Comer é uma necessidade básica, mas também uma experiência associada ao prazer, às emoções e às relações sociais. Em determinados momentos, a alimentação pode tornar-se uma forma de procurar conforto, aliviar a tensão ou lidar com sentimentos difíceis. Contudo, quando este comportamento se torna frequente, acompanhado de uma sensação de perda de controlo e de sofrimento emocional, poderá estar associado a uma perturbação do comportamento alimentar.
A compulsão alimentar é uma realidade frequentemente vivida em silêncio e que pode afetar significativamente o bem-estar psicológico e a qualidade de vida. Compreender o que está por detrás deste comportamento é fundamental para reconhecer o problema e procurar ajuda. A Perturbação de Ingestão Alimentar Compulsiva caracteriza-se pela ocorrência repetida de episódios em que a pessoa ingere uma quantidade de alimentos significativamente superior à habitual, num período relativamente curto, acompanhada da sensação de não conseguir controlar o que come. Durante estes episódios, é frequente comer rapidamente, mesmo sem sentir fome, continuar a comer apesar do desconforto físico ou fazê-lo às escondidas. Posteriormente, podem surgir sentimentos de culpa, vergonha ou desvalorização pessoal.
As relações pessoais, nomeadamente as relações amorosas que vivemos deixam marcas. Algumas ajudam-nos a construir segurança, confiança e proximidade emocional. Outras podem tornar-nos mais cautelosos, inseguros ou com receio de voltar a sofrer. Uma rejeição, uma traição, uma relação de casal marcada pela instabilidade, pela crítica ou pela falta de disponibilidade emocional, pode influenciar a forma como nos envolvemos afetivamente, mesmo muito tempo depois de essa experiência ter terminado.
Nem sempre percebemos o que está a acontecer. Muitas vezes sentimos que estamos apenas a reagir ao comportamento do parceiro ou da parceira atual, quando, na realidade, algumas situações podem ativar medos e inseguranças que começaram noutras relações amorosas. A investigação sobre vinculação na idade adulta mostra que as experiências afetivas podem influenciar a confiança, a proximidade emocional e a forma como interpretamos o comportamento de quem está connosco (Campbell & Stanton, 2019). Quem já viveu uma experiência de traição, por exemplo, pode ficar mais atento a pequenas mudanças no comportamento do parceiro. Uma resposta que demora mais tempo, uma saída com amigos ou uma alteração de rotina podem ser sentidas e avaliadas como sinais de afastamento. Para quem já passou por relações amorosas em que se sentiu rejeitado ou desvalorizado, uma situação aparentemente simples pode despertar o medo de “não ser suficientemente importante” ou de voltar a ser abandonado.
Por vezes, esse medo leva a uma procura constante de confirmação dentro da relação. A pessoa precisa de saber repetidamente se está tudo bem, se continua a ser amada ou se pode confiar no parceiro. Noutros casos acontece o contrário: para evitar sofrer, mantém maior distância emocional, evita mostrar vulnerabilidade ou afasta-se quando sente que a relação amorosa começa a tornar-se mais próxima. A forma como lidamos com as emoções no contexto do casal está intimamente ligada aos padrões de vinculação e pode influenciar a qualidade da relação (Fávero et al., 2021). Estas reações não surgem necessariamente por escolha. Muitas vezes são formas de proteção. Se já sofremos numa relação amorosa, é compreensível que tentemos evitar que o mesmo aconteça novamente. A dificuldade aparece quando aquilo que inicialmente serviu para nos proteger começa a interferir com a relação atual, dificultando a confiança, a comunicação ou a intimidade.
Também as crenças que fomos construindo sobre nós próprios e sobre os outros podem ter um papel importante. Experiências repetidas de rejeição, crítica ou instabilidade amorosa podem favorecer pensamentos como “as pessoas acabam sempre por ir embora”, “não posso confiar totalmente em ninguém” ou “se mostrar demasiado o que sinto, vou acabar magoado”. Estudos sobre esquemas precoces mostram que este tipo de crenças persistentes pode estar associado a dificuldades nas relações interpessoais, incluindo nas relações de casal (Janovsky et al., 2020). Por isso, pode ser importante aprender a distinguir aquilo que pertence à relação amorosa atual daquilo que vem do passado. Perguntar “o que está realmente a acontecer agora nesta relação?” ou “estou a reagir apenas ao que o meu parceiro fez ou também ao que já vivi antes?” pode ajudar a criar algum espaço entre aquilo que sentimos e a forma como reagimos. Isto não significa ignorar sinais importantes ou aceitar comportamentos que nos fazem sofrer. Significa procurar olhar para a relação atual a partir daquilo que realmente acontece nela, em vez de assumir antecipadamente que a história vai repetir-se.
A confiança numa relação amorosa constrói-se pouco a pouco. Cresce através de experiências de respeito, consistência, disponibilidade e segurança emocional. Também se fortalece quando existe espaço para falar de medos e inseguranças sem que tudo se transforme em acusação, controlo ou afastamento. A terapia cognitivo-comportamental aplicada às relações de casal procura precisamente ajudar a identificar padrões de pensamento, comunicação e resposta emocional que podem contribuir para dificuldades relacionais (Fischer, Baucom, & Cohen, 2016). Reconhecer estes padrões não significa culpabilizarmo-nos. Muitas das estratégias que hoje dificultam uma relação amorosa já tiveram, provavelmente, uma função de proteção. A questão é perceber se ainda fazem sentido ou se estão a impedir-nos de viver vínculos afetivos diferentes. O passado faz parte da nossa história amorosa, mas não tem de decidir tudo aquilo que acontece no presente. Tornar alguns padrões mais conscientes pode ser o primeiro passo para os questionar e para construir relações mais seguras, mais flexíveis e menos condicionadas pelo medo.
Quando as dificuldades em confiar no parceiro, o medo de abandono, os ciúmes, a necessidade constante de validação ou o afastamento emocional provocam sofrimento, se repetem em diferentes relações amorosas ou interferem significativamente com o bem-estar, pode ser importante procurar apoio psicológico.
Referências Bibliográficas:
Campbell, L., & Stanton, S. C. E. (2019). Adult attachment and trust in romantic relationships. Current Opinion in Psychology, 25, 148–151.
Fávero, M., Lemos, L., Moreira, D., Ribeiro, F. N., & Sousa-Gomes, V. (2021). Romantic attachment and difficulties in emotion regulation on dyadic adjustment: A comprehensive literature review. Frontiers in Psychology, 12, 723823.
Janovsky, T., Rock, A. J., Thorsteinsson, E. B., Clark, G. I., & Murray, C. V. (2020). The relationship between early maladaptive schemas and interpersonal problems: A meta-analytic review. Clinical Psychology & Psychotherapy, 27(3), 408–447.
Fischer, M. S., Baucom, D. H., & Cohen, M. J. (2016). Cognitive-behavioral couple therapies: Review of the evidence for the treatment of relationship distress, psychopathology, and chronic health conditions. Family Process, 55(3), 423–442.
Com a chegada do verão, mudam as temperaturas, a roupa torna-se mais leve e o corpo fica naturalmente mais exposto. Para muitas pessoas, esta mudança é vivida com descontração, mas, para outras, pode trazer consigo um aumento significativo da insegurança, da autocrítica e do desconforto com a própria imagem. Ir à praia, usar determinadas peças de roupa, aparecer numa fotografia ou simplesmente estar num espaço onde outros corpos estão mais visíveis pode tornar-se emocionalmente exigente.
A imagem corporal não corresponde apenas àquilo que vemos quando nos olhamos ao espelho. É uma construção complexa, que envolve pensamentos, emoções, perceções e atitudes relativamente ao próprio corpo e que vai sendo influenciada pelas experiências pessoais, pelas relações, pelos padrões culturais e pelas mensagens que recebemos ao longo da vida. No verão, alguns destes fatores parecem ganhar maior intensidade. A comparação com outras pessoas torna-se mais frequente e as redes sociais acrescentam uma sucessão de imagens cuidadosamente selecionadas, posadas, filtradas ou editadas que podem facilmente ser tomadas como referência. A investigação tem mostrado uma relação consistente entre a comparação baseada na aparência e uma maior insatisfação corporal.
Embora estas dificuldades sejam frequentemente associadas à adolescência, não pertencem exclusivamente a esta fase da vida. As transformações corporais acompanham-nos ao longo dos anos: crescimento, gravidez, pós-parto, envelhecimento, menopausa, doença, tratamentos médicos, alterações hormonais ou simplesmente as mudanças naturais do corpo. Homens e mulheres podem sentir desconforto com a sua imagem em diferentes momentos. A ideia cultural de que existe uma forma física adequada para usar determinada roupa ou frequentar a praia contribui para perpetuar uma expectativa difícil de alcançar e, sobretudo, desnecessária.
É precisamente antes do verão que reaparecem expressões como “preparar o corpo para o verão” ou “conseguir um corpo de praia”. Mas um corpo não precisa de preencher determinados critérios estéticos para poder estar na praia, usar um fato de banho ou desfrutar dos dias quentes. Todos os corpos são corpos de verão. Ter um corpo de verão significa, simplesmente, ter um corpo e estar no verão. Esta ideia não implica que tenhamos de gostar todos os dias de tudo aquilo que vemos ao espelho. Podemos sentir insegurança relativamente a algumas características físicas e, ainda assim, escolher não deixar que essa insegurança determine aquilo que podemos vestir, os lugares onde podemos estar ou as experiências das quais nos permitimos participar.
A pressão para modificar rapidamente o corpo pode também interferir com a relação com a alimentação. Nesta época tornam-se particularmente comuns dietas muito restritivas, eliminação de determinados alimentos, períodos prolongados sem comer ou tentativas de compensar aquilo que se comeu através de restrição posterior ou exercício físico excessivo. Quando comer começa a organizar-se predominantemente em torno de regras externas — “isto posso”, “isto não posso”, “hoje estraguei tudo”, “amanhã tenho de compensar” — é fácil perder progressivamente o contacto com os sinais internos de fome, saciedade, prazer e satisfação. A comida deixa então de ser apenas alimento, prazer, cultura e convívio e pode transformar-se numa fonte permanente de vigilância e culpa.
Uma relação mais saudável e intuitiva com a alimentação procura precisamente recuperar essa capacidade de escutar o corpo. Significa reconhecer a fome e a saciedade, permitir flexibilidade alimentar, escolher também tendo em conta o prazer, as preferências e as necessidades físicas e compreender que nenhum alimento isolado define a qualidade global da nossa alimentação. Não significa comer sem qualquer atenção às necessidades nutricionais, nem ignorar condições de saúde que exijam cuidados específicos. Significa antes afastar-se da lógica da punição, da culpa e da compensação. A investigação sobre alimentação intuitiva tem encontrado associações com menor perturbação do comportamento alimentar e da imagem corporal e com indicadores mais favoráveis de autoestima e bem-estar psicológico.
Construir uma relação mais tranquila com o corpo pode também passar por deslocar parte da atenção da aparência para aquilo que o corpo permite fazer e experimentar. Caminhar, nadar, descansar, abraçar alguém, dançar, sentir a água do mar ou simplesmente respirar são experiências corporais que não dependem do tamanho de uma roupa nem de uma fotografia considerada perfeita. Pode igualmente ser útil observar a forma como falamos connosco próprios, reduzir a exposição a conteúdos digitais que desencadeiam comparação constante e questionar determinadas regras que fomos interiorizando: “não posso usar isto”, “as minhas pernas não são para mostrar”, “quando emagrecer vou à praia”. Nem todas as inseguranças desaparecem quando deixamos de lhes obedecer, mas podem progressivamente deixar de comandar as nossas escolhas.
Quando a preocupação com a aparência ocupa grande parte do pensamento, condiciona a alimentação, provoca evitamento de situações sociais, leva a comportamentos repetidos de verificação do corpo ou interfere significativamente com a autoestima e o bem-estar, poderá ser importante procurar acompanhamento psicológico. O objetivo não precisa de ser aprender a considerar o próprio corpo perfeito. Pode ser algo mais realista e, frequentemente, mais libertador: desenvolver uma relação suficientemente segura e respeitadora com ele para que a vida não tenha de ficar à espera de um corpo diferente.
Neste verão, talvez o desafio não seja preparar o corpo para ser visto, mas permitir que o corpo que já temos participe plenamente na nossa vida.
Referências bibliográficas
Myers, T. A., & Crowther, J. H. (2009). Social comparison as a predictor of body dissatisfaction: A meta-analytic review. Journal of Abnormal Psychology, 118(4), 683–698. https://doi.org/10.1037/a0016763
Linardon, J., Tylka, T. L., & Fuller-Tyszkiewicz, M. (2021). Intuitive eating and its psychological correlates: A meta-analysis.International Journal of Eating Disorders, 54(7), 1073–1098. https://doi.org/10.1002/eat.23509
Warren, J. M., Smith, N., & Ashwell, M. (2017). A structured literature review on the role of mindfulness, mindful eating and intuitive eating in changing eating behaviours: Effectiveness and associated potential mechanisms.Nutrition Research Reviews, 30(2), 272–283. https://doi.org/10.1017/S0954422417000154
As férias são habitualmente associadas a descanso, liberdade e bem-estar. Esperamos que alguns dias longe das obrigações sejam suficientes para recuperar energia, reduzir o stresse e regressar à rotina com uma sensação renovada. No entanto, para muitas pessoas, parar fisicamente não significa conseguir descansar emocionalmente.
Mesmo durante as férias, a mente pode continuar ocupada com assuntos profissionais, tarefas pendentes, preocupações familiares ou decisões que ficaram por tomar. O corpo muda de lugar, mas os pensamentos permanecem ligados às exigências habituais. Esta dificuldade em “desligar” é particularmente frequente após períodos prolongados de sobrecarga ou quando existe a sensação de que é necessário estar permanentemente disponível.
As férias escolares são um tempo importante para crianças e adolescentes descansarem, brincarem e recuperarem energia. Mas, para muitos pais, estes meses trazem também dúvidas, sobrecarga e preocupação: como organizar quase três meses sem aulas quando as férias dos adultos são mais curtas e nem sempre existe uma rede de apoio disponível? Neste artigo, refletimos sobre os principais desafios deste período e sobre algumas estratégias que podem ajudar as famílias a vivê-lo com mais equilíbrio, realismo e tranquilidade.
As férias escolares são, para crianças e adolescentes, um tempo desejado de descanso, brincadeira e liberdade. No entanto, para muitos pais, este período pode tornar-se exigente e até fonte de preocupação. Enquanto os filhos têm cerca de três meses de férias, a maioria dos pais dispõe de um período muito mais curto de descanso. Muitos continuam a trabalhar, nem sempre têm avós disponíveis, rede familiar próxima, suporte comunitário ou possibilidade económica para recorrer a campos de férias, ATL ou outras atividades organizadas. Este desfasamento entre o calendário escolar e a vida profissional das famílias cria uma pressão real: como garantir cuidado, segurança, ocupação e bem-estar dos filhos quando os pais não conseguem estar presentes como gostariam?
A experiência de tristeza faz parte da vivência humana e surge naturalmente em resposta a acontecimentos difíceis, perdas ou períodos de maior vulnerabilidade emocional. Contudo, existem situações em que o humor persistentemente baixo deixa de ser apenas uma reação transitória e passa a constituir um padrão prolongado de funcionamento psicológico, influenciando de forma significativa o bem-estar, a motivação e a perceção de si próprio. É neste contexto que surge a distimia, atualmente designada no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders — Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR) como Perturbação Depressiva Persistente (American Psychiatric Association, 2022).
A distimia caracteriza-se pela presença de um humor deprimido crónico, persistente durante longos períodos de tempo — geralmente durante pelo menos dois anos nos adultos. Ao contrário daquilo que frequentemente acontece na depressão major, os sintomas podem apresentar menor intensidade, mas tendem a assumir um caráter contínuo e duradouro (Klein & Santiago, 2003). Muitas pessoas descrevem sentir-se “sempre em baixo”, desmotivadas, pessimistas ou emocionalmente cansadas, mesmo quando conseguem manter o funcionamento profissional, académico ou familiar.
Pensar faz parte da nossa natureza. É através do pensamento que organizamos a experiência, antecipamos cenários e procuramos soluções para os desafios do quotidiano. No entanto, há momentos em que este processo, em vez de servir como um recurso adaptativo, se transforma numa fonte significativa de desconforto. É neste ponto que surgem os chamados pensamentos intrusivos — conteúdos mentais que emergem de forma repetitiva, indesejada e muitas vezes, perturbadora.
Importa começar por esclarecer que a experiência de pensamentos intrusivos é, em si mesma, universal. A maioria das pessoas já teve, em algum momento, ideias súbitas e desconcertantes, como receios de causar dano, dúvidas persistentes ou imagens mentalmente vívidas e desconfortáveis. O que tende a diferenciar estas experiências num registo mais benigno, de um padrão mais ansioso, não é a sua presença mas sim a forma como são interpretadas e geridas (Clark, 2005).
A maternidade tem vindo a ser progressivamente adiada nas últimas décadas. Razões académicas, estabilidade profissional, condições económicas, ausência de parceiro, realização pessoal ou simplesmente uma escolha consciente são fatores frequentemente envolvidos. Contudo, para além das variáveis sociais e biológicas, existe uma dimensão psicológica profunda que merece reflexão. Adiar a maternidade não é apenas uma decisão prática, é muitas vezes, uma decisão identitária.
Do ponto de vista da Psicologia Cognitivo-Comportamental (PCC), as decisões são influenciadas por esquemas cognitivos, crenças nucleares e padrões de pensamento construídos ao longo da história de vida. Algumas mulheres organizam a sua decisão em torno de ideias como “só devo ter filhos quando tudo estiver perfeito”, “preciso de estar completamente preparada” ou “não posso falhar como mãe”. Estas cognições, frequentemente implícitas, podem traduzir padrões de perfeccionismo ou necessidade elevada de controlo. A maternidade, enquanto experiência inevitavelmente imprevisível, confronta diretamente estas estruturas internas. O adiamento pode surgir, em certos casos, como uma estratégia de regulação da ansiedade face à incerteza ou ao medo de inadequação.
Existe uma ideia silenciosa, mas persistente, de que o amor tem idade. Que pertence sobretudo à juventude, à energia dos começos, ao corpo sem marcas do tempo. Na maturidade, parece instalar-se socialmente a expectativa de que o amor abrande, se torne secundário ou até desnecessário. Do ponto de vista psicológico, esta ideia não só é redutora como profundamente injusta.
Amar na maturidade não é amar menos, é amar de outra forma. Nesta fase da vida, o amor tende a libertar-se de muitas das pressões que marcaram etapas anteriores: a necessidade de validação constante, a urgência de corresponder a expectativas sociais, o medo de “falhar” enquanto parceiro. Para muitas pessoas, é precisamente na maturidade que surge um amor mais consciente, mais escolhido e menos ansioso.
Falar de namoro tóxico na adolescência não é falar apenas de relações “difíceis” ou de dramas próprios da idade. É falar de experiências emocionais que, muitas vezes, deixam marcas profundas na forma como os jovens aprendem a amar, a relacionar-se e a ver a si próprios.
A adolescência é um período de intensa construção identitária. É nesta fase que se experimenta, muitas vezes pela primeira vez, a intimidade emocional, o desejo de pertença e o medo da rejeição. O namoro surge, assim, como um espaço privilegiado de validação emocional — mas também como um terreno fértil para inseguranças, dependências emocionais e padrões relacionais pouco saudáveis.