Família

A família é habitualmente pensada como o contexto onde nascemos, vivemos e morremos, sendo que durante o ciclo de vida, a família se vai alterando. A família de origem, tal como o nome indica, dá origem ao indivíduo e a laços familiares, que embora se mantenham para sempre, assumem diferentes papéis no decorrer do ciclo de vida.

A família constitui-se como o espaço privilegiado de aprendizagens e de desenvolvimento, através das interações entre os diferentes membros. É em contexto familiar que acontece a primeira vivência dos afetos, o desenvolvimento da comunicação (verbal e não-verbal) e as primeiras experiencias de “exploração do mundo”. É através das interações familiares, numa cadência alternada de emoções positivas com emoções negativas, que o indivíduo desenvolve o seu sentimento de pertença e filiação. A família, enquanto grupo social e institucional relativamente estável, representa a base da vida social. Cada família é constituída por um conjunto de elementos únicos ligados por um conjunto de relações particulares e que se mantém em contínua interação com o exterior.

Numa perspetiva holística, cada família é um sistema de interação que supera e articula em si mesma os diversos elementos que a constituem. Sendo um sistema integrado noutros sistemas, torna-se fundamental a exploração das relações interpessoais e das normas que regulam a vida dos grupos significativos a que cada indivíduo pertence, para uma compreensão do seu comportamento. Se é certo que a família se constitui como um todo, é contudo importante não esquecer que cada elemento que a constitui também tem as suas singularidades inatas e interações individuais. Assim sendo, nem sempre se pode imputar à “instituição família” a responsabilidade explicativa de eventuais disfuncionalidades observadas em alguns dos seus elementos.

As relações familiares traduzem a interação entre os vários membros que constituem a família, influenciando-se mutuamente através de modelos de comportamentos. No entanto, cada indivíduo deve ser analisado de forma individual, levando em conta as suas particularidades. Sendo a família um sistema aberto, dele recebe um conjunto de influências ao mesmo tempo que influencia outros sistemas. Na sua evolução, o sistema familiar vai regulando esta abertura ao exterior, ora fechando-se ora abrindo-se, de acordo com as suas necessidades e as suas características. Assim, cada indivíduo retira ou dá ao exterior diferentes elementos, de acordo com as suas características individuais, o que leva a que embora oriundos de um determinado contexto familiar comum, alguns indivíduos possam apresentar atitudes e comportamentos distintos.

Costuma dizer-se que “os dedos de uma mão são todos diferentes” e essa ideia pode adequar-se ao sistema família. Todos os membros têm características comuns, genéticas, ambientais e comportamentais, não obstante, cada um se constrói, de acordo não só com as influências familiares, mas com aquilo que vai absorvendo das suas interações extrafamiliares. No entanto, a estrutura familiar é constituída por um conjunto de relações que se estabelecem ao longo das gerações e que lhe vão conferindo configurações particulares, sem que nunca lhe seja modificada a sua identidade básica.

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