Depressão, como e quando tratar

Na depressão, ou de uma forma mais generalizada, nas síndromes depressivas, o humor fica necessariamente alterado e observa-se no indivíduo uma reação disfórica, habitualmente caracterizada por uma tristeza permanente, por falta de respostas de humor positivas. Desde a forma mais ligeira, até á forma mais profunda, a sintomatologia depressiva não deve ser ignorada ou desvalorizada, sob pena de se poder tornar crónica.

Para que se possa identificar um quadro depressivo, é necessário que, em primeiro lugar identifiquemos períodos de tempo marcados pelo humor depressivo, mas não só. É necessário avaliar outros sintomas afetivos, cognitivos e comportamentais. Em relação aos primeiros, a presença de sentimentos de culpabilização, o sentimento de desamparo e auto desvalorização, a falta de confiança em si mesmo e a baixa autoestima, são exemplos concretos de sintomas depressivos. No que diz respeito aos sintomas cognitivos, salientam-se as dificuldades de concentração, atenção, memória, o pessimismo, uma visão negativa acerca do passado, presente e perspetiva de futuro, bem como os pensamentos intrusivos ou até mesmo os pensamentos suicidas.  Os sintomas comportamentais que caracterizam a depressão são essencialmente o isolamento, o choro fácil, a tensão muscular, as alterações do apetite, por excesso ou por defeito, e, em casos mais extremos, a automutilação e as tentativas de suicídio.

A perturbação depressiva deve ser avaliada recorrendo a vários instrumentos e técnicas, que vão desde a entrevista e observação dos comportamentos, á utilização de questionários validados e adaptados para a população em que o indivíduo se insere. Igualmente importante é a avaliação da história da perturbação em termos de duração e intensidade da sintomatologia apresentada. O desenvolvimento de um quadro depressivo não ocorre de igual modo para todas as pessoas, sendo extremamente variável, o que reforça a importância de uma exploração da história da perturbação atenta e cuidada para a obtenção de um diagnóstico preciso. A existência de episódios prévios tem sido associada a um maior risco de recaída, quer o episódio prévio tenha sido de gravidade elevada ou de sintomatologia ligeira. É de salientar que a depressão pode estar também associada a outras perturbações, como por exemplo a perturbação de ansiedade, podendo revelar-se maior severidade dos sintomas, diminuição funcional do indivíduo ou uma taxa mais baixa de resposta aos tratamentos.

A depressão não é o mesmo que a tristeza. A tristeza é um sentimento natural quando há acontecimentos de vida negativos. Habitualmente consegue-se identificar uma causa que é “passageira” e que se resolve de forma espontânea, mais que não seja pela adaptação do indivíduo à situação. A depressão também pode ser confundida com luto, no entanto, há diferenciadores bem definidos. No luto observam-se sentimentos de vazio e perda que tendem a diminuir ao longo do tempo, com momentos de dor associadas às memórias. A ideação sobre a morte assenta no desejo de reunião com o falecido, os pensamentos focam-se nas memórias do falecido, as emoções negativas alternam com emoções positivas e a autoestima fica preservada. Nos casos de perturbação depressiva, a tristeza é constante ao longo do tempo, há uma dificuldade de sentir prazer em atividades habitualmente prazerosas, as ideias de morte associam-se a sentimentos de desvalorização e incapacidade para lidar com a dor e com o sofrimento, e prevalece a autocrítica, o pessimismo, a falta de estima e valor.

O tratamento para a depressão pode ser multidisciplinar, consoante o caso e a gravidade. Nos casos de depressão grave ou depressão Major, recomenda-se o encaminhamento para cuidados médicos especializados e a psicoterapia. Os défices químicos ao nível dos neurotransmissores que se observam em muitos indivíduos deprimidos, necessitam de ser compensados para que estes possam estabilizar o seu humor e se possam sentir mais aptos a realizar as mudanças ou transformações necessárias para a resolução do problema, e, aumento consequente da sua qualidade de vida. Pacientes deprimidos, com ideação suicida e com determinados perfis de personalidade, como por exemplo Borderline ou Estado-limite, devem ser estabilizados através de uma medicação adequada com os respetivos ajustes durante o processo de tratamento. Para os casos de depressão leve a moderada, por vezes, a psicoterapia pode ser suficiente. Dependendo da consciência que o indivíduo revela ter do problema e do nível de envolvimento na relação terapêutica com o psicólogo/a, os resultados podem ser efetivamente satisfatórios. No entanto, cada caso deve ser avaliado dentro das especificidades que apresenta, e, o plano de intervenção deverá ser desenhado de acordo com as capacidades e prioridades que cada paciente apresenta.

Tratar uma depressão pode constituir um grande desafio para um indivíduo que frequentemente se sente incapaz, desvalorizado, triste, desamparado ou incompreendido. É necessária persistência e a tomada de consciência de que pode demorar algum tempo, mais do que se gostaria, que a mudança necessária pode ser lenta, porém o que importa é que seja consistente. Pequenos passos fazem grandes caminhadas e cada pequena conquista, quer no auto conhecimento, quer na autoestima ou na ativação comportamental, deve ser vista como um passo importante para o tratamento e para o bem-estar. Não há vantagem em dar grandes passos nem estabelecer objetivos demasiado exigentes, para que, caso não os consigam alcançar, não surja também um enorme sentido de frustração e incapacidade que só poderá concorrer para o retrocesso do tratamento. Um plano de ação bem estruturado e uma relação terapêutica bem consolidada e forte, poderão fazer toda a diferença na pessoa deprimida, que aos poucos, vai conseguindo ultrapassar obstáculos e quebrar barreiras, no caminho da sua reconstrução enquanto ser humano.

Fique atento aos sinais e não deixe que a depressão se instale. Procure a Sua Psicóloga e faça uma avaliação do seu caso.

O primeiro passo para a sua saúde mental está nas suas mãos!

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