Ansiedade de separação na infância

Os problemas relacionados com ansiedade são muito prevalentes na população pediátrica. Os medos fazem parte do contexto infantil e são em certa medida adaptativos e protetores, porém, há casos em que o medo se torna impeditivo do funcionamento “normal” da criança, com um impacto potencialmente negativo no seu desenvolvimento socio-emocional.

Das várias dimensões que a ansiedade pode abarcar, a ansiedade de separação é talvez a mais típica do universo infantil. As crianças com esta perturbação apresentam um sofrimento excessivo e recorrente em situações de separação das figuras de referência, principalmente os pais. A enorme preocupação destas crianças com a perda, possíveis danos como acidentes ou até mesmo a morte dos que lhes são próximos, é muito perturbadora do seu quotidiano, com repercussões na tranquilidade familiar. Do mesmo modo, o medo intenso de se perderem ou de serem raptadas é outro sentimento comum a estas crianças. Esta perturbação pode verificar-se em crianças a partir dos 9 meses e estender-se à adolescência ou até mesmo à idade adulta, no entanto, é entre os 5 e os 9 anos que se observa maior incidência.

Também a vivência da vida escolar pode ser muito afetada por esta problemática. As crianças com ansiedade de separação apresentam frequentemente grande relutância em ir à escola, ou até mesmo recusa, decorrente do medo de se separarem dos seus. Sintomas somáticos como dores de barriga, náuseas, vómitos ou dores de cabeça, podem ocorrer de forma persistente, perturbando assim a permanência em contexto escolar e consequentemente a aprendizagem da criança e o seu desenvolvimento académico, emocional e social. Dormir fora de casa pode ser outro problema difícil de enfrentar pelos motivos já referidos. Também o sono pode ser perturbado por este problema, manifestando-se em pesadelos recorrentes que envolvem o tema da separação.

E porque é que algumas crianças desenvolvem ansiedade de separação?  A resposta não é simples pois parece não haver na maioria dos casos uma causa única. Quer as características do contexto familiar (instabilidade, permissividade excessiva…), quer a herança biológica, têm grande influência na criança que, consoante o seu temperamento, poderá ter maior o menor vulnerabilidade para desenvolver algum tipo de perturbação de ansiedade. No entanto, a ansiedade de separação tem um componente da própria ansiedade dos pais, o que faz aumentar por vezes de forma exacerbada, a ansiedade da criança, levando a um círculo vicioso que apenas pode ser interrompido por meio de uma intervenção adequada, com a criança e com a família.

Após uma cuidada avaliação, que inclui a criança e os contextos que a envolvem (e. g. família e escola) a psicóloga deve selecionar a opção terapêutica mais adequada para cada caso. Em situações mais extremas, a criança deverá ser encaminhada ao pedopsiquiatra para que possa ser medicada, habitualmente com um ansiolítico. Contudo a necessidade de se recorrer à medicação é rara. Em casos de ansiedade de separação ligeira a moderada, a Sua Psicóloga poderá intervir, de acordo com as técnicas que domina. Independentemente da técnica escolhida, é fundamental que se construa uma boa aliança terapêutica entre o profissional de saúde, a criança e a família. A psicoeducação, as estratégias de dessensibilização sistemática e o relaxamento, são exemplos de técnicas que podem ser muito eficazes.

Se identifica na sua criança sinais compatíveis com um quadro de ansiedade de separação, não deixe de procurar ajuda. Este problema pode ser resolvido com muito sucesso em relativamente pouco tempo. A falta de tratamento irá possivelmente intensificar e prolongar o sofrimento da criança, podendo mesmo conduzir a outras problemáticas, como baixa autoestima, insegurança ou fracas competências socio-emocionais.

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