Impacto do Abandono Conjugal em Mulheres com Cancro

Woman alone after cancer diagnosis, emotional vulnerability

O diagnóstico de cancro é, por si só, profundamente desafiador. Quando a essa realidade se junta o abandono do parceiro, a experiência torna-se ainda mais dolorosa, combinando vulnerabilidade física com rutura emocional. Esta dupla ferida, doença e perda relacional, merece uma reflexão cuidada do ponto de vista psicológico.

Receber um diagnóstico oncológico implica confrontar-se com a fragilidade do corpo, a imprevisibilidade do futuro e a ameaça à própria identidade. Contudo, para algumas mulheres, o sofrimento não se limita à dimensão médica. Estudos na área da psico-oncologia sugerem que a doença pode constituir um fator de instabilidade conjugal, existindo evidência de maior probabilidade de dissolução conjugal quando o diagnóstico afeta a mulher, comparativamente ao homem (Glantz et al., 2009). Embora não represente a realidade de todas as relações, este dado aponta para um fenómeno clinicamente relevante.

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Compreendendo o Luto: Modelo Dual de Stroebe e Schut

O luto é uma reação emocional à perda de um ente querido ou de algo mais abstrato em seu lugar, como por exemplo, o trabalho, um relacionamento, a pátria ou até mesmo uma ideologia.

O modelo dual de intervenção no luto proposto por Stroebe & Schut (1999) tenta compreender as reações dos indivíduos às perdas, sugerindo um modelo de compreensão do processo de se lidar com a perda e de adaptação ao luto. Neste modelo os autores propõem a coexistência de três dimensões ou componentes: (a) orientação para a perda, (b) orientação para o restabelecimento e (c) oscilação. Este processo de adaptação ao luto postula a existência de uma dinâmica de oscilação do indivíduo enlutado, entre o confronto orientado para a perda e o confronto orientado para o restabelecimento.

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Chorar, por Morrie Schwartz

“Sofra e chore por si próprio, não uma ou duas vezes mas repetidamente. O sofrimento é catártico e conforta, sendo uma forma de manter a serenidade”.

“Sofrer, sentir pesar, chorar, resultam de emoções naturais, que surgem pronta e facilmente se não forem bloqueadas por interdições culturais, expectativas ou distorções. O sofrimento é uma parte importante da vida porque experimentar a perda, é inevitável para todos nós. Quanto mais envelhecermos por mais perdas passaremos. Logo, é necessário encontrar uma forma de lidarmos com a dor. A melhor forma é permitirmo-nos sentir tristeza à vontade e fazer o luto das perdas. Pode ser que nos apeteça chorá-las, e sem este tipo de libertação e escape, é possível que fiquemos com uma dor interior que nos afete a vários níveis”.

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A morte do animal de estimação

Os seres humanos relacionam-se de forma única e profunda com os seus animais de estimação, podendo mesmo considera-los como membros da família. O afeto reciproco destas relações leva a que a sua perda seja muito significativa e possa ter grande impacto no bem-estar emocional dos seus tutores.

A profunda ligação entre seres humanos e animais, pode ser comparada ás relações humanas, sendo que em alguns casos pode mesmo ser mais profunda, gratificante de amor incondicional. Quando se vêm confrontados com a perda ou a eminencia da perda dos seus animais de companhia, muitas vezes após longos nos de ligação, os sentimentos gerados pela perda podem ser muito dolorosos para o indivíduo ou para a família.

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Um olhar sobre o envelhecimento bem-sucedido

Existe uma grande variedade de conceções sobre aquilo que é o envelhecimento “bem-sucedido”. O processo de envelhecimento inclui a necessidade de acomodar alterações físicas, limitações funcionais e outras alterações a nível do funcionamento psicológico e social, embora possam haver diferenças individuais significativas no início, no decurso e na dimensão dessas alterações.

A maioria dos adultos mais velhos adapta-se com sucesso às alterações normativas do processo de envelhecimento. Uma perspetiva desenvolvimentista relacionada com a longevidade propõe que, apesar dos decréscimos biológicos associados ao envelhecimento, existe potencial para um desenvolvimento e crescimento psicológico positivo numa fase da vida mais avançada. O trabalho dos profissionais, nomeadamente na área da psicologia, é moldado por uma perspetiva desenvolvimentista, uma vez que estes se baseiam na resiliência psicológica e social, construída ao longo do ciclo de vida para abordar efetivamente os problemas da etapa mais tardia do ciclo de vida.

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Mitos e crenças sobre luto infantil

Há por vezes uma tendência para se pensar que as crianças e os adolescentes não compreendem nem sofrem, da mesma forma que os adultos, o impacto causado por uma perda. No entanto, talvez não seja bem assim…

O senso comum tende a considerar que as crianças e os adolescentes esquecem facilmente as perdas, e necessitariam apenas de ver asseguradas as suas necessidades e ritmos diários por um outro adulto capaz, para conseguirem continuar a viver bem e felizes. Cabe então desvendar alguns mitos relacionados com o luto infantil e as reais consequências ao lidar com as perdas. O primeiro mito tem a ver com o facto de as crianças não poderem vivenciar o luto devido à sua imaturidade psicológica e por não compreenderem o conceito de irreversibilidade. É certo que muitas vezes o tema da morte não é falado com as crianças, porque “elas não compreendem” ou porque “lhes faz mal“. O facto é que, tal como os adultos, todas as crianças fazem luto em todas as idades, e o seu desenvolvimento experiências de vida influenciam o seu processo de luto, e daí se manifestar de diferentes formas.

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Luto antecipatório, quando a morte é eminente

Na ideia de morte está implícita a perda e a irreversibilidade. É sempre difícil lidar com as perdas, ainda que isso possa ser o sinónimo de paz e libertação. Lidar com a perda implica um processo de luto, mais ou menos complexo, mais ou menos doloroso, consoante as características do indivíduo enlutado e as circunstâncias da perda.

As sociedades ocidentais têm por norma uma visão da morte um pouco redutora. Temos tendência a evitar o assunto, arranjamos eufemismos para não pronunciar a palavra morte ou morreu. Em vez disso escolhemos dizer partiu ou desapareceu, no intuito de aligeirar algo que traz consigo dor, drama e por vezes uma enorme dificuldade de aceitação. De facto há mortes trágicas, dolorosas e inesperadas, outras contra natura, essas talvez as mais difíceis de aceitar e com processos de luto mais difíceis e sofridos. Mas a morte pode também ser o caminho para a paz, o alívio e a libertação.

A morte encerra em si um ciclo, uma vida. Os sobreviventes tendem a dar-lhe significado, os crentes tendem a acreditar que a morte não é o fim. Talvez esta seja uma perspetiva mais tranquilizadora, e bem-aventurados sejam aqueles que acreditam na vida eterna. As crenças religiosas e de reencarnação, podem ser muito úteis também para ajudar a lidar com a perda e a tornar menos penoso o processo de luto. Porém, seja como for, a morte trás sempre a falta da pessoa e da vida como a ela nos habituamos, e a perda de alguém que nos é querido dói sempre.

Nos casos em que a pessoa está muito doente, debilitada e que não tem já possibilidade de cura ou recuperação, assim como no caso de pessoas muito idosas, cujas capacidades foram sendo perdidas gradualmente, e que o gosto pela vida deu já lugar ao sofrimento e à súplica por morrer, a morte pode vir em forma de libertação e alívio. Os mais próximos, doridos pelo tormento de alguém que amam, e a quem pouco podem fazer, iniciam um processo complexo de luto antecipatório, desejando por vezes que o seu ente querido não viva o dia seguinte. No entanto, este é um processo de uma ambiguidade também ela dolorosa.

Este luto antecipatório ocorre antes da perda, ou seja, quando a morte é já eminente mas ainda não aconteceu. É um processo em que o enlutado não antecipa apenas a perda da pessoa que lhe é querida mas também perdas passadas e atuais. É no confronto com a falta dessa pessoa, tal como ela era antes, nos seus papéis, qualidade da relação, identidade pessoal, etc., que a pessoa em luto experiencia, ainda no período terminal, sentimentos de ausência, solidão e perda. É a ingrata dor que se vai sentindo e que, no momento da morte, recomeça como se não tivesse existido um período prévio de luto.

O “deixar partir” não significa quebrar o vínculo ou desinvestir na qualidade de vida e nos cuidados ao doente A antecipação da perda pode também servir como uma oportunidade para resolver alguns aspetos que possam ter ficado pendentes ao longo da relação, para fortalecer os laços com a pessoa que está a morrer, para dizer algo que nunca foi dito antes, como o quanto a ama, o quanto com ela aprendeu, o quanto sentirá a sua falta ou que nunca a esquecerá. Assim mesmo, o luto antecipatório deve ser visto como um complexo processo individual, com tudo o que de verdadeiro e seguro existe para cada pessoa e para cada relação. É um processo que encerra em si toda uma história de vida, de relação e que culmina na antecipação de dilemas, pensamentos e emoções.

Que a morte pode ser serena, tranquila e libertadora de um martírio, não afasta o pesar da perda aos que são mais próximos. O tempo, esse pode ser o grande aliado, que com o seu passar vai mitigando a tristeza e a dor, transformando-a em paz, quietude e equilíbrio. As memórias, essas ficarão para sempre, para nos aquecerem a alma.

Ajudar a uma pessoa em processo de luto

O/a Psicólogo/a, ao ajudar um enlutado, não deve esperar reações idênticas de luto em pessoas diferentes. Deve validar as emoções intensas do indivíduo, não comparar tragédias e reconhecer o comportamento “normal” de uma pessoa em luto. O enlutado deve ser apoiado na elaboração das tarefas de autocuidado, na promoção do (re)estabelecimento de relações com outras pessoas e na identificação das mudanças verificadas no contexto. A pessoa em luto, deve ser ajudada no por vezes muito difícil processo de aprender a sobreviver sem o objeto perdido, a adaptar-se a num mundo necessariamente diferente e a lidar e resolver relações modificadas.

Luto normal e luto patológico

Ao longo do nosso curso de vida enfrentamos algumas inevitáveis perdas significativas. À nossa reação emocional a essas perdas, chamamos luto. O luto é um processo normal e necessário, porém, por vezes pode tornar-se patológico, podendo levar estados de doença, nomeadamente à depressão.

Perdemos amigos ou familiares, animais de estimação, a saúde, o emprego, enfim, as perdas podem ser de diversas naturezas. Perante uma situação de perda temos a necessidade de expressar os nossos sentimentos de tristeza e desânimo. O período no qual decorre este processo é variável e os sintomas apresentados por cada indivíduo também podem ser diversos. Tipicamente ocorrem sentimentos de apatia e abatimento, perda de interesse no mundo exterior e diminuição na atividade e iniciativa. Estas reações são semelhantes à depressão, mas são menos persistentes e não são consideradas patológicas (APA, 2010, p. 586). Apesar de o fenómeno do luto ser universal, o seu significado é multifacetado na experiência de vida humana, uma vez que existem grandes diferenças em relação á forma como cada indivíduo reage às suas perdas.

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Depressão, como e quando tratar

Na depressão, ou de uma forma mais generalizada, nas síndromes depressivas, o humor fica necessariamente alterado e observa-se no indivíduo uma reação disfórica, habitualmente caracterizada por uma tristeza permanente, por falta de respostas de humor positivas. Desde a forma mais ligeira, até á forma mais profunda, a sintomatologia depressiva não deve ser ignorada ou desvalorizada, sob pena de se poder tornar crónica.

Para que se possa identificar um quadro depressivo, é necessário que, em primeiro lugar identifiquemos períodos de tempo marcados pelo humor depressivo, mas não só. É necessário avaliar outros sintomas afetivos, cognitivos e comportamentais. Em relação aos primeiros, a presença de sentimentos de culpabilização, o sentimento de desamparo e auto desvalorização, a falta de confiança em si mesmo e a baixa autoestima, são exemplos concretos de sintomas depressivos. No que diz respeito aos sintomas cognitivos, salientam-se as dificuldades de concentração, atenção, memória, o pessimismo, uma visão negativa acerca do passado, presente e perspetiva de futuro, bem como os pensamentos intrusivos ou até mesmo os pensamentos suicidas.  Os sintomas comportamentais que caracterizam a depressão são essencialmente o isolamento, o choro fácil, a tensão muscular, as alterações do apetite, por excesso ou por defeito, e, em casos mais extremos, a automutilação e as tentativas de suicídio.

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