Bullying e Cyberbullying

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O bullying é um fenómeno infelizmente muito presente nos nossos dias, tipicamente em contexto escolar, mas não só. Com o advento das tecnologias e das novas formas de comunicação, o bullying saiu do recreio das escolas e entrou em casa de muitas crianças e adolescentes, através das redes sociais e do telemóvel.

O bullying caracteriza-se por comportamentos físicos abusivos (empurrões, murros, palmadas, pontapés…), agressões verbais (insultos, humilhação, ridicularização…), violência emocional (intimidação, exclusão social…) e pelo cyberbullying (envio e partilha de mensagens ou imagens ofensivas através de correio eletrónico, redes sociais ou telefone). Estes comportamentos de agressão, qualquer que seja a sua forma, são habitualmente repetidos, podendo manter-se por algumas semanas ou prolongar-se no tempo por meses ou até mesmo anos. As crianças ou adolescentes vítimas de bullying têm habitualmente muita dificuldade em expor os seus medos e em se defenderem, tornando-se assim alvos mais fáceis dos seus agressores, que perante a falta de reação das suas vítimas, vêm reforçado o seu comportamento disruptivo.

O cyberbullying é a forma mais recente de agressão por humilhação e difamação social, levada a cabo pelo agressor através dos meios de comunicação digitais, como a internet ou os telemóveis. Através das redes sociais como por exemplo o Facebook ou o Instagram, o agressor consegue influenciar um número maior de pessoas, prejudicando a reputação e as amizades da vítima, quer pelo envio de mensagens caluniosas e ofensivas, quer pela partilha online de imagens ou vídeos ofensivos e humilhantes, com rápido efeito multiplicador. O cyberbullying, não se tratando de violência física mas sim virtual, tem um impacto extremamente negativo na vítima, podendo em situações limite estar associado a comportamentos auto-lesivos ou tentativas de suicídio.

No bullying, há vários papéis representados: o agressor, a vítima e a testemunha. O agressor tem o objetivo específico de provocar mal-estar na vítima e ao mesmo tempo ter controlo sobre ela, através de comportamentos regulares e repetidos no tempo, levando a um desequilíbrio de “poder”, entre ambos. O agressor, por vezes mais velho ou fisicamente mais forte, demonstra repetidamente comportamentos desagradáveis para com a sua vítima, que habitualmente considera física e emocionalmente mais fraca. O bullying constitui-se pelas suas características como uma violação dos direitos fundamentais de qualquer criança ou jovem, uma vez que representa uma limitação ao seu saudável desenvolvimento socio-emocional, podendo conduzir a contextos de discriminação ou a problemas relacionados com a saúde física ou mental.

Como já foi referido, em contexto de bullying, encontram-se 3 tipos de intervenientes, os agressores, as vítimas e as testemunhas. As testemunhas incluem habitualmente crianças ou jovens que assistem aos episódios de provocação ou agressão e tomam diferentes atitudes mediante o seu temperamento e funcionamento psicológico. Por vezes apoiam o agressor e nada fazem no sentido de proteger a vítima. São em regra crianças ou adolescentes inseguros e com fracas competências de emancipação, que embora possam não agredir diretamente, participam nos atos agressivos, chegando a incentiva-los, em busca de protagonismo e aceitação por parte do líder (agressor). Por outro lado, embora possam sentir empatia pela vítima e culpa ou vergonha por assistirem a situações tão violentas e com as quais não concordam, por vezes não conseguem intervir nem denunciar, por medo de represálias por parte do agressor. Poderão ser as testemunhas que se identifiquem com a causa da vítima, quem tem maior capacidade de intervir, manifestando o seu desagrado, protegendo a vítima, retirando-a da situação de perigo ou denunciando a situação.

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Voltando ao agressor, este pode ser uma criança ou jovem que vive num contexto social hostil e que reproduz os modelos refletidos pelas suas vivências. Porém, poderá igualmente ser oriundo de um meio socioeconómico privilegiado, o que o faz sentir-se superior em relação aos seus colegas de escola, por tudo o que a sua condição económica lhe permite exibir (roupas de marca, telemóveis topo de gama…). Assim mesmo, são por norma crianças ou jovens inseguros, que tentam passar uma imagem de segurança e poder, pouco tolerantes à frustração e que habitualmente têm grande dificuldade de adaptação às normas sociais. Os agressores têm plena consciência do dano que causam aos que agridem, maltratam e humilham, no entanto, fazem-no para se sentirem superiores.

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Existem algumas crenças em relação ao bullying que nem sempre estão corretas. Pensar que a criança que passa por uma experiencia de bullying fica mais preparada para a vida, não é verdade. Nem todas as crianças apresentam a mesma estrutura física, psicológica ou emocional. Quando exposta a repetidas situações de agressão ou humilhação, a criança ou o adolescente poderá ter tendência a tornar-se ela própria violenta, ou seja, replicar o modelo. Prepará-la para a vida passa por fornecer-lhe boas competências relacionais e não sujeitá-la a um modelo de violência. Por outro lado, pensar que o bullying é “normal” entre crianças e que os adultos não devem intervir, pode também não ser correto. Os adultos deverão estar atentos aos sinais de maus tratos ou ao aparecimento de sintomatologia depressiva nas crianças e não se devem demitir da sua função protetora e interventiva. A criança que se sente sozinha dentro de um contexto de bullying, poderá vir a desenvolver patologia ansiosa ou depressiva grave, com grande prejuízo no seu desenvolvimento e na sua saúde. É claro que o ideal é que a criança consiga resolver por si mesma as questões relacionais que possam surgir em contexto escolar, no entanto, a intervenção de um adulto, ou até mesmo a procura de apoio psicológico especializado, é fundamental.

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