O poder do abraço

O poder do abraçoO toque físico pode ser tão agradável como necessário. Várias são as teorias que defendem que a estimulação pelo toque favorece o bem-estar físico e emocional dos indivíduos. O toque terapêutico, como por exemplo a massagem, constitui-se como uma ferramenta eficaz no alívio e tratamento de determinados sintomas físicos de doença. O abraço é uma forma especial de toque que pode contribuir para o aumento do bem-estar físico e emocional.

Algumas  pessoas não gostam de abraços e sentem-se desconfortáveis com o contacto físico. Qualquer tentativa de conforto pelo toque será desagradável e indesejada, criando uma barreira intransponível entre si e o outro. Abraçar e ser abraçado implica uma troca de afectos e disponibilidade para dar e receber, e quando essa disponibilidade não existe, quando o contacto físico é indesejado, forçar terá sempre um efeito nocivo. Há que saber ler os sinais transmitidos pelo outro e perceber se efectivamente o abraço pode ser ou não bem-vindo.

o poder do abraçoExistem vários tipos de abraço e que são utilizados em diferentes contextos e relações. Há o abraço protector, que normalmente se dá entre duas pessoas com um relacionamento significativo em que uma abraça as costas da outra e que pretende transmitir conforto, segurança e protecção. O abraço massagem, em que a pessoa ao mesmo tempo que abraça faz uma ligeira massagem nas costas do outro e que visa transmitir carinho e tranquilidade. O abraço sanduíche refere-se a um tipo de abraço dado a alguém que está a passar por um período difícil e necessita de apoio e conforto. Envolve 3 pessoas, sendo que a pessoa que está no meio tem uma sensação de protecção e de segurança. Este abraço pode acontecer entre três bons amigos, um casal que pretenda consolar alguém ou os dois pais e uma criança.

O poder do abraçoO abraço de dança em que ambos se colocam numa posição como se fossem dançar, é um tipo de abraço mais característico dos pares românticos e que tem implícito um considerável grau de intimidade. O abraço lateral ou o meio-abraço é típico de relações de amizade e visa transmitir segurança, coragem e esperança. O abraço das “palmadinhas nas costas”, prende-se habitualmente com situações em que há algum desconforto e insegurança no relacionamento com o outro, revelador de pouca intimidade e característico de relações ainda em construção. Há ainda o abraço forte, também chamado de “abraço de urso” que é um abraço apertado e evolvente, difícil de despegar em que pelo menos um dos intervenientes parece não querer deixar os braços do outro, com medo de o perder. O abraço em voo é quando um indivíduo se lança nos braços do outro e o abraça não só de braços mas também com as pernas, evolvendo-as na cintura do outro. É um tipo de abraço que revela paixão e desejo e que mostra impulsividade e intimidade.

o poder do abraço

O abraço boneca de trapos, corresponde a um abraço em que apenas uma das partes se sente confortável, enquanto o outro parece ainda não estar preparado para algo mais profundo, ficando sem reacção. Este abraço revela um profundo desequilíbrio entre o que um sente pelo outro ou entre as formas com que se sente capaz de o demonstrar. Há ainda o abraço de ponte que é um abraço em que se mantém uma certa distância da outra pessoa na parte inferior do corpo, não havendo uma entrega total e que pode ser indicador de algum desconforto ou inibição. Por fim, o abraço em grupo que é muito popular entre bons amigos que estejam partilhar uma actividade ou projecto. Este abraço transmite sentimentos de apoio, segurança e afeição, e tem o efeito de conferir um sentido de união e de aceitação.

E qual é então o poder do abraço?

o poder do abraçoO abraço sincero e (com)sentido pode ter um efeito realmente terapêutico. Faz com que a pessoa se sinta amada e oferece uma sensação de conforto e acolhimento, aumentando assim a autoconfiança e segurança, fazendo baixar os níveis de ansiedade. Ao nível das alterações bioquímicas, abraçar e ser abraçado por alguém significativo, provoca a libertação de neurotransmissores como a oxitocina, também conhecida como a “hormona do amor”, que faz aumentar o relaxamento muscular, baixar o ritmo cardíaco, a tensão arterial e os níveis de cortisol – hormona que responde às situações de stresse. O abraço como experiência emocional positiva, promove também a libertação de dopamina  que é uma hormona que actua como um estimulante, criando uma sensação de prazer no cérebro. Favorece ainda a libertação de endorfinas que são substâncias produzidas no sistema nervoso e que fortalecem o sistema imunitário.

O poder do abraçoMas para que um abraço exerça efectivamente o seu poder terapêutico é necessário que se mantenha aproximadamente por 6 segundos. A evidência científica refere esta duração como o tempo necessário para que sejam activados os neurotransmissores anteriormente referidos, de modo a permitir os seus efeitos terapêuticos. Segundo Lisa Lehr (2009) precisamos de 4 abraços por dia para sobreviver, 8 para nos mantermos emocionalmente estáveis e 12 para crescer e nos desenvolvermos enquanto pessoas. O acto de abraçar e a sua aceitação tem a ver com factores geracionais e culturais, assim como factores de género e de tipo de relação que se tem com o outro. Por exemplo, na nossa cultura, um abraço num primeiro encontro pode não ser bem visto ou aceite, no entanto, um abraço na despedida desse mesmo primeiro encontro, pode já ser visto com maior naturalidade. O abraço parece também ser melhor aceite em situações onde há uma forte componente emocional, seja ela positiva ou negativa (ex. casamento ou funeral).

Abraçar é uma expressão de intimidade física. Trata-se de colocar os braços em torno de outra pessoa e com maior ou menor intensidade e intenção, comunicar ao nível mais profundo das emoções. Abraçar é uma forma simples de oferecer apoio e a possibilidade de partilha de sentimentos. É uma resposta natural a sentimentos de afeição, compaixão, carência e alegria.

 

Fontes:

https://pt.scribd.com/document/16258689/A-Hug-the-Miracle-Drug

http://dehesa.unex.es/bitstream/handle/10662/3171/02149877_2010_1_1_143.pdf?sequence=4&isAllowed=y

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