A pirâmide das necessidades

NecessidadesSe comer, dormir e respirar são três das necessidades básicas do Homem, estas referem-se apenas a necessidades fisiológicas. No entanto, há outras necessidades nas quais nem sempre pensamos como sendo básicas e essenciais ao funcionamento do ser humano, mas que são importantes e sem as quais não poderá haver equilíbrio, harmonia e plena satisfação com a vida.

Na década de 50 do século passado, o psicólogo norte-americano Abraham H. Maslow teorizou acerca desta temática e criou a Pirâmide de Maslow ou a Hierarquia das Necessidades, tendo como objetivo determinar o conjunto de condições necessárias ao Homem, para que este possa alcançar a satisfação com a vida, quer a nível pessoal como profissional ou social. O autor considera a organização das necessidades de forma hierárquica, ao defender que estas se agrupam conforme o grau de importância e urgência na sua satisfação.

Hierarquia das necessidadesAssim, para Maslow é a perspetiva de satisfação dessas necessidades que se constitui como a motivação no sujeito. A apresentação em pirâmide serve o propósito de hierarquizar as necessidades, ou seja, coloca as mais básicas e indispensáveis à sobrevivência na sua base e à medida que se vai aproximando do topo, são colocadas as necessidades de maior complexidade e elaboração.

Necessidades de MaslowLogo depois das necessidades fisiológicas, que visam a sobrevivência, entrte elas respirar, comer, beber, dormir, sexo e abrigo, o segundo nível refere-se às necessidades de segurança. A segurança física e de saúde, familiar, no trabalho, de propriedade/recursos são fundamentais para que o indivíduo sinta proteção e garantia de ter soluções para lidar com situações que possam ocorrer. O nível seguinte refere-se às necessidades sociais, isto é, as relações de amizade, amor, familiares ou de convívio com colegas que se manifestem por sentimentos de aceitação perante os outros e sentido de pertença a um ou vários grupos.

Pirâmide das necessidades Antes de chegar ao topo da pirâmide encontram-se as necessidades relacionadas com a estima. Estas englobam a autoestima, autoconceito, autoconfiança, respeitabilidade, reconhecimento e conquista. Por fim, o topo da hierarquia integra as necessidades de autorrealização. Estas são primordiais para que a pessoa alcance a verdadeira realização pessoal e profissional. Entre elas estão a moralidade, os valores, a liberdade, a independência, a autonomia, a criatividade, a autenticidade, o controlo das emoções e o autoconhecimento. Para a satisfação destas necessidades o indivíduo terá que ter a capacidade de refletir e ter um bom conhecimento de si próprio, no sentido de obter a plenitude.

Necessidades básicasSegundo o autor, a regra de que um nível deve ter sido atendido antes de o indivíduo avançar para o próximo deveria ser respeitada, porém, hoje em dia a pirâmide é vista como uma estrutura mais flexível, sendo possível que um determinado fator de um dos níveis não seja tão relevante para a motivação de um determinado indivíduo. Por outro lado, é também provável que uma pessoa possa procurar ativamente realizar as suas necessidades, privilegiando um determinado nível em detrimento de outro.

MaslowPosteriormente Maslow identifica outras três necessidades: a necessidade de aprendizagem, a necessidade de satisfação estética e a necessidade de espiritualidade. Para melhor compreender o mundo que o rodeia e a ele se adaptar, o sujeito tem a necessidade de adquirir conhecimento e de aprender ao longo da vida. A beleza, a simetria e a arte buscam a perfeição e orientam para a necessidade relacionada com a estética. A conexão com os elementos da natureza, da espiritualidade e da fé compõem as necessidades de transcendência, fundamentais para que alguns indivíduos vivam a sua integridade enquanto seres humanos.

Necessidades básicasA Pirâmide de Maslow é uma ferramenta com grande potencial pois pode ajudar no processo de autoconhecimento, principalmente na identificação e compreensão dos fatores que despertam a motivação em cada um, de nós. Para nos mantermos motivados e focados nos nossos objetivos temos que saber o que nos impulsiona na sua direção. Assim, recorrendo à Hierarquia de Necessidades podemos identificar em que nível se encontram as nossas metas, entendendo melhor o que procuramos e encontrando mais caminhos para as atingir. Em contexto de trabalho, por exemplo, a Pirâmide de Maslow pode ajudar as empresas a garantir que as suas equipas se mantêm motivadas. Pessoas com as suas necessidades básicas atendidas geram um ambiente mais saudável, criativo e produtivo. A manutenção da motivação é capaz de reduzir custos, potenciar resultados, diminuir a rotatividade e melhorar a otimização dos recursos humanos.

 

Fonte:

http://highgatecounselling.org.uk/members/certificate/CT2%20Paper%201.pdf

 

 

Tricotar, relaxar e não só!

Tricot e psicologia

Tricotar ou a arte de entrelaçar os fios é uma atividade antiga mas que mantém muitos adeptos ainda nos dias de hoje. Útil para fazer roupas e acessórios, por vezes utilizado como passatempo, o tricot pode ter um importante efeito terapêutico, relaxante e não só.

O tricot é uma arte inicialmente desenvolvida por mulheres mas nos dias de hoje, parece ocupar já um espaço considerável na vida de muitos homens. A par da utilidade dos trabalhos tricotados que vão desde cachecóis, gorros, meias, camisolas, casacos ou mantas, entre outros, o tricot tem um efeito muito positivo naqueles que o escolhem como passatempo. Os seus efeitos terapêuticos, bem como de outras técnicas de fazer malha, são diversos e muito eficazes. Por um lado tricotar relaxa, potencia a meditação e descontrai, podendo ajudar a aliviar a tensão acumulada ao longo do dia. Por outro lado, tricotar ajuda a desenvolver as habilidades motoras e promove a capacidade de concentração e de atenção. A criatividade é outra competência que pode ser desenvolvida através do tricot. Planear, desenhar a peça, executar e alterar, são formas importantes de colocar a criatividade em movimento e a cabeça a pensar. O tempo do tricot pode ser um tempo de introspeção, de análise pessoal e de reflexão, potenciando a tomada de decisões ou a resolução de problemas.

Psicologia e tricotTricotar pode ser um acto isolado mas também pode promover a aprendizagem e a socialização, se a prática for executada em grupo. A troca de ideias, de opiniões, de ajuda de peritos nas técnicas mais elaboradas, promovem o convívio e a partilha. Fazer, desmanchar e voltar a fazer, corrigir erros, experimentar novos pontos ou técnicas, são estimulantes do ponto de vista cognitivo e psicomotor. Tecer malhas em grupo permite que se teçam histórias, lembranças, memórias, viagens ao passado, exploração do presente e projeções futuras.

Psicologia e tricotSendo esta uma atividade prazerosa, o cérebro produz substâncias como as endorfinas que são responsáveis pela sensação de bem-estar e redução do stresse. Assim, o tricot pode ser visto como calmante e como forma de controlar a ansiedade. Pessoas com problemas de onicofagia, frequentemente associada a quadros ansiosos, podem beneficiar desta prática uma vez que estando as mãos ocupadas a tecer malhas, inibem os comportamentos de roer as unhas.  À semelhança de outras atividades manuais, o tricot pode contribuir de forma positiva para o bem-estar psicológico. De salientar o sentimento de autoeficácia de quem termina um trabalho, o orgulho de se ter feito “aquela camisola para o filho” ou por terem saído das próprias mãos alguns dos presentes de Natal, é certamente muito gratificante.

Psicologia e tricotTricotar não é apenas um passatempo mas sim o estabelecimento de metas e objetivos. O que se escolhe fazer, o prazo definido, o valor atribuído, os esforços necessários para a conclusão do projeto, podem ser formas de estruturação comportamental, tão importantes por exemplo, nos casos de depressão. Também a estimulação cognitiva que tricotar permite poderá ser benéfica no atraso das demências. Parece também que o facto de nos concentrarmos numa atividade que se baseia na repetição, acalma e pode ajudar a induzir o sono. Perante tantas vantagens e benefícios para as nossas vidas, porque não experimentar? Deixe-se levar pelo conforto da lã macia, escolha uma cor do seu agrado e mãos à obra! A Internet está cheia de tutoriais que ensinam desde os pontos mais básicos aos mais elaborados. Dizer que não sabe fazer não é desculpa. Em alternativa, há sempre uma avó ou uma tia que podem ensinar ou inscreva-se num workshop que muitas vezes decorrem nas lojas de lãs e divirta-se!

Psicologia e tricot

 

 

Gerir o tempo

Gerir o tempoUma das estratégias mais eficazes para o aumento da organização e da produtividade é a correta gestão do tempo. Assim parece ser consensual que na vida do dia-a-dia, as pessoas possam retirar benefícios de uma boa gestão do seu tempo. E em relação ás crianças e adolescentes? Será igualmente importante que aprendam a fazer essa gestão no sentido de verem incrementada a sua produtividade, por exemplo, em termos de desempenho escolar?

A gestão do tempo é sem dúvida um fator relevante e muitas vezes apontado pelos mais novos como uma preocupação. Hoje em dia, as crianças e adolescentes vêm-se “a braços” com múltiplas tarefas e exigências que incluem a escola, a família, as atividades extracurriculares desportivas ou de lazer e as exigências sociais, fundamentais para um ótimo desenvolvimento enquanto seres humanos. Assim, torna-se cada vez mais importante a gestão do tempo, não apenas no sentido de o “fazer chegar” para tudo, mas também para que este possa ser aproveitado com qualidade e para que haja um bom ajustamento psicossocial. Continuar a ler