Emoções, sentimentos e gestão emocional

Podemos definir emoção como uma experiência subjetiva, que envolve a pessoa na sua totalidade: mente e corpo. Do ponto de vista neurológico, a emoção é descrita como uma variação psíquica e física, que tem origem num estímulo, avaliando-o e reagindo a ele.

As emoções são um modo natural de avaliação do meio envolvente, e a sua reação é consequência de uma adaptação. As emoções podem falar por nós, na medida em que são reveladoras da forma como nos sentimos e de como encaramos a vida. São estados de curta duração e onde estão incluídas a alegria, a tristeza ou o medo, entre muitas outras. Quando falamos de raiva, nojo, alegria, tristeza, surpresa ou medo, estamos a referir-nos a emoções básicas ou primárias, pois são aquelas não necessitam de reflexão ou introspeção. São inatas e estão ligadas ao instinto e à sobrevivência, e, por isso, surgem de forma súbita e inesperada e são de fácil definição pelo facto de serem rapidamente identificadas pelo indivíduo, independentemente da cultura a que pertence. As emoções secundárias ou sociais implicam uma tomada de consciência de si. Resultam das nossas aprendizagens e fazem uso das emoções primárias. No entanto, podem variar de acordo com o contexto cultural. São exemplos de emoções secundárias a vergonha, o ciúme, a inveja, a empatia, o embaraço, o orgulho ou a culpa.

Embora as emoções tenham uma função social, nem sempre são funcionais ou adaptativas, isto é, por vezes, não têm o efeito social desejado ou expetável. Emoções como a raiva ou o desprezo podem apresentar um papel social disfuncional, interferindo negativamente nas relações interpessoais. Por outro lado, a ausência de emoções é igualmente negativa, pois compromete a racionalidade e promove a apatia e a inadequação, perturbando igualmente as dinâmicas sociais. As emoções têm a importante função de guia interno, ou seja, contribuem para transmitir o que sentimos aos outros, o que por sua vez, vai orientar os seus comportamentos.

Emoções e sentimentos são conceitos distintos. Basicamente, a emoção é um conjunto de respostas químicas e neuronais, que surgem quando o cérebro é submetido a um estímulo ambiental. O sentimento é uma resposta à emoção, ou seja, refere-se à forma como a pessoa se sente diante de tal emoção. Assim, apesar de distintos, emoção e sentimento estão intimamente relacionados.

Como sabemos, as emoções podem ser positivas ou negativas. As primeiras resultam do reconhecimento do significado de estados positivos e as segundas de estados negativos. A capacidade necessária para dar resposta às exigências do contexto social imediato, e que nos ajuda a atingir os nossos objetivos, a lidar com os desafios que vão surgindo e a reconhecer como a comunicação das emoções e a sua revelação, afetam as relações é a competência emocional. Esta inclui a ativação e utilização de emoções positivas, que por sua vez, potenciam as relações sociais, o bem-estar pessoal e os comportamentos adaptativos. Inclui também as emoções negativas, que influenciam a aprendizagem e a memória, promovendo o desenvolvimento de empatia e de comportamentos socialmente desejáveis.

Lidar com as emoções pode não ser tarefa fácil, requerendo por vezes aprendizagem e treino de estratégias, ou seja, o desenvolvimento da inteligência emocional. E o que é isto de inteligência emocional? É a competência que permite sentir, compreender, controlar e alterar, de forma organizada, quer o seu próprio estado emocional, quer o dos outros. É sabermos identificar as nossas emoções e as dos outros, e saber fazer uma gestão das mesmas de modo a manter a funcionalidade e a harmonia, quer connosco próprios, quer na relação com o outro.

Gestão emocional ou controlo emocional, ou ainda autorregulação emocional, significa reconhecer o sentimento quando ele está a acontecer. Cada um de nós precisa de estar recetivo a experienciar os seus estados de espírito e as suas emoções, para depois conseguir dar a origem aos sentimentos desejados, tanto em si como nos outros. O que se pretende com a gestão emocional, não é eliminar as emoções negativas e substituí-las por emoções positivas, mas sim influenciar a dinâmica de cada emoção, de modo a que sejam produzidas respostas adaptativas ao contexto e à situação.

Conheça-se melhor, aprenda a identificar e a lidar de forma adaptativa com as suas emoções, e, seja feliz!

Fontes:

Bueno, J. M.H. & Primi, R. (2003). Inteligência Emocional: um estudo de Validade sobre a Capacidade de Perceber Emoções. Psicologia: Reflexão e Critica, 16(2), pp. 279-291.

Ceitil, M. (2007). Gestão e Desenvolvimento de Competências. Lisboa: Edições Sílabo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s