de decisões e sentimentos de desesperança. No indivíduo com distimia, estes sintomas podem causar mal-estar clinicamente significativo e/ou défice social, ocupacional ou em qualquer outra área do seu funcionamento.

Associado á perturbação de Distimia pode também estar um mal-estar de cariz ansioso, melancólico ou até mesmo com características psicóticas. A distimia pode ter um início precoce, se os sintomas se manifestarem antes dos 21 anos, ou tardio, se após os 21 anos, e pode ir de ligeira a grave, dependendo da intensidade e frequência dos sintomas. A Distimia tem muitas vezes um início precoce e insidioso, (infância ou adolescência), e por norma um curso crónico. O início precoce está associado a uma maior probabilidade de perturbações da personalidade ou do abuso de substâncias psicoativas.

Os fatores de risco para a Distimia são multifatoriais, podendo ser genéticos/fisiológicos, ambientais (ex. perda ou separação parental) ou temperamentais, nomeadamente níveis elevados de afetividade negativa, maior gravidade dos sintomas, pior funcionamento global do individuo e a presença de perturbações de ansiedade ou perturbações do comportamento. A Distimia pode ter consequências marcantes na funcionalidade do individuo, dependendo do grau em que o afeta.

Fazendo uma comparação entre Distimia e Depressão, pode-se dizer de forma simples que a depressão surge muitas vezes de forma abrupta, habitualmente em consequência de um evento traumático, enquanto a distimia pode “instalar-se” de forma silenciosa, durante a infância ou a adolescência, podendo ser confundida com uma característica da personalidade. Em termos de sintomatologia, a Distimia apresenta sintomas tendencialmente mais brandos, sendo exemplo o pessimismo, a irritabilidade, a fadiga, a baixa autoestima, sentimentos de culpa, de insegurança, dificuldades na tomada de decisões e dificuldades relacionais. Na Depressão, os sintomas mais típicos são a apatia, a anedonia (falta de prazer em atividades anteriormente prazerosas), a tristeza profunda, o desalento, as dificuldades de concentração, de memória, a baixa produtividade e a ideação suicida.

Em termos terapêuticos, a Distimia habitualmente responde bem ao tratamento psicoterapêutico, visto que as sessões ajudam o paciente a lidar com os sintomas e a superar as dificuldades. Os pacientes distímicos frequentemente mantêm a sua funcionalidade, no entanto, em alguns casos pode ser também necessário recorrer à medicação para equilíbrio da bioquímica cerebral. Parece haver evidência de que a intervenção de orientação cognitivo-comportamental, apresenta uma boa eficácia em termos de abordagem psicoterapêutica. A facilitação da expressão emocional, o apoio nas tomadas de decisão, o treino assertivo, e a promoção do autoconhecimento, são exemplos de dimensões a explorar, que podem dar um ótimo contributo para o aumento da satisfação com a vida.

Dê atenção aos sinais, identifique os seus sintomas e, se for o caso, procure ajuda profissional para fazer uma avaliação psicológica. Cuide de si e viva com mais qualidade!

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association.

Emoções, sentimentos e gestão emocional

Podemos definir emoção como uma experiência subjetiva, que envolve a pessoa na sua totalidade: mente e corpo. Do ponto de vista neurológico, a emoção é descrita como uma variação psíquica e física, que tem origem num estímulo, avaliando-o e reagindo a ele.

As emoções são um modo natural de avaliação do meio envolvente, e a sua reação é consequência de uma adaptação. As emoções podem falar por nós, na medida em que são reveladoras da forma como nos sentimos e de como encaramos a vida. São estados de curta duração e onde estão incluídas a alegria, a tristeza ou o medo, entre muitas outras. Quando falamos de raiva, nojo, alegria, tristeza, surpresa ou medo, estamos a referir-nos a emoções básicas ou primárias, pois são aquelas não necessitam de reflexão ou introspeção. São inatas e estão ligadas ao instinto e à sobrevivência, e, por isso, surgem de forma súbita e inesperada e são de fácil definição pelo facto de serem rapidamente identificadas pelo indivíduo, independentemente da cultura a que pertence. As emoções secundárias ou sociais implicam uma tomada de consciência de si. Resultam das nossas aprendizagens e fazem uso das emoções primárias. No entanto, podem variar de acordo com o contexto cultural. São exemplos de emoções secundárias a vergonha, o ciúme, a inveja, a empatia, o embaraço, o orgulho ou a culpa.

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Depressão, como e quando tratar

Na depressão, ou de uma forma mais generalizada, nas síndromes depressivas, o humor fica necessariamente alterado e observa-se no indivíduo uma reação disfórica, habitualmente caracterizada por uma tristeza permanente, por falta de respostas de humor positivas. Desde a forma mais ligeira, até á forma mais profunda, a sintomatologia depressiva não deve ser ignorada ou desvalorizada, sob pena de se poder tornar crónica.

Para que se possa identificar um quadro depressivo, é necessário que, em primeiro lugar identifiquemos períodos de tempo marcados pelo humor depressivo, mas não só. É necessário avaliar outros sintomas afetivos, cognitivos e comportamentais. Em relação aos primeiros, a presença de sentimentos de culpabilização, o sentimento de desamparo e auto desvalorização, a falta de confiança em si mesmo e a baixa autoestima, são exemplos concretos de sintomas depressivos. No que diz respeito aos sintomas cognitivos, salientam-se as dificuldades de concentração, atenção, memória, o pessimismo, uma visão negativa acerca do passado, presente e perspetiva de futuro, bem como os pensamentos intrusivos ou até mesmo os pensamentos suicidas.  Os sintomas comportamentais que caracterizam a depressão são essencialmente o isolamento, o choro fácil, a tensão muscular, as alterações do apetite, por excesso ou por defeito, e, em casos mais extremos, a automutilação e as tentativas de suicídio.

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O luto normal

O luto é a reação emocional a uma perda e o processo de adaptação a essa perda implica algumas emoções, cognições e comportamentos comuns à maioria dos seres humanos. Sentimentos de tristeza, descrença no sucedido ou o isolamento social, são exemplos de reações padrão da pessoa enlutada.

São várias as emoções normativas presentes num processo de luto, sendo as mais comuns a tristeza, com ou sem manifestações de choro; a raiva, por não ter podido fazer nada para evitar a perda; a culpa, na maioria das vezes irracional por não ter conseguido evitar a morte do ente querido; a ansiedade por ter medo de não conseguir sobreviver sem a pessoa que morreu ou pela tomada de consciência da sua própria finitude ao confrontar-se com a “partida” de alguém próximo; a solidão e o desamparo, principalmente em casos de viuvez após uma relação muito duradoura e feliz; a fadiga, especialmente se o período antecedente à morte de uma pessoa foi física e emocionalmente muito exigente para o enlutado; o alívio ou libertação, por ver terminar um sofrimento muito doloroso de alguém significativo e a saudade, esse termo tão português e que significa sentir dolorosamente a falta de algo ou de alguém que se perdeu.

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