A procura pelo significado da vida é uma questão fundamental na história da humanidade, abordada por filósofos, psicólogos e pensadores ao longo de várias épocas. A questão do propósito e do sentido de viver não se limita a reflexões teóricas, mas tem profundas implicações na saúde mental e no bem-estar psicológico. Estudos contemporâneos demonstram que a percepção de um propósito na vida está diretamente associada a melhores índices de satisfação, resiliência e saúde geral.
Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, é uma referência incontornável neste tema. Na sua obra datada de 1946, O Homem em Busca de um Sentido, defende que a busca por sentido é uma das motivações mais profundas do ser humano. A sua teoria, conhecida como logoterapia, propõe que mesmo em circunstâncias adversas (como as que enfrentou nos campos de concentração), encontrar um significado pode ajudar a superar o sofrimento. Para Frankl, o propósito de vida não é algo que se descobre, mas algo que se cria, ao encontrar um motivo pelo qual viver, seja através do trabalho, das relações interpessoais, da espiritualidade ou mesmo de experiências transcendentais.

A psicologia moderna tem corroborado esta perspetiva. Estudos longitudinais, como os realizados por Steger, Frazier, Oishi e Kaler (2006), indicam que a percepção de sentido está correlacionada com níveis mais baixos de ansiedade e depressão. Segundo os autores, indivíduos que identificam um propósito claro na vida tendem a desenvolver maior resiliência emocional e a tornarem-se mais capazes de enfrentar desafios e lidar com situações stressantes. Esta ligação deve-se, em parte, ao facto de o propósito funcionar como uma “âncora”, conferindo estabilidade emocional e orientando as ações diárias em direção a objetivos significativos.

A ausência de sentido, por outro lado, está associada ao vazio existencial, um fenómeno amplamente discutido por Frankl e explorado posteriormente por Yalom (1980) no contexto da psicoterapia existencial. O vazio existencial, frequentemente caracterizado por apatia, tédio e sensação de desconexão, é uma condição que pode levar a comportamentos autodestrutivos, como o abuso de substâncias, ou até mesmo à ideação suicida. Assim, fomentar a reflexão sobre o propósito é essencial no tratamento de condições de saúde mental, como por exemplo a depressão.

No campo da saúde física, a investigação também demonstra os benefícios de se viver com propósito. Um estudo de Hill e Turiano (2014) revelou que pessoas com um sentido claro de propósito apresentam menor risco de desenvolver doenças crónicas, como problemas cardiovasculares, e tendem a viver mais tempo. Este efeito é parcialmente explicado pela redução nos níveis de stresse e pela promoção de comportamentos saudáveis, como o exercício regular e a alimentação equilibrada.

Para cultivar um propósito na vida, é fundamental investir em atividades que promovam o autoconhecimento, como a meditação, a psicoterapia ou mesmo a prática da gratidão. Além disso, envolver-se em ações altruístas e construir relações significativas, pode aumentar a sensação de pertença e conexão, contribuindo para o bem-estar geral.

A busca por sentido e propósito na vida não é apenas uma questão filosófica, mas sim uma necessidade humana essencial, com impactos profundos na saúde mental e física. Como Frankl afirma, “aquele que tem um porquê viver, pode suportar quase qualquer como viver” (1946). Reconhecer e nutrir o propósito é, portanto, uma estratégia poderosa para promover uma vida plena e significativa.
Referências:
- Frankl, V. E. (2012). O homem em busca de um sentido. Leya.
- Hill, P. L., & Turiano, N. A. (2014). Purpose in life as a predictor of mortality across adulthood. Psychological Science, 25(7), 1482-1486.
- Steger, M. F., Frazier, P., Oishi, S., & Kaler, M. (2006). The Meaning in Life Questionnaire: Assessing the presence of and search for meaning in life. Journal of Counseling Psychology, 53(1), 80-93.
- Yalom, I. D. (1980). Existential Psychotherapy. Nova Iorque: Basic Books.